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1. Introdução

1.5. Modelos para calcular o impacto económico do projeto de RT

O setor da saúde ocupa, atualmente, um espaço muito visível na nossa sociedade, seja em termos económicos, sociais ou meramente mediáticos. A análise do setor da saúde e a procura de mecanismos que melhorem o seu funcionamento, satisfazendo da melhor forma as necessidades da população é, nos últimos anos, uma realidade. A evolução das tecnologias da saúde (o aparecimento de novos medicamentos e mais inovadores, o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico, etc.) e a implementação de processos de minimização dos erros associados à saúde apresentam benefícios para a população. No entanto, estas inovações têm um custo e levantam a questão do seu financiamento.24

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Santis, T. P. D. (2009), “Polimedicação e Medicação Potencialmente Inapropriada no Idoso: Estudo descritivo de base

populacional em cuidados de saúde primários”. Coimbra.

necessário desenvolver mecanismos claros, transparentes e eficazes de avaliação dos custos gerados e dos benefícios para saúde com as inovações, para garantir a sua acessibilidade a um maior número de pessoas e para garantir o apoio por parte das instituições de saúde.

Existem, para o efeito, várias ferramentas que permitem fazer esse tipo de análise, das quais destacamos o retorno no investimento (ROI) e a análise custo-benefício.

Em economia, o retorno no investimento (em inglês, return on investment ou ROI) é a relação entre o dinheiro ganho ou perdido através de um investimento e, o montante de dinheiro investido.

O cálculo do ROI possui diversas metodologias, algumas simples, outras nem tanto. Cada metodologia varia em função da finalidade ou do enfoque que se deseja dar ao resultado.

A análise custo-benefício é um indicador que relaciona os benefícios de um projeto, expressos em termos monetários, e os seus custos, igualmente expresso em termos monetários. O primeiro passo da análise custo-benefício consiste na identificação dos custos diretos e indiretos do projeto em análise. O passo seguinte consiste na atribuição de valores monetários aos benefícios.25

Existem dois modelos que permitem calcular o potencial de poupança bruta de um processo de RT.26

O modelo proposto por Steven B. Meisel, PharmD, Diretor de Segurança do Medicamento nos Serviços de Saúde de Fairview, em Minneapolis, Minnesota, permite uma análise do custo- benefício da redução dos EAM atráves do processo de RT.26

O Instituto de Medicina dos Estados Unidos entre outros, estabeleceram que uma certa percetagem de doentes admitidos nas unidades de saúde hospitalares estão sujeitos a discrepâncias no seu regime terapêutico e, uma certa percentagem destas discrepâncias podem conduzir ao aparecimento de EAM que podem provocar sérios danos no doente.26

Um estudo realizado por Bates et al. estimaram que o custo de EAM pode chegar aos $4.800 por evento. Outros autores, nas suas organizações de saúde, estimaram diferentes valores.26

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Mansur,J. & Shaw, M. (2009).”Medication Reconciliation Handbook”. 2ª.Edição. Joint Comission Resources, American Society of Hospital Pharmacist (EUA)

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efetivo de RT pode detetar e corrigir até 85 por cento das discrepâncias na medicação e que, um processo eficaz de RT na admissão pode demorar entre 15 e 30 minutos na admissão.27

Baseando-se nestes pressupostos Meisel chegou à seguinte fórmula:27

Número médio de discrepâncias não intencionais por doente x Número de doentes reconciliados por ano

x Percentagem de doentes com discrepâncias que pode resultar em EAM x Efetividade do processo de RT

x Custo médio por EAM

= Poupança anual

Esta fórmula permite chegar à poupança bruta com o processo de RT. Para avaliar a poupança líquida será necessário subtrair o valor do custo do investimento dos recursos previstos (recursos humanos, equipamentos, materiais, entre outros). A poupança liquída irá variar consoante os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de farmácia) envolvidos no processo de RT.27

De acordo com o dados dos Serviços de Saúde de Fairview, em Minneapolis, Minnesota, chegou à seguinte poupança líquida anual (Figura 5):27

Figura 5: Modelo apresentado por Steven B. Meisel na conferência da The Joint Commission/Institute

for Safe Medication Pratices Medication Reconciliation, em 14 de Novembro de 2005

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Mansur,J. & Shaw, M. (2009).”Medication Reconciliation Handbook”. 2ª.Edição. Joint Comission Resources, American Society of Hospital Pharmacist (EUA)

ilustrativo que pretende demonstrar às direções das unidades de saúde que, a promoção da qualidade e da segurança no tratamento do doente pode ser uma estratégia cujos ganhos superam os custos.

Já o modelo desenvolvido por Steve Rough, MS, RPH, Diretor da Farmácia do Hospital da Universidade de Wisconsin, permite uma análise do custo-benefício do uso de farmacêuticos na elaboração da história de medicação dos doentes e no processo de RT na admissão hospitalar. Em 26 de Junho de 2006, Steve Rough, adaptou o seu modelo a uma amostra de dados do Hospital Northwestern Memorial, Chicago.28 (Figura 6)

Figura 6: Modelo de Steve Rough

Este modelo pode ser usado nas diversas transições de cuidados, usando dados de EM publicados ou reais da própria instituição. Este modelo permite determinar o número de EM prejudiciais, por ano, que podem ser evitados com o processo de RT. E, através da atribuição de um valor monetário aos EM, pode-se calcular a poupança anual bruta com os EM evitados pelo processo de RT. Em seguida, tendo em conta o número de admissões hospitalares e o tempo médio da RT é possível determinar quantos farmacêuticos seriam necessários a full-

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pessoal à poupança anual bruta chega-se à poupança anual líquida.29

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