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MORFOGÊNESE DAS VERTENTES

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 36-40)

TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA

2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES

Conforme Christofoletti (1980), as vertentes podem resultar da influência de qualquer processo e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de condições tanto internas quanto externas.

Desse modo, as vertentes endogenéticas correspondem àquelas vertentes cuja formação está relacionada aos processos endógenos (que se originam no interior da Terra). As vertentes exogenéticas resultam dos processos exógenos (que se originam na superfície da Terra). Enquanto que os processos endógenos modificam a posição altimétrica e a orientação preexistente das vertentes, bem como podem ocasionar a formação de novas vertentes, os processos exógenos reduzem a paisagem terrestre a um determinado nível de base (o principal é o nível do mar).

É evidente que a interação dos processos endógenos e exógenos responsáveis pela formação das formas de relevo tanto da superfície continental quanto oceânica é um processo relativamente lento na escala do tempo geológico. Gostaríamos de destacar também, conforme coloca Christofoletti (1980, p. 26):

2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES

Que considerando que os processos endógenos pertencem ao âmbito da geodinâmica, e que qualquer que seja a origem endogênica primitiva toda vertente está esculpida pelos processos exógenos, em maior ou menor grau, podemos afirmar que as vertentes representam a categoria de forma que se constitui no objeto primordial da geomorfologia, pois são os componentes básicos de qualquer paisagem.

Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Apesar desses processos atuarem conjuntamente, apresentam um desenvolvimento diferenciado, cuja eficácia é igualmente variada, conforme o meio no qual agem. Para Christofolleti (1980, p. 27):

os processos morfogenéticos constituem fenômenos de escala métrica ou decamétrica, e o seu estudo traz informações de ordem teórica e prática. No âmbito teórico, explica a evolução das vertentes e a esculturação do relevo, e no campo prático fornece informações a propósito da melhor aplicabilidade das técnicas de conservação dos solos.

Na Unidade 3 você fará um estudo aprofundado sobre o solo, bem como as técnicas de conservação.

ESTUDOS FUTUROS

Todavia, se considerarmos os processos morfogenéticos isoladamente, segundo Christofolleti (1980), podemos distinguir as seguintes categorias mais

importantes na morfogênese do modelado terrestre:

a) Meteorização ou intemperismo → este processo é responsável pela produção de detritos que serão erodidos, ocasionando a formação do regolito. Pode-se dizer que é um pré-requisito necessário para a movimentação de fragmentos rochosos ao longo das vertentes.

Caso você não saiba o significado de regolito, é importante ter claro o conceito. Assim, regolito é o “material decomposto que repousa sobre a rocha-matriz, sem ter sofrido transporte. O material do regolito é um resíduo que não sofreu ainda o processo de edafização. Por conseguinte, o regolito constitui um material decomposto, isto é, resultante da meteorização e não edafização, o que leva alguns pedólogos a denominá-los de solo cru”. (GUERRA; GUERRA, 1997, p. 525).

b) Movimentos do regolito → este processo corresponde a todos os movimentos gravitacionais que ocasionam a movimentação de partículas ou parte do regolito encosta abaixo. A gravidade é a única força importante na qual não está envolvido nenhum meio de transporte (o vento, a água em movimento, o gelo e a lava em fusão). Contudo, é evidente que a presença da água e do gelo, por exemplo, pode acelerar o movimento do regolito.

c) O processo morfogenético pluvial → é um dos processos mais generalizados e importantes na esculturação das vertentes, distinguindo-se entre a ação mecânica das gotas de chuva e o escoamento pluvial. No que tange à ação mecânica das gotas de chuva, pode-se afirmar que este é o primeiro impacto erosivo dos solos, promovendo o “arrancamento” e deslocamento das partículas terrosas. Isso ocorre em função da energia cinética das gotas, variando conforme o tamanho e a velocidade das mesmas. Embora o impacto das gotas de chuva represente a primeira fase da morfogênese pluvial, o processo de transporte mais importante é o escoamento pluvial que se origina quando a quantidade de água precipitada é maior que a velocidade de infiltração.

No tópico anterior você pôde verificar a ação erosiva das águas das chuvas. Se for necessário, retome a leitura.

ATENCAO

d) A ação biológica → sem dúvida, a ação dos seres vivos também contribui no modelado das vertentes. As plantas, através das raízes, ocasionam o deslocamento de partículas, aumentando a permeabilidade do solo, bem como intensificam as ações bioquímicas e a retirada de nutrientes. As plantas também funcionam como camada interceptora diante da ação mecânica da água das chuvas, servindo de obstáculos ao escoamento pluvial e à ação dos ventos. Merece destaque também a ação dos animais. As minhocas, ao digerirem a terra, ocasionam a diminuição granulométrica das partículas. Os “fuçadores”, ao escavarem suas tocas, deslocam as partículas para jusante. As formigas, ao escavarem galerias no solo, facilitam a permeabilização e infiltração, removendo as partículas de locais mais profundos para a superfície. Desse modo, esse material é desagregado e carregado facilmente pela água das chuvas. De modo geral, a influência morfogenética dos animais pode ser considerada mais ativa que a ação das plantas.

Jusante corresponde a uma área que fica abaixo de outra, ao considerar a corrente fluvial pela qual é banhada. Costuma-se também empregar a expressão relevo de jusante ao descrever uma região que está numa posição mais baixa em relação ao ponto considerado. (GUERRA; GUERRA, 1997).

ATENCAO

Segundo Christofoletti (1980, p. 31-32), o estudo dos processos morfogenéticos demonstra a importância que o fator climático assume no condicionamento para a esculturação das formas de relevo. Salienta também que dois conceitos básicos estão implicitamente envolvidos: que processos morfogenéticos diferentes produzem formas de relevo diferentes; e que as características do modelado devem refletir até certo ponto as condições climáticas sob as quais se desenvolveu a topografia. Baseando-se nesses princípios, decorre o corolário de que as consequências das oscilações climáticas podem ser reconhecidas através de elementos específicos da topografia, constituindo as formas relíquias que ainda não se adaptaram às novas condições de fluxo de matéria e energia.

Individualmente, os processos morfogenéticos possuem uma dinâmica própria e são elementos componentes de um conjunto maior, refletindo a influência do clima regional. Esse conjunto é denominado morfogenético, formando uma estrutura perfeitamente caracterizada, pois: a) a estrutura

não é reduzível à soma de suas partes. Cada processo pode se integrar e

ser encontrado em diversos sistemas morfogenéticos, mas o seu papel se modificará em função das condições gerais e dos demais processos aos quais está associado; b) a estrutura é um sistema de relações, os processos inter- relacionam-se em um verdadeiro conjunto; c) a estrutura é ordenada e possui

uma dominante. Em cada sistema podem ser encontrados inúmeros processos

comuns aos demais; todavia, todos os processos não possuem a mesma importância em cada sistema, compondo uma certa hierarquia, mas um deles será o predominante e fornecerá a característica básica de determinado sistema morfogenético, implicando a existência de relações variáveis entre os processos. Por exemplo, a alternância gelo-degelo constitui a dominante no sistema morfogenético periglaciário, mas é elemento subsidiário no sistema desértico ou no temperado; da mesma forma, a meteorização bioquímica é intensa nos sistemas tropicais úmidos, mas é reduzida nos sistemas desérticos e frios.

A verificação de semelhanças no modelado regional, aliada aos tipos de vegetação e aos solos, permite distinguir as regiões morfogenéticas. Essa noção foi introduzida primeiramente por Julius Büdel (1944), utilizando o termo Formkreisen, mas ganhou realce a partir de 1950. O seu conceito é o seguinte: “sob um conjunto determinado de condições climáticas, predominarão

processos geomórficos particulares que, por sua vez, imprimirão à paisagem da região características que a tornarão distinta de outras áreas desenvolvidas sob condições climáticas diferentes”. Nota-se, portanto, que a região morfogenética nada mais é que a expressão areal do sistema morfogenético. Como tais sistemas são dependentes dos tipos de clima, facilmente se depreende o conceito de região ou zona morfoclimática.

Na verdade, várias foram as tentativas realizadas no intuito de definir e/ou reconhecer as regiões morfoclimáticas da superfície terrestre, podendo ser classificadas em três categorias: indutivas, sintéticas e objetivas.

Caso você queira saber detalhes e/ou características sobre as classificações indutivas, sintéticas e objetivas, recomendamos a leitura do capítulo 2 da obra de Antônio Christofoletti, intitulada Geomorfologia. Este capítulo também está disponível no material de apoio desta disciplina.

DICAS

De modo geral, podemos dizer que os fatores morfoclimáticos intervêm através da meteorização e pedogênese e da natureza dos processos de afeiçoamento das vertentes. Enquanto que as influências litológicas podem intervir de várias maneiras, seja na forma do perfil da vertente, na sua declividade média, na velocidade do recuo, dentre outras.

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 36-40)