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Multidisciplinares Pluridisciplinares Interdisciplinares

articulá-los através de ações e práticas pedagógicas significativas na aquisição do conhecimento. Segundo Fazenda (2008, p.33-34): a substância do existir é a prática, ao passo que o conhecimento tende naturalmente para a teoria. Só se é algo mediante um contínuo processo de agir; só se é algo mediante a ação. É o que testemunham todos os entes que se revelam à experiência humana. Ao contrário do que pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a essência dos homens. É na prática e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem, que a história se faz. Outro obstáculo, segundo Japiassu (1976), é a resistência do corpo docente, situando-se cada professor numa região bem determinada e autônoma do saber.

Contrária à postura interdisciplinar está a inércia do corpo discente, sentindo-se

Conhecimento disciplinares

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seguro diante de seu saber delimitado. Isso dificulta uma nova proposta pedagógica, de uma inteligência aberta a todas as interações e que comporta outras estruturas mentais, contatos e interconexões.

De acordo com Japiassu (1976, p.101): foi o triunfo do positivismo que suscitou a repartição do espaço mental do saber em departamentos isolados e com fronteiras rígidas. Quando faz coincidirem, por exemplo, saber e analisar, está colocando-nos diante de uma inteligência que desintegra e divide, mais do que em face de uma inteligência que integra e associa [...] como poderemos chegar a um conhecimento do homem se, por questões de método, este conhecimento se funda sobre exclusões mútuas? Como atingir um conhecimento do fenômeno humano se, por uma questão de princípio, tal conhecimento se funda sobre uma psicologia do esmigalhamento do saber? [...]

Tudo isso dificulta a instauração de uma nova inteligência, de uma inteligência aberta a todas as interações e que comporta outras estruturas mentais. Para que os desafios das colaborações interdisciplinares sejam realmente alcançados, é necessário que os educadores abandonem seus hábitos arraigados e rotinas adquiridas para iniciar Desafios para a Docência em Arte: Teoria e Prática 79 uma transformação que resultará numa nova forma de trabalhar, aberta, colaborativa, relacional. O que Fazenda (1994, p.82) chama de mudança de atitude é uma atitude diante de alternativas para conhecer mais e melhor [...]

atitude de humildade diante da limitação do próprio saber, atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio – desafio perante o novo, desafio em redimensionar o velho.

O professor precisa desenvolver uma visão integradora da sociedade e da realidade que nos cerca, precisa compreender e apropriar-se das múltiplas relações conceituais que sua área de formação estabelece com as outras disciplinas e desenvolver uma prática centrada no aluno, dialética, com novas ações e métodos para alcançar uma aprendizagem significativa e produtiva.

Desse modo, esclarece Japiassu (1976, p.107): o que importa não é mais saber por saber, nem tampouco o conhecimento por si mesmo, desinteressado, desengajado. O que realmente conta é um saber para fazer. Trata-se de encontrar procedimentos e “receitas” tendo em vista a utilização prática do saber.

Ainda há muitos desafios a serem superados. Segundo Japiassu (1976), o

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espaço interdisciplinar deverá ser procurado na negação e na superação das fronteiras disciplinares

Os projetos interdisciplinares têm a força de unificar todo o conhecimento exposto anteriormente Tais projetos exigem uma preparação prévia, que se dá por meio de encontros entre professores de diferentes disciplinas e, inclusive, por meio da participação dos alunos, para saber sobre seus interesses e habilidades artísticas, de modo a integrá-los no processo e, claro, nos projetos futuros

O ensino por projetos tem sido um modo produtivo de organizar o conhecimento a ser aprendido e ensinado na escola. Em artes, principalmente no campo das artes visuais, pesquisadores têm ajudado a encontrar caminhos para promover o estudo e a compreensão das artes por meio de propostas que articulam diversos conhecimentos em torno de uma temática central. Se os modos de conhecer e ter acesso à informação estão em mudança constante, não há porque os saberes escolares se estagnarem diante da rapidez das transformações (MÕDINGER et aL 2012. p. 51).

Esses projetos devem estar abertos a processos inovadores, mas não somente pelo fato de envolverem a arte e toda sua necessidade de ampliar a visão que temos da realidade, mas também por levarem em conta as distintas fontes de informação e referências a que os alunos têm acesso atualmente, e por terem o objetivo de levar o ensino para além do quadro-negro e da sala de aula. Por isso é importante, ao longo dos encontros, conhecer o contexto da escola, suas condições estruturais e o que passa pela cabeça dos alunos.

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Uma peça de teatro, por exemplo, pode converter-se em um projeto interdisciplinar e. inclusive, tornar-se algo mais ambicioso, como um festival de teatro que envolva toda a escola Nesse cenário - desde a escolha do

tema-problema que será encenado, até a escrita do roteiro ou a representação de uma obra já consagrada, passando pela feitura de figurino c cenário, possivelmente com material reciclado, pela seleção da música, pelos ensaios e estudos interdisciplinares do texto e de todo o processo de criação, em que seja pensado o momento histórico, o contexto de cada personagem c suas condutas ética c moral . tudo isso servirá de material para, por meio dos interesses e co-nhecimentos dos alunos, envolvê-los no processo de ensino. As distintas artes estudadas no tópico anterior constituem células potentes para projetos interdisciplinares.

Em síntese, estamos diante de um trabalho de apropriação e integração das disciplinas do currículo escolar e da aplicação pratica nos campos das artes visuais, da música, da dança e do teatro, sem deixar de considerar a vida da comunidade escolar.

Philippe Perrenoud (2002), outro estudioso da pedagogia e das práticas do professor, nos traz uma visão importante, segundo ele, o mundo é mutável, as sociedades se transformam, a vida cotidiana é cheia de movimento, seja

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geográfico, seja econômico, profissional, cultural ou político. Poderia isso influenciar o trabalho c a formação do professor? A resposta é sim! Dessa realidade em constante mudança e reinvenção deve advir a prática reflexiva, inovadora e cooperativa, assim como o envolvimento critico dos professores para com o mundo e. cm consequência, para com seus alunos cooperação e forjar as ferramentas para superar seus obstáculos e fomentar seu uso adequado.

Aprender a vivenciar o estabelecimento de ensino como uma comunidade educativa se quisermos que a escola se transforme cm uma comunidade educativa relativamente democrática, e preciso formar os professores nesse sentido, prepara-los para negociar c realizar projetos, dar-lhes as competências necessárias a uma negociação relativamente serena com outros adultos, inclusive com os pais

Aprender a dialogar com a sociedade - este é outro assunto totalmente diferente uma parte dos professores envolve-se com a vida política como cidadãos, mas nesse contexto, trata-se de que se envolvam como professores, que colocam sua especialização a serviço do debate sobre as políticas educacionais (PERRENOUD. 2002).

Essas premissas percebem o interesse dos professores em se informar, em participar de debates e da vida social, em explicar e demonstrar, como seres humanos e também como educadores, quando a constante atualização e apropriação da imutabilidade do mundo e da subjetividade do aluno podem propiciar verdadeiras teses de doutorado.

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BIBLIOGRAFIA

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FERNANDES, Conceição Aparecida Viude. Pedagogia e Arte: um novo jeito de educar: Recuperando a magia de ser humano. São Paulo: LCTE, 2009.

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