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Museu Colonial de 1907-1910: Estudo de Caso

No documento tese antonio lino com júri (páginas 83-111)

CAPÍTULO II MUSEU COLONIAL DE LUANDA, 1907-1910: TEORIA E MÉTODOS DE ANÁLISE

E 5 Discursos na inauguração do Seminário-Liceu, Escola de Intérpretes e

H.- Domínio territorial colonial e ocupação efectiva

4. Metodologia e Métodos

4.1. Museu Colonial de 1907-1910: Estudo de Caso

Este trabalho é um estudo de caso: é o estudo de um fenómeno específico, tanto quanto possível bem identificado e contextualizado que, aqui é o Museu Colonial de Luanda, visitado e oficializado em 1907, e que se prolonga até 1910, sendo que integra a recolha e estudo de documentação escrita e não escrita, que inclui a imagética, presente em deltiologia, em chapa de vidro, em fontes impressas, em medalhística, em numismática, em filatelia e ainda, a recolha e estudo de fontes documentais orais.

Para isto, por feliz acaso, tivemos acesso ao acervo de positivos vítreos de Gomes de Sousa, bem identificado a nível da origem de pertença que, ao longo dos anos viemos abordando com maior ou menor intensidade, de forma descontínua, conforme nos permitia a nossa obrigatoriedade de presença e de produção nos vários postos de trabalho por onde passámos, ao longo da nossa história de vida.

De algum modo, a recolha de documentação escrita e imagética – concretamente a de Gomes de Sousa, relativa ao Museu Colonial de 1907-1910, em Luanda – acompanha, desde logo, algumas entrevistas abertas com José Redinha** e Samuel Aço**, em Luanda, por volta de 1984, na presença da reprodução de imagens destes diapositivos vítreos, na tentativa de encontar este acervo, ou parte, ali ou noutra parte de Angola. Estes materiais são igualmente mostrados no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, quando aqui fizemos o Estágio do Curso de Conservadores, sob a coordenação de Ernesto Veiga de Oliveira**, e é feita, no contexto deste Estágio, uma limpeza não profunda do móvel contentor dos materiais vítreos e de algumas placas vítreas, com Miguel Pessoa e Esmeralda Pereira, então nossos condiscípulos.

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 84 Tornava-se, assim, progressivamente mais claro que este material vítreo podia ser relevante para a compreensão da Museologia e do poder político da época, nomeadamente o poder colonial, em tempo crepuscular de Monarquia; sugeria também ser evidente a importância patrimonial da informação imagética plasmada nas chapas rectangulares vítreas, contidas no estereoscópio; tornava-se mais definido o nosso estudo de caso – Museu Colonial de Luanda, 1907-1910 – e mais evidente como os materiais vítreos, entre outras fontes escritas e não escritas, podiam ser fundamentais nesta tese.

Para além destes referidos, identificados e relevados materiais vítreos, caminhou-se grosso modo, como que em simultâneo, por um lado, fazendo a recolha, quando possível, e estudando a documentação escrita e não escrita disponível – que não só a de Gomes de Sousa – e, por outro lado, as fontes documentais orais, como desenvolvemos, em oito sub-alíneas, adiante.

4.1.1 - Estudo de Imagética em suporte vítreo e em suporte de papel

A importante informação presente em suporte vítreo tem sido pontualizada, ao longo deste trabalho.

Integrou, seguramente, o Museu Colonial de 1907-1910, com os seus outros diferentes acervos, e é uma privilegiada representação simbólica de apoio ao Poder Político Colonial e Poder Político Imperial.

A antiga colecção de fotografias, do acervo de Gomes de Sousa, contemporânea da Visita do Príncipe Real a Luanda, respeitante sobretudo ao Museu Colonial e às suas várias Exposições, à Alta da cidade, ao Observatório e espaço envolvente, tem 48 “chapas de vidro”, de que só trataremos as mais relevantes para o presente trabalho em número de 42, que aprofundamos adiante.

As “chapas de vidro”, como suporte de fotografia, muito frágeis, carecem de delicados cuidados no seu manuseamento; têm 10,6 por 4,4 cm, com 1 mm de espessura (APÊNDICE 3) e, no momento da sua aquisição, estavam montadas em moldura metálica no respectivo estereoscópio (APÊNDICES 4A a 4C).

Pretendemos estudar a informação nelas constantes, após terem sido passadas para suporte de papel e em diapositivos, no respeitante ao Museu Colonial de Luanda, 1907-1910, à Alta da Cidade, ao Edifício do Observatório, espaços envolventes e outros, arquitectura do efémero e

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 85 aspectos da vivência do quotidiano de então. Esta informação é uma importante fonte documental primária.

Ainda, quanto à referida imagética, ou seja, quanto aos documentos que se exprimem por imagens, pensamos que, em grande parte, ela assume neste estudo uma fundamental importância, porque sugere ser inédita em significativa parte - assim o consideramos, até ao presente momento de investigação. Neste âmbito, as fotografias ainda ganham no presente estudo uma importância acentuada pois, para além da informação nelas patente, foram utilizadas, conforme Ribeiro (2003), para a condução das entrevistas com os informantes, no sentido de recolher informação complementar relativamente à temática retratada. E assim sendo, conforme Ribeiro (2003), a fotografia é um auxiliar de Memória; faz prova com evidência e permite um acréscimo de saber.

Entendemos, aqui, a colecção e as diversas fotografias como fontes primárias para o estudo, no âmbito de várias áreas do conhecimento, como preceitua Kossoy (1980).

É certo que podemos olhar a fotografia quanto á sua limpeza, manutenção, conservação* e eventual restauro. Embora não desmereçamos este aspecto, o que aqui faremos, sobretudo, é tentar extrair ao máximo toda a informação possível a nível da imagem, já fixada em suporte de papel e, sobretudo, em suporte digital, nesta tese, o que podemos entender como uma acção de conservação por registo.

Ainda importantes são, por exemplo, as imagens constantes na pagela da 1ª Comunhão do Príncipe Real (ANEXOS 11 e 12), onde a planta “não-te-esqueças-de-mim”, pintada à vista, segundo informação oral da então Directora do Jardim Botânico Tropical, Cristina Duarte, ganha uma acrescida carga simbólica; no exemplar de medalhística (APÊNDICE 1), possivelmente único, e, seguramente, antiga peça do acervo de Gomes de Sousa, porque a legenda o afirma e porque no-lo foi oferecido como tal; na notafilia (ANEXO 13); na numismática (ANEXO 14); na filatelia; na deltiologia, presente no Arquivo Histórico Ultramarino e colecções particulares (APÊNDICES 5 a 12); na gravura existente na Sociedade de Geografia de Lisboa; na fotografia das colecções existentes no Arquivo do Museu de Marinha e no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa; nas cartas marítimas consultadas na Biblioteca Central de Marinha; na fotografia patente em publicações diversas; nas fotografias do Arquivo pessoal do Arquitecto Fernando Batalha (APÊNDICES 13 e 18); nas fotografias de postais do Museu apresentadas em Vicente & Vicente (1998) e noutros acervos, como especificamos no Capítulo seguinte e ao longo deste estudo.

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 86 4.1.2 – O Catálogo do Mostruário de Produtos da Província de Angola

O Museu Colonial, em Luanda, tendo em atenção os seus diversos acervos expostos, sobre diferentes temáticas, teve catálogo editado, em 1907, com que Gomes de Sousa quis honrar a Visita do Príncipe Real ao referido Museu, no Edificio do Observatório Meteorológico e espaços envolventes (Sousa, 1907). Tem 86 páginas, em texto e imagem, sob título Catálogo do Mostruário de Produtos da Província de Angola (APÊNDICE 19).

Ainda, este Catálogo assume uma particular importância porque reforça a origem e a informação plasmada nas “chapas de vidro”, pois algumas das fotografias nele constantes, nomeadamente as identificadas como “Estampas” 1, 5, 9, 13, 22, 23, 24, 25 e 26, foram obtidas de ângulos diferentes (Sousa, 1907), são mais gerais e com menos pormenor, sem se repetirem relativamente às “chapas de vidro”.

É uma importante fonte documental primária, não só face aos Produtos expostos e ao Africano, mas também como evento bem ilustrativo a nível da contextualização, no que respeita a outros Museus e Exposições congéneres, em Portugal e no estrangeiro, num tempo em que se acentuava a “corrida” à África Colonial.

4.1.3 – Método de Observação Directa não participante

A presente tese comporta como contribuição supra-referida, o método de Observação Directa, sendo que tal ocorre no terreno, concretamente em Luanda, na Alta da Cidade, onde ainda pudemos constatar os largos espaços interiores do Observatório Meteorológico, neste pujante Edifício que foi Templo, Observatório e Museu, que trataremos adiante. O Edifício é, ainda hoje, como se apresenta, um indicador de status de quem foi ontem, ali, organizador do Museu Colonial e de quem, Príncipe Real, entre outros, visitou e oficializou esse Museu.

Antecedemos a nossa ida de estudo a Luanda, com leitura da biografia de Gomes de Sousa e de outra documentação escrita e imagética, sobretudo positivos vítreos, mas também deltiologia e outra, relativa à sua obra museológica, que teve lugar no Observatório Meteorológico (APÊNDICE 20) e no seu espaço envolvente.

Após termos cumprido a visita de estudo à cidade, no terreno, e após termos contactado directamente com a geografia da cidade, e com os luandenses, na medida do possível, tal

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 87 despertou novas interrogações que, por sua vez, alimentaram novas entrevistas abertas e ainda semi-estruturadas, quando necessário.

Importará referir, no entanto, que as medidas de segurança ali existentes na cidade, muito rígidas - em tempo anterior ao Acordo de Bicesse46 -, não nos permitiram fazer qualquer gravação de som no interior do Observatório ou no exterior, bem como não nos permitiu fazer qualquer fotografia ou imagem em movimento.

No que respeita ao Observatório, no seu interior, tentámos encontrar remanescentes da acção museológica de Gomes de Sousa, de 1907-1910 e, no exterior, tentámos encontrar vestígios à superfície, do seu Horto e do seu Zoo, sendo que são, à superfície, inexistentes quaisquer vestígios, como veremos na sub-alínea seguinte, em detalhe.

Porém, a visualização da Alta47, 48 contribuiu muito para a abordagem ao referido acervo vítreo, estudado antes da visita ao local, o que nos permitiu com maior acuidade a compreensão do que nos é “dado a ver” nas “chapas de vidro” e do que nos é “dado a ler” na documentação epistolar, na documentação oficial produzida pelo Ministro de Marinha de então, que acompanhou o Príncipe Real na Viagem Imperial, e noutra documentação.

A nossa visita à cidade permitiu-nos também localizar bem os pontos onde se encontrava a estatuária comemorativa implantada ao longo do tempo, já no século XIX, apeada no Ano de Transição para a Independência de Angola e agora depositada na Fortaleza de S. Miguel, que visitámos igualmente, o que contribui para a abordagem “às chapas de vidro”, já referidas, pois essa estatuária está presente nestas “chapas” e terá sido mostrada ao Príncipe Real, que ficou alojado no Palácio do Governador, na Alta49 da Cidade.

Apesar das limitações impostas nesta nossa visita de estudo, cremos que o Método de Observação Directa50, não participante51, 52, nesta situação, foi-nos útil e aí gostaríamos de

46 Honrámos este Tratado de Paz, dito Acordo de Bicesse, em termos museológicos, com a realização da exposição

“Em Belém, cantar a Paz de Angola”, em 1993, na Torre de Belém, com a participação de Nuno Varela Rubim, Coronel e Investigador na área da Artilharia. Teve Catálogo sob o mesmo título (Rodrigo & Almeida, 1993).

47

Rica em Património Construído e simbologia de Poder.

48 Também na Baixa da cidade, encontramos importante Património Construído, como seja, a Capitania dos Portos,

o Largo Pedro Alexandrino da Cunha; a Sé; várias artérias caracterizadoras do urbanismo da cidade, em que o Príncipe Real terá sido saudado por muitos, inclusive por uma Guarda de Honra, com formatura a três filas, Porta- estandarte, escolta à Bandeira e Banda Militar.

49

Na Alta, inaugurou o Museu de Arte Sacra (ANEXOS 7 e 8), a que deu o seu nome, no Palácio do Bispo de Angola e Congo, D. António Barbosa Leão, e oficializou o Museu Colonial de 1907-1910, que vimos reflectindo e é a nossa questão.

50 Utiliza-se o termo

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 88 retornar futuramente, para a “re-visitar” e, na medida do possível, “re-study”, como sugere Iturra (2009).

4.1.3.1 - Visita pontual de observação directa ao Observatório Meteorológico e restante Alta de Luanda

Fizemos esta visita de estudo, não participante, no âmbito do Método de Observação Directa, sempre passível de nos trazer uma acrescida informação, para além da que podemos dispor através de outros meios. A referida visita de estudo sensibilizou-nos para este ou aquele aspecto não tratado na fonte escrita ou na imagem, contribuindo para um aprofundamento da posterior entrevista aberta, pontualmente semi-estruturada, e do estudo da documentação imagética e escrita, que temos vindo a seguir.

Em termos de percurso de visita, em Luanda, subimos a ladeira que leva à Fortaleza de S. Miguel, e dirigimo-nos à Alta, onde fomos recebidos no Edifício do Observatório (APÊNDICE 20) pelos funcionários ali presentes, angolanos, sendo que o Serviço ainda se dedicava à Meteorologia, não comportando já, nessa data, funcionários portugueses a nível da Cooperação.

Foi-nos dada pelos presentes total permissão de visita a todo o Edifício. Não encontrámos, como dito, quaisquer vestígios das colecções estudadas e expostas, em 1907-1910, por Gomes de Sousa.

auditiva, não envolvendo interacções verbais específicas com o observador, e supondo frequentemente o anonimato deste, como nos casos acima referidos. Isoladamente, este tipo de técnicas apenas se pode aplicar ao estudo duma gama limitada de dimensões do social – aliás extremamente interessantes, tais como, por exemplo, as distribuições espaciais e temporais de indivíduos e objectos ou os símbolos externos incorporados nuns e noutros” (Costa, 2009, p. 135)

51

Segundo Costa (2009, p. 135), a observação directa, dita participante ou não participante, pressupõe um grau maior ou menor de interferência - que pode ser um veículo de conhecimento -, sendo que

“Na interacção social não se pode não comunicar - veja-se o poder altamente comunicante do silêncio

observador referido - e, num quadro social qualquer, não se pode igualmente deixar de se estabelecer

relações sociais. A questão não está, pois, em supostamente evitar a interferência, mas em tê-la em consideração, controlá-la e objectivá-la, tanto quanto isso for possível”,

sendo que, cremos nós, tivemos o atrás exposto bem presente na observação directa que realizámos no interior do Observatório, e no seu exterior, tanto na Alta como na Baixa de Luanda.

52

O Método de Observação Directa, na presente situação, não foi participante. E é assim porque, conforme Rivière (2000, p. 25), não acompanha o que este autor diz sobre a observação participante, como seja:

“A qualidade de observação participante é o mimetismo: fazer como os outros, para os levar a esquecer o mais possível a sua diferença, ao mesmo tempo que se tenta comunicar, graças à aquisição de elementos da língua da terra e à expressão de calor humano. Partilhar a vida quotidiana do observado, os seus trabalhos, as suas conversas, as suas festas, impõe-se a todo aquele que deseja apreender a sua visão do universo, captar as motivações dos seus actos e compreender o seu sistema de valores.” (Rivière, 2000, p. 25).

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 89 No entanto, pudemos ver, no piso superior, grosso cordame que levava até uma alta janela do Edifício, com vista para a Baía e para o Atlântico, ao jeito do que poderá lembrar o talabardão do navio com seus pranchões – eventuais reminiscências dum tempo passado, com várias décadas e em que se afirmaria um gosto diferenciado, podendo sugerir uma remissão para a temática do Mar, naquele Edifício que foi Observatório durante mais de um século, também Museu Colonial e, durante décadas, residência ou casa de função do Capitão dos Portos de Angola, também Governador Interino de Angola, em dois breves períodos, antes de 5 de Outubro de 1910.

Lembramo-nos ainda dos puxadores, embora não os pudéssemos ter fotografado, ali existentes nas portas do Edifício, que eram metálicos e exibiam figuras zoomórficas - como eram zoomórficas as esculturas de crocodilos nos cabos de marfim do serviço de faqueiro, de facas de lâmina larga, possivelmente inglesas, que ainda vimos à venda, em público, e que pertenceram a Gomes de Sousa -, muito possivelmente trabalhos de forjador.

Para além do Edifício, percorremos o seu espaço envolvente, não tendo encontrado, à superfície, como dito, quaisquer vestígios que nos sugerisse terem pertencido ao antigo Zoo e ao antigo Jardim de Aclimatação de Plantas, ou Horto, também visitados pelo Príncipe Real D. Luís Filipe, aquando da sua Visita Imperial, em 1907. No entanto, sabemos que, posteriormente a esta nossa visita de estudo, no terreno, por informação oral de Fernando Batalha, presente e trabalhando em Angola desde finais da década de 30 até 1983, recentemente falecido - 1908-2012 -, existirão, no local, fundamentos de edifícios anexos ao Observatório, passíveis de encontrar por prospecção em acção de escavação, se, para tal, for dada relevada importância e autorização pela instituição angolana da tutela.

O Observatório foi alçado a Monumento Nacional na passada década de 80 e é motivo filatélico, que abrange o Edificio e vegetação envolvente, para o que os estudos de Fernando Batalha, ainda cooperante em Angola, tiveram acentuada importância.

Visitado o interior do Observatório e o seu espaço imediatamente envolvente, continuámos a observação na Alta, o que contribuiu para a compreensão da sua geografia e da sua simbologia de Poder53, a entender como acréscimo à informação constante nas várias “chapas de vidro”, que constituem o suporte principal do Estudo de Caso, tratado adiante e reflectido, durante largas horas, em diferentes dias, em sucessivas e aprazíveis entrevistas (APÊNDICE 21).

53 Relevamos o antigo Palácio do Governo, antigas igrejas e antigos edifícios militares, antigos edifícios de

representações inglesas e belgas - representações de países, então, com interesses confinantes com territórios portugueses na área.

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 90 Tivemos, no entanto, oportunidade de colocar algumas breves questões aos funcionários públicos presentes no Edifício, acerca da eventual existência de vestígios de estruturas do Museu Colonial nos espaços envolventes e no interior, vestígios esses que disseram não existir e que nós também não detectámos.

4.1.4 – Realização de entrevistas a peritos e seu estudo

Socorremo-nos, em grande parte, nesta tese, do saber de investigadores oriundos de diversas áreas através de entrevistas*. Fizemo-lo com vários falantes54 - informantes - “interlocutores”, conforme Augé (2007), alguns deles com várias décadas de trabalho, no terreno, em Angola; foram eles, em tempo movediço de pós-modernidade, a âncora segura, solidária, durante muitas horas de diálogo, que são o cimento de muitas entrevistas abertas, que aqui ganham, por vezes, quando necessário, a forma de entrevistas parcialmente guiadas ou semi- estruturadas, num segundo tempo (APÊNDICE 21).

Deste modo, relevámos na conversação, a pergunta aberta, no âmbito da entrevista aberta. Fizemos, assim, por considerarmo-las vantajosas, não constrangedoras, conducentes ao livre fluir da informação.

Sobre esta matéria, Bosco (2004, p.18) diz como segue: “Le domande aperte hanno il vantagio de lasciare la massima libertà expressiva all’individuo senza cercare nessuna particolare forzattura verso una risposta o un’ altra”.

Diz depois, o autor citado, em op. cit., que “Le domande aperte richiedono un processo de reinvocatione”. Esta reinvocação, continua este autor, pode ser livre, guiada ou serial - a termos em conta quando há lançamento de inquérito, o que não ocorre neste estudo, que é qualitativo.

Assim, relevamos, aqui, a reinvocação livre55 e a reinvocação guiada: é livre, no primeiro momento, e, como dito, pode ser parcialmente guiada, ou semi-estruturada, num segundo tempo, quando há a necesidade de aclarar ou especificar quaisquer informações.

Em suma, decorrente do exposto, realizámos um total de 66 entrevistas a 22

54 Termo que Sperber (1992) privilegia.

55 “Nella reinvocazione libera se chiede a un individuo di ricordare del materiale, come oggeti, eventi, film,

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - FCSEA - Instituto de Educação 91 informantes56, das quais 51 a 12 informantes, que estiveram relacionadas directamente com o Museu Colonial de Luanda, 1907-1910 (APÊNDICE 21). Estas 51 entrevistas tiveram como base fundamental de reflexão o acervo imagético e outro de Gomes de Sousa. Estes informantes, que perfazem o conjunto dos entrevistados, são aqui a amostra teórica, que não é probabilística e não é aleatória: é representativa da problemática tratada. E, deste modo, requesitámos a quem melhor o podia fazer, que nos transmitisse a informação relativamente às diversas temáticas em estudo, como segue:

- Investigadores do Instituto de Investigação Científica de Angola (IICA) e do Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA), a nível da Arquitectura, Museologia, Etnografa e Zoologia, com funções directivas e docentes universitários, longas carreiras de trabalho no terreno e diversas publicações científicas, depois em parte, sobretudo a partir da década de 80,

No documento tese antonio lino com júri (páginas 83-111)