CAPÍTULO I. A NÁLISE E R EFLEXÃO C RÍTICA D O D ESENVOLVIMENTO D E
1.1. No contexto da Unidade de Cuidados na Comunidade
No sentido de contextualizar o local de estágio, importa mencionar que a UCC de Vila Real I é uma das unidades funcionais pertencentes ao ACeS Douro I – Marão e Douro Norte, encontra-se integrada no Centro de Saúde Vila Real I, e localiza-se fisicamente no r/c do edifício. Iniciou funções a 15 de março de 2011 e funciona todos os dias úteis das 08.00 às 20.00 horas.
A sua área geodemográfica de intervenção corresponde à dos cuidados de saúde que integra, abrangendo 11 freguesias de Vila Real.
A UCC tem como missão contribuir para melhorar o estado de saúde da população da sua área geográfica de intervenção, visando a obtenção de ganhos em saúde. Deve prestar cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, às pessoas, às famílias e aos grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional, atuando na EpS, na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção, de acordo com o legislado (artigo 11º do decreto-lei n.º 28/2008, de 22 de fevereiro). Participa da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), através da Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI). Neste sentido, desenvolve programas no âmbito da proteção e promoção da saúde bem como da prevenção de doenças na comunidade, inserem-se nos programas propostos pelo PNS, colabora também na concretização do Plano Nacional de Saúde Escolar (PNSE) através da equipa de saúde escolar (2 enfermeiros, 1 psicóloga, 1 nutricionista) a que se pode pontualmente juntar outros colaboradores se necessário, desenvolvendo diversas atividades a nível das escolas que integram o parque escolar.
Da carteira de serviços da UCC de Vila Real1 fazem parte programas/projetos dos quais se destacam:
Programa Nacional de Saúde Reprodutiva (Projeto de preparação para o parto e parentalidade);
Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco;
Intervenção Precoce (tem como objetivo acompanhar crianças com necessidades educativas especiais identificando necessidades e estabelecer objetivos e prioridades);
Projeto “Cuidar de quem precisa”;
Projeto ECCI (tem como objetivo prestar cuidados de enfermagem e médicos, apoio psicológico e social especialmente aos utentes dependentes de forma permanente ou transitória a cuidadores e/ou familiares).
No âmbito da saúde escolar, a equipa de saúde escolar desenvolve programas de âmbito regional e local, integrados no PNSE e no Programa Nacional de Saúde Oral (PNSO).
A) Programas Regionais:
➢ Programa Regional Educação Sexual em Saúde Escolar (PRESSE), cujo objetivo é estabelecer o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar;
➢ Programa Alimentação Saudável em Saúde Escolar (PASSE), que tem como objetivo promover uma alimentação saudável, contribuindo para um ambiente promotor da saúde, em especial no que se refere à alimentação, de forma a promover comportamentos alimentares saudáveis;
➢ Programa Escola Livres de Tabaco (PELT), com o objetivo de contribuir para evitar ou atrasar a idade de início de consumo de tabaco nos jovens escolarizados.
B) Programas Locais:
➢ Projeto “Afetos/Gabinete de Informação e Apoio ao aluno”, é um gabinete onde os alunos podem conversar, esclarecer, questionar e obter informações sobre os mais diversos assuntos. Este gabinete funciona com um horário fixo duas vezes por semana; ➢ Projeto ”Mochila Amiga” visa ensinar as crianças a arrumar a mochila e alertá-las para
os problemas de saúde do uso de uma mochila com excesso de peso;
➢ Projeto “Comer e Mover para Crescer“, destinado a crianças do 2º ciclo com objetivo de alertá-las sobre a importância de uma alimentação saudável e dos seus benefícios. ➢ Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral;
➢ Projeto “SISO” (cheque dentista), no sentido de garantir que a população-alvo obtenha cheques-dentistas, de forma promover a saúde oral das crianças;
➢ Projeto ”Um Futuro Risonho”, com o objetivo de promover a saúde oral no pré- escolar, a Equipe de Saúde Escolar, promove a escovagem de dentes na escola;
➢ Projeto ”Saúde Oral nas Bibliotecas Escolares (SOBE)” tem como objetivo a integração da temática da saúde oral nos currículos escolares, contribuindo para a alteração dos comportamentos ligados à saúde.
O estágio iniciado na UCC decorreu, na sua maior parte, integrado na equipe de saúde escolar, e teve como base desenvolver projetos no âmbito do PNSE 2015, a sua realização, permitiu dar resposta a pelo menos duas das competências preconizadas pela OE (2010),
como necessárias: “estabelecer, com base na metodologia do Planeamento em Saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade e contribuir para o processo de capacitação de grupos e comunidades” (p.2).
O planeamento em saúde tem com objetivo o estado de saúde de uma população, através da sua promoção, prevenção de doenças, cura e reabilitação, incluindo mudanças no comportamento das populações (Imperatori & Giraldes, 1993). Tavares (1992) refere que para se concretizar um plano, programa ou projeto em saúde, é necessário conhecer as etapas do processo de planeamento no sentido de elaborar projetos eficientes, de forma a atingir objetivos pretendidos rentabilizando ao máximo os recursos disponíveis. O diagnóstico de situação é a primeira etapa do planeamento em saúde cujo objetivo é conhecer as necessidades, problemas, fatores e grupos de risco, bem como as potencialidades da comunidade. A sua definição é muito importante para posteriormente se possa atuar.
De acordo com Imperatori e Giraldes (1993), o planeamento em saúde deve ser o resultado das modificações contínuas da realidade, pelo que deverá ser suficientemente rápido, dinâmico e permanente, permitindo uma ação em tempo útil, e suficientemente aprofundados para que as medidas a implementar sejam pertinentes.
Neste contexto, e dando continuidade à metodologia do planeamento em saúde e ao desenvolvimento de competências, iniciadas no primeiro estágio com a elaboração do diagnóstico de situação junto dos docentes das escolas secundárias da área de abrangência da UCC Vila Real I, sobre o conhecimento, a participação e a importância atribuída pelos docentes a programas/projetos desenvolvidos pela equipa de saúde escolar, a informação relativa à participação dos docentes em ações de formação bem como as necessidades formativas dos mesmos. Após diagnosticadas as necessidades da população, foi construído e executado um projeto de intervenção durante este estágio, seguido da fixação de objetivos e estratégias para dar resposta às problemáticas detetadas, desenvolvendo a unidade de competência “Procede à elaboração do diagnóstico de saúde de uma comunidade” (G1.1). Neste sentido, tornou-se fundamental levar a cabo a definição de prioridades de intervenção em saúde. Com o intuito de intervir no problema prioritário identificado e após pesquisa bibliográfica e consultados os orientadores de estágio, foi elaborado um projeto de intervenção que visou a EpS, no sentido de enriquecer os conhecimentos dos docentes nas áreas dos primeiros socorros e do suporte básico de vida (SBV), de forma a potenciar ganhos
em saúde e capacitar o grupo em questão. O objetivo foi atingido com a elaboração de um “Curso de Primeiros Socorros e SBV”, constituído por uma parte teórica e uma parte prática dividida em módulos de 15 horas, por sua vez distribuídos por sessões de 1,5 horas, com grupos de 15 docentes. O curso foi iniciado pelos estudantes do mestrado com o primeiro grupo de docentes numa das escolas, prosseguindo nas restantes escolas onde o diagnóstico foi realizado pela equipa de saúde escolar. Foi desenvolvida, assim, a competência (G1) “Estabelece, com base na metodologia do Planeamento em Saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade” e unidades de competência, (G1.3), (G1.4). Bem como desenvolvida a competência (G2) “Contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades” e unidades de competência (G2.1), (G2.2).
Para o êxito do projeto, as atividades realizadas foram as seguintes: i) revisão bibliográfica sobre planeamento em saúde, definição de prioridades e projetos de intervenção comunitária; ii) definição de prioridades; iii) definição de estratégias e indicadores; iv) revisão bibliográfica sobre primeiros socorros e SBV; v) previsão dos recursos necessários; vi) elaboração de planeamento das sessões de educação; vii) realização das sessões de EpS; viii) organização e tratamento dos dados avaliativos das sessões; ix) análise dos resultados; x) redação do relatório do projeto.
Com a realização e implementação deste projeto foram elaborados planos das sessões de EpS (Apêndice A), adquiridas e desenvolvidas competências na promoção da informação e EpS na comunidade bem como na apreciação, gestão e adequação dos conteúdos a abordar e na capacidade de motivar os docentes a participar nas sessões. Na elaboração de uma mala de primeiros socorros, foi contactado uma farmácia local na cedência de produtos e desenvolvidas competências de parceria.
Para apresentar a sessão foram utilizadas várias técnicas/métodos de ensino, particularmente o expositivo, interativo e demonstrativo (apresentações multimédia em PowerPoint, manequim humano para parte prática). Finalizado o curso, foi disponibilizado um cartaz para ser afixado na sala dos professores para uma orientação rápida no SBV (Apêndice B), elaborados pelas alunas do mestrado bem como uma mala primeiros socorros, desenvolvendo a unidade de competência (G2.3) “Procede à gestão da informação em saúde aos grupos e comunidade” A avaliação diagnóstica e final relativa à parte teórica foi utilizado o mesmo instrumento de avaliação, de forma a comparar os resultados obtidos e foi através de um questionário de
escolha múltipla elaborado pelas alunas de mestrado e orientadores e respondido pelos docentes no início e no final do módulo. No final do módulo foi também efetuada a avaliação da parte prática do curso através de demonstração prática (utilizando um manequim de treino) e de acordo com uma grelha de avaliação (Apêndice C). A avaliação de cada módulo foi definida por um conjunto de indicadores e metas no sentido de avaliar os resultados finais dos objetivos propostos, fornecendo indicadores de resultado e de processo, de forma a permitir uma avaliação global das competências adquiridas ao longo do curso desenvolvendo a unidade de competência (G1.5) “Avalia programas e projetos de intervenção com vista à resolução dos problemas identificados”.
A concretização deste projeto de intervenção contribui para a capacitação e empowerment dos docentes na área dos primeiros socorros e SBV bem como para o exercício da cidadania. A operacionalização do projeto de intervenção e a concretização metodológica das diferentes etapas do planeamento em saúde contribuíram para desenvolver a unidade de competência (G2.1) “Lidera processos comunitários com vista à capacitação de grupos e comunidades na consecução de projetos de saúde e ao exercício da cidadania” no âmbito de promoção e proteção da saúde e prevenção da doença na comunidade educativa. Este projeto de investigação integrava conhecimentos de diferentes disciplinas de forma a contribuir para a capacitação de grupos e comunidades o que permitiu desenvolver a unidade de competência (G2.2) “Integra, nos processos de mobilização e participação comunitária, conhecimentos de diferentes disciplinas: enfermagem, educação, comunicação, e ciências humanas e sociais”. Os resultados deste diagnóstico de situação foram apresentados posteriormente nas “Jornadas de Enfermagem de Saúde Escolar – “Olhar o Presente, Focar o Futuro” da Universidade Católica do Porto (Apêndice D).
No decorrer do estágio tivemos a oportunidade de realizar outras atividades inseridas na área de abrangência desta unidade funcional, no sentido de adquirir competências específicas do EEECSP, preconizadas pela OE, tais como:
No âmbito do PNSO e do Projeto” + Social E5G” de inclusão social, foram realizadas sessões de EpS para crianças e jovens residentes em dois bairros sociais de Vila Real, e elaborado um folheto específico intitulado “Sorriso de Estrela” (Apêndice E).
Inserido no projeto “Lanche Escolar: o que está a dar?”, no sentido de promover uma alimentação saudável em ambiente escolar, foram realizadas sessões dinamizadoras como
jogos de interação e representações teatrais de EpS em jardins de infância e escolas do 1º ciclo.
No âmbito da RNCCI e do projeto “Cuidar de quem precisa”, foram realizadas sessões de EpS sobre as temáticas “Eliminação Vesical” e “Eliminação Intestinal” e criados dois folhetos para cuidadores (Apêndices F). A realização destas atividades permitiu-nos desenvolver a competência (G2) “Contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades”. Foram elaborados alguns artigos científicos para publicação num jornal regional, sobre temáticas relacionadas com épocas específicas (Apêndice G), no âmbito da promoção da saúde: i) Gripe sazonal; ii) o inverno e as queimaduras; iii) prevenção de acidentes no Carnaval; iv) afetos no Dia dos Namorados. O que nos permitiu especificamente o desenvolvimento da unidade de competência (G2.3) “Procede à gestão da informação em saúde aos grupos e comunidade”.
No decorrer do estágio, todas as atividades desenvolvidas, visaram a aquisição de competências do EEECSP demonstrando responsabilidade e tomada de decisão, baseada em princípios, valores e normas deontológicas e avaliando depois o processo e os resultados da tomada de decisão, sempre tendo em conta a promoção e proteção dos direitos humanos. Adequar os cuidados às necessidades específicas de cada indivíduo, família e comunidade, bem como estabelecer as articulações necessárias com outra esfera da sociedade no sentido de complementar os cuidados de saúde e de proporcionar efetivos ganhos em saúde, é também uma das capacidades inerentes ao EEECSP.