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NORMA REGULAMENTADORA 26

No documento MARÍLIA FONSECA BALOTA (páginas 30-0)

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5 MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

2.5.1 NORMA REGULAMENTADORA 26

A Norma Regulamentadora (NR) 26 é uma legislação do Ministério do Trabalho e Emprego e refere-se à sinalização de segurança (BRASIL, 2011).

Esta norma foi aprovada pela Portaria 3.214, de 8 de junho de 1978, e teve sua redação alterada pela Portaria n.º 229, de 24 de maio de 2011, a qual estabeleceu que:

... os produtos químicos utilizados nos locais de trabalho devem ser classificados quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas.

A NR 26 define que os produtos químicos além de classificados e rotulados de acordo com o GHS, devem possuir FISPQ neste padrão e define também que os trabalhadores devem ser treinados para compreender a classificação, rotulagem e FISPQ do produto, de forma a garantir sua saúde (BRASIL, 2011).

29 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 MÉTODO DE PESQUISA

A pesquisa científica é classificada através de vários elementos: quanto a sua natureza, aos seus objetivos, a forma de abordar o problema e os métodos utilizados na pesquisa.

Quanto a sua natureza, pode ser classificada como pesquisa básica, aquela que busca o conhecimento sem a preocupação de sua utilização na prática; e pesquisa aplicada, caracterizada pelo interesse em que os resultados sejam aplicados em problemas reais (TURRIONI; MELLO, 2012).

Quanto aos seus objetivos, pode ser classificada em:

• Pesquisa exploratória: envolve levantamento bibliográfico, pesquisa com experiências pessoais e análise de exemplos, a fim de que o problema estudado seja compreendido e que haja a capacidade da contrução de hipóteses.

• Pesquisa descritiva: tem como objetivo descrever a população ou fenômeno atraves de coleta de dados.

• Pesquisa explicativa: envolve a identificação de fatores que explicam a razão para a ocorrência dos fenônemos.

Quanto à forma de abordar o problema, pode ser classificada em quantitativa, aquela que considera conceitos que podem ser medidos e resultados replicados, utilizando técnicas estatísticas; qualitativa, aquela que utiliza a observação e interpretação de fatos analisados sem utilização de métodos estatísticos; e combinada, onde o pesquisador pode utilizar aspectos da pesquisa quantitativa e qualitativa nas etapas de seu processo de pesquisa (TURRIONI;

MELLO, 2012).

Em relação aos métodos de pesquisa, podem ser utilizados experimentos, utilizar levantamentos ou surveys, modelagem e simulação, revisão bibliográfica,

30 estudos de caso, pesquisa-ação e Soft System Methodology (SSM) (TURRIONI;

MELLO, 2012).

3.2 METODOLOGIA UTILIZADA

Este trabalho tem caráter descritivo e o tema abordado é a segurança de produtos químicos, principalmente sua classificação e rotulagem de acordo com o GHS.

Foi realizada uma revisão bibliográfica com proposta de método sobre a classificação e rotulagem de produtos químicos de acordo com o GHS através da coleta de dados em uma empresa multinacional fabricante de produtos químicos.

A partir da coleta e análise de dados foi possível a comparação da classificação de perigo de um produto químico antes a após a utilização do sistema GHS e a elaboração de um método para classificação de produtos químicos de acordo com este critério.

O quadro 1 resume as principais características deste trabalho.

Quadro 1 - Metodologia Utilizada

Fonte: SANTOS (2010)

31 3.2.1 LEVANTAMENTO DE DADOS

Foi realizado um levantamento de dados sobre a implementação do GHS na indústria química através do estudo bibliográfico sobre o tema, coleta de dados na própria empresa e entrevista com os envolvidos.

A coleta de dados na empresa foi realizada na intranet e no site corporativo da própria empresa, e também através de uma entrevista realizada com o coordenador de Segurança de Produto das linhas de adesivos, pigmentos, resinas, aditivos e químicos para papel do site produtivo.

3.2.2 ANÁLISE DE DADOS

A proposta deste trabalho não é apenas levantar dados, mas também fornecer informações importantes ao público alvo (empresas químicas e consumidores de pordutos químicos) em relação à implementação do GHS. A abordagem da pesquisa será qualitativa com base na observação e interpretação de fatos reais, buscando a compreenção do tema abordado.

Após o levantamento dos dados, foi feita sua análise utilizando a fundamentação teórica estudada anteriormente. Desta forma, foi possível analisar o sistema GHS e propor um método simplificado para sua implementação.

32 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 ESTUDO DE CAMPO

O estudo de campo teve como objetivo principal verificar a atual situação das indústrias químicas brasileiras em relação à implementação do GHS, em termos de conhecimento de legislação nacional e disponibilização de documentos de segurança de seus produtos.

4.2 ESTUDO DE CASO

A empresa estudada neste trabalho (denominada “Empresa X” por questões de ética e confidencialidade de dados) é uma multinacional química que possui um portfólio de 8000 produtos e tem oferecido importantes contribuições para os segmentos de produtos para agricultura e nutrição, químicos, produtos de performance, plásticos, e petróleo e gás, tendo um de seus maiores sites produtivos está localizado na região do Vale do Paraíba. Neste trabalho apenas as linhas de dispersões e pigmentos foram consideradas.

O estudo de caso foi realizado através de entrevistas com o Coordenador de Segurança de Produto da unidade de negócio dispersões e pigmentos e sua equipe, também através de consulta disponíveis na intranet da empresa.

4.3 MODELO SIMPLIFICADO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GHS EM INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA

A partir dos estudos realizados foi elaborado uma espécie de “guia” para a classificação de produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na empresa. Vale ressaltar que o GHS não se aplica aos produtos químicos regidos por uma legislação específica, como ocorre no caso de agroquímicos,

33 saneantes, medicamentos. Dessa forma, o modelo proposto em seguida foi generalizado da melhor forma possível.

A Figura 6 apresenta um fluxograma contendo as etapas sugeridas para classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS e sua implementação na indústria química; cada etapa será explicada posteriormente.

Figura 6 - Fluxograma: etapas para classificação GHS

Fonte: do autor

4.3.1 ESTUDO DE CAMPO

Primeiramente, é recomendado que a empresa verifique em qual cenário se encontra e se existe alguma legislação específica para o produto químico que ela produz. Por exemplo, se ela é uma empresa produtora de saneantes ou medicamentos o GHS não é aplicável, pois há legislação específica para estes dois ramos de atuação. No entanto, enquanto há a utilização de produtos químicos dentro da planta produtiva, estes devem estar classificados de acordo com o GHS, independente do ramo de atuação da empresa.

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A partir deste levantamento, se faz necessário verificar todas as matérias-primas utilizadas para a fabricação dos produtos e também abrir a composição de cada produto fabricado. Esta etapa é necessária, pois a classificação do produto final é baseada na classificação de cada um de seus componentes e sua quantidade no produto final.

A Figura 7, apresentada a seguir, mostra a composição de um produto fictício que será classificado de acordo com os critérios do GHS nos próximos tópicos.

Figura 7 - Composição do Produto X

Componente Quantidade

35 4.3.3 DISPONIBILIZAR FISPQs DAS MATÉRIAS PRIMAS DE ACORDO COM

GHS

Um tópico importante é a disponibilidade das FISPQs das matérias primas.

Todas as matérias primas utilizadas na empresa devem possuir FISPQ atualizada de acordo com o GHS e é responsabilidade da empresa de buscar com seus fornecedores esse documento atualizado.

Vale ressaltar que a empresa pode ser notificada ou até mesmo ter sua planta produtiva interditada caso Ministério do Trabalho verifique que a mesma não possui FISPQ de matérias-primas atualizadas de acordo com o GHS e que os operadores trabalham com documentos desatualizados.

A responsabilidade da disponibilização de documentos atualizados é da própria empresa, que deve garantir que tanto as FISPQs dos produtos acabados quanto das matérias-primas estejam classificadas de acordo com o GHS conforme a Norma Brasileira NBR 14725.

4.3.4 CLASSIFICAÇÃO GHS DE CADA COMPONENTE DO PRODUTO FINAL

Outra etapa muito importante é a verificação da classificação GHS de cada componente do produto final, pois, como dito anteriormente, a classificação do produto que se deseja classificar depende da classificação de cada um de seus componentes.

Para encontrar a classificação dos componentes é preciso verificar a FISPQ deste componente ou, no caso desta não estar atualizada, podemos encontrar sua classificação em alguma base de dados disponível, como por exemplo, GESTIS, ECHA e IARC descritas anteriormente. No caso de procurar a classificação do componente em alguma base de dados deve-se ter em mãos o número CAS do mesmo.

No caso do produto X, a classificação de cada componente será mostrada a seguir, conforme Figura 8.

36 Figura 8 - Classificação GHS dos componentes do Produto X

Fonte: do autor

37 4.3.5 INICIAR A CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO FINAL DE ACORDO COM

GHS CONFORME LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ABNT NBR 14725

Para realizar a classificação dos produtos químicos de acordo com o GHS é necessário verificar a legislação brasileira que rege este tema, no caso a ABNT NBR 14725.

Iniciando a classificação, deve-se primeiramente verificar quais são as propriedades aditivas e não aditivas. A seguir serão ilustradas quais as propriedades são aditivas e quais não são, e em relação ao produto X quais são as propriedades obtidas.

Propriedades aditivas, segundo ABNT NBR 14725-1, são as propriedades que possuem efeito aditivo. Este é caracterizado por: “efeito quantitativamente igual à soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”. Já as propriedades não aditivas são as que possuem efeito sinérgico, que é caracterizado na norma por: “efeito quantitativamente maior que a soma dos efeitos produzidos individualmente de dois ou mais agentes tóxicos”.

A Figura 9 mostra quais propriedades são consideradas aditivas e não aditivas de acordo com a Norma ABNT NBR 14725.

Figura 9 - Propriedades Aditivas e Não aditivas

Fonte: do autor

38 Após a verificação das propriedades aditivas e não aditivas presentes na composição do produto X deve-se iniciar classificação do produto.

4.3.5.1 PROPRIEDADES NÃO ADITIVAS

Primeiramente classifica-se o produto em relação aos seus componentes que apresentam propriedades não aditivas. Neste caso, conforme Figura 10, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como sensibilizante à pele, toxicidade para certos órgãos alvos (exposição única e repetida) e toxicidade por aspiração.

Figura 10 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades não aditivas

Componente Quantidade Classificação GHS tipo de

propriedade

B 3,8326% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

D 1,5384% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Perigo por aspiração - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição

repetida - categoria 1 não aditiva

E 0,4683% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva G 0,1275% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

H 0,0634% Sensibilização à pele - categoria 1 não aditiva

I 0,0034% Toxicidade para órgãos-alvo específicos - Exposição única -

categoria 3 (irritante para o sistema respiratório) não aditiva

J 0,0017% Sensibilização à pele - categoria 1A não aditiva

Produto X

Fonte: do autor

4.3.5.1.1 SENSIBILIZAÇÃO À PELE

O produto X possui em sua composição três componentes classificados como sensibilizante à pele (D, H e J). Segundo a norma NBR 14725, para o produto final ser classificado como sensibilizante à pele, é necessário que possua no mínimo 0,1% de um componente com esta classificação. A Figura 11 mostra todos os componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele e através dela pode-se verificar que o componente D garante que o produto final

39 obtenha esta classificação. A Figura 12 mostra os limites de corte utilizados na classificação de uma mistura como sensibilizante à pele.

Figura 11 - Componentes do Produto X classificados como sensibilizantes à pele

Fonte: do autor

Figura 12 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificada como sensibilizante à pele ou respiratório que geram a classificação da

mistura

Fonte: ABNT, 2009.

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 13 mostra quais destes elementos acompanham a classificação de sensibilizante à pele.

40 Figura 13 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a

categoria “Sensibilização à pele”

Fonte: ABNT, 2012

4.3.5.1.2 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO ÚNICA

O produto X possui em sua composição, componentes classificados como

“tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. No entanto, a norma brasileira ABNT NBR 14725-2, no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura, não apresenta limite de corte para a categoria 3. Dessa forma, foi verificado no Purple Book algumas instruções de como continuar com a classificação neste caso. A partir daí foi estabelecido que o produto que se deseja classificar carregará a classificação “toxicidade para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3” apenas quando apresentar mais de 20% de algum componente que possua a classificação em questão. Dessa forma o produto X não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única, categoria 3”. A Figura 14 apresenta os componentes do Produto X classificados como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição única” e a Figura 15 apresenta os limites de corte

41 utilizados para classificar uma mistura como tóxica para órgãos-alvo específicos exposição única.

Figura 14 - Componentes do Produto X classificados como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição única

Fonte: do autor

Figura 15 - Valores de corte/limite de concentração de ingredientes de uma mistura classificados como agente tóxico sistêmico para órgão-alvo específico que determinam a

classificação da mistura nas categorias 1 e 2

Fonte: ABNT, 2009

4.3.5.1.3 TOXICIDADE PARA ÓRGÃOS-ALVO ESPECÍFICOS - EXPOSIÇÃO REPETIDA

O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “tóxicos para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1”.

Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para todos os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 1% de um componente com esta classificação, conforme Figura 15. No caso do produto X isto não ocorre,

42 conforme Figura 16 que mostra o componente classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida; portanto ele não será classificado como “tóxico para órgãos-alvo específicos - exposição repetida”.

Figura 16 - Componente do Produto X classificado como tóxico sistêmico para órgão-alvo específico, exposição repetida

Fonte: do autor

4.3.5.1.4 PERIGO POR ASPIRAÇÃO

O produto X possui em sua composição o componente E que é classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1”. Segundo a norma brasileira ABNT NBR 14725-2 (no caso de mistura e quando há dados disponíveis para os componentes da mistura), para o produto final ser classificado como “perigoso por aspiração, categoria 1 ou 2”, este deve conter no mínimo 10% de um ou mais componentes com esta classificação e obedecer à especificação de viscosidade, conforme imagens a seguir. No caso do Produto X isto não ocorre, como pode ser observado na Figura 18, que mostra o componente classificado como perigoso por aspiração; portanto ele não será classificado como “perigoso por aspiração”. A Figura 17 mostra os critérios para classificação de uma mistura como perigosa por aspiração.

43 Figura 17 - Critério de classificação de mistura como perigosa por aspiração quando há

dados disponíveis para todos ou apenas alguns componentes

Fonte: ABNT, 2009.

Figura 18 - Componente do Produto X classificado como perigoso por aspiração

Fonte: do autor

4.3.5.2 PROPRIEDADES ADITIVAS

Após realizar a classificação do produto em relação às propriedades não aditivas deve-se classificá-lo quanto às propriedades aditivas. Neste caso, foi observado que o Produto X possuía componentes classificados como corrosivo/irritante à pele, tóxico pra o ambiente aquático (crônico e agudo) e irritante aos olhos, conforme Figura 19 que mostra as propriedades aditivas encontradas no Produto X.

44 Figura 19 - Componentes do Produto X que apresentam propriedades aditivas

Fonte: do autor

4.3.5.2.1 CORROSÃO E IRRITAÇÃO À PELE

O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como corrosivo/irritante à pele (B, C, E, F, G, H, I e J), mostrados na Figura 20.

Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como corrosivo/irritante à pele, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração.

Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada componente de porcentagem para PPM (parte por milhão), multiplicando o valor em porcentagem por dez a sexta para obtê-lo em PPM. Após a conversão,

45 somaram-se as quantidades da cada categoria segundo instruções da norma ABNT NBR 14725 e os valores obtidos foram convertidos para porcentagem a fim de verificar os valore de corte.

A Figura 21 mostra a soma das quantidades dos componentes que possuem esta classificação. Já a Figura 22 indica os limites de corte para classificar uma mistura quanto à corrosão ou irritação à pele. A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “corrosivo para a pele, categoria 2”.

Figura 20- Componentes do Produto X classificados como corrosivo/irritante à pele

Fonte: do autor

Figura 21 – Soma das concentrações dos ingredientes classificados como corrosivo/irritante à pele

Fonte: do autor

46 Figura 22 Limite de corte das concentrações dos ingredientes das misturas classificadas nas categorias 1, 2 ou 3, que determinam a classificação da mistura como

corrosiva/irritante à pele

Fonte: ABNT, 2009

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão. A Figura 23 mostra quais destes elementos acompanham a classificação corrosão/irritação à pele.

47 Figura 23 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de precaução para a

categoria “corrosão/irritação à pele”

Fonte: ABNT, 2012

4.3.5.2.2 LESÕES OCULARES GRAVES/IRRITAÇÃO OCULAR

O produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como irritante aos olhos (B, C, D, E, F, G, H, I e J), como mostrado na Figura 24.

Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado como irritante aos olhos, é necessário que a soma da quantidade de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração, do mesmo modo que é realizada a classificação de corrosão/irritação à pele. Os valores de corte para esta categoria são mostrados na Figura 26.

Para obter a soma de todas as quantidades dos compostos que possuem esta classificação foi, primeiramente, convertido as quantidades de cada

48 componente de porcentagem para PPM (parte por milhão), multiplicando o valor em porcentagem por dez a sexta para obtê-lo em PPM. Após a conversão, somaram-se as quantidades da cada categoria segundo instruções da norma ABNT NBR 14725 e os valores obtidos foram convertidos para porcentagem a fim de verificar os valore de corte. A Figura 25 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como irritante aos olhos.

A partir dos valores obtidos verifica-se que o Produto X deve ser classificado como “irritante aos olhos, categoria 1”.

Figura 24 - Componentes do Produto X classificados como irritante aos olhos

Fonte: do autor

Figura 25 - Soma das concentrações dos ingredientes classificados como irritante aos olhos

Fonte: do autor

49 Figura 26 - Limite de corte da concentração de uma mistura classificada como categoria 1

ou 2 (ocular), que determina a classificação das misturas como causadoras de dano ocular (categoria 1 ou 2)

Fonte: ABNT, 2009

Depois de confirmada a classificação do produto deve-se verificar qual pictograma, palavra de advertência, frase de perigo e precaução acompanha a classificação em questão, conforme imagem a seguir. A Figura 27 mostra quais destes elementos acompanham a categoria lesões oculares graves/ irritação ocular.

Figura 27 - Pictograma de perigo, palavra de advertência e frase de perigo para a categoria “Lesões oculares graves/irritação ocular”

Fonte: ABNT, 2012

50 4.3.5.2.3 TOXICIDADE AGUDA - AMBIENTE AQUÁTICO

Da mesma maneira que foram realizadas as classificações das propriedades aditivas anteriores, deve-se proceder para classificar o produto quanto à toxicidade aguda em ambiente aquático.

Foi verificado que o produto X possui em sua composição alguns componentes classificados como tóxico agudo para o ambiente aquático (B, D, E, F, G, H, e J), como mostrado na Figura 28. Segundo a norma NBR 14725-2, para o produto final ser classificado nesta categoria, é necessário que a soma das quantidades de seus componentes que possuam esta classificação obedeça a um valor de corte ou limite de concentração. Os limites de corte para esta categoria são mostrados na Figura 30. Além disso, existe ainda um fator que pode aumentar a toxicidade do produto, o fator M. A Figura 31 mostra os valores que podem ser utilizados. Este fator, se disponível para o componente presente na mistura, deve multiplicar a quantidade do componente em questão. Por exemplo, o componente H possui fator M igual a dez, então na soma das quantidades dos compostos, deve-se multiplicar o valor do componente H (634 PPM) por dez e somá-lo às demais quantidades, conforme realizado anteriormente. Lembrando que primeiramente foram convertidos os valores de porcentagem para PPM e após a soma das quantidades dos compostos, retornou-se para porcentagem.

A Figura 29 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático.

A Figura 29 mostra a soma das quantidades dos componentes classificados como tóxico agudo ao ambiente aquático.

No documento MARÍLIA FONSECA BALOTA (páginas 30-0)

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