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notas endividamento público, comprando e vendendo os

No documento UNIVERSIDADE e SOCIEDADE 67 (páginas 34-38)

títulos que interessam ao sistema financeiro para salvar os capitalistas da crise.

No bojo desses ataques emerge a imposição do EaD como uma espécie de elogio à loucura do siste- ma baseado na desumanização das relações sociais. O elogio ao mundo das máquinas inteligentes signi- fica a destruição da humanidade, pois os seres huma- nos deixam de interagir com os outros para interagir com as máquinas, obstando as relações de sociabili- dade que fortalecem o espírito coletivo. Desse modo, os tutores passaram a ser tutoriais inteligentes e os novos educadores serão as máquinas ou robôs que aplaudem a banalização das relações humanas. Essa é a alquimia que o capital financeiro pretende reali- zar pela mediação do EaD: a educação se transforma numa mercadoria que é negociada na bolsa de va- lores e num mercado disputado pelas grandes redes educacionais existentes no mundo. Mas a tentativa do capital de transformar a educação em mercadoria encontra o entrave das trabalhadoras e dos trabalha- dores, bem como do movimento estudantil.

Contra a contabilidade capitalista existe a classe trabalhadora e subsiste a organização dos docentes, funcionários públicos e estudantes. Uma parte subs- tancial da sociedade é diametralmente oposta ao EaD e não considera tal modalidade como uma represen- tação do espaço escolar. O capital ainda não conse- guiu destruir o imaginário da classe trabalhadora e da sociedade, da educação relacionada ao espaço escolar. No EaD inexiste o espaço escolar e universi- tário. Isso permite que a classe trabalhadora desperte para a necessidade de se contrapor radicalmente à proposta do EaD, pois ela aprofunda a separação e a alienação do ser humano em relação a si mesmo e ao outro. Somente a classe trabalhadora organizada pode dinamitar completamente a maquinaria estatal e o poder destrutivo do capital.

Os ataques dirigidos à universidade pública e à educação básica e fundamental indicam decidida- mente que o capital não tem nada a oferecer para a classe trabalhadora, tampouco para a humanidade como um todo. Numa época em que se deveriam construir hospitais para minimizar os efeitos da pandemia sobre a saúde da classe trabalhadora, os representantes do capital estão exclusivamente preo-

O Legado de Paulo Freire

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cupados com o lucro dos banqueiros. Nesse contex- to, retiram recursos da educação mediante o corte de bolsas de pesquisa para o coronavírus (Covid-19) a fim de contemplar os interesses de banqueiros, em- presários e latifundiários. Por isso, trabalhadoras e trabalhadores, unidos, devem superar suas fragilida- des e fragmentações e colocar em movimento uma ofensiva de massa socialista para assegurar a univer- salização plena do trabalho, da educação e da saúde. O capital é barbárie e usa o coronavírus para atacar os direitos da classe trabalhadora na educação. Por isso, aquelas e aqueles que trabalham precisam estar atentos e fortalecer seus mecanismos de luta e orga- nização contra o sistema do capital.

1. Para melhor compreensão sobre o termo, verificar o artigo denominado Para Além do Petrodólares e do Capital, publicado no blog Ofensiva Socialista. Disponível em: https://ofensivasocialista.wordpress. com/2020/04/02/para-alem-do-petrodolares-e-do- capital/. Acesso em: 21 ago. 2020.

2. O balanço financeiro do grupo Kroton-Anhanguera, em 30 de junho de 2019, apontava que a empresa tem um patrimônio líquido de 16,05 bilhões e um ativo total de 33,84 bilhões de reais, com um lucro trimestral de 134 milhões. Segundo Primi (2014, p. 15): “O movimento que se verifica no mercado de educação brasileiro é inédito no mundo. Em levantamento feito pela KPMG e divulgado pela imprensa, desde 2008 ocorre no Brasil uma média de 26 operações por ano. Entre 2012 e 2013, o número de fusões de empresas de educação cresceu 20%, de 19 para 24 operações, sendo que 13 envolveram instituições que atuam no ensino superior. A participação do sistema financeiro e do capital estrangeiro no controle das instituições privadas serve para revelar o processo de transformação da educação em mercadoria”.

As ocupações de escola

3. A classe trabalhadora, em consonância com os apontamentos de Marx (2017), é transformada num apêndice da máquina com o advento da Revolução Industrial. Esse processo implica na subsunção real do trabalho ao capital, em que trabalhadoras e trabalhadores passam a ser meros executores de tarefas, onde seu processo de trabalho passa a ser controlado totalmente pelos ditames dos capitalistas, através do uso das máquinas. Em meio a esse decurso, a subsunção formal do trabalho ao capital é superada, pois a classe trabalhadora perde completamente sua autonomia no processo de trabalho.

4. Marx (2017) escreve que, dentre outras leis, o capital é regido pela Lei Geral da Acumulação Capitalista. Ao tempo que o capital tende a realizar a acumulação capitalista por meio da reprodução ampliada, a classe trabalhadora recebe o ônus desse processo através da expropriação contínua de sua força de trabalho, que a relega à miséria produzida por essa sociedade. 5. O fetiche da mercadoria, em meio ao capital, tende a transformar tudo em mercadoria, inclusive a classe trabalhadora: “O caráter misterioso da forma- mercadoria consiste, portanto, simplesmente no fato de que ela reflete aos homens os caracteres sociais de seu próprio trabalho como caracteres objetivos dos próprios produtos do trabalho, como propriedades sociais que são naturais a essas coisas e, por isso, reflete também a relação social dos produtores com o trabalho total como uma relação entre os objetos existentes à margem dos produtores. [...] É apenas uma relação social determinada entre os próprios homens que aqui assume, para eles, a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas” (MARX, 2017, p. 147).

referências

O Legado de Paulo Freire

COVID-19: trabalho e saúde docente

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