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O assistente social no processo de adoção

2.2 A atuação do assistente social no processo de adoção

2.2.3 O assistente social no processo de adoção

As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.(Carlos Drummond de Andrade)

O processo de adoção é tido como um dos mais complexos que tramitam na área da Infância e da Juventude, pois tem como objetivo a colocação de criança ou adolescente em lar substituto, de forma definitiva e irrevogável. O referido processo se inicia com uma fase preliminar de inscrição das partes interessadas em adotar no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), bem como o estudo da situação da criança ou adolescente a ser adotado, revelando assim, que a intervenção técnica no processo adotivo é complexa e em fases distintas, ou seja, durante o cadastro dos interessados à adoção, analisando o casal pretenso à adoção; na análise da situação da criança ou do adolescente que necessita ser colocado em lar substituto e na hipótese de acompanhamento posterior ao deferimento da adoção e durante a tramitação do processo de adoção em Juízo. (FERREIRA, 2009)

A intervenção do assistente social frente ao processo de adoção se dá junto a uma equipe interprofissional formada por assistente social e psicóloga que consiste em oferecer à família pretendente à adoção, assistência no que diz respeito aos trâmites judiciais do processo, bem como se coloca como um elo, entre a família e o adotando, possibilitando que a adoção aconteça dentro dos pressupostos legais, encaminhando as partes a grupos de adoção (que vão complementar as orientações quando de pessoas que já adotaram bem como vão avaliar e orientar num todo aos que têm interesse em se inscrever no CNA), e avaliando se a família está apta a assumir os cuidados de um filho através do presente processo (RAMPAZZO, MATIVE, 2010, p.15).

O procedimento de adoção depende de uma verificação previa dos requisitos formais e materiais do pretendente a adoção. Este deve recorrer previamente sua habilitação, na Vara da Infância e Juventude competente, seguida de entrevistas com psicólogo e o assistente social e visitas domiciliares, os quais emitem um laudo sobre habilidade e o perfil do adotando desejado, seguindo de um parecer do Ministério Público. Segue-se a decisão do juiz, concedendo ou não a habilitação, cuja formalização é a entrega do Certificado de Habilitação. (SIMÕES 2009, apud RAMPAZZO, MATIVE, 2010, p.15)

Essa avaliação se dá através de um estudo social, onde o profissional vai se aproximar da vida pessoal dos pretensos adotantes, conhecendo suas realidades, histórico de vida, processo de socialização, os valores pessoais e o contexto familiar no qual estão inseridos (RAMPAZZO, MATIVE, 2010, p.15).

O estudo social realizado pela assistente social frente ao processo de adoção tem por finalidade subsidiar o magistrado, como definido no art. 197-c da Lei 12.010/09.

Sendo a principal finalidade do estudo social “subsidiar o magistrado o assistente social pode cair na armadilha do trabalho burocratizado, preocupando-se mais, enquanto trabalhador assalariado, em atender aos procedimentos institucionais”. Barison (2008), apud, Souza (2013) afirma que:

O profissional não pode ceder às tendências conservadoras e burocratizantes das instituições. A finalidade última do estudo social deve estar relacionada com a garantia dos direitos sociais, políticos e civis dos sujeitos envolvidos.

Ainda nesse estudo social, outros aspectos que devem ser também observados pelo assistente social são a composição familiar, ou seja, quais os membros que fazem parte desta, como está sendo a aceitação desses membros em relação à criança e o adolescente que está sendo adotado, ou seja, se todos estão de comum acordo com a adoção e se já possui algum histórico de adoção na família de uma das partes adotantes. Outro fator, porém não decisivo, é a condição econômica em que os pretensos adotantes estão inseridos, se possuem emprego, a situação habitacional, enfim, se haverá condições de atender as necessidades básicas do adotado (RAMPAZZO, MATIVE, 2010).

Sobre este aspecto Brites (2003) diz que apesar da condição econômica ser considerada, esta não deve ser priorizada pelo profissional.

Cabe ao profissional de Serviço Social ainda, expor a família que pretende adotar as características da criança ou adolescente que provavelmente adotarão sendo estas características físicas, comportamentais etc. (RAMPAZZO, MATIVE, 2010).

No processo de adoção, o estudo social feito pelo o assistente social tem que possuir subsídios que possibilite a averiguação do preparo e capacidade dos pretendentes à adoção. É neste momento que é exigido do assistente social que assumiu o referencial proposto pelo atual projeto ético- político uma atitude primeiramente investigativa e depois interventiva. (SOUZA, 2013).

Para realizar o estudo social, o assistente social pode utilizar-se de alguns instrumentos operativos como, por exemplo, a visita domiciliar, entrevistas, estudo de documentos e a observação. Independente do instrumento utilizado é fundamental que o assistente social se comprometa com uma intervenção crítica e investigativa. A observação é um dos instrumentos mais importantes que o assistente social utiliza para identificar a real intenção das partes que pretendem adotar, vez que será através da observação que o profissional vai averiguar o comportamento dos mesmos e elaborar o estudo social (MARTINS, 2008).

Caso o assistente social observe qualquer situação incompatível com o que preza o ECA, este deverá apresentar uma avaliação contrária à pretensão dos requerentes, contudo, este relatório somente deverá ser lançado junto ao

procedimento após de ter a oportunidade aos interessados de reverter à situação colocada como impedimento à pretensão. Somente após, deverá ocorrer à reavaliação (MARTINS, 2008).

Todavia, o que se propõe hoje no âmbito do Serviço Social é justamente a produção de um conhecimento que rompa com a mera aparência e busque apreender o que está “por trás” dela, sua essência. Para isso, é fundamental que o profissional sempre mantenha uma postura crítica, questionadora, não se contentando com o que aparece a ele imediatamente. (SOUZA, 2008, apud, SOUZA, 2013).

Na entrevista, o assistente social vai dialogar junto aos adotantes sobre os motivos que os levaram à adoção, como é o convívio familiar, a vida socioeconômica dos mesmos, a fim de garantir um lar adequado à criança ou adolescente que será adotado (MARTINS, 2008).

Cabe ressaltar que ao longo do estudo social caso os pais biológicos da criança ou adolescente sejam conhecidos, o assistente social entrevistará os mesmos para compreender em que situação a criança ou adolescente foi colocada para adoção, bem como será esclarecido aos mesmos sobre a irrevogabilidade da adoção e a destituição do pátrio poder. Se a criança ou adolescente tiver condições de se expressar verbalmente, este também será entrevistado (MARTINS, 2008).

Além disso, o trabalho do assistente social no processo de adoção tem como principal finalidade dar acesso às pessoas que pretendem adotar, respondendo as suas demandas, garantindo o conhecimento de seus direitos, utilizando-se de visitas domiciliares, entrevistas, estudo social. Assim o assistente social tem a responsabilidade de fazer uma análise da realidade social e institucional, a fim de intervir na melhoria das condições de vida da criança ou adolescente dentro do processo de adoção (FERREIRA, 2009).

Por fim, tão importante quanto à avaliação dos pretensos pais à adoção, é de suma importância para o processo de adoção a intervenção do assistente social junto à criança ou adolescente a ser colocado em família substituta. Essa avaliação bem como a intervenção do profissional, pode ocorrer durante todo o processo de adoção junto à criança ou adolescente. Assim, verifica-se que a intervenção do assistente social, se dá antes, durante e após o procedimento da adoção, pois situações novas podem acontecer, como é uma experiência

nova para ambos, tais como insegurança, sentimentos de incapacidade para exercer a função de pais, receio por parte dos pais adotivos em relação aos pais biológicos sempre visando o bem estar da criança ou adolescente adotado (FERREIRA, 2009).

Considerações Finais

Realizar esta pesquisa foi de fato extremamente produtivo, não só como exigência de conclusão de curso, mas principalmente pelo enriquecimento de conteúdo que me foi proporcionado devido às pesquisas realizadas. Penso que ao adquirir conhecimento mais aprofundado sobre a adoção, suas legislações e o papel do assistente social tanto no âmbito do judiciário como no processo de adoção, pude compreender e entender questões que me causavam inquietude. Como vimos a família não é algo natural, mas construída historicamente. Tivemos a oportunidade de observar que antes de chegarmos ao modelo que temos hoje de família foram necessários quatro modelos um herdando algum resquício do outro para então surgir o modelo que a sociedade entende como

padrão. Contudo, vimos também que existem exceções à regra desse modelo de família padrão como famílias monoparentais, uniões homoafetivas, etc.

Entendemos que a adoção surgiu como uma forma de eternizar o culto doméstico, ou seja, aqueles casais que não puderam ter filhos viam na adoção uma forma de perpetuar o sobrenome da família. No Brasil a Roda dos Expostos vem com o intuito de conter o alto número de crianças abandonadas. Vimos que as legislações acerca da adoção surgiram de fato com o Código Civil de 1916 que visava apenas a pessoa do adotante, ficando assim a criança ou adolescente sempre em segundo plano. A Lei nº 3.133/1957 trouxe algumas alterações no Código Civil de 1916 e tenta dar os primeiros passos no sentido de assegurar direitos aos adotados. Já em 1965, foi publicada a Lei nº 4.655 que trouxe consigo uma alteração importante, tornando a adoção irrevogável.

Porém foi somente com promulgação da Lei 8.069 de 13/07/1990 intitulada como Estatuto da Criança e do Adolescente que estes de fato passaram ser sujeitos de direitos vez que cabe ao ECA garanti-los. Esse Estatuto trata especificamente da adoção no título II, capítulo III, subseção IV deste Estatuto. Porém com todas as transformações que ocorrem na sociedade a cada dia, foram necessárias algumas alterações e inclusões nos artigos deste Estatuto, alterações estas feitas pela Lei 12.010\09, tida como a Nova Lei da Adoção, como pudemos ver nos quadros comparativos, Lei esta que torna ainda mais garantidos os direitos das crianças e adolescentes, contribuindo para o trabalho do assistente social judiciários, vez que a lei ficou mais clara e ampla.

Vimos ainda como se dá a atuação do assistente social no Poder Judiciário bem como frente ao processo de adoção.

Como relata Fávero (1999) o Poder Judiciário se faz prevalecer usando de uma forma coercitiva, impondo suas ideias e opiniões, o que a meu ver em um primeiro momento pode até inibir a atuação do assistente social, mas sendo este um profissional pautado na ética e tendo um projeto ético político norteador não se deixa levar por uma corrente rotuladora. Especificamente falando da intervenção do assistente social junto ao processo de adoção ela se dá antes, durante e depois de todo processo. É através do estudo social feito pela assistente social que o juiz vai ter base para formular sua decisão, ou seja,

o magistrado se baseia no olhar técnico do assistente social deferir a adoção ou não. Tal fator torna ainda mais séria a atuação do assistente social, tendo este que usar de toda instrumentalidade necessária para fundamentar seu estudo social.

Claro que toda demanda posta ao profissional de serviço social traz consigo desafios, mas no processo de adoção especificamente falando penso que o desafio seja grande vez que ele torna o elo entre o adotante e o adotado, onde muitas das vezes ambas as partes vêem neste profissional uma chance de realizar um sonho de adotar e ser adotado.

Será através do estudo social realizado pelo assistente social que se tem a produção de um conhecimento que rompe com a mera aparência e vai apreender o que está “por trás” daquela demanda. Para isso, é fundamental que o profissional sempre mantenha uma postura crítica, questionadora, não se contentando com o que aparece a ele imediatamente.

Penso que justamente a formação crítica e questionadora que tenho venha a contribuir à categoria no sentido de poder atuar de forma ética, técnica e interventiva nas demandas que me forem postas, principalmente se forem demandas da esfera do judiciário.

Penso que alcançamos o objetivo deste trabalho, vez que discorremos minuciosamente sobre as alterações que a Nova Lei da Adoção fez no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como pudemos observar como se dá a atuação do assistente social durante o processo de adoção, aliás, vimos que a atuação deste profissional se dá antes, durante e depois deste processo. Citamos os instrumentos que o assistente social judiciário utiliza para sua intervenção diante do processo de adoção que dentre eles o estudo social é o que mais se destaca.

Penso que poderíamos, caso tivéssemos tempo suficiente, ter realizado uma pesquisa de campo com entrevistas com a assistente social do Fórum de Rio das Ostras para que ela nos contasse como é o seu dia a dia nesta instituição bem como suas intervenções junto aos processos de adoção. Por fim, ressaltamos que apesar de termos alcançado nosso objetivo esta temática é muito vasta, logo não se encerra com esta pesquisa. Pelo contrário, a cada dia surgirão novas inquietações a respeito da adoção, novas legislações, novos

direitos para essas crianças e adolescentes e com isso os debates sobre a adoção e as leis que a cercam devem ser constantes e incessantes.

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