• Nenhum resultado encontrado

As redes sociais se apresentam como um tema atual na área de sociologia, e cujo objetivo principal se manifesta no desafio de compreender a complexidade da vida social. As redes sociais se propõem a responder a questionamentos da sociedade civil, possibilitando a promoção de políticas de inserção e participação social. No entanto, a utilização de estudos baseados em redes sociais também se ajusta às demandas dos negócios, da tecnologia, das pesquisas, além de outras acepções intelectuais.

O emprego inicial de técnicas de rede social está associado ao psicólogo Jacob L. Moreno que em 1934, publicou trabalhos que estudavam como se conectavam as pessoas que pertenciam a um grupo, identificando a eventual posição de centralidade de um dos membros em relação aos demais. Estes estudos já ofereciam formas gráficas destinadas à compreensão da estrutura grupal, também conhecidas como sociogramas. Outros pesquisadores empregaram, de forma embrionária, a perspectiva de redes - principalmente no contexto das interações das crianças no ambiente escolar, no entanto os estudos de Moreno se destacam pela abordagem e apresentação dos resultados posicionando-os assim como referência (FREEMAN, 1996; HANNESMAN, 2008).

Segundo Scott (2000), o atual conhecimento de Análise de Redes Sociais (ARS) possui três correntes contributivas: a teoria da Gestalt, a Escola de Harvard e a Escola de Manchester, conforme mostra a Figura 10.

Figura 10 - Origem da Análise de Redes Sociais Fonte: adaptado de Scott (2000, p. 8)

A primeira corrente de ARS, da qual Moreno é um representante, volta-se para as análises sociométricas em pequenos grupos. Esta corrente originou muitas técnicas, como a teoria dos grafos – parte da matemática que utiliza representações gráficas na solução de problemas complexos. A ascendência desta corrente está associada à emigração de um grupo de alemães para os Estados Unidos na década de 1930. Sob a influência da teoria da “Gestalt”, este grupo desenvolveu pesquisas com psicologia cognitiva e social em fábricas e comunidades, enfatizando a estrutura de grupos. A teoria de “Gestalt”, de forma bastante simplista, pode ser apresentada pelo conceito que o todo é mais do que simplesmente o somatório das partes.

Os estudos desenvolvidos por pesquisadores de Harward, também na década de 1930, que investigavam os padrões das relações interpessoais e a formação de subgrupos (cliques), compõem a segunda corrente contributiva da ARS. Scott (2000) aponta as pesquisas de Warner e Mayo desenvolvidas em unidades fabris e comunidades, como proeminentes desta escola. O estudo realizado por Mayo na fábrica “Hawthorne” é um exemplo de pesquisa em que grupos de indivíduos estão integrados por meio de relações informais, mesmo em ambientes de relações formais como as empresas. Ainda, segundo Scott (2000), os trabalhos desenvolvidos por Homans, centrados no conceito que as atividades humanas induzem as

Teoria da Gestalt Sociometria (Moreno) Dinâmica de Grupo Teoria dos Grafos Teoria Matricial (Homans) Escola de Harvard (Warner, Mayo) Escola de Manchester (Gluckman) Escola Antropológica

Barnes, Bott, Nadel

Mitchell

Estruturalistas de Harvard

pessoas à interação, que variam segundo a: frequência, duração e direção, estabelecem a base de sustentação dos sentimentos desenvolvidos pelas pessoas. Também está associada à Homans a utilização de matrizes, ao invés dos grafos, para representar as relações dos grupos sociais. Este recurso foi muito útil no início dos estudos sociométricos na década de 1940, período em que não se dispunha dos atuais recursos da informática, e ainda como alternativa para os pesquisadores que apresentam dificuldades em trabalhar com grafos.

A terceira corrente está associada aos antropólogos de Manchester, que edificaram uma abordagem apoiada nas duas correntes anteriores. Apesar da influência dos conceitos anteriores esta abordagem enfatiza a análise dos conflitos e contradições, ao invés da integração e coesão, característicos das outras proposições. Esta abordagem foi empregada tanto no estudo de sociedades tribais africanas, como em momento posterior em pequenas cidades rurais da Inglaterra.

O objeto rede social vem ao encontro de uma demanda pragmática da teoria social, principalmente no que tange às metodologias de intervenção social. Neste sentido, Martins (2004) desenvolve reflexões da obra de autores da área de sociologia contextualizadas às redes sociais. Alguns pontos destacados por Martins (2004) são de importância para o escopo deste estudo. Em particular, as considerações de Emile Durkheim que também influenciam parte da abordagem de Berger e Luckmann (2008), referencial teórico desta pesquisa. Vale destacar que o estudo desenvolvido por Martins (2004) inclui ainda considerações sobre Marcel Mauss e Norbert Elias que complementam a proposição de Durkheim.

O cerne da teoria da rede social consiste no exame da compatibilidade entre a liberdade individual e a imposição do contexto coletivo sobre o indivíduo. Para Martins (2004) as relações sociais influenciam a conduta de um indivíduo, no entanto, apesar desta força coerciva, este possui o arbítrio de realizar as escolhas que reflitam seu interesse pessoal. Neste contexto, extremos tais como: obrigação ou liberdade, interesse ou desinteresse, objetividade ou subjetividade, entre outros, não se apresentam como elementos contraditórios, mas como expressões polares de uma realidade social complexa. As dualidades apresentadas são interpretadas como uma realidade social, que se insere em um universo em constante alteração e que apresenta momentos da vida social que oscilam de homogêneos a caóticos.

Tal dinamismo da vida social impacta na teoria das redes sociais e nas metodologias utilizadas em suas pesquisas. Segundo Martins (2004), as pesquisas estáticas que mostram as ações individuais e coletivas devem conviver com as incertezas estatísticas resultantes da ambivalência e da descontinuidade peculiares a vida social e que escapam da aleatoriedade.

Nesse contexto, as análises desenvolvidas pelas redes sociais não devem se restringir ao exame dos extremos, mas a toda realidade da vida social.

Os estudos sociais se defrontam com a necessidade de entendimento de contrastes marcantes. Bauman (1995) aponta que a desordem social não se configura como uma adversidade a ser sobrepujada em benefício da afirmação da “ordem social”. A coexistência de diferentes ordens sociais e culturais deve ser acatada pelo todo, apesar das dificuldades implícitas nesta convivência de desiguais. Nesse sentido, Melucci (1994) destaca que os atuais movimentos sociais não se apoiam nos atores, mas sim nas redes constituídas de pequenos grupos que compartilham experiências e inovações culturais. Para Martins (2004), a abordagem de Durkheim que contempla o todo sem contestar o valor do individual se estabelece como um importante contraponto à dualidade clássica do indivíduo versus a sociedade. Na abordagem de Durkheim (1999), a totalidade se estabelece como elemento nuclear da sociedade, no entanto o todo é interpretado como a composição de partes distintas. Segundo Martins (2004), o fundador da sociologia francesa não renega o papel do indivíduo na sociedade no estabelecimento de um saber sociológico. Assim, a abordagem de Durkheim (1999) se caracteriza por ser persuasiva e conter a virtude de explicar os fundamentos teóricos das redes sociais, retratando as preocupações com a questão do indivíduo e da existência de um objeto próprio à sociologia. A proposição do ´fato social` como norma coletiva e coerciva sobre o indivíduo não suprime a ´consciência individual` na qual cada um, a seu modo próprio, interpreta e se comporta na sociedade. Este contexto se insere na distinção da sociologia para com a psicologia.

A abordagem de Durkheim (1999) possui o mérito de distinguir a existência de uma classe de fenômeno denominada sociais, dos fenômenos denominados psicológicos, estabelecendo assim a necessidade de uma separação teórica e metodológica nos estudos destes fenômenos. O desenvolvimento deste estudo posiciona a contribuição de Durkheim como relevante para a compreensão complexa das redes sociais, haja vista que integra a ideia de totalidade e de que o todo, por sua vez, é proeminente em relação às partes.

A composição de redes é caracterizada pela formação de grupos, evidenciando assim a necessidade de delimitar esta abordagem. Para Wagner III e Hollenbeck (1999, p. 210) grupo é “um conjunto de duas ou mais pessoas que interagem entre si de tal forma que cada um influência e é influenciado pelas outras”. Bowditch e Buono (2004) avançam no entendimento apontando que o grupo consiste de duas ou mais pessoas que interagem de forma psicologicamente conscientes, umas das outras, na busca de uma meta comum, não se restringindo a um simples ajuntamento de pessoas. Robbins (2005) delineia o grupo como a

junção de dois ou mais indivíduos interdependentes e interativos unidos por um objetivo comum. Para este autor os grupos podem ser formais – definidos e regidos pela estrutura de uma organização, ou informais – originados por alianças derivadas de contato social sem vínculo com a estrutura formal das organizações. Ainda, segundo este autor, os grupos informais podem se divididos em grupos de interesse – nos quais os componentes possuem interesses comuns – e grupos de amizade – onde as pessoas compartilham algumas características. Para efeito deste estudo as definições acima apresentadas se configuram como adequadas a concepção da Análise de Redes Sociais. Vale destacar a importância da existência de interação entre os atores das redes apontada nas três definições acima, assim, o indivíduo pode ser considerado pertencente a uma rede se ele interagir com os demais membros dessa rede.

Os estudos sociais com destaque para os grupos, que se estabelecem em redes de relacionamento são possíveis por meio da técnica de Análise Sociométrica ou Análise de Redes Sociais – ARS. Cross, Parker e Borgatti (2000) apontam que esta técnica destina-se a compreender como se desenvolve o processo de troca de informação que ocorre no interior da rede e possibilita identificar e visualizar a tipologia do arranjo em rede, e em certo grau dimensionar as interações que nelas ocorrem. Estes autores consideram a ARS um importante instrumento no estudo de relacionamentos que favorecem o compartilhamento da informação e do conhecimento, além de reconhecer indicadores de padrões de relacionamentos que aprimoram a cooperação.

Para Meneses e Sarriera (2005), em uma abordagem generalista, o foco de estudo das redes sociais não é o comportamento nem o estado de uma pessoa, família, grupo, organização comunidade ou sociedade. O objeto de estudo na ARS são as interações e as inter-relações dos nós da rede, bem como os vínculos estabelecidos entre estes.

Molina e Aguilar (2004) apontam que as redes sociais expressam o mundo em constante alteração e que, por consequência, de difícil entendimento. Os autores destacam ainda que há infinitas possibilidades de composição de redes sociais, que no entanto possuem em comum um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) em seu núcleo. Este agrupamento está conectado por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e/ou por relações de trabalho e/ou compartilhamento de informações, passíveis de observar por meio das ligações estabelecidas, que continuamente moldam a estrutura social.

Segundo Marteleto (2001), a ARS se constitui em um novo paradigma na pesquisa sobre a estrutura social. Esta técnica destina-se a estudar como os comportamentos ou as opiniões dos indivíduos dependem das estruturas nas quais eles se inserem, identificando as

relações dos indivíduos por meio das interações existentes. A estrutura da rede é abarcada por relacionamentos, limitações, escolhas, orientações, comportamentos e opiniões que influenciam o indivíduo. Nesse contexto de análise os atributos individuais, tais como: classe social, idade, gênero, entre outros, não são considerados. Para Meneghelli (2009), a teoria da ARS é um conjunto de métodos de estudo dos grupos sociais, que utiliza os recursos da matemática de medir as relações, laços e interações sociais, como componentes da estrutura social.

Há vários aspectos na ARS que possibilitam diferentes níveis de entendimento sobre os atores em análise. Na sequência apresentam-se alguns conceitos basais para o desenvolvimento de estudos em rede. Vale destacar que muitos dos termos foram empregados no texto e, em alguns casos, como objeto de discussão sob a perspectiva de vários autores. No entanto, para efeito metodológico, as definições a seguir se caracterizam como um componente voltado a agilizar o entendimento do leitor na seção de análise dos dados. Vale destacar que vários autores apresentam explanações com diferentes abordagens sobre a ARS. No processo de elaboração deste estudo, observou-se a proposição dos seguintes autores: Freeman (1980), Wasserman; Faust (1994), Pao (1989), Scott (2000), Moody (2004), Tomaél e Marteleto (2006), Balancieri (2010). O Quadro 6 apresenta de forma sucinta conceitos utilizados na ARS.

Item Conceito

Ator É entidade social que possui ligações em rede, se caracterizando como indivíduos, grupos, organizações, países e outros (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Nós Correspondem a cada autor que colabora em pelo menos um dos itens de uma rede. Os nós podem ser pessoas, organizações, organismos, entre outros. (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Relação Coleção de laços entre membros de um grupo. As relações podem ser de diferentes tipos, tais como: a amizade entre duas crianças em uma escola, a atividade de profissionais dentro de organizações, as exportações entre dois países, entre outras. Um mesmo conjunto de atores pode ser objeto de análise de diferentes tipos de relações: como exemplo em uma empresa, podem-se confrontar as relações funcionais como as relações de amizade entre os trabalhadores (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Laço Relacional

É a ligação estabelecida entre um par de atores que estão ligados entre si. Há diversos tipos de laços, tais como: transferência de recursos entre empresas, a escolha de um amigo, o envio de um e-mail, uma relação formal, entre outros (WASSERMAN; FAUST, 1994). Um laço entre atores possui duas características: o conteúdo que indica o tipo de relação, que pode incluir informação e fluxo de recursos, conselho ou amizade; e a forma que indica a intensidade da relação.

Díade É uma ligação ou um relacionamento entre dois atores. É uma propriedade relacionada a um par de atores, não pertencendo isoladamente a cada ator. Uma grande quantidade de ARS se preocupa com o relacionamento em si, trata assim a díade como unidade de análise (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Tríade É um conjunto de três atores e os possíveis laços entre eles. A análise das tríades se destaca por revelar o peso e o valor entre as relações dos integrantes (WASSERMAN; FAUST, 1994). Grupo É a coleção de todos os atores da rede social que possuem laços mensuráveis. Configura-se assim

como o conjunto de todos os atores definidos por critérios conceituais, teóricos ou empíricos. Os estudos de ARS podem analisar um ou mais grupos (WASSERMAN; FAUST, 1994).

Centralida de

Identifica os atores "mais importantes" em uma rede social. Quanto mais central é um ator em uma rede maior é a sua importância. Assim, a centralidade pode ser vista como uma propriedade dos atores de uma rede (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). Existem diferentes medidas de centralidade, variando entre o local e o global. Um ator é localmente central quando apresenta um grande número de conexões com outros atores. No contexto global, um ator é central se possuir uma posição significantemente estratégica na rede como um todo (SCOTT, 2000). A centralidade dos atores em uma rede é comumente apresentada de forma individual ou combinando as seguintes dimensões: centralidade de grau – degree; centralidade de proximidade

closeness; centralidade de intermediação – betweennes; e centralidade de informação – information. (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000, TOMAÉL; MARTELETO, 2006).

- Centralidade de grau (degree) é a resultante do número de laços que um ator possui com outros atores em uma rede (WASSERMAN; FAUST, 1994). O grau de centralidade de um ator é obtido pela divisão do número de laços existentes pelo número de laços possíveis na rede. Exemplo: em uma rede com dez atores (tamanho da rede) cada ator pode ter, no máximo, nove laços. A centralidade de grau considera os relacionamentos adjacentes, assim esta medida revela somente a centralidade local dos atores (SCOTT, 2000).

- Centralidade de proximidade (closeness) é baseada na proximidade ou distância de um ator em relação aos outros atores em uma rede. Ela é obtida por meio da soma das distâncias geodésicas de um ator em relação a todos os outros atores (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). Esta centralidade é indicada para revelar a centralidade global dos atores (SCOTT, 2000).

- Centralidade de intermediação (betweenness) é a interação entre atores não adjacentes, é dependente de outros atores, que podem ter algum controle sobre essas interações. Um ator é considerado intermediário se ele liga vários outros atores que não se conectam diretamente. (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). A centralidade de intermediação aborda o controle que os atores intermediários possuem sobre aqueles atores que dependem localmente desse intermediário (FREEMAN, 1980).

- Centralidade da informação (information) - é baseada no conceito de informação, e se compõe de uma combinação que analisa todos os caminhos existentes entre os atores. Para cada percurso analisado considera-se a informação contida no caminho correspondente (GÓMES et al., 2003, TOMAÉL; MARTELETO, 2006).

Rede Social

É o conjunto finito de atores e suas respectivas relações (WASSERMAN; FAUST, 1994). A rede social é composta por um conjunto de relações entre atores.

Rede two- mode

Matriz Bipartide ou rede two-mode – é utilizada nos casos em que há mais de um conjunto de atores. Nesta configuração cada conjunto de ator se posiciona em um dos eixos da matriz de relacionamento (WASSERMAN; FAUST, 1994). A natureza dos dois grupos de atores até pode ser o mesmo, no entanto os papéis desempenhados são distintos.

Estrutura da Rede Social

Constitui-se no relacionamento entre entidades sociais, suas características e implicações para os que participam desses relacionamentos (WASSERMAN; FAUST, 1994). A operacionalização desta parte da pesquisa se desenvolveu a partir da análise dos elementos estruturais da rede (tamanho, densidade e componentes) e das posições dos pesquisadores na rede (centralidade e coesão). Dinâmica do Relaciona mento entre os Pesquisad ores

Esta dinâmica está relacionada ao desenvolvimento de redes de relacionamento em um dado espaço de tempo representadas sob a forma de mudanças na estrutura de relações (WASSERMAN; FAUST, 1994, MOODY, 2004). Neste trabalho, será operacionalizada com base na avaliação longitudinal - 4 triênios de análise do CAPES - dos indicadores estruturais (tamanho, densidade e componentes) e posicionais dos pesquisadores na rede (centralidade e coesão).

Coesão Estrutural

A coesão indica o grau de concentração de atores por meio de relações em uma rede social. A coesão é obtida por meio de algum tipo de medida de agrupamento que define a natureza e o diâmetro dos grupos (MOODY; WHITE, 2003).

Small Worlds (mundos pequenos)

O small worlds se apresenta como uma configuração de rede, na qual o nível de agrupamento local entre os atores é alto, mas a distância média entre os atores é pequena (WATTS; STROGATZ, 1998). Assim, para avaliar a presença dessa configuração nos resultados desta pesquisa, se avaliará se a densidade global da rede é baixa, se a distância média entre os atores não é grande e, finalmente, se o coeficiente de agrupamento é alto.

Quadro 6 - Conceitos utilizados na Análise de Redes Sociais (ARS). Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

Os conceitos apresentados representam uma fração do total de possibilidades de variáveis passíveis de obtenção nos estudos de ARS, no entanto expressam o ponto nuclear das pesquisas nesta área e com potencial de utilização nesta pesquisa.

A incorporação do conceito de small worlds se insere no contexto em que a ARS possui limitações no dimensionamento do aumento da coesão e do grau de abertura de grupos para novos laços. Segundo Watts (1999), as análises se restringiam aos arranjos locais. Esta barreira foi superada mediante ao desenvolvimento de medidas de avaliação de small worlds por Watts e Strogatz (1998). Estes autores se fundamentam na perspectiva que os autores estão agrupados localmente (coeficiente de agrupamento) e, ao mesmo tempo, necessitam de poucos contatos para ligar-se a qualquer um dos membros pertencentes a outras redes (distância média). Assim, o conceito de small worlds propõe que um indivíduo pode acessar a outro indivíduo qualquer a partir de seus relacionamentos. Milgram (1967) sugeriu que com apenas seis “passos” seria possível alcançar qualquer cidadão americano dentro dos Estados Unidos.

A abordagem desenvolvida propõe que apesar do número limitado de relacionamentos que cada indivíduo possui - de origem: familiar, afetiva ou profissional - estes podem possibilitar por meio de seus contatos o acesso a uma gama maior de outros indivíduos. Para Granovetter (1973) os grupos sociais possuem abertura de relacionamentos, o que possibilita um aumento exponencial de possibilidades de contatos, conformando o acesso à informação, ao conhecimento e a influência. Dessa forma acessando indiretamente os contatos cultivados pelo seu círculo de relacionamento, e assim sucessivamente, é possível alcançar qualquer indivíduo. Emana desta possibilidade de alcançar a qualquer indivíduo, se apoiado na rede de relacionamento de pouco intermediários, a expressão small worlds