CAPÍTULO III – FORMAÇÃO DE PROFESSORES
3.1 O CURSO DE PEDAGOGIA E O PERFIL DO EGRESSO
A Pedagogia começou a se desenvolver no século XIX, podendo ser considerada uma ciência ou disciplina do ensino que estuda os vários temas direcionados e relacionados à educação, tanto de caráter teórico quanto no prático e tem como objetivo principal melhorar o processo de aprendizagem dos indivíduos, por meio da reflexão, sistematização e produção de conhecimentos. Como ciência social, está interligada com os aspectos da sociedade e, também, com as normas educacionais do país. A discussão sobre a formação do educador, sobretudo do pedagogo, efetiva-se desde a década de 70; de lá para cá, os educadores vêm sentindo a necessidade de definir as orientações e diretrizes com relação à formação do professor.
O curso de pedagogia, no Brasil, veio, ao longo do tempo, aprimorando seu objeto de estudo, principalmente no que diz respeito à educação de crianças e à gestão educacional. A preocupação com a forma de ensinar esteve presente nas primeiras propostas desse curso e, ao ser regulamentado, em 1939, definiu-se como
formador de técnicos em educação, quando professores cursavam pedagogia para exercer funções técnicas, por meio de concurso, como: inspeção em escolas, trabalho em secretarias de educação do município e do estado e outros.
Posteriormente, observou-se uma dicotomia, pois o curso formava o técnico em educação, na modalidade de bacharelado e o professor, na modalidade de licenciatura. O bacharel em Pedagogia era preparado para ocupar cargos técnicos da educação, enquanto que o licenciado era destinado à docência. Em 1961, foi fixado o currículo mínimo do curso de bacharelado em pedagogia, composto por nove disciplinas; já a licenciatura contemplava o estudo de Psicologia da Educação, Elementos da Administração Escolar, Didática e Prática de Ensino.
Pode-se admitir que havia uma separação entre as disciplinas do bacharelado e as da licenciatura, provocando, assim, uma dualidade, como se os dois não fossem dependentes um do outro, sendo que o curso de Didática foi reduzido à forma de ensinar a dar aulas (FURLAN, 2012).
Nesse âmbito, evidenciou-se a preocupação com os processos referentes ao ensino, além da gestão das escolas. Em seu percurso histórico, o curso de pedagogia vem contemplando intensamente a formação inicial e continuada de professores, preparando-os para trabalhar com crianças, jovens e adultos.
Percebe-se, nesse contexto, a relevância do currículo que tem como missão formar o professor, levando em consideração o trinômio ação-reflexão-ação, pois dentro do processo educacional ele precisa ser concebido como um elaborador de saberes e produtor de conhecimento; assim, o currículo precisa refletir as relações dos sujeitos envolvidos no processo.
Na década de 1980, diversas universidades efetuaram reformas curriculares com o objetivo de formar, no curso de pedagogia, professores para atuarem na educação pré-escolar e nas séries iniciais do ensino fundamental (BRITO, 2012).
Enfatiza-se, ainda, que grande parte dos cursos de Pedagogia, hoje, tem como objetivo central a formação de profissionais capazes de exercer a docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas pedagógicas para a formação de professores, no planejamento e na gestão e avaliação de estabelecimentos de ensino, de sistemas educativos escolares e de programas não escolares. Os movimentos sociais também têm insistido em demonstrar a existência de uma demanda ainda pouco atendida, no sentido de que o pedagogo seja também formado para garantir a educação dos segmentos historicamente excluídos dos direitos sociais, culturais, econômicos, políticos. É nesta realidade que nascem as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. (BRITO, 2012, p. 4).
As Diretrizes Curriculares Nacionais, instituídas pela Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, para o curso de graduação em Pedagogia-Licenciatura destinam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos Cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar. Nesse contexto, as atividades docentes, porque também, faz parte da organização e gestão de sistemas e instituições de ensino. É necessário que o pedagogo tenha uma visão global do processo educativo cultural.
Nesse contexto, concebe-se a Pedagogia como área mater que abrange os estudos teórico-práticos, investigação e reflexão crítica que visa aludir o planejamento, a execução e avaliação de atividades educativas. Assim, o pedagogo precisa entender a escola como organização complexa que objetiva promover a educação e cidadania. Além disso, cabe a este a participação na gestão dos processos educativos (BRASIL, 2006).
Este profissional da Educação precisa estar cônscio de seu papel de pedagogo-pesquisador e do professor reflexivo, na medida em que o curso forma o profissional para atuar com crianças e adultos em diferentes espaços educativos; e o profissional da educação, nesse âmbito, é capaz de atuar nos sistemas de ensino com propriedade para analisar e compreender as relações entre a política educacional e a prática escolar, bem como a compreensão das interfaces entre a docência, a gestão escolar e a gestão da educação.
Na verdade, o Curso de Licenciatura em Pedagogia deverá preparar profissionais para atuarem de forma multidisciplinar e integrada na docência, em projetos, enfim no contexto pedagógico de produção e socialização do saber, buscando a integração com a família e a comunidade que o cerca, desenvolvendo competência para a docência nas séries iniciais do Ensino Fundamental, competência para a docência na Educação Infantil, competência para a Gestão Educacional, competência para a coordenação pedagógica nos diversos espaços de educação, seja formal ou não formal, isto é, espaços escolares ou não escolares (BRASIL, 2006) como abordam as Diretrizes Curriculares do curso:
Parágrafo único. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando:
I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação;
II - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não escolares;
III - produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos escolares e não escolares. (BRASIL, 2006). No que tange ao perfil do egresso, pretende-se formar um profissional comprometido com a tarefa de ensinar e com a necessidade constante de se renovar. A Pedagogia procura despertar, nos futuros professores, o interesse pelo conhecimento, fazendo com que reflitam diante de seu papel em sala de aula e desenvolvam suas competências e habilidades (BRASIL, 2006).
São destacados, a seguir, os dez pontos que Libâneo (2012) considera como um novo posicionamento docente diante das realidades do mundo contemporâneo:
a) assumir o ensino como mediação: aprendizagem ativa do aluno com ajuda pedagógica do professor;
b) modificar a ideia de uma escola e de uma prática pluridisciplinares para uma escola e uma prática interdisciplinar;
c) conhecer estratégias do ensinar a pensar, ensinar a aprender;
d) persistir no empenho de auxiliar os alunos a buscarem uma perspectiva crítica dos conteúdos, a se habituarem a apreender o enfoque nos conteúdos escolares crítico-reflexivos;
e) assumir o trabalho de sala de aula como um processo comunicacional e desenvolver a capacidade comunicativa;
f) reconhecer o impacto das novas tecnologias da comunicação e informação na sala de aula (televisão, vídeo, games, computador, internet, CD-ROM etc.);
g) atender à diversidade cultural e respeitar as diferenças no contexto da escola e da sala de aula.
h) investir na atualização científica, técnica e cultural, como ingredientes do processo de formação continuada;
i) integrar, no exercício da docência, a dimensão afetiva;
j) comportamento ético e saber orientar os alunos em desenvolver valores e atitudes em relação à vida, ao ambiente, às relações humanas, a si próprios.
Na verdade, a educação tem exigido profissionais competentes que contribuam de maneira teórica e prática, entendendo as necessidades sociais de seu contexto educacional e colaborando decisivamente na formação do educando.
Trata-se de uma ascensão que abrange o lado pessoal e profissional do educador que precisa estar em formação contínua. De certa forma, os educadores, principalmente os pedagogos, são muito cobrados no que tange a sua atuação; desse modo, precisam responder a tais exigências e atribuições legadas pela sua titulação.
Para Costa e Farias (2012, grifo nosso), torna-se necessário apresentar autonomia profissional para buscar os elementos que lhe faltam, posto que o profissional que domina os conhecimentos teóricos, em unidade com sua prática, conseguirá refletir, sistemática e objetivamente, gerando a produção de saberes para que possa se tornar um sujeito-autor do seu fazer-saber pedagógico, pois a autonomia não se ensina, é adquirida juntamente com outras competências do docente.
Nesse contexto, fica claro que a autonomia não ajuda somente na tomada de decisão ou no controle burocrático da instituição, onde o profissional atua e, sim, colabora para que o profissional seja transformador, produtor de conhecimento, principalmente por meio da pesquisa. É essencial que o professor seja, também, um pesquisador e, sobre o professor pesquisador, Demo (2004, p. 89) ressalta que:
Na prática, grande parte dos professores não estuda, não lê, não pesquisa nem elabora, em alguma medida porque sequer teria tempo disponível, ao consumir-se dando aula. É incongruente exigir tudo dele sem devida contrapartida. Como regra, seus salários são indizíveis. Em parte, os professores são excluídos, apesar de terem a missão de incluir os excluídos.
Para Demo (2004), não é o aluno que precisa mudar, mas, sim, o professor, que, muitas vezes, não pesquisa e não consegue elaborar nem reconstruir seus conhecimentos de maneira sólida, não produz seu próprio material.
Muitos dos desafios são evidenciados na formação do Pedagogo, porém se faz necessário suscitar desejo de mudança nos discentes e docentes para a construção de um ambiente universitário de aprendizagem e reflexão.
Entretanto, cabe aqui perguntar: Como os professores estão sendo formados? O professor-pesquisador atenderia a uma nova perspectiva de aprendizagem? As exigências impostas para o pedagogo são inúmeras.
O fazer pedagógico exige que o profissional abrace a docência e se proponha a resolver os problemas de aprendizagem em sala de aula, bem como questões
relacionadas à escola, no que tange ao planejamento, ao desenvolvimento e avaliação voltados à melhoria qualitativa do ensino.
Como atividades da rotina do pedagogo tem-se a ministração de aulas em educação infantil e no ensino fundamental, orientação a professores com vistas a melhorar o ensino, elaboração de currículos, calendários escolares e planejamentos anuais, bem como às etapas do processo de ensino, trabalhando as unidades escolares e, quando necessário, fazer orientação vocacional.
Além disso, outra função importante desenvolvida pelo pedagogo, sobretudo o que atua em sala de aula, diz respeito à avaliação, na medida em que integra os conteúdos no espaço de aprendizagem que trabalha. Além disso:
Art. 5º O egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a:
I - atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária;
II - compreender, cuidar e educar crianças de zero a cinco anos, de forma a contribuir, para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica, intelectual, social;
III - fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental, assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria;
IV - trabalhar, em espaços escolares e não escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo;
V - reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas, cognitivas, emocionais, afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas. (BRASIL, 2006).
No Brasil, o Curso de Pedagogia foi regulamentado, pela primeira vez, no Decreto-Lei nº 1.190/1939, intencionando formar os “técnicos em educação”, que eram os professores que cursavam Pedagogia. O pedagogo, neste cenário, desenvolvia as seguintes funções: administração, planejamento de currículos, orientação aos professores, inspeção de escolas, avaliação do desempenho dos alunos e dos docentes, de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação, no Ministério da Educação e nas secretarias de estado e dos municípios.
Saviani (2007) menciona que a introdução efetiva da Pedagogia na Universidade ocorreu por meio dos Institutos de Educação, concebidos como espaço de cultivo da educação, entendida não apenas como objeto do ensino, mas, também, da pesquisa. As duas principais iniciativas foram: o Instituto de Educação do Distrito Federal, estruturado e implantado por Anísio Teixeira, em 1932 e dirigido por Lourenço Filho; e o Instituto de Educação de São Paulo, implantado, em 1933, por Fernando de Azevedo.
Com o passar do tempo, o Curso de Pedagogia ganhou um aparato legislativo e veio se consolidando, principalmente no que diz respeito à formação inicial e continuada de docentes, para trabalhar com crianças, jovens e adultos.
3.2 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Nos últimos anos, os parâmetros e as concepções sobre formação docente do ensino superior têm sofrido algumas alterações. Cada vez mais, exige-se que esse profissional seja: competente, inserido na sociedade e no mercado de trabalho; com maior nível de escolarização; capaz de utilizar tecnologias de informação na docência; capaz de trabalhar em redes acadêmicas nacionais e internacionais; um sujeito que domine o conhecimento contemporâneo, manejando-o na resolução de problemas; capaz de integrar sua matéria de ensino ao contexto curricular e histórico-social; capaz de utilizar formas de ensinar variadas (CUNHA, 1998). Isso vai ao encontro das diretrizes curriculares do curso quando:
§ 1º Compreende-se a docência como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional, construído em relações sociais, étnico- raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e objetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento, no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo. (BRASIL, 2006).
A partir dessas considerações, pode-se compreender a dinâmica pedagógica que conduz à prática avaliativa nas Instituições de Ensino Superior, que tem por finalidade realizar uma análise contextualizada da realidade, privilegiando o movimento que há entre as concepções avaliativas, levando-se em conta o papel do professor universitário.
Nesse contexto, o professor passa a ter um papel relevante como articulador e mediador entre o conhecimento elaborado e o conhecimento a ser produzido (BEHRENS, 1999). A nova abordagem pressupõe que alunos e professores se tornem sujeitos ativos, engajados em processos verdadeiramente interativos de aprendizagem, trabalhando em direção à construção de um todo compreensível de conhecimento, a partir de fatos contextualizados.
Diante do exposto, podem-se demonstrar os papéis desenvolvidos pelo professor, tais como:
b) domínio do conhecimento; c) instrumento de trabalho; d) fundamento ético-político;
e) transmissão e apreensão do conhecimento; f) ousadia = limites como desafios;
g) questionamento = superação de modelos e construção de conhecimento; h) estratégias planejadas de trabalho.
Assim, observa-se que o papel do professor universitário ainda guarda resquícios de uma herança histórica da educação tradicional no país. Apesar das mudanças ocorridas, percebe-se que o conhecimento, hoje, deve ser tratado dialogicamente. Nesse sentido, é possível vislumbrar o aprendizado através do diálogo, pois o mesmo demonstra ser uma estratégia favorável para instaurar e dinamizar as ações empreendidas neste processo. O diálogo, na abordagem dialógica, refere-se à reciprocidade de pessoas através da palavra. No diálogo, as pessoas se anunciam e se revelam a partir da confrontação de ideias (FREIRE, 1999; ROMÃO, 1998).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional faz menção ao trabalho dos professores, destacando suas responsabilidades. Nesse sentido, também, são percebidos aspectos inter-relacionados à avaliação, demonstrando quão ela é significativa na função docente:
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. (BRASIL, 1996, grifo nosso).
Nesse enfoque, o papel do professor universitário é detectar possíveis problemas no processo ensino-aprendizagem, desencadeando perspectivas de ensino, assumindo seu compromisso ético e profissional que afirme o direito à educação e à cidadania, evitando, assim, a evasão.
Segundo Dorneles (1986), semelhante explicação para os fenômenos de evasão e repetência, nas Instituições de ensino superior, desempenhava uma
importante função ideológica, pois dissimulava a verdadeira natureza do problema e, ao mesmo tempo, legitimava as situações de desigualdade de oportunidades educacionais e seletividade escolar.
Nessa perspectiva, é significante dizer que o professor universitário pode contribuir ao máximo, orientando os discentes a multiplicar os seus conhecimentos, seja na pesquisa teórica ou na prática educativa, desenvolvendo um trabalho crítico- reflexivo e coerente que possibilite resultados positivos no processo de ensino – aprendizagem.
No pensar de Freire (1987), o professor do ensino superior, como todo educador, tem suas convicções. Mas suas opções políticas e pedagógicas não são somente fruto de suas escolhas individuais, assim como, também, sua ação em sala de aula não o é. Suas ações e pensamentos são fruto de suas interações e de um longo e contínuo processo de formação profissional, social, intelectual, cultural, política e humana. O professor, à medida que ensina também se forma; à medida que avalia, avalia-se.
As práticas educacionais são uma realidade que privilegia todo um sistema, onde se valorizam conhecimentos, capacidades, atitudes, níveis de adequação de intenções, todos expressos num conjunto de relações interpessoais e institucionais que determinam o exercício adequado da profissão.
Diante desse cenário, é necessário discutir sobre o processo avaliativo no Ensino Superior, especificamente para a formação de professores. Santos (2009) destaca que as pesquisas sobre avaliação da aprendizagem, no Ensino Superior, devem focalizar, com urgência, como os professores estão sendo preparados para avaliar, considerando a coerência como fator que interfere diretamente na formação para avaliar.
No entanto, o que se observa, nos cursos de formação de professores, é um descompasso entre a relação teoria e prática, no que tange ao assunto da avaliação da aprendizagem, bem como a falta de preocupação, por parte dos professores, em relação a esta questão. Há, ainda, a insatisfação dos alunos que observam a falta de coerência de muitos professores, que apresentam divergências entre o discurso e a prática. Esse desencontro entre teoria e prática pode acabar gerando insegurança e despreparo que, certamente, estão relacionados a seus conhecimentos e experiências tradicionais.
Os docentes em formação precisam atentar para as incertezas que podem aparecer mediante ao ato de avaliar, pois, a avaliação não é uma estrutura com respostas pré-determinadas (HOFFMANN, 2008).
O modelo avaliativo utilizado na maioria das instituições escolares, inclusive no ensino superior, focaliza uma prática social na qual o mérito e o esforço pessoal impulsionam o sucesso, levando, cada vez mais, à competição e ao individualismo.
A avaliação que ocorre dentro dos espaços de formação tem demonstrado múltiplas facetas, diversos significados, mostrando-se de variadas formas, podendo cumprir ou ocultar finalidades diversas. Dessa forma, faz-se necessário compreendê-la como uma categoria do processo pedagógico, que necessita ser considerada no conjunto do funcionamento escolar, que não pode ser estudada simplesmente como uma questão técnica e fragmentada (CERMINARO, 2010).
Admitir a avaliação como categoria do processo pedagógico e instrumento de gestão não significa dizer que ela será apenas direcionada a procedimentos adotados, mas a enfocar o conhecimento e o desempenho dos alunos. A integração da avaliação com o trabalho pedagógico faz-se necessária, pois a primeira norteia o trabalho da segunda.
Manter-se como espectador dessa realidade é uma postura que não auxilia na promoção de mudanças nesse contexto educacional. Proporcionar o redimensionamento das práticas pedagógicas, para que os cursos de formação de professores atinjam sua meta maior; preparar um profissional competente para o ato de ensinar e cuidar da aprendizagem e cidadania de seus alunos; imprimir um novo sentido à prática avaliativa, transpondo a postura classificatória é um procedimento necessário para compreender melhor o ato de aprender e o ato de ensinar “[...] a ligação intrínseca entre avaliação e aprendizagem, [que é] na verdade, a única razão de ser da avaliação” (DEMO, 2004, p. 73).
Autores, como Hoffmann (2005, 2008) e Vasconcellos (2000), acreditam na influência das experiências avaliativas vividas pelos alunos, no curso de formação de professores, em suas práticas posteriores, em sala de aula. Lüdke e Salles (1997, p. 187) ressaltam que os estudantes trazem influências nas concepções e práticas avaliativas de suas experiências no ensino fundamental e médio. Ou seja, se não