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2 Fundamentação Teórica

EMPREENDEDORISMO SOCIAL

2.2.1 O Empreendedor Social: limites e possibilidades

O empreendedor social tem como característica central a renovação. É justamente na introdução do capitalismo como eixo da economia que o empreendedor surge com a missão de desenvolver e de fazer fluir o comércio (comprando e vendendo, emprestando e estocando), sendo impulsionado pelo desejo de querer contribuir com o processo de construção e desenvolvimento social (IES, 2012; LIMA, 2008; KNIGHT, 2005; LOWE e MARRIOT, 2006).

Tal contribuição ocorre por meio do que Schumpeter denominou de “destruição criativa” que corresponde à capacidade do empreendedor em [re] criar novos produtos, bens e serviços de maneira que otimize tempo e capital em uma espécie de evolução das atividades desenvolvidas pelas organizações (SCHUMPETER, 1982).

O estudo de Gaiger (2008) sobre as dimensões empreendedoras revela que os empreendedores sociais se articulam em torno do princípio de autogestão e cooperação para o surgimento de novos produtos e processos. Desse modo, as decisões tomadas baseiam-se em suas experiências pessoais, neste momento, a ação empreendedora

possibilita ao empreendedor vislumbrar novos caminhos e diretrizes na gestão dos negócios (GAIGER, 2008; ELKINGTON, J.; HARTIGAN, P, 2008; KNIGHT, 2005; OLIVEIRA, 2004; SCHUMPETER,1982).

O empreendedorismo social revela os seus atores nos espaços sociais15, demarcados como pessoas com capacidades que estão além do requerido normalmente por empresas ou mercados tradicionais, apresentam sempre a inovação no desenvolvimento de suas atividades. Os empreendimentos sociais geridos por esses sujeitos estruturam-se a partir de uma gestão participativa, menos dual e mais cidadã. Assim, o empreendedor social revela-se por ter características próprias, geralmente, são proativos, inovadores e assumem riscos que normalmente gestores tradicionais não assumiriam (PARENTE et al. 2010; LOPES, 2006; OLIVEIRA, 2004. a).

Conforme relatório do IBGE (2010), a realidade brasileira é crítica em relação ao desenvolvimento de práticas empreendedoras sociais. Apesar do reconhecimento quanto ao crescimento nessas últimas três décadas, principalmente, nessa primeira década do século XXI, o país ainda não atua com o mesmo potencial que os empreendedores europeus, norte-americanos ou asiáticos, não há consolidação de Leis (política clara) estabelecida pelo Estado quanto à profissionalização, emancipação e regularização dessas entidades sociais. Assim, os projetos sociais existentes são em sua maioria fomentados pelo Estado e as entidades sociais existentes, geralmente, necessitam de fomento público para sua permanência nas comunidades ou mercado. Acerca do desenvolvimento das ações políticas que configuram o surgimento do empreendedorismo social, o Instituto de Empreendedorismo social (2012) afirma que:

A lógica de ação dominante no empreendedorismo social é a capacitação, vista como a promoção da autonomia e responsabilidade individual dos destinatários da iniciativa, sendo que estes devem assumir um papel ativo na mudança pretendida. Esta abordagem vai além do paternalismo e proteção excessiva e permite que os destinatários façam parte da solução encontrada pelo empreendedor social, contribuindo para que a mudança efetiva se realize (INSTITUTO DE EMPREENDEDORISMO SOCIAL (www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsplook_parentBoui=150520911&att_ display=n&att_download=y - Acessado em: 23 de Dez. 2012).

15 Campo social – sendo evidenciado como sociedade, comunidade, o Estado e as organizações. Essas instituições foram ou são legitimadas pelo próprio indivíduo que as criam e gerenciam sua forma de vida, outorgando seus representantes, que outrora, representa-as no “CAMPO SOCIAL” (PARENTE et al. 2010; LOPES, 2006; OLIVEIRA, 2004.aa).

Sendo assim, a efetividade das ações no empreendedorismo social visa à emancipação por intermédio da capacitação dos sujeitos. As ações revelam que o empreendedor social é versátil, possui múltiplas habilidades, operacionalizando seus objetos de trabalhos para o fortalecimento de empreendimentos sociais sustentáveis.

Nesse sentido, as dificuldades encontradas no Brasil referem-se, principalmente, a falta de regularização e de políticas públicas que institucionalize esses empreendimentos e fomentem o desenvolvimento por meio de políticas econômicas que não sejam necessariamente a “filantropia”. Um dos maiores problemas refere-se ao acesso, a articulação, esses processos administrativos enfrentam sérios problemas de gestão (PARENTE, BARBOSA, 2011, p.09):

São as comunidades de base que estando organizadas em regimes de economia solidária mantém este desígnio de se criar um projeto de sociedade alternativo. Aqui reside quanto a nós a grande força do movimento da economia solidária no Brasil: são iniciativas que se organizam na direção da “base para o topo” e obrigam o poder federal a reconhecê-las, ainda que não obtendo o reconhecimento desejado. Contudo, dispõe desde 2003 de uma linha de apoio financeira própria, o PRONINC. A FINEP e a Fundação Banco do Brasil, em parceria com SENAES decidem retomar a discussão sobre os rumos do PRONINC, iniciado em 1997, mas de alguma forma paralisado, até então, decidindo financiar novas incubadoras de cooperativas e dar apoio à manutenção das incubadoras em operação.

Assim, tem sido por intermédio das ações realizadas nas instituições sociais quanto ao reconhecimento por parte do Estado, essas instituições atuam em uma perspectiva de crescimento tênue. O surgimento e o fortalecimento de empreendimentos sociais têm ocorrido a partir de intensos debates advindos desses movimentos sociais e não pelo interesse de um Estado promotor do desenvolvimento socioeconômico por vias sociais.

Talvez, esse seja um fator que impulsiona essas instituições a busca de emancipação quanto à autogestão dos empreendimentos, sendo este o pré-requisito que valida à própria natureza do empreendimento ser sustentável ou não como possibilidade de uma economia com valores e missões bem definidas. Essas “comunidades de base” se interligam por um objetivo comum que é o desenvolvimento de uma economia impulsionada pelo cooperativismo no terceiro setor como possibilidade de mudança social nas comunidades.

Os dados sobre empreendimentos sociais no país divulgados pelo IBGE (2010) confirmam essa realidade, tanto no que se refere às perspectivas de consolidação de empreendimentos sociais sustentáveis, quanto à efetivação de políticas públicas

comprometidas com a regularização de empreendimentos sociais no país. As ações desenvolvidas pelos empreendedores sociais no Brasil são percebidas como um campo social denso e conflitante. A forma de gestão, as bases pelas quais têm sido disseminadas as perspectivas sobre o empreendedorismo social e o desenvolvimento das comunidades, talvez tenha sido enviesada (PARENTE, BARBOSA, 2011; IBGE, 2010; FLORES, 2006).

Inferir sobre a realidade das entidades sociais no país possibilita um avanço na ciência de abrir o campo para as discursões quanto ao desenvolvimento sustentável da economia por parte desse novo formato de organização social promotora de desenvolvimento socioeconômico. Parte-se da perspectiva que o trabalho realizado por esses sujeitos carecem de uma amplitude nos debates, a forma como atuam e os projetos existentes, a articulação com as comunidades, o Estado e organizações privadas permitem transformações no terceiro setor da economia, bem como mudanças na reestruturação socioeconômica nas comunidades ZEIS por intermédio da ação empreendedora.