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CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5. O EMPREENDEDORISMO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

Nos últimos anos, o interesse pelo estudo do empreendedorismo tem crescido consideravelmente. A partir do ano 2000, o número de pesquisas que se dedicam ao estudo da educação para o empreendedorismo ampliou significativamente em todo o mundo (Ferreira, Marques, Rodrigues, 2012). Apesar dos estudos sobre o tema terem aumentado na última década, ainda permanece entre os autores a dúvida quanto ao fato de o empreendedorismo ser inato ou poder ser aprendido, de poder ou não ensinar os indivíduos a serem empreendedores (Gomes, 2011).

Alguns autores afirmam que o empreendedorismo é uma questão de personalidade e características psicológicas, logo, é algo que é inato, justificando que talento e temperamento não podem ser ensinados. Para Gomes apud Fayolle (2011, p. 57), “não há dúvida de que é possível educar as pessoas para o empreendedorismo, no entanto, como

em qualquer disciplina, é impossível dizer se esses profissionais serão talentosos ou não”. Significa dizer que o desenvolvimento de habilidades inerentes a um empreendedor é de inteira responsabilidade de cada indivíduo e não do banco escolar.

No passado, acreditava-se que o empreendedorismo não podia ser ensinado. Empreendedores eram indivíduos que possuíam um dom inato, tendo nascido com características especiais que favoreciam o sucesso no mundo dos negócios. Contudo, os resultados de diferentes estudos desenvolvidos ao longo das duas últimas décadas, indicam outra direção: embora características pessoais possam facilitar a atuação individual à frente de um novo negócio, o processo empreendedor pode, sim, ser ensinado e aprendido (Dolabela, 1999b; Dornelas, 2001).

Sabino (2010) enfatiza que muitas habilidades necessárias ao sucesso empresarial podem ser aprendidas e aperfeiçoadas mediante treinamento, mas outras, como propensão a correr riscos e a coragem para inovar, são inerentes a cada pessoa e por isso, dificilmente poderão ser adestradas. É o que acontece com frequência no Brasil: indivíduos se tornarem empreendedores por força de circunstâncias, mas se frustarem com pouco tempo de experiência.

Sarkar (2007) corrobora com esta afirmativa, defendendo que, mesmo não possuindo características necessárias ao empreendedor, uma vez estimuladas e motivadas, poderá o indivíduo tornar um empreendedor, isto é, recebendo incentivo da sociedade onde estão inseridos, através da cultura, educação e políticas públicas, o indivíduo poderá aprender a ser empreendedor.

Li (2006) argumenta que a teoria do comportamento planejado é muito útil e fornece um sólido quadro teórico para a compreensão dos antecedentes das intenções empreendedoras. Em vez disso, parece ganhar força o fluxo defensor de que é possível aprender a ser um empreendedor, através do uso de políticas diferenciadas na educação. O sucesso dependerá de vários fatores internos e externos ao negócio, das características pessoais do empreendedor e da sua postura frente aos desafios.

Timmons (1994) manifesta que as pessoas podem nascer com o dom de empreender ou podem ser preparados para tal. Enfatiza que comportamentos podem ser adquiridos, desenvolvidos, lapidados, a partir de estudos e treinamento. Naffziger (1995) considera que a educação, em conjunto com a experiência profissional, induz de forma considerável à criação de empresas, influindo nas características das mesmas.

Birdthistle et al (2007) legitima o enfoque acima, à medida que argumentam que mesmo as capacidades inatas podem ser melhoradas e reforçadas pela educação e aperfeiçoadas ao longo da vida, através da experiência.

Menezes (2007) comunga com os autores acima, quando afirma que o empreendedorismo pode ser estimulado, já que trata de uma aprendizagem individual e, ao fazê-lo, instiga a motivação do indivíduo, despertando a criatividade e gerando, neste indivíduo, o desejo de melhorar de vida, aproveitando as oportunidades que surgem.

Falcão (2008) ressalta que o empreendedorismo normalmente é classificado em duas vertentes opostas, que predeterminam as pessoas a uma probabilidade genética de insucesso ou de sucesso, ou seja, uns nascem para ganhar o suficiente para sua sobrevivência e outros para se enriquecer e tornar um capitalista bem sucedido. Logo, para ele, o empreendedorismo é congênito, já nasce com o indivíduo.

Sob o olhar de Drucker (1985), o empreendedorismo não tem nenhuma relação com genes, é uma disciplina e como tal pode ser desenvolvido pela educação.

O mais forte instrumento para o desenvolvimento da cultura empreendedora na sociedade ainda é a educação e, quanto mais cedo os jovens começarem a conhecer os valores e o pensamento empreendedor, mais efetivos serão os resultados da cultura empreendedora. Como sustenta Dolabela (2003, p. 15), “a educação empreendedora deve começar na mais tenra idade, porque diz respeito à cultura, que tem o poder de induzir ou de inibir a capacidade empreendedora”.

Além das razões previamente consideradas, Dolabela (1999a; 1999b) relaciona outros motivos que, por si só, justificariam a disseminação e implementação da cultura empreendedora pelo sistema educacional. Dentre eles:

a) As relações de trabalho estão mudando. O emprego dá lugar a novas formas de participação. Na verdade, as empresas precisam de profissionais que tenham uma visão global do processo, que saibam identificar e satisfazer as necessidades do cliente. A tradição do nosso ensino, de formar empregados, nos níveis universitário e profissionalizante, não é mais compatível com a organização da economia mundial.

b) Exige-se hoje, mesmo para aqueles que vão ser empregados, um alto grau de "empreendedorismo". As empresas precisam de colaboradores eficientes que, além de dominar a tecnologia, conheçam o negócio, saibam entender e atender as necessidades do cliente.

c) A metodologia de ensino tradicional (focada no teórico) não é adequada para formar empreendedores.

d) As nossas instituições de ensino estão distanciadas dos "mercados de trabalho", ou seja, das empresas, órgãos governamentais, financiadores, associações de classe, entidades das quais os pequenos empreendedores dependem para sobreviver. As relações universidade-empresa ainda são incipientes no Brasil.

e) Os valores culturais do nosso ensino não sinalizam para o empreendedorismo. f) Ainda há uma percepção insuficiente da importância da PME (Pequena e Média

Empresa) para o desenvolvimento econômico.

g) Predomina ainda, no ensino profissionalizante e universitário, a cultura da "grande empresa", próprias do capital, que favorece as multinacionais em detrimento das pequenas e médias empresas. Atualmente contamos com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE), que é uma instituição que funciona como uma agência de desenvolvimento, sem fins lucrativos, que visa apoiar a micro e pequena empresa no Brasil. Atua em diversos segmentos: indústria, comércio, serviços e agropecuária, abrangendo um universo muito grande de empreendedores.

h) Uma grande preocupação no ensino do empreendedorismo deve ser os aspectos éticos que envolvem esta atividade.

i) O empreendedor deve ser alguém com alto comprometimento com o meio ambiente e com a comunidade, com forte consciência social (cidadania). A sala de aula é o melhor lugar para o debate desses temas.

À semelhança do que vem ocorrendo em outros países, no Brasil já despontam iniciativas no sentido de levar o empreendedorismo para a sala de aula, e ainda mais, a sala de aula para a casa do aluno.

Miranda (2012) vê na educação um espaço de oportunidade de promoção de empreendedorismo, apontando os professores como peças fundamentais no desenvolvimento desta ferramenta – formar empreendedores, pois cabe a eles a competência de instruir os jovens. Para ele, a missão do docente não é mais a formação do sujeito para o pleno emprego, mas a formação para desenvolvimento de outras habilidades que promovam seu desenvolvimento profissional e para a cidadania. Educar para o empreendedorismo não é somente ensinar o sujeito a criar seu próprio negócio, mas torná-

lo capaz de “solucionar problemas e tomar decisões, que são essenciais para enfrentar os desafios de vida pessoal e profissional” (Miranda, 2012, p. 41-42).

A literatura tras argumentos que a educação para o empreendedorismo deve começar o mais cedo possível (e.g. Hynes, 1996; Birdthistle, Hynes & Fleming, 2007; Cheung, 2008; Rodrigues, Dinis, Paço & Ferreira, 2008; Cheung & Au, 2010; Heilbrunn, 2010; Paço, Ferreira, Raposo, Rodrigues & Dinis, 2011a; Paço, Ferreira, Raposo, Rodrigues & Dinis, 2011b). Sob o olhar de Mamede (2005), quanto mais cedo propiciar aos jovens contato com ideias e valores empreendedores, mais eficazes serão os resultados e maiores as chances de se tornarem empreendedores.

Liberato (2005) afirma que o período em que o aluno cursa o ensino médio é um período de muitas dúvidas, por ser justamente o período de transição entre a adolescência e a vida adulta, fase de incertezas e inquietações em relação ao futuro e, segundo ele, é a educação que deve dar resposta a estas questões, orientando os indivíduos inseridos num mundo em constante transformação.

Neste sentido, o ensino médio integrado ao ensino técnico seria uma passagem para o desenvolvimento das competências essenciais na área do empreendedorismo, momento em que muitos alunos paralizam os estudos e vão para o mercado de trabalho.

Em consonância com a visão de desenvolvimento, o empreendedorismo vem se firmando como um dos mais importantes elementos de contribuição para a inclusão social e o desenvolvimento econômico, tornando-se um tema prioritário nas discussões referentes ao desenvolvimento econômico e ao futuro do país.

Assim, torna-se evidente que o sistema educacional tem um importante papel a cumprir para com a causa empreendedora. A inserção de temas relacionados a negócios no programa de ensino das escolas, em diferentes níveis, tem se mostrado uma iniciativa bastante positiva para a promoção do empreendedorismo em vários países. Esforços dessa natureza começam a espalhar-se pelo Brasil, e o presente estudo tem como objetivo discutir e implementar uma proposta voltada para a Educação em Empreendedorismo no ensino médio no IFMG-SJE.

No Brasil, há uma necessidade urgente de reestruturação do atual sistema público de ensino, para que seja possível a inserção de metodologia que possibilite o ensino do empreendedorismo no ensino médio. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) contém muitas propostas relevantes, mas não há muita convergência entre o que consta nas leis e o que é posto em prática nas salas de aula.

A proposta do Empreendedorismo é analisar as empresas que deram certo e mostrar o caminho para os novos empreendedores. O que leva ao percentual de 80% das empresas, no Brasil, a não darem certo, é a falta de planejamento adequado. O objetivo do estudo do Empreendedorismo é aumentar as chances de sucesso das empresas e, por conseguinte, a permanência no mercado por um período maior (SEBRAE, 2011). Um pequeno acréscimo percentual na duração média das empresas representa para o país uma oferta de milhões de empregos, o que culminaria na eliminação do desemprego, pois cresceria a demanda por mão de obra, que levaria à busca por capacitação técnica e isso faria com que o salário aumentasse também, formando um círculo virtuoso que, certamente proporcionaria o desenvolvimento do país (Nasajon, 2004).

A pesquisa GEM (2010) traz que 57% dos empreendedores brasileiros possuem, pelo menos, o ensino médio. Isto vem, mais uma vez, enfatizar a importância da gestão do conhecimento na atual sociedade, dadas as profundas mudanças ocorridas e a grande complexidade no mundo empresarial. O conhecimento, por desempenhar um papel fundamental na história, apresenta-se como um precioso recurso estratégico para a vida das pessoas e dos empreendimentos.

Greco et al (2010) pontuam que não basta a pessoa saber fazer ou apenas querer fazer alguma coisa em termos de empreendedorismo. Ressalta que é importante e indispensável à capacitação e qualificação para formar um empreendedor preparado para aprender a pensar e agir por conta própria, com criatividade, liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço no mercado, bem como adquirir conhecimento e desenvolver comportamentos, objetivando a durabilidade e a permanência das empresas no mercado.

Cecatto (2008) legitima a premissa acima quando afirma que aquele que possui um diferencial a mais vai mais longe, referindo-se ao conhecimento, pois é com ele que novas tecnologias e ideias de trabalho mais rentável e com menos gastos surgem para a empresa. Portanto, apostar na capacitação dos empreendedores é preparar pessoas para desenvolverem negócios mais por oportunidade do que por necessidade, ou seja, é gerar empresas mais eficientes e produtivas.

Duarte e Diniz (2012) ressaltam que o nível de educação do gestor é muito relevante para o empreendedorismo, pois o empreendedorismo depende de fatores como planejamento, estratégias, cultura organizacional e das relações interpessoais que favorecem a competitividade e também, pelo fato de a educação ser fundamental para a inovação.

Miranda (2012, p. 7) ressalta que não basta “ensinar apenas o conceito de empreendedorismo: é necessário mostrar para quê usá-lo e como aplicá-lo” nas vidas dos alunos.

Diante do exposto, observa-se que é salutar a implementação da educação em empreendedorismo nas escolas, tendo em vista que enquanto mais cedo o aluno tiver contado e desenvolver suas características empreendedoras, mas fácil será para ele planejar um negócio e buscar o seu crescimento.

Baseado no referencial teórico apresentado é que pretende, com esta pesquisa, fomentar a cultura do empreendedorismo no âmbito do IFMG-SJE, buscando contribuir para o desenvolvimento socioeconômico da região em que ele está inserido.

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