2. REVISÃO TEÓRICA
2.3. O ESTADO E A REPRESENTAÇÃO DE CLASSES: POULANTZAS E OFFE
A discussão do Estado, como representante de classe, ganha força a partir de Marx, Engels, Gramsci, Althusser, Poulantzas, Offe e outros. Destaca-se aqui, especialmente, posições de Poulantzas e Offe.
No Estado moderno, diz Offe (1995), os cidadãos são coletivamente os criadores soberanos da autoridade estatal e em potencial ameaçados pela força e coerção estatal organizada, bem como, são dependentes dos serviços e das provisões organizadas pelo Estado.
Poulantzas (1986) afirma que é a partir da relação entre o Estado, como fator de coesão da unidade de uma formação, e como lugar de condensação das diversas contradições entre as instâncias, que se pode decifrar o problema política-história. Esta relação designa, simultaneamente, o nível específico de uma formação e lugar das suas transformações e tem a luta política como o “motor da história”.
Poulantzas (1986) faz registro das análises de Engels sobre as relações entre o Estado e o “conjunto da sociedade”. Segundo o teórico, Engels denomina o Estado de “resumo oficial”, dizendo que:
(O Estado) é antes de tudo um produto da sociedade em um estágio determinado do seu desenvolvimento: é o testemunho de que esta sociedade está envolvida em uma insolúvel contradição consigo mesma, encontrando-se cindida em oposições inconciliáveis que é impotente para conjurar. Mas, para que os antagonistas, as classes com interesses econômicos opostos não se aniquilem, a si e a sociedade, impõe-se a necessidade de um poder que, aparentemente colocado acima da sociedade, irá dissimular o conflito, mantê-lo nos limites da “ordem”; este poder saído da sociedade, mas que se coloca acima dela e se lhe torna cada vez mais estranho, é o Estado (Apud Poulantzas, 1986, p. 46).
Tomando, porém, inicialmente, a análise de Althusser (1985), observa-se que o autor expõe a visão estruturalista de sociedade, que se fundamenta em dois pontos: 1) a estrutura social não tem em seu núcleo nenhum sujeito criativo. Portanto, rejeita a noção do homem como sujeito ou agente da história, argumentando que os indivíduos são suportes ou portadores das relações estruturais nas quais se situam. Para ele, são as relações de produção (classes sociais com seus conflitos) os sujeitos da história e não os atores individuais como agentes livres; 2) as teorias estruturalistas rejeitam o determinismo econômico e defendem a autonomia relativa da política e da ideologia em relação à base econômica. Em determinada formação social, o econômico, o político ou o ideológico poderiam ser estruturas dominantes, mas a estrutura econômica sempre determinaria qual dos três seria dominante.
Poulantzas (1986) lançou mão desses elementos estruturalistas para desenvolver uma teoria do Estado. Ele se concentra mais nas classes sociais e na política do que na teoria marxista como um todo. A partir da natureza das classes sociais, na formação e definição do conflito de classes e no efeito desse conflito sobre o próprio Estado, descobre-se um Estado que se insere e se define nas e pelas relações de classe.
Carnoy (1986) registra que as idéias de Poulantzas sobre a Teoria do Estado se dividem em duas fases: em uma primeira, de 1968, é uma teoria mais estruturalista - o Estado reproduz a estrutura de classes, porque é uma articulação das relações econômicas de classe, na região política. A forma e a função do Estado moldam-se pela estrutura das relações de classe; na segunda, de 1978, o Estado é moldado pela própria luta de classes - o Estado torna- se mais que local de organização do poder da classe dominante por parte do grupo dominante. O Estado é mais que o unificador das frações da classe capitalista e isolador da classe operária. É local de conflito de classes, onde o poder político é contestado.
Poulantzas, da primeira fase, na obra Poder Político e Classes Sociais (1968, 1986) entende que o Estado capitalista é parte das relações de classe na produção. O Estado é
ativista: dentro dessa determinada estrutura, o Estado individualiza e personaliza os trabalhadores, impedindo a luta de classes. Para esse autor, o processo de produção capitalista, na sociedade civil, define a formação das classes e é o Estado que redefine os trabalhadores e os capitalistas, politicamente, como sujeitos individuais. A “ausência” de classes coesas (operária) é resultado não da separação do trabalhador de suas ferramentas e do produto, mas de um aparelho jurídico-político que individualiza os trabalhadores, cujas classes, em última instância, são determinadas pelo processo de trabalho. A estrutura jurídica muda a natureza da luta de classes, ao intervir para esconder dos recém-criados “indivíduos sujeitos” que suas relações são relações de classes.
A institucionalização da ordem política, econômica e social é colocada em evidência quando Poulantzas busca resposta para duas perguntas: como a classe capitalista consegue dominar o Estado? E como os capitalistas concorrentes conseguem usar o Estado para seus próprios fins contra a classe operária, também individualizada? É o que ele chama de luta política de classes. A luta política (para escondê-la de seus agentes) é relativamente autônoma da luta econômica. A unidade de classe para os capitalistas serve à reprodução das relações econômicas de classe. Esta unidade se dá através de uma completa operação político- ideológica própria, constituindo seus interesses, estritamente políticos, como representantes do Povo-Nação, um constructo ideológico a agrupar membros de diferentes classes sociais como indivíduos destituídos de sua unidade de classe. O Estado media a luta econômica e a classe dominante domina a própria luta política, relativamente autônoma. Hegemonia é igual a interesses políticos da classe dominante; frações da classe dominante se compõem em um “bloco no poder”, que reunifica os capitais concorrentes em uma classe dominante e “controla” o Estado. As instituições de dominação do Estado atuam como se a luta de classes não existisse.
Neste sentido, o Estado passa a ser um modelador da luta de classes na sociedade civil, na visão de Poulantzas. Mesmo não sendo um utensílio de classe, e sim uma sociedade dividida em classes, o Estado é um meio, às vezes, indispensável para a manutenção da hegemonia das classes dominantes.
Carnoy (1986), em seu estudo, diz que em 1975, 1978 e 1980, na segunda fase, Poulantzas reformula e amplia seu conceito de Estado como sendo ao mesmo tempo produto e modelador das relações objetivas de classe: o estruturalismo dialético.
Poulantzas (1986) argumenta que o papel dos aparelhos do Estado é manter a unidade e a coesão de uma formação social, concentrando e sancionando a dominação de classes e, assim, reproduzindo as relações sociais e de classe. Para ele, as classes sociais e a
luta de classe fazem parte das relações econômicas e políticas em uma sociedade onde os aparelhos são a materialização e a condensação das relações de classe. Ele distingue este conceito da análise institucional-funcionalista que vê relações de classe como surgindo dos agentes nas relações institucionais. Em Weber, as relações de classe surgem das relações de poder nas instituições hierárquicas, assinala Carnoy (1986). Para Poulantzas (1986) os aparelhos de Estado não têm poder, por si mesmo – as instituições não têm poder como tal, nem é o poder inerente às relações hierárquicas. Em vez disso, o Estado materializa e concentra as relações de classe, as quais são precisamente definidas pelo conceito de “poder”. O Estado não é uma entidade, mas uma relação ou uma condensação de uma relação de classe. Não é a hierarquia que produz as classes, mas as classes sociais configuram o poder no aparelho do Estado, que está marcado pela luta de classes (luta de classes e aparelhos de Estado não podem ser separados), ou seja, as classes agindo dentro do Estado produzem a hierarquia.
A segunda formulação feita por Poulantzas define a relação do Estado com a classe dominante. Para ele, os aparelhos de Estado, de alguma forma, representam os interesses da classe dominante. Esta representação tem dois estágios no capitalismo: o concorrencial e o monopolista. Em ambos os estágios, o Estado está separado da estrutura econômica, dando-lhe a aparência de ter uma autonomia relativa da classe dominante. De acordo com Poulantzas (1986), há uma separação relativa do político em relação ao econômico, derivando da separação e da desapropriação dos produtores diretos em relação aos meios de produção. O autor destaca que a ideologia capitalista promoveu o conceito de democracia, na esfera política (uma pessoa: um voto), como condição suficiente para uma sociedade democrática de massa, desviando a atenção das lutas de classes.
Poulantzas admite no segundo trabalho que, com o deslocamento da luta de classes do econômico para a arena política, o próprio Estado se torna objeto da luta e a condensação de um equilíbrio de forças. O Estado, diz ele, somente age de forma positiva, criando, transformando e fazendo a realidade, onde é produto e modelador das relações objetivas de classes.
Para Poulantzas (1986), a estrutura e a luta de classes são os definidores cruciais das relações em uma sociedade. O Estado moderno separa, com mais êxito, o trabalhador da luta pelos meios de produção, reproduzindo as relações capitalistas de produção com mais sucesso.
A partir disso, para Poulantzas, o Estado é uma arena da luta de classes. O capitalismo e a produção separam e individualizam os trabalhadores, e o Estado os reintegra
no Povo-Nação, sob um conjunto de instituições que os homogeniza e normaliza, diferenciando-os, sob uma nova série de leis, normas, valores, histórias, tradição, língua e conceitos de conhecimento que emanam da classe dominante e de suas frações. Esta mesma reintegração acontece no contexto da luta de classes e todas as instituições, incluindo o Estado, são produtos dessa luta. O autor mostra como o Estado capitalista fornece o quadro para as lutas entre frações da classe dominante e reintegra a classe operária, como indivíduos separados dos meios de produção e de sua classe, em uma nação e em um conjunto unificado de regras e instituições. Ao mesmo tempo em que, o Estado fornece o espaço político para a luta de classes, surge da luta e é moldado por ela. Ele é a chave para reintegração dos trabalhadores e da burguesia em um todo unificado que será reproduzido como sociedade capitalista. Apesar da classe operária, de geração em geração continuar alienada, explorada, as contradições surgem na própria superestrutura – no Estado – na medida em que sua integração acontece.
Após as críticas, Poulantzas (1986) sustentou que as relações capitalistas de produção, a estrutura de classes e o Estado, com o desenvolvimento do capitalismo, são histórico-específicos dentro do modo de produção capitalista. Abandonando a tese estruturalista de Estado. Defende que sua forma e estrutura são moldadas pela luta de classes e pelo papel do Estado nessa luta.
Já Offe (1995) argumenta que o Estado se compõe de aparelhos institucionais, de organizações burocráticas, de normas e códigos formais e informais que constituem e regulamentam as esferas públicas e privadas da sociedade. Como materialização das relações de dominação, os aparelhos de Estado consistem de um conjunto de estruturas organizacionais complexas e diferenciadas, cuja unidade reside em sua aspiração a legitimar a autoridade e o seu monopólio das forças repressivas. A análise de Offe enfatiza a autonomia relativa do Estado, baseado nos pontos de vista iniciais de Marx e interpretações de Weber da relação da burocracia com a sociedade civil, na medida em que a burocracia se torna a mediadora independente da luta de classes, inerente ao processo de acumulação capitalista. As contradições, que surgem dos vários papéis mediadores do próprio Estado, fazem dele a principal arena da crise (de legitimação) - o espaço onde ela se resolve ou se agrava.
Na abordagem política do Estado de Offe, a análise privilegia as funções do aparelho administrativo e suas relações com os vários atores, no palco político, incluindo os próprios burocratas do Estado. Offe apresenta um Estado altamente autônomo, e concentra o funcionamento na burocracia do Estado, relativamente independente.
Offe (1995), em sua teoria, expõe questão fundamental relacionada ao Estado regulador que pode ser adequado com a criação das agências regulatórias para intermediar os conflitos entre as empresas e os usuários. Para Offe, o Estado se desenvolve, nas sociedades capitalistas, como resposta a crises periódicas que surgem da contradição básica da produção capitalista: a crescente socialização da produção e a continuidade da apropriação privada. As crises dão origem ao desenvolvimento de mecanismo de adaptação, tanto internos no mercado, como pelas funções ampliadas do Estado. O Estado, nesta visão, é um mediador ou um administrador das crises capitalistas. Neste contexto, elenca duas questões fundamentais: 1) a relação do Estado com a classe dominante – a reprodução das relações sociais capitalistas de produção – enquanto aparenta ser o representante social do capital e ser um árbitro neutro da concorrência entre os capitais e da competição entre o capital e o trabalho; 2) os limites impostos às funções estatais de administração das crises pela necessidade inerente de reproduzir as relações capitalistas de produção.
Tratando da primeira questão, Offe rejeita duas teorias principais sobre a natureza de classe do Estado: as teorias da influência (instrumentalismo) e as teorias do constrangimento (estruturalismo). Às “teorias da influência” atribui o controle direto do Estado à classe capitalista, pela influência das corporações nos ramos executivos e legislativos do governo, nas agências regulatórias, nos meios de comunicação, bem como pela da ameaça capitalista de uma greve de investimento. As “teorias do constrangimento” insistem que há evidência de uma limitação estrutural aos cursos possíveis de ação, da falta de soberania das instituições e dos processos políticos. No entanto, argumenta, que as instituições do sistema político não podem, em nenhum caso, com eficácia, tornar-se instrumentos de qualquer interesse não capitalista. Ambas as teorias supõem que a ação do Estado (tomada de decisões) é determinada externamente, o que dá às políticas públicas o seu conteúdo capitalista. O Estado, nessas teorias, aparece como instrumento neutro que, potencialmente, pode ser usado por qualquer classe social.
Offe (1995) critica essas teorias tendo em vista os seus postulados do poder. Para essas teorias, o poder é mecanicista e, a fim de mostrar que existe uma relação de poder entre os dois subsistemas (produção e Estado), deve mostrar que suas estruturas contêm um mínimo de reciprocidade e complementaridade.
A partir destas críticas, o autor propõe que o Estado capitalista não é um conjunto de instituições que pode ser facilmente separado de outras instituições “privadas”, mas uma “rede historicamente acumulada de formalismos jurídicos e institucionais que abrange e condiciona (quase) todos os processos e interações que ocorrem em uma sociedade. O Estado
(capitalista) é a estrutura dessas sociedades históricas que se reproduzem pela concorrência e pela produção exploratória de mercadorias” (Offe, 1976, in: Carnoy, 1986). Ele propõe que o interesse comum da classe dominante é melhor expresso naquelas estratégias do aparelho do Estado que não são iniciadas por interesses externos, mas pelas próprias rotinas e estruturas formais da organização do Estado. A influência real de grupos de interesses específicos, longe de servir aos interesses da classe capitalista, em seu conjunto, tenderia a violar aquele interesse, ao criar conflitos dentro da sociedade capitalista, os quais desestruturariam a mediação das crises globais do desenvolvimento capitalista.
Do ponto de vista de Offe (1995), o Estado capitalista pode representar o interesse geral do capital, pela relação entre o Estado e o processo de acumulação, mais a legitimidade concedida ao Estado pela participação das massas na seleção de seu pessoal. Porém, o Estado não pode representar os interesses capitalistas específicos, sem colocar em perigo sua função global de representar o interesse social do capital. Nem pode parecer um representante do capital, em detrimento de sua base de apoio de massa, porque nesse caso, poria em risco a legitimidade que é a sua fonte alternativa de poder.
Referente à segunda questão, no modelo de Offe, os limites às funções do Estado emanam do problema de reconciliar dinamicamente os requisitos da acumulação capitalista de um lado, e da legitimação do outro. O processo de formação de políticas do Estado é determinado pelas dificuldades concretas de reconciliar os elementos constitutivos. A força motivadora da formação de toda política é o problema da reconciliação desses elementos em que a tomada de decisões pelo Estado não é nada mais que o processo em que esses elementos se reconciliam. Não há pressão ou manipulação de fora, mas auto-interesse institucional dos agentes do aparelho do Estado que determinam a produção e os resultados das decisões.
Offe (1995) traduz as crises econômicas em crises políticas pela presença persistente do Estado capitalista no processo de acumulação. Diz que as contradições do processo de acumulação privada se tornam crises políticas, na medida em que o Estado tenta assegurar a acumulação de capital no próprio interesse institucional do Estado. Sustenta que quanto mais o Estado institucionaliza sua intervenção no processo de troca, mais sensível é seu papel intervencionista.
O Estado capitalista tenta reconciliar e tornar compatível a acumulação e a legitimidade (não há fórmula funcional, confiável e garantida) em um movimento em que é tolhido por interesses de capitais individuais (obstruem sua intervenção), pela exigência da classe operária e de outros eleitorados trabalhistas (depende como fonte de poder) quando é difícil estabelecer um ponto de “equilíbrio” entre “compromisso” ou “estabilidade”.
Offe sugere que o interesse do Estado na acumulação do capital não significa cooperação com a classe capitalista ou a fragmentação da classe operária. O Estado pode perfeitamente entrar em conflito com capitais individuais e a classe operária, na tentativa de garantir a reprodução da acumulação. Este conflito potencial do Estado com os capitalistas é uma importante contribuição para a compreensão das ações concretas do aparelho do Estado, ausente na análise de Poulantzas.
Poulantzas e Offe se aproximam na análise da autonomia relativa dos aparelhos do Estado: a burocracia estatal também busca defender os interesses peculiares à sua posição, de modo que se pode falar de um interesse na “estabilidade” o que caracteriza todo pessoal.
Para possibilitar uma análise dos conflitos entre Estado, Mercado e Sociedade do atual contexto brasileiro, a partir das notícias da Folha de São Paulo, parece mais profícuo assumir posições de um Estado múltiplo e de variados interesses a que fazem referência em algumas passagens, tanto Poulantzas quanto Offe.
Poulantzas, em seu segundo trabalho, admite o deslocamento da luta de classes do econômico para a arena política. Assim, o próprio Estado se torna objeto da luta, de equilíbrio de forças. O Estado, enquanto cria e transforma a realidade, é produto e modelador das relações objetivas de classes. Desta forma, deslocando a luta de classes da produção para o Estado, esta luta é levada ao núcleo do Estado. E neste aspecto é importante perceber que as classes subordinadas também moldam o Estado, ao mesmo tempo em que o Estado é usado para estabelecer e ampliar a hegemonia da fração dominante. O Estado é também contestado pelas classes subordinadas. E isto pode torná-lo um espaço disfuncional para as classes dominantes. É em torno desta perspectiva, de entendimento heterogêneo de Estado, que se pode compreender melhor os conflitos entre governo, empresas, agências e usuários/consumidores.
Por seu lado, Offe enfatiza a autonomia relativa do Estado, concentrando o funcionamento na sua burocracia que se torna independente da luta de classes. Sendo arena da crise em que as contradições que surgem dos múltiplos papéis mediadores se resolvem ou se agravam, o Estado também precisa da base de apoio de massa, pois põe em risco a sua legitimidade que é sua fonte de poder. Portanto, nesta concepção do papel do Estado, - o autor privilegia funções do aparelho administrativo e suas relações com vários atores no palco político - constata-se a presença de grupos de interesse específicos que podem desestruturar a mediação das crises globais do desenvolvimento capitalista. Assim entendido, os conflitos econômicos e políticos, que são muitos, variados e intensos no meio social, têm no Estado o palco central mediador dos mesmos, em cujo palco, não apenas a fração dominante, mas os
diversos segmentos sociais encontram espaço de manifestação. E isto, traduzido para o modelo regulatório brasileiro, implica na montagem do cenário onde governo, empresas reguladas, agências e usuários tentam diminuir suas diferenças.
Isto não invalida a importância das demais posições dos autores. Tanto Poulantzas (especialmente em sua primeira fase) quanto Offe, com suas especificidades, fazem as críticas