O FINANCIAMENTO DAS AÇÕES DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA

No documento Vigilância Sanitária [Livro] - Biblioteca Virtual do NESCON (páginas 85-87)

Duas portarias regulamentam o financiamento das ações de Vigilância Sanitária: a Portaria nº 1885/GM, de 18/12/97, que cria o PAB variável e, dentro dele, um valor per capta para financiar as ações básicas de Vigilância Sanitária previstas no Sistema de Informação Ambulatorial do SIA/SUS, no valor de R$ 0,25 hab/ano. A segunda, a Portaria nº 1.008/GM, de 8/09/2000, que regula a transferência de recur- sos fundo a fundo para o financiamento das ações de média e alta complexidade, executadas por esta- dos e municípios na área de Vigilância Sanitária.

O PAB variável da VISA já está implantado há 2 anos. O valor destinado nos orçamentos do Ministé- rio da Saúde para o PAB VISA tem sido crescente ao longo dos últimos anos. Este incremento de recur- sos tem reflexos na execução orçamentária da vigilância sanitária. De 20 milhões de reais em 1997, su- biu para 50 milhões em 1998, 60 milhões em 1999.

A partir de 1999, com a criação a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, há um valor previsto no Fundo Nacional de Saúde (principalmente para o pagamento do PAB VISA) e as demais ações são fi- nanciadas pela ANVISA. Assim, no ano de 1999, além do valor de 60 milhões, executado pelo Fundo Nacional de Saúde, a ANVISA teve uma execução orçamentária de mais 75 milhões de reais.

Para o ano 2000, o Fundo Nacional de Saúde já havia executado 32 milhões de reais até o mês de setembro e a ANVISA outros 46 milhões de reais.

A previsão orçamentária para o ano de 2001, encaminhada ao Congresso Nacional, prevê um gasto de 65 milhões de reais para a Vigilância Sanitária no Fundo Nacional de Saúde e outros 103 milhões na ANVISA. Como o incentivo financeiro no PAB variável é de R$ 0,25 e considerando 100% dos municípios ha- bilitados e a população IBGE de 167 milhões de habitantes para o ano 2000, o máximo esperado de gasto com o PAB/VISA seria de R$ 41.750.000,00. O orçamento do Fundo Nacional de Saúde prevê um gasto de 65 milhões de reais. A diferença é utilizada para garantir as transferências de 2001, regulamen- tada pela portaria nº 145/GM, de 31 de janeiro de 2001.

Quando são analisadas as informações relativas à produção de ações de vigilância sanitária no SIA/SUS, referentes aos procedimentos do PAB/VISA, podemos observar que grande parte dos municí- pios não tem informado corretamente sua produção. Ou seja, apesar de estarem produzindo ações na área de VISA no PAB5, os municípios não estão informando adequadamente esta atividade.

A conclusão que podemos tirar deste dado é que o pagamento do PAB VISA per capta, desvinculado da produção, somado à ausência de um sistema de acompanhamento e avaliação estadual e federal, le-

5 Esta constatação foi feita em estudo relativo ao PAB VISA, elaborado pelo Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Nutrição – NESCON/UFMG, para a ANVISA, onde foram obtidas informações por telefone, diretamente com os responsáveis pela VISA nos municípios.

vou a uma enorme perda da informação existente no SIA/SUS. A mudança deste cenário somente será possível com o acompanhamento e avaliação sistemática do SIA/SUS por parte das SES e da ANVISA.

A Portaria n º 145/GM, de 31/01/01, define os recursos federais destinados ao financiamento das ações de média e alta complexidade em Vigilância Sanitária, transferidos do Fundo Nacional de Saúde aos Fun- dos Estaduais e do Distrito Federal, nos limites fixados e estabelece os critérios para esta transferência.

Segundo a portaria, "as ações serão financiadas com os recursos mencionados, que estão discrimina- das nos Termos de Ajuste e Metas, assinados com as Secretarias Estaduais de Saúde."

Para receber os recursos os estados e municípios deverão estar habilitados (aprovação na CIB e CIT e assinatura do Termo de Ajuste e Metas com a ANVISA) em algum tipo de gestão prevista na NOB/96. Segundo a portaria, os recursos financeiros destinados a cada unidade federada serão definidos pelo somatório das seguintes parcelas;

Art. 4º ...

I - Valor per capita de R$0,15 (quinze centavos)/hab./ano multiplicado pela população de cada uni- dade federada;

II - Valor proporcional à arrecadação das Taxas de Fiscalização em Vigilância Sanitária – TFVS, por fato gerador.

§ 1º Fica estabelecido um PISO ESTADUAL de VIGILÂNCIA SANITÁRIA - PVISA, no valor de R$ 420.000,00/ano (quatrocentos e vinte mil reais) para unidades federadas cujo somatório das parcelas ficar abaixo deste valor;

Art.6º O valor correspondente ao fato gerador de repasse às unidades federadas, será estabelecido por Portaria conjunta da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, após deliberação da Diretoria Colegiada da ANVISA.

Art. 7º Do valor per capita a que cada unidade federada faz jus, R$0,06 (seis centavos) serão utiliza- dos como incentivo à municipalização das Ações de Vigilância Sanitária, de acordo com a complexidade das ações a serem pactuadas e executadas.

§ 1º Caberá ao gestor estadual implantar mecanismos que garantam o repasse de recursos, men- salmente, para os municípios em valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do valor anual pactuado, em conta específica da Vigilância Sanitária.

§ 2º Para se habilitarem a estes recursos os municípios deverão cumprir os seguintes requisitos:

I – estar habilitado em uma das condições de gestão estabelecidas na NOB/SUS 01/96; II – comprovar capacidade técnica de execução das ações de Vigilância Sanitária por nível

de complexidade;

III – possuir equipe técnica cuja composição corresponda às necessidades de cobertura local; IV – comprovar existência de estrutura administrativa responsável pelas ações de Vigilância Sanitária; V – comprovar abertura de conta específica vinculada ao Fundo Municipal de Saúde.

§ 4º A solicitação de habilitação ao Termo de Ajuste pelo Município será analisada pela Secreta- ria Estadual de Saúde que emitirá parecer para análise e aprovação pela CIB;

Art. 8º Nos municípios onde o gestor não se manifestar pela pactuação, a unidade federada assumirá a responsabilidade pelas ações não cabendo aos municípios em questão direito sobre o piso municipal de que trata o artigo 7º;

§ Único Por deliberação da CIB, o Fundo Nacional de Saúde, transferirá diretamente ao Fundo Munici- pal de Saúde, os recursos pactuados como incentivo à descentralização de que trata o artigo 7º.

Art. 9º O repasse dos recursos federais será feito, mensalmente, por intermédio do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos Estaduais de Saúde, em valor correspondente a 1/12 (um doze avos) da par- cela federal, em conta específica da Vigilância Sanitária.

Em relação às contrapartidas, a exigência é que não ocorra diminuição dos valores gastos com Vigi- lância Sanitária no ano anterior.

As atividades e metas pactuadas no Termo de Ajuste e Metas, serão acompanhadas e avaliadas por Comissão de Avaliação constituída pelo Diretor Presidente da ANVISA

O cumprimento das duas portarias será fundamental para melhorar qualitativa e quantitativamente a Vigilância Sanitária no Brasil. Contudo, o mecanismo de financiamento, além de auxiliar na implantação de atividades descentralizadas da VISA deve produzir um efeito de correção de desigualdades regionais, contribuindo para a melhor organização da VISA. Um exemplo claro desta demanda é o fato de apenas 30% dos cadastros da VISA nos municípios brasileiros serem informatizados. Deste modo, um meca- nismo de financiamento adequado poderia ter este duplo papel.

RECURSOS FEDERAIS DESTINADOS ÀS AÇÕES

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