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3. A PANACÉIA ORGANIZACIONAL: A

3.1. O JOGO INTERIOR: AS ORIGENS ESPORTIVAS DO

A origem da palavra coaching bem como o significado que

empregamos a ela no contexto deste trabalho — enquanto um método

que visa auxiliar no desenvolvimento pessoal e profissional de pessoas

—, não tem determinações consensuais entre seus entusiastas; optamos

então por apresentar uma versão que é bem aceita pelo grupo de

entusiastas do coaching, mas, nem por isso é a única versão aceita.

A etimologia da palavra coaching deriva de ‘coach’, uma antiga

palavra Húngara que, diz a história, originou-se em um antigo vilarejo

conhecido como Koczi. Os habitantes deste vilarejo engenhosamente

desenvolveram um tipo de transporte coberto, idealizado e projetado

com o intuito de transportar seus habitantes de um local a outro e ao

mesmo tempo os proteger das mazelas do clima, o que viria a ser a

primeira carruagem. A palavra coaching, ao longo da história, esteve

associada ao transporte, apenas muito recentemente deu-se a ela uma

nova relação, agora com o esporte. No esporte ela toma novo

significado, dizendo respeito a uma situação em que “um especialista

treina e desenvolve um atleta ou uma equipe de atletas para atingir suas

metas.” (MILARÉ e YOSHIDA, 2007, p. 88). Contemporaneamente

coaching tem sito utilizada também, significando um tipo de tutoria,

como “alguém que guia os passos de uma pessoa para que esta tenha

sucesso sustentado em valores e princípios” (MILARÉ e YOSHIDA,

2007, p. 88).

De fato, atualmente todos estes sentidos podem ser empregados à

palavra em questão, “todos esses sentidos da palavra são encontrados no

Dicionário Oxford (1997), em que a palavra coach é traduzida por

‘técnico, treinador, tutor’, assim como por ‘carruagem, ônibus’ e

‘viagem em carro ou em carruagem’” (MILARÉ e YOSHIDA, 2007, p.

88). Há, também, os que buscam um sentido para a palavra coaching em

analogia a sua etimologia relacionada ao transporte, concedendo a

palavra o seguinte sentido: “aquele que conduz pessoas de uma parte

para outra, ou seja, de um estado atual a um estado futuro. De uma

condição presente a uma futura. É alguém capaz de apoiar outro a ir do

lugar em que se encontra a outro, inclusive por caminhos ainda não

trilhados” (SILVA, 2010, p. 304).

Apesar do dissenso a cerca da origem da palavra, bem como das

influências para a constituição do coaching, e suas diversas variações, o

que nos importa é que nas diversas alternativas para sua origem e

significado o que tem de constante no uso contemporâneo da palavra

enquanto conceito é que: i) ela nomeia um processo que, com a

intervenção de uma determinada pessoa (coach), busca-se desenvolver

ou profissional, e sendo assim, Milaré e Yoshida (2007, p. 88), dizem

que “ser um coach significa ser um profissional qualificado a ajudar

uma pessoa a expandir suas competências, levando-o de um

posicionamento a outro, sustentado por seus princípios e valores”, já a

expressão coaching “é utilizada para designar esse processo de ajuda”; e

ii) os princípios, conceitos e métodos utilizados pelos profissionais de

coaching, bebem de diferentes ciências. Segundo informações

divulgadas do site do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o coaching

faz uso de “um mix de recursos que utiliza técnicas, ferramentas e

conhecimentos de diversas ciências como a Administração, Gestão de

Pessoas, Psicologia, Neurociência, Recursos Humanos, Planejamento

Estratégico, entre outras”, e a aplicação destas técnicas e ferramentas,

segundo o instituto, visa “à conquista de grandes e efetivos resultados

em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar,

espiritual ou financeiro”.

Como vimos não há um consenso a respeito das origens e

influências da prática do coaching, e sendo assim, optamos por

apresentar uma versão que é aceita pela comunidade praticante deste

método e que nos possibilita compreender alguns dos princípios dessa

técnica. Vamos nos ater a relação do coaching com o esporte,

especificamente a versão que apresenta Tim Gallwey como o ‘pai’ do

Coaching. Antes é relevante ressaltar que não é nosso objetivo entrar no

mérito da funcionalidade do método, nem mesmo na descrição

minuciosa de sua aplicabilidade; pretendemos apenas apresentar, de

forma geral, a técnica desenvolvida para auxiliar os indivíduos a

melhorarem sua performance pessoal e profissional de acordo com o que

acreditam ser necessário. Dito isso seguimos.

O coaching pode ter sido constituído a partir dos conceitos e

métodos de desenvolvimento pessoal criado por Tim Gallwey, um

treinador/professor de tênis norte americano, que inspirado por suas

experiências no esporte desenvolveu um método de ensino/treinamento

que mais tarde ele transformou em livros e aplicou não apenas no

esporte, para o desenvolvimento dos atletas, mas também nas

organizações, para o desenvolvimento dos trabalhadores — esse último

é o que nos interessa —, seu método ficou conhecido como “The Inner

Game – O Jogo Interior” (1974).

Segundo informações retiradas de um e-book divulgado pela

instituição The Inner Game School of Coaching, cujo título é “The Inner

Game 40 anos de sucesso”, Tim Gallwey (s.d.), ao observar seus alunos

na aula de tênis percebeu que havia algo que prejudicava o aprendizado

e a performance deles. Ao questionar essa situação e buscar se

aprofundar nas causas dessa interferência Gallwey concluiu que “havia

muitas coisas acontecendo nas mentes dos seus alunos de tênis, e isso

estava impedindo-os de alcançar um estado verdadeiro de foco e

atenção.” (s.d., p. 02); partindo deste diagnóstico Gallwey passou a

buscar maneiras para que seus alunos se desenvolvessem de forma mais

eficiente, ele “começou a explorar maneiras de focar a mente do aluno

na observação direta e no “não-julgamento” da observação da bola, do

corpo e na raquete de forma a aumentar seu aprendizado, desempenho e

prazer pelo jogo.” (s.d., p.2). Ao aplicar esse método, Gallwey percebeu

que seus alunos passaram a apresentar uma melhora significativa no seu

desenvolvimento e habilidades enquanto jogadores de tênis.

Dessa experiência Tim Gallwey desenvolveu um conceito a cerca

de métodos e formas de treinar/ensinar pessoas a se desenvolverem

pessoal e profissionalmente, tais conceitos foram publicados em um

livro intitulado ‘The Inner Game’, cuja primeira edição saiu em 1974, e

se tornou best-seller no The New York Times. Na medida em que esses

conceitos e metodologias se tornavam conhecidas, Gallwey as aplicava

em outros esportes como, por exemplo, o Golf; também os aplicou no

mundo da música; e por fim chegou até às corporações.

Em meados dos anos 1970 alguns empresários, líderes e gestores

de empresas começam a utilizar os conceitos do The Inner Game no

ambiente de trabalho, na busca pela eficiência da equipe de trabalho. A

partir daí Gallwey teve como cliente grandes empresas que buscavam

aplicar no seu ambiente de trabalho os conceitos desenvolvidos por ele,

empresas como, por exemplo, AT&T, IBM, Apple e Coca-Cola. Sobre

essa mudança inusitada de um método orginalmente do mundo do

esporte, passar a ser adaptado para o mundo empresarial Gallwey

afirmou que: foi “fácil aplicar os princípios do jogo interior para

qualquer aplicação corporativa, porque a fundação era simples e

universal” (s.d., p. 05). No ano de 1999, Gallwey publicou o livro ‘The

Inner Game of Work’, baseado na aplicação de seus conceitos no

ambiente corporativo fazendo “uma reflexão sobre como os métodos e

conceitos do The Inner Game tem sido aplicados por muitas pessoas, em

uma grande variedade de empresas” com o foco principal “no alcance da

excelência individual” (s.d., p. 05). Gallwey encontrou então no mundo

empresarial um campo fértil para a aplicação e o desenvolvimento de

seus métodos.

Os trabalhos voltados para o mundo corporativo, buscando

aprimoramento pessoal e o desenvolvimento de equipes de trabalho

mais eficientes e eficazes, levou Gallwey a descobertas importantes

sobre as pessoas que trabalham: ele descobriu que “um obstáculo

principal para a maioria delas, na busca e efetivação de um objetivo,

parecia ser o estresse.” (s.d., p. 06).

A partir do desenvolvimento do diagnóstico de que, na relação

entre trabalho e estresse — em que o indivíduo que trabalha é atingido

negativamente, de alguma forma e em algum grau, e de que, tanto para o

indivíduo como para a organização, esse impacto gera consequências

negativas e empecilhos no sentido de alcançar metas e objetivos —, Tim

Gallwey passou a explorar, em parceria com profissionais da saúde

formas de aplicar os princípios do Inner Game para, de algum modo,

‘ajudar as pessoas’, segundo ele, ajudar “não só com a gestão do

estresse, mas também como fazer para reduzi-lo e preveni-lo.” (s.d.,

p.6). O desenvolvimento dessa pesquisa deu origem ao livro ‘The Inner

Game of Stress’ (2009).

Com o objetivo de levar esses conceitos e métodos para o maior

número de pessoas possíveis, a fim de ajudar as organizações com a

gestão de pessoas e as pessoas com a redução e prevenção do estresse, o

autor definiu que “o coaching era a melhor maneira de fazer isso” (s.d.,

p. 06). E para que esses ensinamentos se espalhassem pelo maior

número de pessoas possível Tim Gallwey, em parceria com Myles

Downey, fundador da Performance International Coaching, Gary

Wessely, e Merrick Richard, desenvolveram uma ferramenta chamada

eCoach projetada para auxiliar os indivíduos na concretização dos seus

objetivos desejados.” (s.d., p. 06). Utilizando os mesmos princípios do

Inner Game este novo programa propõe “ajudar coachees através de

sessões personalizadas voltadas para encontrar e eliminar obstáculos,

quebrar padrões limitantes, e fazer progresso em direção a metas de

longo e curto prazo”. (s.d., p. 06). Surge então o coach, profissional, que

atua como instrutor, treinador, estimulador dos coaches, clientes, que,

por sua vez, são os indivíduos que buscam o aprimoramento pessoal e

profissional, ambos, se relacionariam por intermédio do coaching, que

seria o processo de ajuda no tal aprimoramento. Vejamos na sequência

do texto como se dá esse processo.