O pároco, o primeiro evangelizador da comunidade paroquial

No documento A Paróquia e a Nova Evangelização (páginas 5-15)

1. A missão evangelizadora da paróquia

1.1. O pároco, o primeiro evangelizador da comunidade paroquial

O pároco, no meio da comunidade, é indiscutivelmente o primeiro evangelizador. Não é o único, pois todos os batizados, participantes da função sacerdotal, profética e real de Cristo, são corresponsáveis da missão da Igreja de levar o Evangelho ao mundo . Todo 3 o batizado, porque o é, é chamado à santidade . O pároco, como pastor e guia da 4 comunidade dos fiéis de Cristo deve ser modelo de santidade. A evangelização faz-se, antes de mais, pela santidade da Igreja e dos seus membros . 5

CIC 83, c. 204 §1.

3

CIC 83, c. 210.

4

CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Lumen Gentium (11-XI-1964), 4, in: AAS 57

5

(1965) 5-67.

A Igreja tem necessidade de sacerdotes (presbíteros e bispos) bons, santos e bem preparados. O pároco não tem somente a função de santificar, mas primeiramente de se santificar. Os sacerdotes, porque realizam atos que superam a própria existência pessoal, por atuarem in persona Christi capitis, devem estar convictos de que estão revestidos de Cristo, por isso, capazes de um estilo de vida novo que manifesta claramente a todos que vivem para Deus . Um pároco deve ter consciência de que se não existe coerência 6 entre a verdade anunciada e a experiência de vida, o seu testemunho não será verdadeiro e perderá a eficácia evangelizadora . 7

No meio de tantos afazeres, sobrecarregado, por vezes com várias paróquias dispersas, o pároco tem de dar primazia à vida de oração. Não basta a celebração dos sacramentos junto dos fiéis que lhe estão confiados, a celebração do Sacrifício Eucarístico, mas também a oração da liturgia das horas, os retiros anuais e as recoleções mensais a nível diocesano ou arciprestal, a meditação da Palavra de Deus, a prática frequente do sacramento da Penitência, a direção espiritual, a devoção mariana... Não se esquecendo que todo o cumprimento, entrega e dedicação das obrigações e deveres do ofício de pároco, realizado no amor a Deus e aos irmãos, é o primeiro modo de santificação . 8 O pároco tem o dever de ser um homem inspirado pelo Espírito Santo, um

«pneumático» . No discernimento que há de fazer dos carismas que Deus confiou à sua 9 comunidade, nas vocações que Ele chama entre os seus fiéis, na leitura dos “sinais dos tempos” tem de escutar a voz de Deus que lhe fala pelo seu Espírito. Ele é homem de Deus. Esta simples e breve afirmação, tem uma alcance e profundidade enormes na hora de ser assumida e vivida. O pároco antes de ser pastor em nome de Cristo é o primeiro

FISICHELLA, R., La nueva evangelización, Santander: Sal Terrae, 2012, 103-104.

6

Se todo o fiel está chamado à santidade, em razão do seu batismo, pela razão peculiar do sacramento da

7

Ordem os clérigos, uma vez consagrados a Deus devem buscar a conformação com o Senhor. CIC 83, c.

276.

CHIAPPETTA, L., Il manuale del parroco. Commento giuridico-pastorale, Roma: Edizioni Dehoniane,

8

1997,102-103.

SAN JOSÉ, J., La «gobernanza» o el «buen gobierno» de la parroquia, 3103.

9

discípulo da comunidade. O poder evangelizador de uma comunidade paroquial depende, em boa parte, da santidade do seu pároco . 10

Munus Sanctificandi

Dentro do tríplice múnus do pároco de santificar, ensinar e reger não existe a prioridade de uns sobre os outros. Ele deve exercer a sua missão de forma harmoniosa sem privilegiar uma dimensão e descuidar outra, pois a missão é uma só, a salvação das almas. No entanto, o pároco tem de colocar todo o seu empenho na santificação dos fiéis de Cristo que lhe foram confiados.

Muitos são os meios para alcançar a santidade, porém a Eucaristia deve ser o centro da comunidade paroquial. Com diligência, empenho e solicitude o pároco procure que os fiéis celebrem e vivam os sacramentos, em especial a Santíssima Eucaristia . A 11 Eucaristia forma a Igreja, e concretamente a comunidade paroquial. A participação na Eucaristia dominical é fundamental. Um batizado que dispensou a Eucaristia dominical, já pouco mais tem a perder! Por isso, o pároco deve colocar todas as suas energias na preparação da Eucaristia dominical. Use os meios que estão ao seu alcance para envolver o maior número de paroquianos na Eucaristia dominical. Somente com fiéis alimentados pelo Corpo de Cristo na Eucaristia são fortalecidos para a missão de anunciarem Cristo. Todos os fiéis, seja qual for o seu estado ou condição, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai e a manifestarem pela santidade o amor de Deus pelos homens.

Por todas as razões, quando o pároco tem o encargo pastoral de várias paróquias, não multiplique o número de missas, para além daquilo que o Direito tem estipulado e o Ordinário de lugar concedeu . Mesmo que haja necessidade de, alternadamente, deixar 12 algumas paróquias com a Celebração da Palavra na ausência de presbítero, presidida por um diácono permanente ou por um leigo devidamente preparado e autorizado . O 13

Na leitura da exortação apostólica Evangelii gaudium, pela qual o Papa Francisco se dirigiu aos fiéis

10

cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora, marcada pela alegria, não existe nenhuma referência à santidade, como base da nova evangelização.

CIC 83, c. 528 §2.

importante é que a Eucaristia dominical seja bem celebrada, com tempo, serenidade e acima de tudo com dignidade. Do ponto de vista humano, uma sobrecarga de missas ao Domingo conduzirá inevitavelmente, o pároco, ao cansaço, à fadiga, podendo cair mesmo num desprezo pelo sacramento cuja celebração não seria mais que uma tarefa rotineira.

O pároco tem de ser o homem da Eucaristia. A Santa Missa deve ocupar a centralidade da sua espiritualidade, vida e ministério, por isso o código recomenda a sua celebração diária, sempre que possível com a participação do Povo de Deus que lhe foi confiado, preparando-se convenientemente . 14

Toda a liturgia deve ser cuidada, naquilo que dele diretamente depende, a homilia, mas também onde há a intervenção de outros, na proclamação da Palavra de Deus, preparando bem os leitores, os cânticos litúrgicos, o serviço ao altar pelos acólitos...

sem esquecer a limpeza, o conforto e ornamento do templo... tudo deve ser preparado meticulosamente. A liturgia não se improvisa. Também não se teatraliza, mas celebra-se com amor e dedicação. A liturgia é beleza que remete o homem para Deus e faz encarnar o mistério em quem celebra. É um poderoso meio de evangelização.

Ao analisarmos o cânone 528 §2 damo-nos conta da importância do sacramento da Penitência. Este sacramento é o modo ordinário pelo qual os fiéis obtêm o perdão de Deus dos pecados cometidos após o batismo e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja que vulneraram ao pecar . Portanto, sem ele a Igreja perderia todo o seu 15 esplendor de santidade e a divisão cometida pelo pecado reinaria na Igreja e nas comunidades paroquiais. O pároco para além de proporcionar tempos adequados aos seus fiéis, assim como distintos sacerdotes, para este sacramento disponha ele próprio de tempo para atender os seus paroquianos de confissão. Zele para que em cada Igreja haja um confessionário, num lugar visível e decoroso, para que livremente os fiéis que o desejarem possam recorrer a ele . É necessário voltar ao confessionário. E isto depende 16 do pároco. É uma excelente oportunidade para convidar à santidade e, consequentemente, se necessário for, a uma eventual direção espiritual, sem a confundir

CIC 83, cc. 904; 909.

com a Confissão. Ajudar a formar uma consciência é o mais nobre da evangelização. O sacramento da Reconciliação é, por isso, um meio importantíssimo de evangelização.

Recordemos a figura de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos párocos.

É também da responsabilidade do pároco a vida de oração e de piedade da sua comunidade ou comunidades paroquiais. É certo que tudo vai depender de cada comunidade, no entanto, o cânone 528 §2 indica de forma concreta a oração em família.

Não é tarefa fácil, mas algumas iniciativas podem ser tomadas. Nomeadamente, partindo das crianças na catequese, incutindo-lhes o gosto da oração antes e depois das refeições, o exame de consciência antes de dormir, pequenas orações que facilmente memorizam... por vezes, elas são autênticos evangelizadores dos pais, em suas casas.

Por vezes, há uma vida de piedade nas famílias que ainda continua acesa, por um avô ou uma avó, que precisa de um “sopro” que avive a chama, em toda a família. O pároco deve colocar à disposição diversos devocionários, legitimamente aprovados , que 17 ajudem as pessoas a rezar em família, nomeadamente, a recitação do terço, no mês de Maria, São José, Sagrado Coração de Jesus... Em muitas paróquias, pelos bairros, ainda passa, de família em família, o coro da Sagrada Família de Nazaré, permanecendo em cada casa um dia. Alimentar todas estas formas de piedade e oração e criar outras novas, são formas de evangelização que cada pároco, com a sua criatividade, há de eleger para as suas comunidades, de acordo com a realidade concreta. Pode parecer que estes meios estejam desprovidos de grandes “técnicas” e “pedagogias” de evangelização, mas está provado que foram meios simples que Jesus usou para evangelizar.

Na paróquia, aquele que foi chamado a conduzi-la como pastor próprio, não deixe de criar e valorizar lugares para a meditação, a adoração ao Santíssimo Sacramento e oração pessoal. Crie espaços de aconchego, onde premeie a beleza e a simplicidade, ajudando à intimidade com Deus.

Munus Docendi

CIC 83, c. 827 §4.

17

No que se refere ao múnus de ensinar do pároco, deixemos aqui também algumas propostas concretas, apoiados no cânone 528 §1 e nos cânones que a ele dizem respeito do Livro III do CIC . Comecemos pelo anúncio da Palavra de Deus.

O pároco tem a obrigação de procurar que a Palavra de Deus seja anunciada integralmente na sua paróquia. Nas nossas paróquias, não só existem homens e mulheres que ainda não conheceram a Boa Nova como há também muitos cristãos que têm necessidade que lhes seja anunciada novamente a Palavra de Deus, para poderem assim experimentar concretamente a força do Evangelho. A Palavra de Deus é o fundamento de todo o labor pastoral, trata-se de anunciar, de levar o próprio Evangelho de Cristo . O momento alto da proclamação da proclamação da Palavra de Deus são os 18 momentos celebrativos. Cuide o pároco que nunca se celebre nenhum sacramento ou sacramental sem a proclamação da Palavra de Deus. Mais, é da sua responsabilidade a formação do grupo de leitores que hão de proclamar a Palavra de Deus nas celebrações, como já o referimos anteriormente; também compete ao pároco velar pelas condições de acústica e pela sonorização de cada templo. Procure, ainda, que cada paroquiano tenha um contacto direto com a Sagrada Escritura, procurando que em cada família exista uma bíblia. Promova a assinatura de revistas, com a liturgia da Palavra diária, que as editoras católicas propõem a preços bastante acessíveis.

No múnus docendi, o pároco tem a obrigação de instruir os fiéis nas verdades da fé. No que diz respeito à homilia , já o referimos anteriormente, deve ser centrada nas leituras 19 proclamadas, na celebração e comprometida com a realidade. Ela precisa ser breve e capaz de falar a linguagem dos homens e das mulheres da cultura atual. Pela homilia, a comunidade é levada a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus na sua vida.

Ao pregar, o pároco, evite discursos genéricos e abstratos, que ocultam a simplicidade da Palavra de Deus, ou divagações inúteis que ameaçam atrair a atenção mais para o pregador do que para a mensagem evangélica. Isso implica preparar a homilia com meditação e oração, a fim de pregar com convicção e paixão . 20

BENTO XVI, Exortação apostólica Verbum Domini (30-IX-2010), 96, in: AAS 102 (2010) 681-787.

18

CIC 83, c. 767.

19

FRANCISCO, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (24-XI-2013), 11, in: Edição da Conferência

20

Episcopal Portuguesa (2013) 201.

Uma sugestão, ou proposta, para uma evangelização a partir da paróquia é a criação e acompanhamento de grupos de lectio divina. A Palavra de Deus está na base de toda a espiritualidade cristã autêntica. O Concílio Vaticano II já tinha recomendado que os fiéis

«debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração» . A formação e acompanhamento destes grupos depende 21 totalmente do pároco, mas são meios de evangelização extraordinários.

Muitos dos ambientes das nossas paróquias manifesta um analfabetismo religioso gritante, nos quais os elementos fundamentais da fé são sempre menos evidentes, a catequese revela-se como parte fundamental da missão evangelizadora da Igreja, sendo instrumento privilegiado do ensino e da maturação da fé. O pároco, enquanto colaborador e por mandato do Bispo, tem a responsabilidade de animar, coordenar e dirigir a atividade catequética da paróquia que lhe foi confiada. É importante que saiba integrar tal atividade num projeto integral de evangelização, garantindo a comunhão com o Bispo e com a Igreja universal . 22

Especial atenção à catequese que acompanha a iniciação cristã. O Código recomenda a preocupação pela catequese em todas as idades, infância, jovens e adultos, mas terá atenção especial pela catequese que prepara os sacramentos da iniciação cristã. É competência do pároco escolher um bom grupo de catequistas e dar-lhe a formação devida . Há que passar de uma catequese tipo “instrução” e adotar a metodologia 23 catecumenal, conforme a orientação do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA) e do Diretório Geral de Catequese . Isto implica rever os programas que temos para a 24 catequese de crianças, adolescentes e adultos. É importante seguir as etapas do RICA e

CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Dei Verbum (18-XI-1965), 25, in: AAS 58 (1966)

21

propor, mesmo para os já batizados da comunidade, uma formação catecumenal que percorra as etapas do kerigma, da conversão, da comunhão e da missão.

Em algumas paróquias, está a iniciar-se, para a catequese de infância, a chamada

“catequese familiar”. Trata-se de um projeto pensado para envolver os pais como os primeiros catequistas . Tem dado alguns resultados surpreendentes. Todo o projeto 25 catequético, na paróquia, é da responsabilidade do pároco, que se há de fazer acompanhar por leigos devidamente preparados. Naquelas paróquias que possuem membros de Institutos de Vida Consagrada (IVC) ou Sociedade de Vida Apostólica (SVA), não deixe o pároco de envolver estes nesta missão tão primordial para a renovação de uma comunidade.

Uma atenção especial do pároco para com aqueles que abandonam a catequese. Ir ao seu encontro, tentar encontrar os motivos de tal abandono, não se trata apenas de uma questão de simpatia, mas acima de tudo conhecer a realidade em que está mergulhada a sua comunidade e os seus fiéis. Mostrar solicitude por quem se afasta sem deixar de dizer que a comunidade tem sempre as portas abertas para o seu regresso.

Por fim, uma palavra sobre a presença do pároco nas redes sociais e nas novas formas de comunicação. A facilidade de comunicação e “encontro” das novas tecnologias em nada substituem o encontro personalizado, fraterno e afetuoso. No entanto, é conveniente que a paróquia tenha, se possível, uma página web, ou até mesmo uma presença nas redes sociais. Os chamados social network são os novos areópagos onde o pároco tem de anunciar o Evangelho que significa, não somente inserir conteúdos declaradamente religiosos, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar escolhas, preferências, juízos que sejam coerentes com o Evangelho. É importante que o pároco nunca esqueça que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano direto com as pessoas.

Munus Regendi

Quanto à condução e governo da paróquia não poderemos deixar de apontar algumas sugestões ao pároco, como principal responsável da evangelização na paróquia. O

CIC 83, c. 774 §2.

25

pároco é chamado a ser «próximo» de todos os que lhe estão confiados. A proximidade física é importante e imprescindível. O Código, não recomenda, obriga a que o pároco resida na casa paroquial. Só que por causa justa, o Ordinário de lugar poderia permitir viver noutro lado . Claro está que tendo a cura pastoral de várias, deve morar numa 26 delas. Em muitos lugares, como o fenómeno da urbanização e da desertificação das zonas rurais, muitos párocos desceram à cidade para residir, deslocando-se somente à paróquia para o cumprimento dos serviços religiosos. Tudo isto, com o consentimento silencioso dos Bispos. Não há solicitude pastoral sem «proximidade» e esta começa por ser física. A presença do pároco, a viver no meio do seu povo, o dever de residência, é essencial para a evangelização. A vivência desta «proximidade», que já a reclamava o Concílio de Trento, encontra algumas dificuldades, como a grande dimensão das paróquias nos densos aglomerados populacionais e a dispersão, por se ter o encargo de várias paróquias, nas zonas rurais desertificadas. No entanto, apesar desta dificuldade e acrescentar a escassez de sacerdotes, assistimos mesmo assim a muitos párocos, ocupados com ofícios suplementares ao de pároco. Sem uma dedicação a tempo inteiro à cura pastoral da paróquia não pode haver evangelização, quando muito uma pastoral de manutenção . 27

Para conhecer os fiéis que lhe estão confiados, visitar as famílias, os doentes e os que andam afastados da vida da comunidade o pároco precisa de tempo mas acima de tudo, dedicação, solicitude pastoral . Este serviço do pároco, não pode ser substituído por 28 ninguém, ainda que ele na paróquia possa criar movimentos e servir-se de ministérios laicais que o ajudem, como o caso da Cáritas, ou das Conferências de São Vicente de Paulo, e dos ministros extraordinários da comunhão que levem a Santíssima Eucaristia aos idosos e doentes. Dispensar esta «proximidade», e esta solicitude pastoral, é trair a própria missão de Cristo “que veio anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4, 18) . 29 Outro aspeto muito importante para que uma paróquia venha a ser de facto evangelizadora é que o pároco seja o garante, fomentador e sinal de comunhão. Como

CIC 83, c. 533.

26

SAN JOSÉ, J., Derecho Parroquial, Salamanca: Sígueme, 2008, 441-450.

27

CIC 83, cc. 222 §2; 529 §1.

28

BORRAS, A.; ROUTHILER, G., La nueva parroquia, Santander: Sal Terrae, 2009, 26-34.

29

pastor próprio daquela comunidade sob a autoridade do Bispo, ele possibilita a comunhão hierárquica com a Igreja diocesana; a comunhão com os outros presbíteros, particularmente com aqueles com quem trabalha; e a comunhão com todos os leigos e religiosos levando a uma verdadeira fraternidade apostólica . 30

A riqueza e a beleza de uma comunidade paroquial vem da variedade de grupos apostólicos, litúrgicos, movimentos e associações. Saber respeitar e procurar conciliar a especificidade e peculiaridade do carisma de cada um na busca da unidade, é tarefa do pároco. Uma paróquia ser “comunidade de comunidades” é um desafio enorme para quem a preside e governa. Nem sempre é fácil, ao pároco, congregar na unidade, formas tão diferentes de viver a fé e de se comprometer com a tarefa evangelizadora. É o desafio permanente de ser pastor . 31

O pároco, está chamado, por ofício, a coordenar e a liderar todas as iniciativas, entendendo a autoridade de governo que a Igreja lhe confiou como um serviço à comunidade. Para tal deve rodear-se de fiéis que atendendo à sua preparação básica e à sua idoneidade, o hão de ajudar, como por exemplo nos assuntos económicos, através do Conselho respetivo, que é obrigatório ; e nos assuntos pastorais com o Conselho 32 pastoral, que é facultativo, mas que ele pode constituir . O pároco representa a 33 paróquia em todos os negócios jurídicos e é o seu administrador. Isto exige uma grande responsabilidade, pois não deixa de ser um campo importante no exercício de condução de uma paróquia. A presença do pároco em eventos sociais, em representação da paróquia, não deixa de ter a sua marca evangelizadora. No entanto, neste particular, o pároco deve ser prudente de maneira a ver onde convém ou não a paróquia estar representada.

A condução e governo da paróquia exige do pároco atitudes que ele não deve descuidar.

Uma liderança firme e forte, sem ser autoritária, apelando à corresponsabilidade de todos, não pode renunciar à responsabilidade de decidir naqueles aspetos que lhe foram confiados. Nunca esquecer que os Conselhos possuem apenas voto consultivo. Um bom

CIC 83, c. 529 §2.

governo requer o conhecimento e cumprimento da lei. Não esqueçamos que o principio da legalidade implica o cumprimento da lei universal da Igreja e das leis particulares e é expressão da comunhão eclesial . A transparência é outra característica que deve estar 34 presente no governo de uma paróquia. A comunicação da informação verdadeira e real quer aos superiores quer a qualquer fiel da comunidade, que têm direito a saberem da administração dos bens eclesiásticos. A responsabilidade e a eficácia, devem ser outras notas características de um bom governo. Não só a responsabilidade jurídica, mas também moral. Entre outras, salientaria a sustentabilidade: construir, fazer crescer sobre o que já existe, sem menosprezar ou destruir o que encontrou. Um bom governo e condução de uma paróquia, entendido como serviço de unidade e comunhão à comunidade, à Igreja particular e à Igreja universal é garantia de um potencial

governo requer o conhecimento e cumprimento da lei. Não esqueçamos que o principio da legalidade implica o cumprimento da lei universal da Igreja e das leis particulares e é expressão da comunhão eclesial . A transparência é outra característica que deve estar 34 presente no governo de uma paróquia. A comunicação da informação verdadeira e real quer aos superiores quer a qualquer fiel da comunidade, que têm direito a saberem da administração dos bens eclesiásticos. A responsabilidade e a eficácia, devem ser outras notas características de um bom governo. Não só a responsabilidade jurídica, mas também moral. Entre outras, salientaria a sustentabilidade: construir, fazer crescer sobre o que já existe, sem menosprezar ou destruir o que encontrou. Um bom governo e condução de uma paróquia, entendido como serviço de unidade e comunhão à comunidade, à Igreja particular e à Igreja universal é garantia de um potencial

No documento A Paróquia e a Nova Evangelização (páginas 5-15)