3. DA EFETIVIDADE NORMAS DO ARTIGO 170, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL,
3.2. PODER ECONÔMICO E A SOCIEDADE DE CONSUMO
3.2.2. O PODER ECONÔMICO NA SOCIEDADE DE CONSUMO
Estamos vendo até o momento que o conceito de poder não é estático, dado o próprio dinamismo do sistema comunicacional, que acompanha a vida em sociedade. Por conseguinte, o conceito de poder econômico também não é uno e, como dissemos acima, sofreu alterações e adaptações com o evoluir histórico da sociedade, especificamente da sociedade econômica.
Em um primeiro momento, o modo pelo qual este fenômeno – o do poder econômico – foi compreendido deu-se sob uma perspectiva mais de ordem moral do que jurídica. Essa relação pode ser percebida até mesmo na linha de pensamento de Adam Smith – já analisada anteriormente –, para quem o conflito de classes entre trabalhadores e capitalistas exercia central importância na teoria econômica, além de considerar os esforços humanos no processo de produção.206
Adam Smith, por sinal um professor de filosofia moral, encontrou o elo entre uma e outra e, na sua obra, demonstrou a possibilidade de se organizar a vida econômica deixando a cada um – descentralizadamente – a tarefa de tomar as decisões próprias à utilização dos recursos escassos da sociedade. Com base na filosofia utilitarista, vislumbrou o mecanismo reciclador do mercado, apto a transformar o mesquinho interesse individual de cada um dos seus operadores no interesse geral de todos, sob a ação daquilo que apelidou a mão invisível. Esta levaria os bens escassos aos seus pontos ótimos de aplicação, garantindo à comunidade o direito de escolher, mediante a operação do sistema de preços, os produtos e serviços dos quais desejasse usufruir, materializando a harmonia dos interesses.207
Posteriormente, no final do século XVIII e início do século XIX, veio à baila uma visão mais técnica da questão econômica, sobretudo com o pensamento de David Ricardo, que construiu modelo abstrato acerca do funcionamento do capitalismo, do qual deduziu suas implicações lógicas208.
A economia começa, então e aos poucos, assumir feição de tecnologia própria, voltada
206 HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico: uma perspectiva crítica. Rio de Janeiro : Elsevier, 2.
ed., 2005, p. 46. Ainda: “A teoria econômica de Smith era, acima de tudo, uma teoria normativa ou orientada para as políticas. Sua principal preocupação era identificar as forças sociais e econômicas que mais promoviam o bem-estar humano e, com base nisso, recomendar políticas que melhor promovessem a felicidade humana. A definição de Smith de bem-estar econômico era bastante simples e direta. O bem-estar humano dependia da quantidade do “produto do trabalho” anual e do “número dos que deveriam consumi-lo”. Id. Ibid., p. 53.
207 NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: Introdução ao Direito Econômico. São Paulo : RT, 6. ed., 2010, p.
126.
à eficiência e à realização de objetivos (produção, troca e consumo de bens). Nesse segundo momento, vemos que a natureza ética e a natureza moral tinham função menor para o poder econômico, dada a utilização de outro instrumento neutro: o dinheiro209.
A produção capitalista de mercadorias (...) envolvia, necessariamente, certas instituições socioeconômicas, modos de comportamento humano e autopercepção humana, além da percepção de outras pessoas. A busca insaciável de lucro levou a uma divisão cada vez maior do trabalho e à especialização da produção; essa especialização significava um aumento da interdependência social; essa maior
interdependência, porém, não era sentida como uma dependência de outros seres humanos, mas como uma dependência pessoal, individual, de uma instituição social que não era humana – o mercado.210– negritamos
Como vimos acima, essa ligação imediata com a riqueza no mercado de trocas foi sendo substituída, com o tempo, pela ideia de que o poder econômico não se destina propriamente à acumulação de riqueza, mas sim à produção de riqueza, vindo à baila, então, a figura do produtor. Com isso e na esteira das definições de poder alhures fornecidas, o poder econômico começa a ser tido como a possibilidade de atualização que se exerce não sobre bens, mas sobre a produção destes bens. É nessa ótica que o objeto do poder econômico passa da riqueza para a capacidade e a força de trabalho do trabalhador.211
Com a passagem do objeto do poder econômico da riqueza para a capacidade e a força de trabalho do trabalhador, a manifestação do poder econômico passa a ser vista a partir de uma relação de comunicação aparentemente verticalizada, em que havia submissão moral e social do receptor do poder (trabalhador) para com o emissor (industrial), cujas mensagens eram permeadas pelo plexo de valores vigentes então – exacerbação dos valores liberdade e propriedade.
Atualmente, porém, observamos que o mercado não está mais estruturado como um centro de trocas, mas sim como uma absorção controlada de forças com o objetivo de aumentar a capacidade de produção e de consumo de bens e de riquezas. Nossa sociedade econômica, como vimos, não é mais uma sociedade de produtores, mas sim uma sociedade de
209 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Poder Econômico e Gestão Orgânica. In: FERRAZ JUNIOR, Tércio
Sampaio. SALOMÃO FILHO, Calixto. NUSDEO, Fábio (org.). Poder Econômico: direito, pobreza,
violência, corrupção. Barueri : Manole, 2009, p. 22.
210 HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico: uma perspectiva crítica. Rio de Janeiro : Elsevier, 2.
ed., 2005, p. 119.
211 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Poder Econômico e Gestão Orgânica. In: FERRAZ JUNIOR, Tércio
Sampaio. SALOMÃO FILHO, Calixto. NUSDEO, Fábio (org.). Poder Econômico: direito, pobreza,
consumo, na qual o domínio instrumental para a produção e a apropriação da força de trabalho são conceitos superados e que dão lugar a um processo circular, que tem como base essencial não a produção de bens ou o acúmulo de riquezas, mas sim a (in)satisfação humana. O poder, então, meio de comunicação que é, adapta-se a essa nova realidade social, e os códigos do poder econômico passam a sustentar-se e a alimentar-se dos valores vigentes na sociedade de consumo. Nos dizeres de Tércio Sampaio Ferraz Junior,
(...) a sociedade de consumo cria uma relação não propriamente de troca, no
sentido horizontal, mas em termos de um processo circular, no qual o indivíduo consome para aumentar a capacidade do próprio consumo. A produção, nesse sentido, não se volta para uma determinada finalidade, mas realiza uma espécie de retroalimentação, o indivíduo produz para aumentar a produção. Quando a
sociedade vira uma grande cadeia circular, em que consumimos para aumentar nossa capacidade de produzir bens de consumo, que alimenta o produtor/trabalhador para produzir mais e assim sucessivamente, não temos mais propriamente uma relação finalística. O mercado não é mais troca que visa a algo externo e, por isso,
perdemos a capacidade de distinguir as polaridades desse processo, pois a sua vitalidade em si mesma se torna o seu alvo, com toda a economia girando nesse círculo.212 – enfatizamos
As anotações acima citadas são lapidares para a exata compreensão do processo econômico na sociedade de consumo e demonstram o grau de complexidade alcançado por essa sociedade econômica.
À semelhança do alhures exposto princípio da mecanização progressiva de Bertalanffy, o sistema social de nossa sociedade econômica apresenta-se de maneira mecânica: atua circularmente em busca da manutenção da vitalidade de um processo econômico despido de qualquer finalidade extrínseca a ele, no qual a efetiva interação racional entre os agentes econômicos (elementos do sistema) passa a ser despicienda diante do movimento praticamente automático de retroalimentação oriundo das ideias centrais desse sistema, quais sejam, o consumo para o aumento da capacidade de consumo e a produção para o aumento da capacidade de produção.
E, em se tratando de complexidade social, estudamos acima que, à medida que ela aumenta, os códigos de linguagem demandam diferenciação cada vez maior, duplicando-se, inclusive, em segundas codificações como forma de aumentar as possibilidades de ações consideradas entre emissor e receptor.213 Essas peculiaridades interferem diretamente na
212 Id., Ibid., p. 23.
manifestação do poder, processo de comunicação que é, repercutindo, pois, na transmissão de seleção de ações entre emissor e receptor do poder.
A sociedade econômica atual atingiu tamanho grau de complexidade – derivada, dentre outros fatores, da circularidade pela qual o processo econômico manifesta-se –, que a garantia de que essa mesma sociedade econômica continue a operar dessa maneira exige que o código poder passe a ser cada vez mais abstrato e diferenciado.
E um passo essencial para que essa diferenciação de fato ocorra é justamente a despersonalização dos meios. De acordo com Luhmann, na medida em que a despersonalização se opera, o fenômeno do poder em si não está mais atrelado ao emissor, mas apenas ao código.214 Pouco importará quem de fato detém o poder, desde que este, enquanto código e enquanto processo, cumpra sua função, que no caso em comento, é garantir a vitalidade do processo econômico existente na sociedade de consumo através da preservação da circularidade com a qual ele se manifesta.
(...) Na medida em que esta ocorre [a despersonalização], o fenômeno de transposição já não mais depende da pessoa que faz a seleção, mas apenas das condições do código. A pessoa que conhece verdades ou possui poder passa a ser mero fator de expectativa de opção entre temas e reduções, não mais sendo constitutiva para a própria verdade ou para o próprio poder. Neste contexto, a diferenciação entre cargo e pessoa e a relação do poder ao cargo e não à pessoa teve significação decisiva para o código do poder. Assegurada esta diferenciação, no âmbito do código de poder, os poderosos – por assim dizer como predisposições articuladas para selecionar – também poderão ser escolhidos e, eventualmente, trocados.215
Nessa toada, o poder econômico, não perdendo a característica de ser uma relação entre possibilidade e atualização, ao adequar-se a este novo movimento comunicacional da sociedade, deixa de pertencer a uma pessoa para assumir o sentido nítido de organização e gestão orgânica. Ele não tem titular específico, pois pertence a toda uma organização, e está voltado a gerir, de forma racional, esse processo circular de consumo216, no qual o ser humano conserva a possibilidade de agir – tanto que figura como agente econômico individual ou coletivo –, contudo, esse agir é livre apenas aparentemente, na medida em que, conforme já foi dito, as possibilidades de ação, na relação comunicacional de poder, são neutralizadas por
214 Id. Ibid., p. 31-32. 215 Id. Ibid.
216 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Poder Econômico e Gestão Orgânica. In: FERRAZ JUNIOR, Tércio
Sampaio. SALOMÃO FILHO, Calixto. NUSDEO, Fábio (org.). Poder Econômico: direito, pobreza,
aquele que o detém verdadeiramente, que, no caso do poder econômico, é um titular difuso e desconhecido.
A esta altura, importante relembrarmos os sempre festejados estudos de Hannah Arendt a respeito do poder e, especificamente, sobre a construção do poder, para quem o verdadeiro poder começa onde o segredo inicia-se.217 E, a partir dessa construção, chegamos à conhecida metáfora da cebola.
Embora essa construção tenha sido desenvolvida para explicar as formas de dominação em regimes totalitários, sua figura amolda-se com perfeição à realidade do poder econômico na sociedade de consumo. Isso porque, de acordo com a metáfora da cebola, o comando gestor não está no ápice de uma pirâmide, mas sim no centro de uma estrutura envolta por camadas e mais camadas, as quais permitem a filtragem da realidade tanto para o estrato interior imediatamente precedente como para o estrato exterior, tornando, por via de consequência, o centro – onde se situa o comando gestor – a prova de choques e de questionamentos.
(...) “O verdadeiro poder começa”, ensina Hannah Arendt, “onde o segredo começa”. Por isso, a imagem mais adequada para a sociedade, o Estado e o Direito nos regimes totalitários não é a tradicional pirâmide, mas sim a de uma cebola. No centro, numa espécie de espaço vazio, localiza-se o líder. Tudo o que faz, ele o faz de dentro, não de fora ou de cima. Todas as múltiplas e contraditórias instâncias do Estado e da sociedade totalitária, por sua vez, relacionam-se de tal modo que cada uma delas é fachada numa direção e centro na outra. Quanto mais próximo do centro da cebola, maior o segredo e o poder. Quanto mais próximo da casca, menor o segredo e o poder. Esta enganosa fachada da estrutura em forma de cebola tem também, como observa Hannah Arendt, a vantagem de, organizacionalmente, tornar o regime totalitário a prova de choques, isolando as camadas interiores da factualidade do mundo.218
Dada a estrutura orgânica do poder econômico e, acima disso, dados os valores que permeiam o contexto da comunicação social de consumo, o poder econômico, tal como manifestado na sociedade de consumo, passa a ser necessário219 para garantir a vitalidade do processo econômico – que é circular. E a abstração que toma conta de seu código, transformando-o nessa estrutura orgânica, deixa-o, à semelhança da citada figura da cebola,
217 ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo : Companhia das Letras, 9. reimpressão, 2010, p.
453.
218 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah
Arendt. São Paulo : Companhia das Letras, 7. reimpressão, 2009, 95-96.
219 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Poder Econômico e Gestão Orgânica. In: FERRAZ JUNIOR, Tércio
Sampaio. SALOMÃO FILHO, Calixto. NUSDEO, Fábio (org.). Poder Econômico: direito, pobreza,
praticamente acima de questionamentos.220
Desse cenário e dessa construção peculiar advém, como anota Tércio Sampaio Ferraz Junior, um dos maiores paradoxos existentes em nossa sociedade econômica (sociedade de consumo que é), qual seja, o de uma sociedade que é obsessivamente preocupada em regular e controlar o poder econômico, porém, ao mesmo tempo, mostra-se impotente para fazer com que essa regulação e esse controle transcendam o plano de uma “ética de resultados” (voltada apenas às realizações econômicas) para uma “ética de convicção” (preocupada com a tutela da dignidade da pessoa humana).221
É justamente a impotência de transição dessa “ética de resultados” para uma “ética de convicção” que culmina com a ausência de ponderação de valores positivados normativamente (princípios) nas relações econômicas entre particulares: se o objetivo final da relação econômica passa a ser a manutenção da vitalidade do processo econômico para que este garanta mais consumo e mais produção (ou seja, apenas realizações econômicas ao próprio círculo econômico), os meios – in casu, meios jurídicos – utilizados para o alcance desta meta passam a ser secundários, o que enseja, pois, o enfraquecimento da força normativa dos ditames jurídicos da respectiva ordem econômica. Adiante, retomaremos de forma mais minuciosa esse ponto.
Indo mais além no aspecto sociológico, e nutrindo o mais alto respeito pela expressão “ética de resultados”, trazida nas lições do festejado Professor Tércio Sampaio Ferraz Junior, o que verificamos em nossa sociedade de consumo é, na verdade, o distanciamento da ética das relações econômicas, em um movimento que conduz a economia a preocupações técnicas, e não humanas, no que se abrem as possibilidades para um aparente retrocesso aos ideais das Escolas Clássica e Fisiocrata da economia, especialmente daqueles autores dedicados à “engenharia da economia”, como Ricardo e Quesnay.222
Embora seja de fato possível adotarmos, até por motivos didáticos, a expressão “ética de resultados” para descrever o que vem sendo ocasionado à economia em decorrência da manifestação do poder econômico na sociedade de consumo, é certo que vivenciamos um momento histórico no qual o que mais falta às relações econômicas é justamente um fundamento ético. Não é propriamente uma “ética de resultados” que vem permeando a atividade econômica na sociedade de consumo, mas sim é o exercício dessa atividade
220 Id. Ibid. 221 Id. Ibid.
econômica distanciado da ética.
Tanto é assim que o auto interesse humano, naturalmente presente nas atividades econômicas, é intensificado pelos valores que colorem a sociedade de consumo, e a máxima da liberdade passa a ostentar valor econômico apenas instrumentalmente, isto é, tão-só para propiciar a realização de uma dada finalidade (in casu, produzir para produzir mais, consumir para consumir mais). Na esteira do adiantado supra, não se questionam os meios utilizados para tanto, quando, na realidade, essa reflexão é essencial: a avaliação global do status ético de uma atividade demanda a análise das diversas consequências intrínseca e extrinsecamente valiosas ou desvaliosas que essa mesma atividade pode ter.223 O distanciamento da ética empobrece a economia.224
É importante esclarecer, a esta altura, que não se ignora, aqui, a importância do mercado ao desenvolvimento humano e ao crescimento econômico. Com efeito, já afirmava o próprio Amartya Sen que ser contra os mercados seria tão estapafúrdio como ser genericamente contra a conversa entre as pessoas. Ocorre que a contribuição do mecanismo do mercado para o crescimento econômico só deve vir após o reconhecimento da importância direta da liberdade de troca: seja da liberdade de troca de palavras, bens, presentes225, seja da própria liberdade de escolha do agente econômico, que vem sendo tolhida diante da construção do poder econômico acima descrita.
Com efeito, tomando a liberdade em uma visão que envolve tanto processos que permitem a liberdade de ações e decisões, como também as oportunidades reais que as pessoas têm, podemos afirmar que a privação da liberdade pode surgir em razão de processos inadequados ou de oportunidades inadequadas para a realização do mínimo que cada ser humano gostaria de realizar.226
Nesse diapasão e trazendo o raciocínio acima ao nosso estudo, fica claro que o processo econômico da sociedade de consumo – como um dos processos sociais aptos ao desenvolvimento da liberdade – mostra-se inadequado e culmina com a violação da liberdade de escolha e de ação do agente econômico (cf. quadro 02).
Com isso, o desenvolvimento – seja social, seja econômico – é diretamente prejudicado. Isso porque os fins e os meios do desenvolvimento exigem que a perspectiva da
223 Id. Ibid., 1999, p. 91. 224 Id. Ibid., p. 94.
225 SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo : Companhia das Letras, 2000, p. 21. 226 Id. Ibid., p. 31.
liberdade seja colocada no centro do placo, razão pela qual as pessoas têm de ser vistas como ativamente envolvidas na conformação de seu próprio destino, e não apenas como beneficiárias passivas dos frutos de engenhosos programas de desenvolvimento.227 Se o ser humano deve ser ativamente envolvido no processo de desenvolvimento, sua posição não pode ser olvidada no processo econômico tal qual vem sendo na sociedade de consumo, cuja estrutura comunicacional restringe sua liberdade de agir.
Esse processo econômico oriundo da sociedade de consumo surte efeitos não apenas na economia, mas repercute na incidência do regramento jurídico da ordem econômica, em especial do conteúdo normativo estatuído pelo artigo 170, da Constituição Federal. Essa repercussão ocorre justamente pelo fato de o contexto social e outras questões externas ao sistema normativo assumirem fundamental relevância quando tratamos da materialização da norma jurídica no mundo dos fatos (efetividade), conforme vimos no Capítulo I. Dessa maneira, os reflexos trazidos pelo poder econômico à ordem econômica brasileira demandam aprofundamento, a fim de trazer à baila suas consequências à efetividade dos preceitos normativos constitucionais e indicar uma possível solução.
3.3. A EFETIVIDADE DAS NORMAS DO ARTIGO 170, DA CONSTITUIÇÃO