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O processo de projeto e os agentes envolvidos no empreendimento

1. INTRODUÇÃO

1.3. Procedimentos metodológicos da pesquisa

2.1.3. O processo de projeto e os agentes envolvidos no empreendimento

Assim como em outros setores industriais, na indústria da construção civil é observado o crescimento da complexidade, de organizações e do volume de informações para obtenção do produto final (KASSEM; 2015). Dessa forma, é importante destacar a necessidade de se modelar os processos de projeto, com o intuito de conferir melhorias no gerenciamento. Kassem (2015) destacou que, ao modelar o processo de projeto, é possível obter uma referência que auxiliará na tomada de decisões e que, ao arquivar informações, estas poderão ser utilizadas futuramente no planejamento de novas construções, otimizando a destinação de recursos.

Inúmeros agentes contribuem no processo de projeto de uma obra, cujas contribuições variam a depender de cada fase de desenvolvimento da construção. Para Fabricio (2002), existem três “esferas” de desenvolvimento de uma construção, as quais são gerenciadas por esses diversos agentes: projeto do produto, operação imobiliária e a própria construção.

Segundo Melhado (1994), são quatro os principais agentes que agem no decorrer do desenvolvimento de uma edificação: os indivíduos responsáveis pelo projeto, os empreendedores, os construtores e os usuários. Porém, podemos destacar, ainda, os fomentadores das construções, que são os agentes que elaboram o conceito do produto.

Nesse sentido, os fomentadores são os agentes responsáveis por procurar o terreno e, baseando-se na análise do mercado imobiliário, montam um programa de necessidades que contém as características principais do produto que desejam construir, a depender da sua localização e da demanda reconhecida. O programa de necessidades envolve questões relacionadas ao negócio, como: público-alvo, terreno, espaço demandado, questões funcionais, orçamento e prazo disponível. Assim, o programa de necessidades serve como suporte para o trabalho dos projetistas para elaboração do empreendimento.

Para efetiva realização de projetos, os fomentadores contratam profissionais especializados em diferentes disciplinas da construção civil: arquitetura, estrutura, instalações prediais etc. Contudo, a configuração das equipes de projeto pode variar dependendo do empreendimento. Cada profissional é responsável pela elaboração do projeto de sua área específica e sua atuação acontece gradualmente, em conformidade com as etapas da construção. Um dos maiores desafios no processo de projeto é justamente a segmentação desses profissionais da construção civil, os quais estão vinculados a diferentes empresas que, comumente, estão situadas em diferentes localidades, provocando a atuação separada desses profissionais.

No geral, o gerenciamento das informações acontece de maneira diferenciada por cada um desses agentes, a depender da sua formação. Este é um dos fatores que podem gerar dificuldades na comunicação e problemas de incompatibilidade de projetos. Assim, é fundamental o intercâmbio de informações de maneira sistemática e a colaboração entre os indivíduos envolvidos na construção da obra (TZORTZOPOULOS, 1999).

Ademais, nos projetos atuais, as atividades estão cada vez mais particularizadas, observando-se aumento na variedade de profissionais especialistas. O envolvimento de cada um no processo integral torna-se cada vez menor. Assim, o montante de informações isoladas a serem distribuídas e compatibilizadas torna-se cada vez maior. Desta forma, os documentos de projeto passam por muitas alterações, de acordo com o avanço e a introdução de novos agentes contribuintes no processo (GRILO, 2002).

Conforme Tzortzopoulos (1999), boa parte dos projetistas atribuem as falhas e incompatibilidades de projeto à carência de integração entre os profissionais a partir das primeiras etapas de projeto e, também, à quantidade reduzida de informação disponíveis.

Outrossim, os projetistas apontam dificuldades na comunicação entre os agentes participantes. Além disso, a autora afirma que os projetistas também atuam de maneira restrita nos campos que lhe competem, não permitindo a obtenção de um olhar integral do processo em que estão envolvidos.

O processo de projeto é um componente de grande relevância para conformação final da construção. Entretanto, este encontra-se, em diversas ocasiões, nas mãos de projetistas que comumente não possuem conhecimento suficiente dos aspectos da construtora para a qual desempenham serviços, no tocante ao sistema de produção da empresa e à integração com os outros projetos e profissionais que participarão do processo (FABRICIO, 2002).

Os profissionais de projeto estão se distanciando das decisões estratégicas na indústria da construção civil e aumentando cada vez mais o foco nas especialidades inerentes às suas formações, reduzindo a visão do “todo”. Assim, é necessário investir em ferramentas e métodos que facilitem a integração e a compatibilização de dados, em decorrência da grande variedade dos especialistas atuantes (GRILO, 2002).

A carência de planejamento, a integração limitada entre os profissionais, a segmentação entre etapas sequenciais e os desafios na integração entre o projeto e a construção provocam a fragilidade na qualidade dos processos de projetos que repercute, de forma direta, na qualidade da obra (GRILO, 2002).

Evbuomwan e Anumba (1998) desaprovam a forma como o processo de projeto é desenvolvido, baseado em fases sequenciais (Figura 3). Neste método, o projeto é elaborado pelos arquitetos e os dados são repassados aos demais projetistas para a complementarem o trabalho. Esse fato impede uma maior colaboração entre os profissionais nas primeiras soluções criadas. Diversas desvantagens desse processo de projeto estão relacionadas aos problemas de comunicação entre os profissionais, à fragmentação do processo, às considerações atrasadas de aspectos referentes à construtibilidade e, por fim, aos problemas na troca e validação dos dados.

Figura 3: Fases sequenciais do processo de projeto.

Verifica-se que, nesse processo sequencial e fracionado, a possibilidade de colaboração entre os agentes envolvidos é demasiadamente reduzida e problemática. Assim, as propostas de modificações feitas por um profissional de determinada especialidade demandam a revisão de projetos até mais amadurecidos de outros profissionais, fato que provoca retrabalho excessivo e o atraso em toda produção (FABRICIO, 2002).

Evbuomwan e Anumba (1998) salientaram a necessidade urgente de implementação de estratégias que facilitem a integração entre os variados profissionais desde as primeiras etapas de projeto e sugerem um modelo fundamentado no trabalho participativo dos indivíduos envolvidos utilizando-se o projeto como componente central.

Dessa forma, o processo de projeto deve acontecer com a participação de todos os envolvidos, permitindo a criação de um produto com mais qualidade. Essa cooperação entre os profissionais favorece a troca de informações e maior consistência nas decisões projetuais, envolvendo, também, o cliente e a obra.