3. O Programa MONUMENTA/ BID - Planejamento Urbano Estratégico e Cultura
3.1 O Programa MONUMENTA – sustentabilidade, sinergia e articulação
O Programa MONUMENTA, inspirado pela experiência de recuperação do centro histórico da cidade de Quito (praticamente destruído por um terremoto em 1987)116, foi elaborado durante o primeiro mandato do governo FHC sob a responsabilidade de constituir-se em modelo de financiamento cultural e gestão de parcerias entre as três esferas públicas e o setor privado na preservação do patrimônio histórico edificado de abrangência nacional.
115 UEP – São Paulo/ PROGRAMA MONUMENTA. Projeto de Recuperação do Bairro da Luz. Perfil do Projeto. Volume I. p. 12.
116 A recuperação do centro histórico de Quito foi apoiada por financiamento do BID. O modelo projeto implantado provocou a valorização imobiliária da área e garantiu assim, a sustentabilidade financeira da região, incentivadas pela “exploração comercial e turística do patrimônio histórico edificado” (ver Pedro Taddei. Op. Cit. p.110).
Os objetivos gerais estabelecidos pelo Programa baseiam-se nos conceitos de sustentabilidade, replicação de iniciativas similares e diversificação do uso do bem patrimonial protegido; tendo como horizonte a melhor distribuição do orçamento público destinado à preservação do patrimônio histórico nacional.
Os aspectos técnicos relacionados à preservação e valorização do patrimônio cultural nacional foram selecionados como objetivos de longa duração, visto os idealizadores do Programa esperarem que o processo de seleção, estudo e recuperação dos monumentos nas áreas de intervenção criasse o hábito e a consciência da importância de preservar e conservar a memória nacional; como objetivos de curta duração, os usos econômico e social das áreas detentoras desses monumentos indicam os atrativos para o investimento da iniciativa privada nas regiões selecionadas pelo MONUMENTA, e para a execução de ambos, o programa ficaria responsável pelo financiamento e implantação de cinco linhas de atuação:
*Financiamento para recuperação de monumentos nacionais e para realização de melhorias estruturais que beneficiem os monumentos e/ ou seu entorno, sendo que a seleção de itens a serem financiados depende diretamente dos benefícios que estes geram para os monumentos nacionais;
*Fortalecimento Institucional do MinC/ IPHAN, voltado para a realização de estudos, formação e capacitação de pessoal técnico das três esferas de governo, além da obtenção institucional de material e equipamentos necessários à gestão cultural do patrimônio;
*Financiamento de atividades culturais e turísticas que valorizem e estimulem o uso econômico do patrimônio, promovidas pela iniciativa privada, sociedade civil ou ONGs através de editais de seleção, além de atividades que divulguem as áreas de Projeto para o Brasil e exterior;
*Treinamento de artífices e agentes locais de cultura e turismo, para a formação de pessoal atuante na conservação das áreas de projeto e na formação e execução de roteiros culturais; *Promoção de atividades em educação patrimonial, através de campanhas e da elaboração de materiais didáticos que visem a informação turística e cultural da região.
Celebrado como o maior contrato financeiro da história das políticas oficiais de preservação no Brasil, o acordo de empréstimo entre o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o governo brasileiro, na figura do MinC (Ministério da Cultura) e dos governos estaduais e municipais, torna o MONUMENTA a principal iniciativa de Planejamento Estratégico Urbano na área da cultura implementada no país. O empréstimo contraído prevê a
divisão de aproximadamente 50% do valor total dos investimentos do Programa entre o BID e o Governo Federal (dentro dessa parcela considera-se a contrapartida dos estados e municípios), considerando que a outra metade dos investimentos teria provimento nas parcerias com a iniciativa privada das localidades selecionadas. A contrapartida da iniciativa privada no Programa MONUMENTA constitui-se de doações em dinheiro, contratação de serviços, obras de intervenção, divulgação ou patrocínio de atividades relacionadas ao Programa através de leis de incentivo à cultura. O empréstimo de US$ 92 milhões, com taxa de 6,5% ano, a ‘fundo perdido’ do BID para a União (com prazo de pagamento de 20 anos) não consiste em dívida para os municípios, cuja condição de participação é a capacidade de fornecer a contrapartida de US$ 20 milhões e de mobilização da iniciativa privada para sustentar a contrapartida que lhe confere o acordo (US$ 12,5 milhões). Como crédito complementar, o Programa possui parceria com a Caixa Econômica Federal (para financiamento de restauração em imóveis privados) e com o BNDES (para investimento em empreendimentos, aquisição de equipamentos e capital de giro para empresários das regiões selecionadas).
A verba máxima destinada por Área de Projeto é de US$ 8,5 milhões, na lógica de quem tem mais monumentos nacionais, tem mais verba e, portanto, mais impacto e visibilidade as intervenções propostas. A seleção da área de projeto e área de influência levou em consideração a lógica do “quanto maior a amplitude espacial da área a ser beneficiada, mais diluídos seriam os resultados de transformação urbana”, e por isso, optou-se por concentrar os monumentos, causando maior impacto na opinião pública.
Sob a coordenação técnica paralela do IPHAN e apoiado pela UNESCO, o Programa desenvolveu duas linhas de atuação nas áreas de conjuntos históricos urbanos: o aporte de financiamento público na restauração e adaptação dos imóveis e espaços públicos; e uma linha de financiamento administrada pela Caixa Econômica Federal (parceira do MONUMENTA), com taxas de juros a 0%, para a recuperação dos imóveis particulares localizados nas áreas de projeto. A intenção inicial do Programa é fomentar a conservação e preservação desses conjuntos patrimoniais urbanos através de ações conjuntas que permitam garantir a manutenção e a sustentabilidade dos espaços públicos e imóveis ali ambientados.
Os principais objetivos e ações do Programa foram resumidos a partir da documentação pesquisada e são apresentados na tabela abaixo, propondo a divisão da atuação do MONUMENTA em três segmentos – o conjunto constituído pelo patrimônio histórico e cultural;
a área de atuação do projeto como um todo, incluindo o pólo comercial; e as atividades complementares que sustentariam as iniciativas de preservação e reutilização dos espaços concomitante à execução do plano de intervenção e no momento pós-revitalização.
Tabela 6. Esquematização dos objetivos e ações do Programa MONUMENTA. Patrimônio Histórico e
Cultural Área do Projeto
Atividades Complementares
- Ampliação do roteiro cultural - Ampliação do número de usuários de equipamentos culturais
- Intensificação do uso social e econômico do patrimônio - Recuperação do conjunto histórico
- Incentivo à diversidade econômica e funcional
- Reutilização de imóveis e recuperação de sua estrutura física - Criação do Fundo de Preservação Municipal para a gestão auto-sustentada da região
- Revitalização da área
- Produção de estruturas habitacionais
- Criação de áreas de lazer e entretenimento associadas - Criação de programas de saúde e educação
(patrimonial e ambiental)
- Programas de realocação social da população de risco
- Capacitação e geração de mão-de-obra
Na assinatura do convênio do MinC com o BID, que consolidou a existência do Programam (1999) foram selecionados alguns centros históricos urbanos ‘tombados’em âmbito federal com maior relevância econômica do país e currículo de experiências anteriores na execução de projetos de revalorização patrimonial. Ouro Preto, Olinda, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e São Luís foram as primeiras selecionadas, somando-se em 2003 outras cidades, no total de 26 municípios brasileiros117. As atividades propostas de recuperação dos centros históricos das áreas selecionadas incluem:
A conservação e restauro de monumentos e conjuntos tombados; educação patrimonial e promoção da importância do patrimônio cultural e dos benefícios de sua preservação; promoção do turismo cultural e de eventos culturais nos locais abrangidos; formação, treinamento e capacitação de mão-de-obra para a conservação e o restauro; fortalecimento das instituições do
117
As cidades contempladas pelo Programa MONUMENTA são Alcântara (MA), Belém (PA), Cachoeira, Lençóis e Salvador (BA), Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto e Serro (MG), Corumbá (MS), Goiás (GO), Icó (CE), São Cristóvão e Laranjeiras (SE), Manaus (AM), Natividade (TO), Oieiras (PI), Olinda e Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Pelotas e Porto Alegre (RS), Penedo (AL), São Francisco do Sul (SC) e São Paulo (SP). Disponível em: www.monumenta.gov.br e www.unesco.org.br (acesso em 10/01/2007).
campo do patrimônio; fortalecimento institucional do IPHAN; estudos e projetos multidisciplinares para a estruturação do programa e durante sua execução.118
Contemplando todos os sítios urbanos brasileiros inscritos na lista do Patrimônio Mundial, o Programa (de acordo com seus defensores) surgiu com a preocupação de promover a conscientização da importância do patrimônio cultural, não somente como símbolo de identidade da nação, mas como elemento de sustentabilidade econômica, inserido na dinâmica da vida cultural, social e econômica da população, promovendo assim, o desenvolvimento social da comunidade, pois “a eficácia do MONUMENTA reside na demonstração de que uma política pública bem coordenada de recuperação do patrimônio associada à revitalização econômica e social dos espaços restaurados pode provocar mudanças de atitude na população, com efeito, direto nos residentes do local recuperado”119, promovendo a multiplicação de novos projetos de mesmo perfil que não necessitem essencialmente de aportes financeiros do Estado, para que “o Programa não se transformasse em mais um órgão do Poder Executivo”.
A regulamentação da parceria público-privada, voltada à sustentabilidade dos projetos de recuperação propostos pelo MONUMENTA, estrutura-se sobre a criação de Fundos Municipais de Preservação120, instrumentos de gestão dos recursos públicos e da administração dos investimentos de conservação permanente do Programa. Coordenado por um conselho curador composto por representantes das três esferas de governo e representantes da comunidade e da iniciativa privada, cada Fundo de Preservação tem autonomia para gerir esses recursos, compostos por 2/3 de orçamento público e 1/3 de investimento privado. A existência desse Fundo permite, além da preservação dos bens culturais públicos, o financiamento da recuperação de imóveis particulares, pois “o dinheiro proveniente do pagamento do financiamento” (concedido aos proprietários e inquilinos pela Caixa Econômica Federal) “será usado para manutenção e preservação dos monumentos existentes nas áreas de projeto do Programa MONUMENTA”.121
118 UNESCO BRASIL. Revitalização Sustentável do Patrimônio cultural brasileiro. Programa Monumenta / BID. s/d. Disponível em: www.unesco.org.br
119 UEP – São Paulo/ PROGRAMA MONUMENTA. Projeto de Recuperação do Bairro da Luz. Perfil do Projeto. Volume I. p.13.
120
Na cidade de São Paulo o “Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Área de Projeto da Luz” foi criado pelo projeto de Lei 01-PL – 01-0340/2002.
121 PROGRAMA MONUMENTA. Financiamento para recuperação de imóveis privados – conheça as condições que o MONUMENTA oferece. BRASIL/ MinC / MONUMENTA/ IPHAN/ Caixa Econômica Federal/ UNESCO/ BID, s/d. p. 07.
Ideologicamente, o Programa MONUMENTA tende a constitui-se um instrumento de
gentrification, pois, além dos projetos de intervenção arquitetônica do patrimônio histórico, e dos estudos de visibilidade e impactos socioeconômicos e ambientais, o programa prevê a elaboração de diagnósticos econômicos e políticos voltados à revalorização do uso do solo urbano das áreas detentoras dos conjuntos patrimoniais selecionados, ocasionando uma possível expulsão dos moradores da região. A potencialidade econômica do município deve ser comprovada através de documentos que indiquem a capacidade de retorno dos investimentos a serem realizados na região, indicada na elaboração do perfil econômico e social da área, que além de demonstrar a possibilidade de circulação de fluxo financeiro (necessário à manutenção do Fundo de Preservação) sugere benefícios trazidos com a valorização que despertem o interesse da iniciativa privada na área.
(...) o Fundo criado pelo Programa MONUMENTA- BID representa a transferência da responsabilidade pela conservação dos bens culturais nacionais do governo federal para os estados, municípios, empresas e organizações civis. Isto os torna mais suscetíveis, quando não diretamente entregues, aos interesses do mercado local, especialmente do mercado imobiliário, o eterno opositor das políticas de preservação. 122
O primeiro passo para o município candidatar-se ao programa é apresentar um ‘Plano Estratégico’ de gestão urbana, demonstrando a capacidade de sustentabilidade econômica e a existência de um consenso social acerca da necessidade de intervenções urbanas nas regiões portadoras de monumentos protegidos em nível federal, em seguida, as assinaturas do ‘Acordo de Participação do Estado no Programa’ e do ‘Acordo de Cooperação para Elaboração do Projeto’ consolidam o compromisso político de atuação conjunta entre as esferas do poder. Na etapa seguinte, o município selecionado tem a responsabilidade por elaborar os estudos de viabilidade técnica, institucional, econômica, financeira e sócio-ambiental, constituintes do “Perfil do Projeto”, a partir das normas estabelecidas pelo Regulamento Operativo do Programa. Para a execução, administração e coordenação do projeto, uma empresa vinculada a uma secretaria municipal ou estadual constitui-se a Unidade Executora de Projeto (UEP), que se responsabiliza pela realização das atividades constantes do Perfil do Projeto. A seqüente assinatura do ‘Convênio de Financiamento’ entre o MinC e o município/ estado comprova a capacidade técnica da UEP em realizar as condições colocadas pelo BID, o que nos leva
posteriormente ao ‘Contrato de Repasse’ entre o município e o agente financeiro (a Caixa Econômica Federal).
(...) A assinatura do contrato é também vinculada a condicionantes, como a formação de uma UEP com capacidade técnica e organizacional para garantir a adequada execução do Projeto; comprovação da participação do setor privado na execução do Programa (seja via investimentos em moeda, seja por cessões de usos de imóveis); prova de adimplência com os impostos; evidência e equilíbrio financeiro para aporte dos recursos de contrapartida; evidência de constituição legal, pelo município, de um Fundo de Preservação específico, entre outras exigências. 123
Para a execução do Convênio entre MinC, estado e o município selecionado é necessária a aprovação do ’Plano Estratégico’ (denominado “Carta Consulta”) pela coordenação técnica do programa, onde a descrição das características sócio-econômicas da área em questão, dos problemas sociais enfrentados pela comunidade e dos objetivos e atividades propostas pelas oficinas de planejamento participativo demonstram a capacidade de execução do município. Essas oficinas, voltadas à elaboração de planos de ação para a região, pressupõem a participação da comunidade e instituições da região no levantamento de questões relacionadas à melhoria da infra-estrutura urbana e de atividades que intensifiquem a imagem cultural das regiões selecionadas pelo MONUMENTA.
O “Monumenta Luz”
Atendendo às características requisitadas no acordo, o Programa MONUMENTA selecionou para ser objeto de intervenção e recuperação patrimonial em São Paulo a área denominada pelo IPHAN como “Conjunto Histórico da área da Luz”124, que abrange trechos do bairro do Bom Retiro, Santa Ifigênia e Campos Elíseos, tendo o Jardim da Luz como centro e a avenida Tiradentes, o “Complexo Cultural Júlio Prestes” e a “Estação da Luz” como linhas limítrofes desse conjunto.
Um dos fatores de seleção da área Luz como beneficiária do Programa MONUMENTA foi a existência de projetos de preservação do patrimônio histórico anteriores, o que para os técnicos do programa constituíam uma linha contínua de ação: o “Pólo Luz”(1995) dava continuidade a proposta de valorização cultural da região gestionada no projeto “Luz Cultural”
123 KARA-JOSE, Beatriz. Op cit, 2007, p. 167.
124 Para a implementação do Programa na cidade de São Paulo, em abril de 2002 o “Acordo de Intenções” foi assinado entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Município com a interveniência do Ministério da Cultura para garantir ações conjuntas nas intervenções de recuperação urbana.
(1984), que por sua vez, atendia à sugestão do estudo de Rino Levi (1974) de aproveitamento do potencial cultural da área. O MONUMENTA poderia constituir-se nessa região, a proposta definitiva que encerraria a linha de trabalho iniciada nos anos 1970. No entanto, apesar do currículo experiente de projetos na região, a área da Luz possuía apenas a Estação da Luz e o Museu de Arte Sacra como bens tombados em nível federal, o que não justificava um investimento de alto valor pelo programa. Assim, em 2000, foram tombados “a toque de caixa” a Estação Júlio Prestes (sua gare e sua praça), a Pinacoteca do Estado e todas as esculturas existentes no Jardim da Luz, além do ponto de bondes e dois coretos. O argumento para tal atitude (tombamento de um sítio histórico que não é caracterizado pela homogeneidade de estilos arquitetônicos) foi de que a região da Luz agregava importância histórica e cultural para a cidade de São Paulo
O acervo histórico - cultural situado na área da Luz, antes de sua representatividade como símbolo da história da cidade e do país, concentra o potencial de valorização econômica esperado pelos melhores projetos de planejamento urbano, pois, além da reunião de equipamentos culturais que oferecem serviços e roteiros de alta qualidade, a região apresenta um conjunto de imóveis degradados localizados em posição estratégica em relação ao eixo espacial ‘centro financeiro da cidade – bairro’, assim como se destaca pelos potenciais círculos comerciais, compostos por propriedades diversificadas em seus segmentos, no setores de varejo e atacado. As questões relacionadas à disponibilidade dos múltiplos sistemas de transportes e à farta oferta habitacional da região da área do projeto foram fatores que também influenciaram a escolha do Conjunto Histórico da Luz.
O caso da área da Luz é um bom exemplo desta situação, dentro do conceito de conjuntos urbanos, no qual os edifícios são vistos em conjunto com os espaços livres que os articulam em relação às suas visibilidades, acessibilidades e usos complementares. O sentido monumental desta área corresponde ao conjunto não aleatório formado entre os espaços livres e os edifícios ao seu redor (...) funcionando como um cenário para ser usufruído novamente para o encontro social das diversas classes que compõem a população.125
Além da Área do Projeto (AP), constituída pelo perímetro formado entre as avenidas Tiradentes, Senador Queiroz e Duque de Caxias (ver anexos), o Programa define uma Área de Influência do projeto (AI), composta pelo entorno das avenidas e ruas adjacentes (Ipiranga, Rio Branco e rua Sólon), de forma a serem ‘contaminadas’ com os projetos de recuperação da área
125 UEP – São Paulo/ PROGRAMA MONUMENTA. Projeto de Recuperação do Bairro da Luz. Perfil do Projeto. Volume V. p. 92.
principal, promovendo um ciclo reprodutivo de parcerias, independente de ações estatais voltadas à sustentabilidade do patrimônio histórico do centro de São Paulo.
Contratada pelo Governo do Estado de São Paulo na figura jurídica da Secretaria de Estado da Cultura para realizar os estudos de viabilidade, diagnósticos e projeções de investimentos e usos para a região, a Unidade Executora do Programa (UEP) elaborou um volume considerável de pesquisas com levantamentos das características socioeconômicas, físicas, morfológicas, ambientais e históricas da área do projeto. Esse acervo, exigido pela Coordenação Nacional do Programa como requisito para a elaboração do Projeto de Intervenção Urbanística na área da Luz, embasa a estratégia de implantação dos recursos do Programa e demonstra a visão empresarial dos gestores do MONUMENTA voltada à análise dos aspectos fundamentais para o retorno dos investimentos.
A Unidade Executora do Projeto (UEP), localizada na EMURB, e coordenada juntamente pela Secretaria de estado da Cultura, ficou responsável pela elaboração dos estudos de viabilidade técnica, institucional, financeira, econômica e sócio-ambiental, que compõem o ‘Perfil do Projeto – Área da Luz’.
Dentro de uma perspectiva de transformação urbana de curto prazo, o ‘Perfil do Projeto’ estabelecia os limites de atuação do Programa, apontando através dos estudos de viabilidade, ações de dinamização da área selecionada para intervenção, reforçando o potencial de centralidade e de cultura da Luz na cidade e dando suporte à elaboração do “Plano Estratégico de Intervenção Urbanística”.
(...)A idéia de recuperação da “centralidade perdida” orientou a “opção por uma linha de atuação que permitisse articular e integrar diversas intervenções pontuais de recuperação e atualização do notável patrimônio construído no bairro através de um plano conjunto para a totalidade da área, o qual, associado ao desenvolvimento simultâneo de programas de cunho institucional e sociocultural, visa sobretudo a criar condições urbanísticas mais consistentes para a dinamização das atividades culturais e o reforço das funções comerciais, residenciais e institucionais tradicionalmente ali estabelecidas”. 126
126 SALES, Pedro Manuel Rivaben de. “Projeto Luz – A respeito de uma proposta de recuperação do patrimônio cultural urbano”. IN: Revista Cidade. Signos de um novo tempo: a São Paulo de Ramos de Azevedo. Ano V. nº. 5. São Paulo, SMC/ DPH, janeiro 1998. p.128