APÊNDICE E – PLANEJAMENTO DAS OFICINAS 165 Apêndice E.a – Planejamento da Oficina 1
2.1 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A INSERÇÃO DAS TIC NA EDUCAÇÃO
2.1.1 O PROINFO/ProInfo Integrado e o Programa Banda Larga na Escola
Segundo Moraes (1995), esta trajetória de construção e seu longo percurso permitiram a reorganização de novas metas, um maior desenvolvimento e complexidade que se traduziu no lançamento do Programa Nacional de Informática na Educação - PROINFO5, em 1997, com a finalidade de disseminar o uso pedagógico das TIC nas escolas públicas de educação básica em todo o território nacional.
A operacionalização do PROINFO exigiu a implantação, em cada unidade da federação, de Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) nos estados e (NTEM) nos municípios dotados de infraestrutura de hardware e software, de uma equipe de educadores, especialistas em tecnologia para promover o assessoramento pedagógico e técnico às escolas, como contrapartida dos estados e municípios ao aderir ao programa. Os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE/NTEM)6 deveriam atuar implantando em seus sistemas de ensino o uso
pedagógico das TIC, na formação dos professores que seriam multiplicadores entre os seus pares na Escola, assim como, assessorar tecnicamente a implementação das salas de informática enviadas pelo PROINFO. Neste período, agregaram-se ao Programa outras políticas governamentais voltadas ao uso das tecnologias na Educação, como a TV Escola, o Programa Nacional do Livro Didático e a Educação a Distância (EaD).
Com a expansão das TIC na sociedade, o governo federal viu a necessidade de adequar o PROINFO à nova realidade contemporânea. E, para tanto, em 2007, o Programa foi reformulado passando a chamar-se Programa Nacional de Tecnologia Educacional, também conhecido como PROINFO Integrado7, ou simplesmente, PROINFO.
Os objetivos do PROINFO Integrado mostram um avanço quando estabelecem e delimitam sua atuação, apontando para a inclusão digital dos estudantes e da comunidade escolar. Conforme o Portal do FNDE8, o PROINFO Integrado é um programa de formação voltado para o uso didático-pedagógico das TIC no cotidiano escolar, articulado à distribuição
5 O PROINFO foi instituído pelo Ministério da Educação, através da Portaria nº 522/97, em 09 de abril de 1997. 6 Caracterização e critérios para a criação dos Núcleos de Tecnologia Educacional. Disponível:
<https://www.fnde.gov.br/sigetec/upload/manuais/cat_crit_NTE.doc>. Acesso: 24 nov. 2017>.
7 O PROINFO Integrado foi criado pelo Decreto Federal nº 6.300, de 12 de dezembro de 2007, que ficou
conhecido como Lei PROINFO. Passaram-se dez anos desde o estabelecimento das ações do Programa, com o envio dos laboratórios de informática para as escolas de ensino fundamental e médio brasileiras até a expansão do mesmo.
8 Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela captação de recursos financeiros
para o desenvolvimento de programa que visam à melhoria da educação brasileira. Disponível em: <http://www.fnde.gov.br/programas/programa-nacional-de-tecnologia-educacional-proinfo>. Acesso em: 24 nov. 2017.
dos equipamentos tecnológicos nas escolas e à oferta de conteúdos e recursos multimídia e digitais oferecidos pelo Portal do Professor, pela TV/DVD Escola, pelo Domínio Público e pelo Banco Internacional de Objetos Educacionais. O Programa promove cursos, na plataforma e- ProInfo (EaD), podendo participar professores e gestores das escolas públicas, técnicos e outros agentes educacionais dos sistemas de ensino responsáveis pelas Escolas.
Outro avanço significativo foi a conexão à internet garantida pelo Programa Banda Larga na Escola9 (PBLE), lançado em 2008, por meio do Decreto Presidencial nº 6.424/08. Sua realização envolve parceria entre a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), os Ministérios da Educação, das Comunicações, Planejamento, Ciência e Tecnologia e operadoras de telefonia fixa.
O PBLE tem como objetivo conectar todas as escolas públicas urbanas à internet, rede mundial de computadores, por meio de tecnologias que propiciem qualidade, velocidade e serviços para incrementar o ensino público no País, comprometendo-se em levar a rede de banda larga até a sede de todos os municípios brasileiros. O Programa terá duração até 2025 e, neste período, as empresas deverão aumentar, periodicamente, a velocidade da conexão.
Pesquisas recentes como a TIC Educação 201510 (CGI.br) apontam para a ampliação do
uso das tecnologias por professores e alunos nas escolas. Seus dados mostraram que 93% das escolas públicas de áreas urbanas possuíam algum acesso à internet, enquanto a conexão à rede está universalizada nas escolas privadas indicando-nos a relação do acesso à internet nas escolas públicas devido ao PBLE.
Segundo a pesquisa TIC Educação, o acesso à internet pelos professores de escolas públicas é maior no laboratório de informática (35%). Nas escolas privadas 29% dos professores usam o laboratório de informática. Por parte dos alunos, o laboratório de informática também foi o local mais citado para uso da internet na realização de atividades escolares. A TIC Educação 2015 (CGI.br) indica, ainda, que 83% das escolas públicas pesquisadas possuem laboratório de informática, demonstrando a abrangência do PROINFO.
Apesar de registrar avanços, os dados evidenciam que ainda são necessárias ações para que essa realidade se estenda para um número maior de escolas, nas quais o laboratório ainda é o principal local de acesso à rede para alunos e professores. Por outro lado, os dados afirmam
9 O Programa Banda Larga na Escola foi lançado em 04/04/2008. Atualmente, a maioria das escolas recebe 2
Mbps de internet fornecida pelo referido Programa. Ainda necessita melhorar muito para atingir os 10 Mbps previstos. Disponível em: <http://data.cetic.br/cetic/explore?idPesquisa=TIC_EDU>. Acesso em: 24 nov. 2017.
10 COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL - CGI.br. Pesquisa sobre o uso da Internet por crianças e
adolescentes no Brasil - TIC Kids Online Brasil 2015. Coord. Alexandre F. Barbosa. São Paulo: CGI.br, 2016. Disponível em: <http://cetic.br/pesquisa/kids-online/indicadores>. Acesso: 24 nov. 2017.
que, apesar das disparidades ainda existentes entre as instituições públicas e privadas, é incontestável o uso das tecnologias, de uma forma ou outra, por professores e alunos nas escolas.
Os resultados da TIC Educação 2015 revelam que, a cada ano, um número maior de brasileiros utiliza a internet e se apropria das tecnologias móveis e de novas aplicações como meio de comunicação, de relacionamento social e de consumo. Corroborando com o que nos diz Castells (2013, p. 158):
Nos últimos anos, a comunicação em ampla escala tem passado por profunda transformação tecnológica e organizacional, com emergência do que denominei autocomunicação de massa, baseada em redes horizontais de comunicação multidirecional, interativa, na internet e, mais ainda, nas redes de comunicação sem fio, atualmente a principal plataforma de comunicação em toda parte. Esse é o novo contexto, no cerne da sociedade em rede como nova estrutura social, em que os movimentos sociais do século XXI se constituem.
Observa-se, com isso, que o governo federal implantou as TIC através de políticas setoriais como o PROINFO/ProInfo Integrado/PBLE, contribuindo para a inserção e expansão das tecnologias educacionais em todo o país.
Estimativas de 2014 apontam que em todo o território brasileiro há em torno de pouco mais de 1.300.000 (um milhão e trezentos mil) computadores distribuídos pelo PROINFO (Gráfico 1) para escolas públicas de educação básica, porém, o governo federal, apesar de continuar distribuindo equipamentos deixou a manutenção dos Núcleos Tecnológicos (NTE e NTEM) ao encargo de estados e municípios, o que acabou por fragilizar o Programa pela falta de aporte financeiro.
Gráfico 1 – Distribuição PROINFO
Fonte: Organizações/Ministério da Educação - MEC/Indicadores sobre PROINFO11
No site oficial do MEC consta que os dados do PROINFO não foram mais atualizados após Dezembro de 2014, caracterizando a sua descontinuação pelo governo federal. Neste período também cessaram as orientações quanto à continuidade das formações ao encargo dos NTE/NTEM. A continuidade depende de ações intencionais e verbas de estados e municípios que, geralmente, têm dificuldades orçamentárias para investimentos desta envergadura.
Em certa medida, as políticas públicas educacionais se desenvolvem e acompanham as transformações econômicas, sociais, políticas, culturais e tecnológicas da sociedade. De forma que, as novas mídias chegam às escolas diante de uma sociedade cada vez mais conectada e imersa em uma cultura digital que exige e convida os indivíduos a observar e ler o mundo sob novas perspectivas, isso nos leva à formulação de políticas que contemplem a inclusão digital e consequente inclusão social para todos os brasileiros como prioridade de um Estado que pretende diminuir as distâncias sociais existentes no País e garantir o acesso democrático aos bens de consumo aos cidadãos, minimizando a exclusão, tanto digital quanto social de um enorme contingente de brasileiros.
Olhando sob a ótica das transformações sociais, tecnológicas, econômicas e culturais ocorridas na sociedade contemporânea “em rede” (CASTELLS, 2016), não foi possível à escola escapar desta rede, ao contrário, devido à questão do ensino-aprendizagem constitui-se um terreno propício para difundir as novas tecnologias.
11 Indicadores do PROINFO. Disponível em: <http://dados.gov.br/dataset/proinfo-laboratorios-de-informatica>.
Daí a importância de políticas que fomentem a inserção das tecnologias com um viés pedagógico para adequar a escola aos novos tempos e a esta nova sociedade. Até porque, nesta sociedade, a estrutura global em rede impõe ao mundo as suas regras, regulando e modificando as relações que se estabelecem, sejam elas: econômicas, sociais, ocupacionais, educacionais ou culturais.
Torna-se relevante ressaltar que, para a plena conquista da cidadania na sociedade em rede, o indivíduo deve ter acesso à tecnologia como condição para a inclusão demandada por esta sociedade, sob pena de ser excluído, tecnologicamente, correlacionando a exclusão digital com outras formas de desigualdade social.
Em relação à sociedade brasileira, os números da exclusão digital são grandes, mas não maiores que os da exclusão social que se traduzem em carências múltiplas (alimentação, moradia, transporte, saúde, entre outros), provocando uma distorção entre as necessidades e o que a escola pública tem para oferecer.
O Quadro 1 apresenta os dados da PNAD 201512, com o percentual de pessoas que
frequenta estabelecimento de ensino, por nível e rede de ensino, no Brasil:
Quadro 1 – Distribuição Percentual das Pessoas nos estabelecimentos de ensino - IBGE - PNAD 2015
Fonte: A autora
Os índices evidenciam, claramente, a relevância da formulação e continuidade de políticas capazes de contribuir para a aceleração do processo de inclusão digital.
Especialmente na escola pública de educação básica (ensino fundamental e médio), onde está inserido o maior contingente da população de baixa renda, nas redes e níveis de ensino
12 PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2015). Disponível em:
<https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/educacao/9221-sintese-de-indicadores-sociais.html?e dicao=9222&t=resultados>. Acesso em: 24 nov. 2017.
onde há maior desigualdade de investimento e recursos entre os entes federados, de forma a minimizar a exclusão digital e social desta imensa parcela da população escolar brasileira.
2.1.2 O Núcleo de Tecnologia Educacional Municipal (NTEM) - a política de inserção