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O QUE ENSINAR? COMO ENSINAR? COMO AVALIAR?

3 ORGANIZAÇÃO CURRICULAR NO ENSINO NOTURNO: ALGUMAS REFLEXÕES

3.1 O QUE ENSINAR? COMO ENSINAR? COMO AVALIAR?

Observando que existem diferentes formas de ensinar e aprender, diagnosticar e identificar caminhos a serem percorridos, e de demonstrar a aprendizagem, faz-se necessário repensar a Escola, o ensino noturno, o seu sentido, bem como a instrumentalização do professor em sua prática pedagógica, contemplando as diferenças com vistas no sujeito e sua cultura.

Este repensar suscita a compreensão e (re) significação de cada componente curricular e suas implicações, a importância de se trabalhar os conteúdos na perspectiva da elaboração conceitual, a metodologia de ensino de formas diversificadas, a avaliação como um processo.

Quanto aos conteúdos curriculares na perspectiva da elaboração conceitual e diante da compreensão de currículo que temos, fazemos o seguinte questionamento: Quais conhecimentos (conceitos / conteúdos) são considerados significativos, para a aprendizagem dos alunos do ensino noturno?

Para respondermos, temos que compreender que os conceitos essenciais de cada uma das disciplinas trabalhadas têm como fonte às ciências de referência que os produzem. São largamente conhecidas as diversas formas de organização e seleção desses conhecimentos que historicamente compõem o que se conhece por rol de conteúdos mínimos. Por isso, salientamos, que a seleção e a organização dos conceitos essenciais a serem trabalhados pelas diversas disciplinas no ensino noturno, ou fora dele, devem ser refletidos e sistematizados no Projeto Político- Pedagógico da escola.

Segundo Silva (2004, p.149), “todo conhecimento depende da significação e esta, por sua vez, depende de relações de poder”; portanto, numa tensão entre poder e ideologia, entre subjetividade e consciência política, procedem-se escolhas, e aqueles conhecimentos, científicos ou cotidianos, considerados necessários à aprendizagem dos alunos, serão validados pela escola. Isto significa que a escola tem autonomia para selecionar os conteúdos a serem trabalhados.

O professor deve ter conhecimento e consciência do que ensina, saber justificar seu trabalho, selecionando e abordando, de forma dialética, os conhecimentos indissociáveis da realidade social, da relação escola/trabalho, como atividade humana.

Nessa relação, precisa ser considerado o fazer cotidiano do aluno como fonte para a organização e seleção dos conteúdos, respeitando seus conhecimentos, suas necessidades e motivações, seu nível cognitivo e afetivo, capacitando-o a transpor os conhecimentos para outras situações reais e possibilitando a resolução de problemas do cotidiano. Referimo-nos especialmente ao aluno do ensino noturno, que em grande parte já está inserido no mercado de trabalho.

Nessa organização curricular, há que se considerar, no Projeto Político-Pedagógico da Escola, a concepção de homem, sociedade, educação, o aluno nos aspectos social, cultural, econômico e psicológico, a organização dos tempos e dos espaços escolares, a função de cada disciplina e seus conceitos essenciais, a articulação dos conhecimentos, os diferentes modos de pensar e de agir do aluno e dos educadores quanto à aprendizagem e ao ensino e o processo avaliativo.

A avaliação escolar tem significado diferente do sentido que a ela se atribui. Ela ainda é vista ou considerada como um fim isolado do conjunto das ações pedagógicas, pois expressa juízos e pressupõe tomada de decisões que acabam, por muitas vezes, concentrando-se nas mãos do professor.

Se desejarmos uma melhoria nas ações educativas é necessário revermos cuidadosamente nossas práticas avaliativas, buscando a superação de uma concepção de avaliação normativa que se traduz na classificação dos alunos, no controle de seus comportamentos, na comparação dos desempenhos, através de ações coercitivas. Devemos partir em direção a uma outra concepção,

(...) que tem como finalidade contribuir para o processo de apropriação e construção do conhecimento pelo aluno, em que se reconhecem, como sujeitos, todos os integrantes da organização escolar, constituindo-se um processo abrangente e contínuo, que integra o planejamento escolar em uma dimensão educativa” (SOUZA, 1993, p. 45).

Portanto, para que ocorram mudanças na prática avaliativa, é premente que a escola discuta a concepção de avaliação, articulada com os objetivos de ensino e de aprendizagem. Só será possível transformá-la, mudando a forma de trabalho em sala de aula, por meio de uma avaliação que observe o desempenho do aluno, mediante critérios bem estabelecidos, e de diferentes instrumentos que possibilitem o uso de diversos recursos cognitivos (funções psicológicas superiores), tais como: memória, atenção, generalização, associação, abstração, entre outros.

Os critérios avaliativos devem estar em consonância com os objetivos, os conteúdos/ conceitos, a metodologia e os instrumentos utilizados. Tais critérios devem ser observados no momento da realização das atividades, do cumprimento das regras criadas no coletivo (pontualidade, entrega de trabalho, organização, autonomia, participação,..) e das atividades de ensino inerentes à aprendizagem .

Os instrumentos avaliativos (pesquisas, trabalhos escritos e orais, projetos, exercícios, atividades individuais e em grupos, seminários...) devem evidenciar o modo de apropriação e elaboração feita pelos alunos dos conteúdos trabalhados, se o que se está exigindo do aluno é o essencial daquela área de conhecimento estudada e se a metodologia utilizada foi adequada.

Este instrumento possibilita ainda, o registro das atividades do professor e do aluno para a análise do processo de ensino e de aprendizagem, ou seja, não devemos considerar apenas o que o aluno nos diz, mas também, as propostas de atividades desenvolvidas pelo professor.

A construção desses instrumentos avaliativos deve ser um momento privilegiado para refletir- se a forma como serão preparados, aplicados, corrigidos, analisados e como os resultados serão utilizados.

Essas questões devem ser construídas e entendidas por todos os segmentos da escola devendo estar contempladas no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar.

Portanto,

A função fundamental que a avaliação deve cumprir no processo didático é a de informar ou dar consciência aos professores sobre como andam as coisas em sua classe, os processos de aprendizagem de cada um de seus alunos que se desencadeiam no ensino (SACRISTÁN, 2000, p.331).

Pensar avaliação, não é somente pensar um momento da atividade educativa. É, essencialmente, acompanhar todo o processo pedagógico e, principalmente, no que diz respeito à aprendizagem; é fazer com que o aluno aprenda. É questionar, tomar decisões, buscar procedimentos pedagógicos que levem o aluno a pensar possibilidades além das imediatas, é reorganizar o planejamento para superar as deficiências encontradas. É observar e promover experiências significativas que ampliem o conhecimento do aluno, possibilitando a reflexão sobre a ação e propondo uma nova, e trabalhando para que todos aprendam.