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2 EVOLUÇÃO LEGISLATIVA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA DOMÉSTICA NO

2.5 A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 72/2013

2.5.1 O que mudou com a Emenda Constitucional nº 72/2013

Apesar do avanço da situação jurídica trabalhista dos domésticos nas últimas décadas do século XX e início do século XXI, estes obreiros continuaram almejando condições trabalhistas idênticas a de outras categorias de empregados, principalmente em relação aos urbanos e rurais, que a propósito atualmente encontram-se equiparados por fruto de muito empenho destes últimos. Neste sentido, surgiram diversas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) a exemplo das 58/2011, 59/2011, 62/2011 e 64/2011 do Senado e 114/2011 da Câmara, sendo promulgada em 2 de abril de 2013 a Emenda Constitucional (EC) nº. 72/ 2013 – oriunda da PEC nº. 66/2012 (número no Senado) e nº. 478/2010 na Câmara dos Deputados de onde se originou, conhecida vulgarmente como “PEC das domésticas” – que adicionou à esfera jurídica dos empregados residenciais vários direitos trabalhistas presentes no rol art. 7º. da Constituição de 1988, antes exclusivos dos empregados urbanos e rurais. O texto final da EC nº. 72/2013 alterou o parágrafo do mencionado dispositivo, restando o Texto Constitucional da seguinte forma:

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social.

Agora dos 34 incisos do rol, aplicam-se aos domésticos 25, sendo que antes da referida emenda constavam apenas nove em seu favor, isto é, foram adicionados 16 direitos fundamentais sociais à classe dos servidores do lar. Asseveram Alvarenga e Cordeiro (2015, p. 44-45) que a partir da Emenda Constitucional nº. 72/2013 a situação destes trabalhadores no ordenamento jurídico brasileiro avançou conforme determina o princípio da dignidade da pessoa humana previsto na CRFB/1988.

De acordo com a nova redação do parágrafo único, os empregados domésticos passaram a ter protegida sua relação de emprego contra despedida sem justa causa ou arbitrária, com previsão de indenização compensatória nos termos de lei complementar (I); aos obreiros do lar, são devidos também o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (III) e em caso de desemprego voluntário, o seguro-desemprego (II), sendo que até então era facultado ao empregador depositar o FGTS e só a partir disto, é que o empregado passava a ter direito ao seguro- desemprego; os domésticos agora fazem jus à proteção do salário, sendo crime a retenção dolosa do mesmo (X) e se empregado de baixa renda, ao salário-família caso tenha dependente

(XII); por meio de normas de higiene, de segurança e de saúde deve haver redução dos riscos de seu ofício (XXII); assistência gratuita para seus filhos e dependentes até cinco anos de idade em pré-escolas e creches, desde o nascimento (XXV). Outrossim, são agora direitos dos empregados domésticos: o reconhecimento de acordos e convenções de trabalho coletivos (XXVI), a este respeito comenta Oliveira (2015, p. 15):

[...] não parece razoável compreender os empregadores domésticos como empresas para os fins do artigo 611, § 1º., da CLT, enquanto assim não se dispor, além de perceber-se dificuldade de constituição de sindicatos patronais domésticos, ou ao menos agora sua exigência para emprestar campo a tal incidência, dada a inexistência de finalidade econômica como decorre dos empregadores em geral e a desorganização inerente a tal categoria, ainda quando se perceba a existência de associações de donos e donas de casa que ainda devem trilhar um longo caminho até estabelecerem as premissas inerentes à transformação em sindicatos patronais.

Também é direito do doméstico por responsabilidade do empregador, o seguro contra acidentes de trabalho, caso haja culpa ou dolo do patrão em algum infortúnio ainda haverá indenização (XXVIII); não pode haver diferenciação de salários, de critério de admissão por motivo de idade, cor, estado civil ou sexo, também não por exercício de funções (XXX).

Ainda no mesmo rol, tem-se outros benefícios como por exemplo aos que recebem remuneração variável, a garantia de, pelo menos, o salário mínimo (VII), importante aderência à esfera jurídica dos domésticos, pois sem essa previsão o empregado poderia receber aquém disso, o que nos dias atuais é inadmissível considerando as atividades desempenhadas e o tempo dispensado por estes obreiros, conforme Franco Filho (2013, p. 15) é o exemplo do “[...] empregado contratado para lavar e passar roupa e receber pela quantidade de roupa que lavou e passou, o que caracterizaria remuneração variável [...]”, ou seja, antes da emenda em análise este trabalhador poderia receber menos do que o salário mínimo caso tenha lavado e passado menos do que o avençado.

Cabe destacar que somente a partir da emenda ora em estudo o doméstico passou a ter previsão de receber adicional noturno (IX), ou seja, não havia até então qualquer expectativa de perceber um complemento ainda que trabalhasse madrugada adentro recebendo apenas o valor da hora trabalhada. Outro inciso que merece destaque é o XIII, que traz a duração normal da jornada limitada a oito horas diárias e 44 semanais, podendo haver compensação e redução da jornada desde que haja convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Dois incisos sobre proibição que devem ser ressaltados são os XXXI e XXXIII, o primeiro veda a discriminação de critérios de admissão e salário ao trabalhador portador de deficiência, o segundo trata da proibição de trabalho insalubre, perigoso e noturno aos menores de 18 anos e qualquer trabalho aos menores de 16 anos ressalvada a condição de aprendiz a partir dos 14, dispositivo

complementado pela Lei Complementar nº. 150/2015 com vedação a trabalho doméstico a qualquer menor de 18 anos como mencionado no capítulo 1, subitem “1.3.5”.