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O contexto Sud Mennucc

2.1 O que é uma Cidade Digital

Existem algumas dúvidas e divergentes opiniões sobre o que é uma Cidade Digital. O termo pode ser encontrado associado à inclusão digital, sociedade em rede, nuvem digital, desenvolvimento tecnológico, cibercidade, infovia, telecentro, Internet gratuita e tantos outros conceitos. Alguns autores usam o termo para fazer referência ao acesso à tecnologia, como no exemplo a seguir:

Temos acompanhado, nos últimos 18 meses, um movimento bastante intenso no mercado de tecnologia da informação envolvendo o conceito de Cidades Digitais. Primeiramente, é importante definir conceitualmente o que viria a ser Cidade Digital. O conceito de Cidades Digitais vem acompanhado basicamente da intenção de se incluir digitalmente um número grande de pessoas, até então sem acesso à grande rede de computadores (KASPRIK, 2008).

Outros autores dão ênfase aos projetos tecnológicos relacionados aos serviços prestados pelo Governo aos cidadãos, como no próximo exemplo:

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O que é cidade digital? Simplesmente o fácil acesso da população menos favorecida à tecnologia? De certa forma é isso, mas envolve muito mais, principalmente vontade política com uma gestão voltada a ações de inclusão social e digital. Na visão de Ziller3 uma cidade digital significa a modernização da gestão pública, com a implantação de novos serviços com facilidades para o cidadão. Em um conceito simples, significa oferecer à comunidade uma nova perspectiva de cidadania, com benefícios que abranjam todas as áreas: da administração pública à educação, saúde e segurança, com extensão à economia do município (GAMBETA, 2010).

Em alguns casos, associado a outros termos, como na definição a seguir:

Cidades inteligentes é o conceito em torno do qual a IBM vem trabalhando nos últimos anos. [...] Mas bem que poderia se chamar Cidades Digitais, dados os pontos comuns entre a estratégia da empresa e este modelo de desenvolvimento municipal que vem sendo cada vez mais adotado no Brasil. "O que torna a cidade mais inteligente são os serviços providos pelo governo, de forma geral", justifica Fernando Faria, gerente sênior de Novos Negócios da IBM Brasil. "Nos canais onde o cidadão tem contato efetivo com o governo, ele cobra ou busca serviços como Saúde, Transporte, Educação, etc.", acredita (MATTAR, 2009).

Na maioria das definições que podemos encontrar, são associados os projetos de informatização do Governo ao acesso à Internet gratuita para parte ou totalidade da população, como no texto a seguir:

O conceito de Cidade Digital envolve a implementação de uma estrutura de rede digital e de facilidades computacionais para prover redes e sistemas para uso local. Esse conceito tem duas abordagens distintas:1. Governo Eletrônico - Cidade digital é uma iniciativa para interligar através de redes digitais todos os prédios e sistemas do governo local para reduzir a burocracia e aumentar a oferta de serviços públicos à população local. Essa redes permitem o acesso à Internet mais generalizado para o governo e para as escolas públicas locais. Essas iniciativas vêm sempre atreladas ao acesso a esses serviços através da Internet, ou seja, implementando sistemas de Governo Eletrônico (eGov). 2. Inclusão Digital

- Cidade digital é uma iniciativa do governo local para oferecer acesso à Internet

de forma gratuita ou com custo baixo para a população através de telecentros e oferta de acesso residencial. Normalmente esse acesso se estende também às escolas públicas locais. Seja qual for o conceito escolhido, o caso mais interessante ocorre quando o governo local decide usar as duas abordagens, ou seja, implementar o Governo Eletrônico e a Inclusão Digital, impulsionando também provedores de conteúdo para permitir que a população faça cada vez mais parte da sociedade do conhecimento (TELECO, 2008).

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Pedro Jaime Ziller é presidente da IMA (Informática de Municípios Associados de Campinas) e ex- presidente da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).

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Neste trabalho, não pretendemos buscar uma definição exata, mas podemos compreender uma Cidade Digital como um município que possui um projeto de organização e desenvolvimento apoiado por recursos tecnológicos como sistemas de informação e comunicação integrados para a administração pública e computadores e Internet acessíveis à população.

Já existem várias Cidades Digitais no mundo. Para exemplificar, podemos citar alguns casos brasileiros como Piraí, Piraí do Sul e Macaé.

Em Piraí, o projeto teve como objetivo resolver o problema de emprego local, como na matéria em seu site.

O programa Município Digital tem seu desenho construído no interior do programa de desenvolvimento local de Piraí. Em meados da década de 90, o município sofreu um impacto social e econômico com a privatização da Light. Cerca de 1.200 pessoas foram demitidas e o distrito onde moravam transformou- se numa cidade fantasma. Em um Município com 22.500 habitantes, este número de desempregados pode ser considerado uma catástrofe social que exigiria a decretação de um estado de emergência. Por iniciativa da Prefeitura, estruturou-se um programa de desenvolvimento local gerando, em quatro anos, um número de postos de trabalho equivalente ao de desempregados a partir do processo de privatização da Light. Através do condomínio industrial, da formação do pólo de piscicultura e de cooperativas, o município deu a volta por cima. Dar a volta por cima foi o título do estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Com base neste estudo, a Prefeitura ganhou em 2001 o Prêmio Gestão Pública e Cidadania da Fundação FORD e FGV-SP (PIRAÍ DIGITAL, 2008).

Em Piraí do Sul, o projeto tecnológico visou a aproximação entre a população e a gestão pública, conforme descrito no texto a seguir.

Foram necessários sete meses entre a elaboração do projeto de Cidade Digital de Piraí do Sul (PR), a 184 quilômetros da capital do estado e o início da implantação dos recursos, em fevereiro deste ano. E desde abril, moradores da cidade, cuja economia está baseada na agricultura, pecuária, extrativismo, comércio e indústria, começaram a usufruir do acesso gratuito à internet em suas casas.

A proposta do projeto, que, a exemplo da iniciativa do município de Piraí, no Rio de Janeiro, leva o nome de Piraí Digital, é incluir digitalmente todos os cerca de 24 mil cidadãos. Assim, espera-se aproximá-los da administração e modernizar os serviços públicos, que podem ser solicitados pela web, reduzindo tempo e gastos. “Queremos fazer com que a população possa participar da gestão municipal por meio da internet, utilizando os serviços oferecidos pela prefeitura”, enfatiza Marcelo Caxambu, secretário municipal de Tecnologia da Informação. Para ele,

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essa proximidade entre munícipes e gestão pública é muito benéfica não apenas para a população, como também para a administração. “Para os gestores, tudo fica mais fácil. O cidadão fica mais próximo à prefeitura, quando utiliza a internet. Sabemos rapidamente o que ele quer e reivindica para sua rua ou seu bairro”, argumenta (BITTENCOURT, 2010).

Macaé utilizou as TIC como forma de organizar a gestão pública, segundo a matéria a seguir.

Município com quase 200 mil habitantes, a pouco mais de 180 quilômetros da capital do Estado do Rio de Janeiro, Macaé vem apresentando um crescimento econômico vertiginoso – somente de 1997 para cá foi de 600% – devido à pujança do setor de petróleo. Para gerenciar este imenso desafio e construir o futuro, escolheu a tecnologia da informação e comunicação como aliada. Seu projeto de Cidade Digital, iniciado em 2005, teve como objetivos principais melhorar a administração e oferecer serviços à população de modo mais fácil e rápido.

Macaé decidiu, como ponto de partida, organizar internamente a gestão municipal. Em 2005, foram interligados 19 pontos, entre secretarias, autarquias, fundações e institutos. Em 2006, a conexão foi ampliada para mais quatro distritos, com enlace de 42 quilômetros e quatro estações radiobase. Nesse mesmo ano, a Prefeitura chegou mais perto do cidadão, desburocratizando o atendimento. Criou o Macaé Facilita, postos avançados com informações online que possibilitam o pagamento de contas, a concessão de créditos e a emissão de documentos e guias de impostos, por meio do acesso online à Secretaria da Fazenda, evitando que os munícipes precisem ir à sede da Prefeitura. Saúde e educação foram as prioridades seguintes. A Prefeitura já começou a interligar os 65 postos de saúde e as 136 escolas públicas, o que deverá estar concluído até junho de 2008. Na área da saúde, os resultados já começaram. A Prefeitura é capaz de reunir mais rapidamente dados sobre os diferentes bairros da cidade para um controle melhor de epidemias, aperfeiçoou a gerência das farmácias municipais e seus estoques de medicamentos e implementou um sistema de videoconferência e telemedicina com outros centros médicos (GUIA DAS CIDADES DIGITAIS, 2007a).

Com os exemplos citados, podemos observar que os projetos de Cidade Digital pretendem ser planos de desenvolvimento de municípios que utilizam a tecnologia como aliada no processo de conhecimento dos dados para a gestão pública; comunicação com a população; informação e disseminação de conhecimento; organização da administração pública e dos diversos setores da sociedade.

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