CAPÍTULO III O ESTADO DE SANTA CATARINA E O MERCOSUL
3.7 O SETOR EXPORTADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Nos últimos anos, as exportações catarinenses passaram por várias transformações e influências, desde a forma de produção até a comercialização de seus produtos, tendo que se adaptarem tanto no ambiente interno quanto no ambiente externo.
Contudo, algumas empresas foram atingidas diretamente, demonstrando suas fragilidades por não estarem preparadas para competir em condições de igualdade, principalmente com produtos asiáticos.
Segundo o Diagnóstico do Setor Exportador Catarinense de 2008 foi feita uma pesquisa que contou com a participação de aproximadamente 20 setores da economia do Estado, sendo: 40,8% empresas de grande porte; 30,6% de médio porte; 22,4% de pequeno porte e 6,2% micro empresas. A partir de dados cadastrais, foi disponibilizado um questionário a empresas catarinenses que efetuaram operações de comércio exterior no ano de 2007, de acordo com estatísticas oficiais da SECEX/MDIC. (FIESC, 2008).
Para efeito desta análise, as divisões de hierarquização das empresas aqui enquadradas estão de acordo com regulamentações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que considera:
• Microempresa= até 19 empregados; • Pequena= entre 20 a 99 empregados; • Média= entre 100 a 499 empregados; e • Grande porte= acima de 500.
Com relação ao capital das empresas exportadoras, 86,5% declararam possuir capital nacional, demonstrando esse percentual na concentração e poder das empresas catarinenses por não depender de capital estrangeiro; apenas 7,4% das empresas são formadas por capital estrangeiro e outros 6,3% de empresas, com capital misto (com maior composição de capital nacional). (FIESC, 2008).
A leitura que se faz das empresas participantes deste Diagnóstico do Setor Exportador Catarinense, quanto à composição do seu capital, é extremamente interessante por revelar a independência econômica predominante (capital próprio) na maioria das empresas, podendo ser considerada como um diferencial, principalmente para a tomada de decisões, que podem ocorrer de maneira mais rápida, entre tantas situações que fazem parte do dia a dia de uma empresa. Cabe ressaltar a tendência de aquisições e fusões de empresas nacionais por corporações estrangeiras que estão ocorrendo e que tendem a aumentar nos próximos anos.
Muitas empresas exportadoras catarinenses (15% das empresas pesquisadas) vêm investindo em unidades no exterior (EUA, Argentina e México), no intuito de estarem mais próximas de seus clientes e de seus concorrentes, tendo condições de competir de maneira mais igualitária. (FIESC, 2008).
No que concerne à porcentagem e valores exportados em dólar das empresas pesquisadas, 16% exportam até US$ 99 mil; com um percentual um pouco mais significativo de 20,2%, de empresas com valores entre US$ 100 e US$ 999 mil. O destaque fica por conta de 36,2% das empresas que exportam entre US$ 1 milhão e US$ 9,999 milhões, que é o maior percentual de empresas exportadoras. Em 21,3% das empresas, os valores situaram-se entre US$ 10 e 50 milhões; em 6,3% das empresas exportadoras ficaram com valor superior a US$ 50 milhões. (FIESC, 2008).
Percebe-se que o número mais expressivo de empresas exportadoras está nos valores abaixo de dez milhões de dólares, ou seja, 72,4% das mesmas, enquanto 27,6% estão exportando valores superiores a dez milhões de dólares, podendo ser, de certa forma, considerado diversificado, não predominando majoritariamente uma porcentagem de empresas em uma determinada faixa de valores exportados em dólares.
As empresas exportadoras mantêm uma regularidade referente à sua frequência exportadora, sendo que 75,5% exportam continuamente sem interrupções desde a 1ª exportação; 11,2% são exportadoras, mas, desde a 1ª exportação, tem enfrentado interrupções em alguns anos; 11,2% são raras as exportações e estão associadas a uma boa oportunidade; 2%, atualmente, a empresa deixou de exportar. (FIESC, 2008).
Observa-se que a cultura empreendedora é predominante nas empresas exportadoras catarinenses que fazem parte da estratégia empresarial, primordialmente levando em conta o comprometimento de atender, sem interrupções, seus clientes externos.
Os principais obstáculos externos à exportação, indicados pelas empresas em ordem de importância são: a burocracia em órgãos governamentais no Brasil, custo do transporte internacional, a recessão em outros países (que foi sentida pelas empresas no ano de 2007,
possivelmente pelo desaquecimento da economia americana) e concorrência internacional. (FIESC, 2008).
As exportações poderiam ser aumentadas consideravelmente se o governo priorizasse:
• a construção de armazéns e silos;
• desburocratização e redução de custos da atividade exportadora; • desoneração tributária; adequação na oferta de incentivos fiscais; • a melhoria na infraestrutura portuária, aeroportuária e rodoviária;
• aperfeiçoamento na promoção e operacionalização dos instrumentos de fomento à exportação (particularmente Drawback, PROEX, Porto Seco e REDEX);
• avanço nas negociações de acordos comerciais, em especial Mercosul/União Européia, ALCA e Mercosul/África do Sul. (FIESC, 2008).
Se essas ações realmente tivessem um tratamento mais adequado, com certeza, as exportações poderiam ser incrementadas pelas empresas exportadoras, dadas as condições atuais e os valores exportados seriam extremamente consideráveis. Percebe-se que um dos principais problemas é a deficiência de armazéns e silos, podendo ser considerada um gargalo no escoamento da produção destinada à exportação.
No que se refere aos obstáculos internos à exportação, podem ser indicados principalmente os preços não competitivos no mercado externo; fornecimento de matéria- prima; a certificação de produtos e a estruturação de processos de exportação entre outros. (FIESC, 2008).
Os produtos asiáticos estão prejudicando cerca de 75% das empresas catarinenses que fizeram parte da pesquisa. Primeiramente, pelo aumento das exportações de produtos originados da Ásia, e, consequentemente, os preços têm caído, atingindo diretamente a rentabilidade das empresas catarinenses, principalmente os setores de cerâmica, autopeças, têxtil e móveis. (FIESC, 2008).
A prática de preços baixos pelas empresas asiáticas não está prejudicando somente a concorrência das empresas catarinenses em outros países, inclui-se aqui, também o mercado brasileiro.
As negociações internacionais são bem aceitas pelo setor exportador catarinense, e enfatiza que o governo brasileiro deve priorizá-las por meio do Mercosul. Segundo o grau de importância do acompanhamento das negociações internacionais apontado pelas empresas, 45,9% Mercosul/União Européia; 29,6% Mercosul/México; 25,5% ALCA; 23,5%
Mercosul/África do Sul; 9,2% OMC; 8,2% Mercosul/CGC; 5,1% Mercosul/Índia; e 5,1% Mercosul/Israel. (FIESC, 2008).
As empresas deixam claro que as negociações internacionais intermediadas e efetivadas via Mercosul são extremamente valorizadas, para fazer frente a muitos países emergentes que estão aproveitando a manutenção do crescimento da economia mundial e incrementar as suas exportações.
Os produtos brasileiros seguem perdendo competitividade por motivo das altas taxas de juros, crescente concorrência dos produtos asiáticos (no mercado interno e externo, devido ao menor custo de produção, principalmente na China), burocracia na atividade exportadora (procedimentos de alfândega, taxas e inspeções de carga) e elevados custos de transporte e portos. Deste modo, o Setor Exportador Catarinense fez algumas reivindicações junto ao Governo Federal com finalidade da concretização de acordos internacionais para que os produtos brasileiros possam ter acesso mais competitivo no mercado internacional, tais como ações pontuais e urgentes com intuito de evitar a constante perda de mercados importadores, alterações na política monetária e tributária, reforma da atual legislação cambial brasileira e ampliação de linha de financiamento para investimento, produção e exportação. (FIESC, 2008).
As empresas exportadoras de Santa Catarina, assim como as de outros estados brasileiros, são dependentes de ações que cabem somente ao governo federal tomar, como as citadas anteriormente, para que, só dessa forma, possam ter condições de competir de forma mais igualitária no mercado internacional e, caso de produtos asiáticos, no mercado interno, principalmente.