Equipe mínima para atendimento de cada 40 por turno: – 1 médico clínico;
Aula 16 O trabalho em conjunto do CAPS e das comunidades
terapêuticas
Nesta aula veremos um pouco mais sobre o papel das Comunidades Terapêuticas dentro da rede de cuidados em Saúde Mental e como os CAPS contribuem para esse cuidado ofertado às pessoas acometidas pelo uso, abuso ou dependência do álcool e outras drogas.
A discussão acerca da incorporação das comunidades terapêuticas entre as estratégias da política de atenção integral a usuários de álcool e drogas veio ganhando corpo no último ano. O último encontro do Colegiado de Coor- denadores de Saúde Mental discutiu junto ao Ministro da Saúde esta incor- poração, movimentos sociais têm se reunido em torno deste debate, assim como conselhos de classe em especial o de psicologia.
As comunidades terapêuticas são entendidas como instituições de atendi- mento aos dependentes químicos, não governamentais, em ambiente não hospitalar, com orientação técnica e profissional, onde o principal instru- mento terapêutico é a convivência entre os residentes.
As propostas e formas de atendimento terapêutico variam de acordo com a visão de mundo e perspectiva política, ideológica e religiosa dos diferentes grupos e instituições, governamentais e não governamentais, atuantes nesta área. Numa lógica similar à dos grupos de ajuda mútua, utiliza a influência entre companheiros, o apoio dos funcionários e de co-residentes para a re- cuperação, mediada através de vários processos de grupo, com a finalidade de ajudar a cada pessoa a aprender e assimilar as normas sociais e desenvol- ver habilidades sociais mais eficazes.
As Comunidades Terapêuticas não são um serviço da área de saúde e sim complementares, portanto, em sua maioria, não estão instrumentalizadas para o atendimento de pessoas com comprometimento psíquico e orgânico graves, como crises convulsivas, arritmias cardíacas e hemorragias digestivas decorrentes da dependência química. Quando as pessoas apresentam estes tipos de problemas, elas devem ser encaminhadas para serviços de saúde especializados e clínicas psiquiátricas.
Para uma comunidade terapêutica desenvolver ações de Saúde Mental pre- cisa estar atenta a alguns critérios fundamentais:
– Documentação legal, como alvará de funcionamento, precisa estar em dia;
– Avaliação médica rigorosa. Comunidades não podem abrigar pessoas com transtornos mentais no mesmo espaço que dependentes químicos; – Não impor crença religiosa;
– Atender as exigências da legislação quanto aos critérios de alojamen- to dos residentes e espaços de convivência e promoção de cuidados, tais como, quadras de esporte e salas para lazer e para atendimento individual e coletivo;
– Garantir alimentação nutritiva, cuidados de higiene e alojamentos adequados;
– Jamais adotar castigos físicos, psíquicos ou morais, respeitando a dig- nidade e integridade dos pacientes, independentemente da etnia, credo religioso e ideologias, nacionalidade, preferência sexual, ante- cedentes criminais ou situação financeira;
– Os serviços devem ser explicitados no programa terapêutico da casa, constando o tempo máximo de internação;
– Evitar práticas que tornem o tratamento crônico; – Vínculos familiares e sociais precisam ser incentivados.
As atividades desenvolvidas nas Comunidades Terapêuticas devem incluir o acolhimento às pessoas que apresentam impossibilidade temporária de con- vívio na comunidade de origem, atendimento às necessidades da vida diária destas pessoas, tais como alimentação, moradia, higiene, transporte (quan- do necessário), atividades sociais de lazer e outras.
Para isso, devem estabelecer planos de cuidados individualizados e persona- lizados que contemplem a participação em grupos ou oficinas terapêuticas executadas por profissional de nível superior, nível médio ou multiplicadores, atividades que promovam a reinserção à vida familiar e comunitária além do atendimento à família, proporcionando visitas dos mesmos e para os mes- mos a fim de promover o retorno da pessoa ao lar.
Assim como nos demais serviços de Saúde Mental que funcionam de acordo com o conceito de rede de cuidados que estudamos anteriormente, a Co- munidades Terapêuticas também devem promover atividades comunitárias enfocando a integração da pessoa na comunidade e sua inserção familiar e social. O processo de reabilitação social deve contar com a elaboração con- junta entre CAPS e Comunidade Terapêutica de planos de desligamentos individuais e personalizados, de acordo com a evolução da pessoa.
A parceria entre o CAPS e a Comunidade Terapêutica é essencial para a efetiva oferta do cuidado integral em Saúde Mental. Cada Comunidade Terapêutica deve contar com um CAPS de referência nos quais os residentes realizarão seus tratamentos, no mínimo, na modalidade não intensiva (3 vezes ao mês). As Comunidades Terapêuticas e os CAPS deverão atuar em consonância e de maneira complementar aos planos terapêuticos de cada usuário, com a clareza de que ao CAPS cabe o papel de dar suporte, orientar, capacitar, acompanhar e, nos casos de necessidades clínicas, acolher a demanda da Comunidade Terapêutica existente no seu território.
Quando acontece a parceria entre CAPS e Comunidade Terapêutica?
• Nas discussões de casos atendidos em conjunto; • Nas capacitações dos profissionais das Comunidades Terapêuticas, promovidas pelos CAPS; • Nas ações conjuntas nos casos mais complexos; • Nas reuniões administrativas para fortalecimento da parceria e organização de fluxos e novos procedimentos; • No apoio técnico às Comunidades Terapêuticas, oferecido pelos CAPS, para questões referentes à dependência química.
Resumo
Nesta aula estudamos a importância da parceria entre os CAPS e as Comu- nidades Terapêuticas como serviços complementares da oferta do cuida- do integral ao dependente químico. Enquanto a Comunidade Terapêutica promove o atendimento ao dependente químico, tendo como principal instrumento terapêutico a convivência entre os residentes, o CAPS tem o papel de dar suporte, orientar, capacitar, acompanhar e, nos casos de necessidades clínicas, acolher a demanda da Comunidade Terapêutica exis- tente no seu território.
Atividades de aprendizagem
1. Sobre a parceria entre Comunidade Terapêutica e CAPS para a promoção de cuidados em dependência química podemos afirmar:
a) É uma parceria interessante, mas pouco resolutiva.
b) O CAPS atua sozinho e não precisa de parcerias.
c) É essencial para a efetiva oferta do cuidado integral em Saúde Mental.
d) As Comunidades Terapêuticas são serviços isolados e não interessam a saúde.
e) De que forma o CAPS pode contribuir para a qualidade do cuidado ofer- tado nas Comunidades Terapêuticas?
Leia a reportagem: Lançamento de Relatório de Inspeção em 68 comunidades terapêuticas revela violações de direitos humanos, acesse o link: <http://www. pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/ noticia_111128_002.html>. e-Tec Brasil Aula 16 – O trabalho em conjunto do caps e das comunidades terapêuticas
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