CAPÍTULO 1 ─ O PENSAMENTO GRAMSCIANO E A
1.1 A Influência do Pensamento Gramsciano na Educação
1.1.1 O Universal Pensamento Educacional de Antonio Gramsci
Para entender o pensamento pedagógico-político gramsciano, é necessário revolver informações biográficas, pois elas são imprescindíveis para compreender a produção intelectual e sua atuação política. Aqui, adicionamos algumas informações relevantes, por meio de Carpeaux (1966), que relata: Antonio Gramsci nasceu em 23
1 O autor refere-se a palestra de Paulo C. da C. Gomes sobre “Geografia crítica” – Departamento de Geografia da UFPR, 2001.
de janeiro de 1891, em Ales, província de Cagliari, na insular Sardegna, uma das regiões com grandes problemas de ordem econômica e social da Itália. Ele, com muitas dificuldades, pois sempre foi doentio e pobre, conseguiu chegar à Universidade de Turim. Em 1915, escolheu o socialismo e suas ideias como opção política.
Quanto ao contexto socioeconômico de sua região de origem, há relatos, por parte de Jesus (2005, p. 8-09), de que a Sardenha não tinha valor algum para a Itália e, consequentemente, para o continente europeu; a título de exemplo, os nobres e mandatários enviavam para a ilha os indivíduos indesejáveis. No caso da saúde, a malária tomava conta da região e, pela precária situação sanitária e de desnutrição das pessoas, várias enfermidades se desenvolviam, caso da tuberculose.
Jesus (2005, p. 09-10), em relação à educação e cultura, relata que os educadores, na maioria eclesiásticos, controlavam, via princípios religiosos, o ensino, fatores de grande influência de identidade sociocultural da Ilha. O autor comenta que os povos de origem espanhola, austríaca e francesa é que chegaram e, consequentemente, influenciaram em sua cultura. O autor acrescenta que, para Gramsci, as causas históricas do atraso regional eram políticas.
Quanto às ações pessoais, sociais e práticas políticas do sardenho, provavelmente, em decorrência do exposto acima, Carpeaux (1966) afirma que Gramsci, já em 1917, arquitetara a greve dos operários em Turim, pelo fim da guerra mundial. Em meio a tantas confusões políticas, ele fundou o Jornal Ordine Nuovo, e, mais tarde, o Diário L´Unità, em que reuniu os mais conceituados intelectuais da Península Itálica. Trabalhou na organização de conselhos operários, dirigiu greves, entre elas a greve geral italiana. Como político partidário, foi líder do Partido Comunista Italiano, primeiro secretário-geral e deputado.
Em sua visão, a transformação deveria ocorrer quando da tomada das rédeas econômicas e sociais. Estrategicamente, Gramsci (1968, p. 6) pensa no intelectual, pois, em sua concepção, todos são intelectuais, mas nem todas as pessoas realizam na sociedade o papel de intelectual, pois todo o indivíduo, mesmo fora de sua atividade profissional, usa de sua capacidade intelectual. Pode ser um “filósofo”, um artesão, uma pessoa de gosto; todos participam de determinada concepção do mundo. E exemplifica: da mesma forma que determinada pessoa possa, em algum momento, fritar ovos ou consertar um paletó, isso não faz dela um cozinheiro ou um
alfaiate. Gramsci (2004, p. 52-53) complementa, nesse sentido, todos os homens são filósofos, seja em atividades do dia a dia, seja em funções mais específicas, como as profissionais; não se pode desvincular o homo faber do homo sapiens.
No entender gramsciano, os intelectuais são o grupo “originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, [o qual] cria (...) uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também, no social e político”.
(GRAMSCI, 2004, p. 15). Por outro lado, emergiram categorias de intelectuais preexistentes que não foram interrompidas em seu desenvolvimento histórico-social e político. Destaca que a categoria dos eclesiásticos, ligados à aristocracia fundiária, dominaram por um bom tempo importantes interesses da sociedade como: a filosofia, a ciência, a escola, os valores, e outros aspectos, fazendo prevalecer sua ideologia religiosa.
Segundo Gramsci (2004, p. 33), a base industrial solicitava demanda de um novo tipo de intelectual urbano, foi aí que se desenvolveu, paralela à escola clássica, a escola técnica, fazendo com que se repensassem os princípios da cultura geral. O autor indica uma escola única, humanista, formativa e que revele desempenhos técnicos e manuais no trabalho, além da ampliação do desempenho intelectual.
Gramsci (1968, p. 6-8) destaca que a questão da elaboração de um novo grupo de intelectuais consiste na elaboração crítica da atividade intelectual existente em cada indivíduo e seu grau de desenvolvimento, que, pela alteração de sua relação com a tarefa muscular nervosa, dá novo sentido e renovado equilíbrio ao físico e ao intelectual, elementos de atividade prática, genérica, inovadora das relações de ordem física e social, tornando-se a base para uma renovada e integral idealização do mundo.
O tipo tradicional e vulgarizado do intelectual é fornecido pelo literato, pelo filósofo, pelo artista. Por isso, os jornalistas – creem também ser os
“verdadeiros” intelectuais. No mundo moderno, a educação técnica, estreitamente ligada ao trabalho industrial, mesmo ao mais primitivo e desqualificado, deve constituir a base do novo tipo de intelectual (...) O modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na eloquência, motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões, mas num imiscuir-se ativamente na vida prática, como construtor, organizador, “persuasor permanente”, já que não apenas orador puro - e superior, todavia, ao espírito matemático abstrato; da técnica-trabalho, eleva-se à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual se permanece “especialista”
e não chega a “dirigente” (especialista mais político). (GRAMSCI, 1968, p.
6-8).
Mas foi no cárcere que Gramsci organizou e aprofundou seu pensamento, conforme diz Carpeaux (1966, p. 01), em relação à condenação do político sardo “o Promotor falou com franqueza: “Devemos, dizia aos juízes, ‘inutilizar por 20 anos esse cérebro perigoso’ ─ Gramsci foi condenado a 20 anos de reclusão na Penitenciária de Turin, perto de Bari”. (CARPEAUX, 1966, p. 01). Permitiram-lhe escrever cartas e notas, conforme complementa a informação o Instituto Gramsci e o Brasil em relação à prisão do sardo, em 1926:
8 de novembro... “medidas excepcionais”... depois de um obscuro atentado contra Mussolini...Gramsci...é preso junto com outros deputados comunistas e recolhido ao cárcere de Regina Coeli... Na sessão do dia seguinte, a Câmara dominada pelos fascistas cassa os mandatos ... dos parlamentares comunistas,... 18 de novembro..., é condenado ao confinamento por cinco anos, sob controle policial... .Alguns dias depois, porém, é informado de que será confinado numa ilha italiana, 25 de novembro. Deixa a prisão de Regina Coeli,... .Em Palermo...fica sabendo do seu exato destino: a pequena ilha de Ústica,...7 de dezembro. Chega a Ústica... ,mora numa casa particular, em companhia de Bordiga e de outros confinados..., organiza uma escola para os confinados: Gramsci dirige a seção histórico-literária, enquanto Bordiga se encarrega da seção científica. O amigo Piero Sraffa ─ futuro autor de Produção de mercadorias por meio de mercadorias, um dos mais importantes textos de economia publicados no século XX ─ envia-lhe livros. Sabe-se hoje que, através de Tatiana Schucht, que lhe retransmitia as cartas, Sraffa foi um importante interlocutor da correspondência carcerária de Gramsci. (GRAMSCI e o Brasil...,1999).
De acordo com Carpeaux (1966), ele não ficou preso por todo o tempo de sua condenação, pois, em 1933, acometido de tuberculose nos ossos, como as autoridades fascistas recearam que ele morresse como mártir no cárcere, ele “foi solto três dias antes do desenlace. Morreu em 27 de abril de 1937, numa clínica particular, em Roma. Foi sepultado no Cemitério dos Ingleses, à sombra da Pirâmide de Cestio”. (CARPEAUX,1966).
Nosella (2010, p.113-16) conta que em Ústica, ilha para prisioneiros políticos e comuns, o político sardo, junto com conhecidos e amigos, organizam um escola que se preocupava com alfabetização, ensino elementar e médio, até faculdade; ele mesmo estudara o idioma alemão e optou por lecionar algumas disciplinas, entre elas, geografia.
Gramsci escreve em uma de suas cartas a seu amigo Piero e à cunhada Tânia sobre a escola destinada aos confinados em Ustiga.
Já iniciamos uma escola, dividida em vários cursos: 1º curso (1ª e 2ª séries elementares); 2º curso (3ª série elementar); 3º curso (4ª e 5ª séries
elementares); curso complementar, dois cursos de francês ...um curso de alemão ...gramática e matemática ...história e geografia ...Em suma, procuramos conciliar a necessidade de uma sequência escolar gradual com o fato de que os alunos, ainda que às vezes semianalfabetos, são intelectualmente desenvolvidos (C. II, 2/1/27, apud MANACORDA, 2008, p.65).
Como afirma Nosella (2010, p. 32-5), o pensador Sardo ficou conhecido como testemunha critica dos importantes acontecimentos do primeiro e segundo quartéis do século XX, como a Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa, da esperança revolucionária do pós-guerra e da ocorrência do fascismo. Esses fatores influenciaram, também, em sua elaboração reflexiva ─ entre conjuntura e ciência ─ e na construção de seu legado metodológico.
Em relação à concepção educativa gramsciana, Nosella (2010, p. 35) coloca que Mario Alighiero Manacorda destaca quatro etapas, oriundas dos escritos gramscianos, do princípio educativo que são: de início, escritos durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918); depois, escritos do Pós-Guerra (1919-1920); na sequência, escritos durante a ascensão do fascismo (1921-1926); e finalmente, os escritos do Cárcere (1926-1937). Também destacava o ensino técnico profissionalizante, alternado entre ensino de cultura geral e ensino tecnológico ou politécnico ou, talvez, síntese entre essas modalidades de ensino.
Sobre as quatro etapas do pensamento educacional gramsciano, indicado acima, destaca Manacorda (2008, p. 29-30) que, inicialmente, ou seja, no período da Primeira Guerra Mundial, Gramsci estava mais próximo do idealismo croceano, além de manter estreito contato com a classe operária, e já escrevia para revistas e jornais socialistas, geralmente criticando a classe burguesa e sua escolarização, a qual o autor acreditava contemplar as classes mais abastadas do capitalismo. Sua verve jornalística e política era movida por todas as manifestações sociais, culturais e econômicas desse período turbulento da história.
Seus escritos sobre os temas da política escolar e das orientações pedagógicas tornam-se mais frequentes (Il Grido2 desenvolve uma campanha sistemática de renovação cultural e ideológica do partido socialista) e as iniciativas concretas dentro do campo educacional sucederam ininterruptamente (desde a proposta de uma associação proletária de cultura ...até o Clube de Vida Moral3, em março de 1918) ...A busca de uma relação educativa que subtrairia o proletariado dependência
2 Il Grido del Popolo, semanário socialista, com uma série de notas e artigos de tema social e literário do qual Gramsci era colaborador.
3 Com alguns jovens, funda um Clube de vida moral, sobre o qual consulta o pedagogo idealista Giuseppe Lombardo Radice. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=123.
dos intelectuais burgueses ...Gramsci propõe para seu clube a discussão desinteressada dos problemas éticos e morais, a formação de um hábito de pesquisa, de leitura feita com disciplina e método, de exposição simples e serena de nossas convicções. (MANACORDA, 2008, p. 30-31).
Conforme Manacorda (2008, p. 41), na etapa seguinte ─ Pós Guerra ─, a vida política italiana torna-se mais radical, e Gramsci acompanha de perto essas modificações, a exemplo da criação do Partido Comunista Italiano e também a primeira edição do semanário Ordine Nuovo (diário a partir de 1921). Essa revista, além da propaganda do partido socialista, incentiva a escola de cultura, de forma diferenciada, tornando os trabalhadores, os camponeses e os jovens agentes da luta cultural, sob o lema: “Instruí-vos, porque teremos necessidade de toda a vossa inteligência...” O autor coloca que essa nova atitude pode ser observada num dos primeiros artigos publicados no Ordine Nuovo.
A proposta educativa desenvolvida até agora pelos socialistas foi em grande parte negativa e crítica: não poderia ter sido de outro modo ...(O.N. p. 255);
(e novamente algumas semanas depois) Psicologicamente, o período da propaganda elementar, assim dita “evangélica”, encontra-se superado...; do evangelho, precisamos passar à crítica e à reconstrução (O.N. p. 446 apud MANACORDA, 2008, p. 42).
Na terceira etapa, Manacorda (2008,p. 50-54) coloca que, durante a ascensão do fascismo (1921-1926), a mudança no posicionamento gramsciano, ou seja, Gramsci assume um marxismo “em sua forma atual” de leninismo. Ele ultrapassa a denúncia do comportamento unilateral da escola profissional, além da vontade de uma escola profissional que seja também formativa, metas quais as partilhadas por idealistas como Leonardo Radice.
Agora, denuncia a “luta contra a inteligência do trabalhador”, “a mecanização do trabalhador” e, ainda que de maneira confusa, indica uma perspectiva unitária de formação escolar, cujos sistemas (pelo menos os de controle) tomem como modelo os sistemas rigorosos de que se serve a fábrica. (MANACORDA, 2008, p. 54).
“A fabrica têxtil, os estabelecimentos metalúrgicos ...os estabelecimentos navais, as grandes fazendas agrícolas ...cada um destes centros pode ser utilizado como base do ensino” (MANACORDA, 1964, v. II. P.83, apud MANACORDA, 2008, p.55). O autor (Ibidem, 2008, p. 56) relata que começa a delinear-se, na visão gramsciana, a concepção de partido como “intelectual coletivo”. Concebe-se a
organização cultural como atividade política que obriga seus intelectuais tradicionais a colaborarem na luta revolucionária do proletariado.
A última etapa da concepção educativa gramsciana, de acordo com Manacorda (2008, p. 249-51) se reporta aos escritos do Cárcere, entre 1926 e 1937.
A parte fundamental desse ciclo está na retomada de Gramsci, em 1932 (no Caderno 12)4, às reflexões sobre a escola, redigidas em 1930, no Caderno 4, que trata da organização escolar. Aqui ele entrelaça o discurso sobre os intelectuais e o americanismo, de forma mais profunda, e vê no intelectual um especialista e político.
Gramsci, em seu discurso, une as estruturas escolares e as estruturas industriais, acreditando ser a melhor forma de se alcançarem as metas sociais. Além disso enfatiza a especialização e a educação de base, como sua forma inicial.
Manacorda (2008, p,251) afirma que Gramsci reabre o discurso em relação aos intelectuais, destacando dois planos superestruturais, nos quais eles agem: o da
“sociedade política ou Estado” e da “sociedade civil”. O primeiro passa pelo controle direto do governo, via estrutura estatal institucionalizada, ao passo que a sociedade civil atende ao conjunto dos organismos “privados”, visando à hegemonia, ou seja, ao direcionamento da sociedade em todas as suas manifestações e ações.
Conforme aponta o autor (ibidem, 2008, p. 252-53), Gramsci diante da crise
─ imaginada por ele, da escola tradicional ─, examina as escolas, academias, revistas, círculos e jornais e pensa numa nova escola de cultura técnica, ao lado da escola de cultura clássica. Portanto, em relação ao dirigente, essa constatação de
“plenitude dupla (técnica mais política) repete a união entre trabalho intelectual e técnico-manual, que se acha na perspectiva da escola única, e torna ainda mais evidente a relação entre essa escola e as suas instituições culturais da sociedade adulta”. (MANACORDA, 2008, p,251).
Nosella (2010, p.35-36) lembra que Gramsci acreditava no labor industrial como principio pedagógico, interferindo na própria liberdade humana, concreta e universal. “Essa tese é conhecida e amplamente difundida no meio dos educadores brasileiros. Seu sentido, entretanto, não me parecia precisamente definido.”
(NOSELLA, 2010, p.35).
O autor diz que Gramsci defende um método que parta de experiências concretas de todos, organizadas coletivamente, de modo que todos se tornem
4 De acordo com o autor, Gramsci no Caderno 12, retoma o Caderno 4 e faz algumas atualizações teóricas, metodológicas e pedagógicas de seu pensamento em relação à escola.
educadores e aprendizes, sempre preocupados com o enriquecimento cultural de todos. Ele pensa que a escola deve ser “circulo de cultura”. Defende a lógica e não somente a dialética, estimula a autocrítica e sua precaução em relação à doutrinação. Prefere bons instrumentos intelectuais, denominados “ferramentas de trabalho” e teme as ideias preconcebidas e acabadas.
Mais direcionado a estudos geográficos, como meta central deste trabalho, está a intenção em demonstrar, mesmo de forma aproximada, os componentes disciplinares atinentes ao saber geográfico, possivelmente, desenvolvidos pelo pensamento do sardo, revelado, desde sua obra iniciada antes do cárcere, ou seja, A Questão Meridional, importante obra, base inicial das elaborações gramscianas, da qual consta:
A sociedade meridional é um grande bloco agrário constituído por três estratos sociais: a grande massa camponesa, amorfa e desagregada; os intelectuais da pequena e média burguesia rural; os grandes proprietários de terra e os grandes intelectuais. Os camponeses meridionais ...são incapazes de dar uma expressão centralizada às suas aspirações e necessidades. O estrato médio dos intelectuais recebe da base camponesa os impulsos para sua atividade política e ideológica. Os grandes proprietários no campo político e os grandes intelectuais no campo ideológico centralizam e dominam, ...Como é natural, é no campo ideológico que a centralização se verifica com maior eficácia e precisão. Giustino Fortunato e Benedetto Croce representam, por isso, as pedras angulares do sistema meridional e são, em certo sentido, as maiores figuras da reação italiana, (GRAMSCI, 1987, p. 35-6).
Nesse momento é importante trazer aspectos que serão desenvolvidos mais à frente, justamente, vindos da questão territorial, levantados por Antônio Gramsci, no tocante à diferença econômica, social e cultural existente entre o norte e sul da Itália, haja vista sua semelhante condição do espaço brasileiro, correspondente ao sul e nordeste/norte do nosso país.
É o que corrobora Nosella (2010, p. 107), quando lembra que Gramsci, ao analisar a massa camponesa meridional italiana, acredita que esse tema central do pensamento gramsciano originou, praticamente, um tratado em relação aos intelectuais. Nesse sentido, transposta ao regionalismo brasileiro, com toda carga política, cultural e geográfica, pode-se dizer que o “Sul – maravilha” do Brasil é comparado, geograficamente, ao norte industrializado da Itália e as regiões Norte e Nordeste brasileiras ─ regiões com problemas socioeconômicos ─ assemelham-se ao sul italiano. Essa real semelhança, notadamente na questão geográfica, ainda
hoje, é passível de estudo comparativo, devido sua similaridade espacial resultante de aspectos físicos e econômicos.
Pelo colocado, percebe-se que o pensamento marxista gramsciano pode ser transposto ao Brasil, devido às semelhanças identificadas e a sua posição diferenciada quanto ao clássico pensamento marxista, ou seja, ele, diferentemente dos demais marxistas que evidenciam a economia em suas análises, tem, na educação e cultura ─ escola única ─ a chave para organização da sociedade.
No caso específico da disciplina de geografia, também constatam-se afinidades, desde a preferência de Gramsci pelos estudos de história e geografia, até as várias indicação relacionadas às interações entre o homem e a natureza e a visão de mundo.