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fase adequada de desenvolvimento do incêndio para as quais foram criadas, e assim, atenderem os objetivos precípuos da SCIE.

2.3 OBJETIVOS A SEREM CONSIDERADOS PARA O PROJETO DE

pessoas a fumaça e ao calor como principal risco a ser mitigado, valendo-se de medidas como alerta, controle de fumaça, compartimentação, saídas de emergência, entre outros que garantam a rápida desocupação do ambiente sinistrado (SILVA, 2014).

Negrisolo (2011) explica que os projetos que atentem quanto ao risco à vida, devem prever algumas condicionantes para o planejamento da retirada segura das pessoas, como a perda ou redução do nível de consciência ao dormir, dificuldade de locomoção dos ocupantes e familiarização com o espaço.

O segundo objetivo é a redução de danos ao patrimônio, pois os investimentos são altos e as perdas serão significativas (BRENTANO, 2007). Debelar o incêndio em seu princípio ou tomar medidas que limitem a propagação para compartimentos e prédios adjacentes contribuirão para que as perdas sejam menores.

Outro importante objetivo é evitar que o incêndio desequilibre o meio ambiente no seu entorno causando sérios danos e prejuízos. As consequências mais comuns são a produção da fumaça pela combustão dos materiais lançados para a atmosfera sem controle e a contaminação do solo e dos mananciais pelos resíduos carreados pela água utilizada durante a extinção do incêndio (ABRANTES; CASTRO, 2009).

Na aplicação direta nas edificações, a adaptação da SCIE é preponderante para o real atendimento de todos os tipos de construções, já que cada vez mais surgem empreendimentos que cumprem os preceitos ambientais.

Conforme Grosshandler et al. (2012), a segurança do público e a proteção da sociedade contra as perdas nos incêndios não devem ser comprometidas enquanto são alcançadas as metas de sustentabilidade e eficiência energética nas construções. A SCIE deve ser um irrenunciável item para os novos produtos e tecnologias que promovam as construções sustentáveis. O desenvolvimento de um conhecimento integrado é necessário para avaliar os prós e contras da aplicação de materiais e tecnologias sustentáveis que mantenham a segurança contra incêndio.

Explicam que brevemente as autoridades serão confrontadas por edifícios "ambientalmente corretos", os quais poderão ter propagação mais rápida do fogo, liberação de fumaça incomum ou rápida perda da estabilidade estrutural. Então, novas maneiras de acesso e saída, ou de proteção própria e dos usuários deverão ser encontradas.

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, como bom exemplo, no sentido de harmonizar seus objetivos à gestão ambiental, editou a Instrução Técnica nº 44/2011 - Proteção ao meio ambiente - onde o estímulo ao cumprimento da gestão ambiental e de fomento às boas práticas sustentáveis foi especificamente tratado.

E como mais recente objetivo imposto pela sociedade, atualmente a responsabilidade social também possui total concordância com os preceitos da segurança contra incêndio em edificações, onde os Códigos e Regulamentos de SCIE devem prever a implantação de sistemas que reduzam o risco de um incêndio cessar o processo produtivo de uma empresa ou impossibilitar a moradia de seus usuários. O incêndio por si só causa prejuízos, mas os seus reflexos sociais estendem-se ao longo do tempo e marcam a vida das pessoas, assim como não se apaga a lembrança de que os aparatos previstos pela regulamentação não foram suficientes para salvaguardar a sua incolumidade.

Este é um prejuízo oculto dificilmente perceptível nas estatísticas, como a redução dos postos de trabalho, por exemplo. Ainda, podemos considerar os danos ao patrimônio histórico e cultural como perdas sociais relevantes (ABRANTES; CASTRO, 2009).

Quanto à preocupação com a responsabilidade social, manifestada como a manutenção da continuidade do processo produtivo das edificações, entendendo-se como a não solução de continuidade de sua ocupação e exploração, somente consta nos códigos mais atuais como podemos ver no Decreto Estadual nº 56.819/2011 do Estado de São Paulo.

Em rápida explanação, a continuidade do processo produtivo é um fator relevante à comunidade que necessita do funcionamento ininterrupto do seu trabalho, ou não podem ficar sem moradia ou acesso a serviços essenciais, demonstrando o cumprimento de objetivos de responsabilidade social com medidas que não permitam a destruição total de um estabelecimento como a compartimentação de setores nevrálgicos e de produtos estocados, por exemplo. Brentano (2007) especifica que "[...] devem ser identificadas as áreas mais suscetíveis ao fogo, ou aquelas mais importantes no processo produtivo para que recebam proteção especial.".

Ilustramos a importância deste objetivo com uma notícia veiculada no dia 04 de agosto de 2012 no jornal Zero Hora, o qual abrange a região sul do Brasil, intitulada "Incêndio destrói fábrica de calçados e bolsas em Novo Hamburgo", transcrita parcialmente como segue:

Um incêndio de grandes proporções destruiu uma fábrica de calçados e bolsas em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, durante a madrugada deste sábado. As chamas se propagaram rapidamente no interior do prédio, queimaram máquinas e produtos, e fizeram com que o telhado do pavilhão caísse. Não houve feridos.[...]

[...] A fábrica tem cerca de 200 funcionários. Os proprietários ainda não se pronunciaram sobre como farão para manter a produção. Empregados que estavam na frente do prédio, durante o trabalho dos bombeiros, temiam por seus postos.

Não obstante, apesar de não estar claramente regrada, a manutenção dos sistemas implantados nas edificações e os treinamentos contínuos de pessoal são condições que afetarão diretamente na severidade do incêndio e por conseguinte na continuidade das atividades dos estabelecimentos, bem como nos demais objetivos já apresentados. Mostramos também, que as ações de manutenção das instalações prediais e dos sistemas de SCIE fazem parte da prevenção e refletem o compromisso com o bem-estar da coletividade, apresentando outra notícia veiculada por meio do jornal Zero Hora no dia 05 de agosto de 2012, intitulada

"Hospital fica três horas sem luz e põe em risco a vida de pacientes":

O Hospital [...], no Litoral Norte, ficou sem luz por cerca de três horas na manhã deste domingo, colocando em risco a vida de pelo menos 24 pacientes.

O hospital ficou sem energia elétrica [...], devido a um desligamento programado da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) no município. O gerador do hospital não funcionou na hora da interrupção do fornecimento. (grifo nosso) [...] o médico responsável pela Unidade de Tratamento Intensivo adulta, disse que a situação era bastante grave e que todos os pacientes corriam risco de morrer. Não conseguimos monitorar esses pacientes de maneira nenhuma, porque todos os monitores de frequência cardíaca falharam — relatou. [...] Funcionários se revezavam para fazer a respiração manualmente, substituindo os respiradores mecânicos, que também já não tinham mais bateria para funcionar sem eletricidade.

Portanto, a segurança contra incêndio em edificações não pode ser regulamentada alijada dos propósitos comuns da sociedade em geral. Qualharini e Santos (2007) expuseram o seguinte, relacionado à segurança em instalações nucleares, mas que pode ser estendido para as demais atividades:

A visão sistêmica e integrada da segurança numa organização que lida com processos perigosos, como a nuclear, tem sido inspirada nos modelos desenvolvidos para as áreas de segurança, saúde e higiene ocupacional de outras organizações não nucleares, elaborados por organismos independentes de certificação, baseado nas normas ISO 9001 e ISO 14001, inicialmente restritas à qualidade e a gestão ambiental. Este modelo, ao qual posteriormente foram incluídas as questões relacionadas à responsabilidade social através de norma específica, é atualmente respaldado pela norma OHSAS 18.001, emitida pela Occupational Health and Safety Assessment Series com o apoio da Organização Internacional do Trabalho.

De maneira comparativa, os sistemas de gestão organizacionais também têm atualizado seus objetivos à medida que a sociedade, vistos como consumidores finais tanto para o setor privado como para a nova gestão pública, impõe um atendimento de necessidades mais amplo, além dos benefícios exclusivos do produto oferecido. É exigido que os produtos e serviços, incluindo seus processos de consecução, satisfaçam o cunho de responsabilidade social (ISO 16001), benefício ambiental (ISO 14001), de segurança e saúde à vida das pessoas (OSHAS 18001), além da qualidade em todas as etapas, ou seja, extrapola a idéia de que o final do processo será a mera entrega ao usuário, pois também deve ser prevista suas consequências durante a sua utilização, onde estão inseridos os riscos de incêndio. Desta forma, os objetivos gerais da segurança contra incêndio também estão atrelados aos sistemas de gestão organizacionais.

Se todos os gestores dos estabelecimentos e empresas tivessem este conhecimento, certamente buscariam a implementação da segurança contra incêndio nas suas rotinas como certificação das suas "boas intenções" com seus clientes e com a sociedade em geral, e não como mero cumprimento de uma legislação específica imposta pelos Estados brasileiros.

2.3.2 Objetivos Operacionais da Segurança contra Incêndio em Edificações

De forma mais prática e específica para o projeto e execução da segurança contra incêndio nas edificações, existem objetivos operacionais que norteiam a implantação e a funcionalidade das medidas de proteção para o cumprimento dos objetivos gerais.

Os objetivos operacionais já estão elencados nas mais recentes regulamentações de segurança contra incêndio no Brasil. Abrantes e Castro (2009) de forma mais didática citam:

Assim, na perspectiva do Estado, as medidas de segurança contra incêndio num edifício ou instalação industrial visam, no mínimo, garantir os seguintes objectivos:

a. Reduzir os riscos de eclosão do incêndio;

b. Promover a evacuação rápida e segura de todos os ocupantes;

c. Limitar a propagação do fogo, fumo e gases de combustão;

d. Facilitar a intervenção dos bombeiros, em segurança.

Os objetivos operacionais são atrelados ao estágio de desenvolvimento do incêndio, ou seja, à medida que o incêndio se propaga, é necessário um rol de medidas de proteção específicas para o controle do sinistro. O primeiro objetivo é evitar que o incêndio ocorra, fundamentado na prevenção. Para tanto, as ações de conscientização e treinamento junto aos usuários das

edificações são imprescindíveis para o estabelecimento uma cultura comportamental favorável à segurança, bem como a manutenção das instalações prediais gerais e as de proteção contra incêndio devem ser realizadas para garantir boas condições funcionais.

Caso o incêndio ocorra, os próximos objetivos a serem cumpridos são proporcionar o alerta aos usuários e aos bombeiros e o abandono da edificação com segurança, concomitante com ações de controle ao princípio de incêndio. As medidas que cumprem esses objetivos são as saídas de emergência, controle de fumaça, detecção e alarme, sinalização e iluminação de emergência, chuveiros automáticos, extintores de incêndio, hidrantes e mangotinhos, controle dos materiais de revestimento e sistemas especiais de resfriamento e supressão de ambiente em riscos especiais (combate automático). Está incluída nesta etapa a presença de pessoal treinado, brigadistas de incêndio ou bombeiros profissionais civis, para organizarem a saída das pessoas, as ações de extinção do fogo, e a execução dos planos de emergência.

Com o crescimento do incêndio, faz-se necessário serviço especializado de extinção, assim como a edificação deve possuir meios para cumprir os objetivos de limitar a propagação do fogo para as salas adjacentes e as edificações vizinhas, e de fornecer meios para a extinção do fogo facilitando as ações dos bombeiros. Desta forma, torna-se importante o acesso de viaturas à edificação, hidrantes disponíveis, bem como a compartimentação deve ser eficiente.

Após o desenvolvimento pleno do incêndio, a segurança estrutural em situação de incêndio é acrescida a estes objetivos para redução dos danos e contribuição às ações de extinção.