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CAPÍTULO III Programa de erradicação do trabalho infantil (PETI)

3.2 Objetivos do programa

Analisando comparativamente o objetivo geral atual do PETI, e do momento de sua

implantação, percebem-se os avanços alcançados pelo Programa ao longo destes 16 anos.

Primeiramente, como já foi discutido, com a Portaria nº 458, de 4 de outubro de 2001, tanto a

idade como os tipos de situações de trabalhos passaram por ampliações. Passaram a ser alvo

do programa não apenas as crianças e adolescentes de 7 a 14 anos de idade retirados do

trabalho perigoso, penoso, insalubre ou degradante, mas aqueles de 7 a 16 anos retirados de

qualquer situação de trabalho, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos.

Em segundo lugar, e não menos importante, atualmente o programa não visa apenas

retirar as crianças e adolescentes das situações de trabalho, combater ou erradicar o trabalho

precoce. Busca-se, além disso, proteger, prevenir e enfrentar as situações de trabalho, de

vulnerabilidade e de risco das crianças, adolescentes e suas famílias. As ações de prevenção

ganharam destaque na nova estruturação do Programa, principalmente a partir de sua

agregação ao SUAS.

Por prevenção, entende-se um conjunto de ações articuladas, com foco na intervenção

em situações de vulnerabilidade social, decorrentes da pobreza, privação ou fragilização de

vínculos que podem levar à ocorrência de trabalho infantil, entre outras violações de direitos.

No SUAS, o enfrentamento ao trabalho infantil tem o PETI como referência, que impulsiona

as ações da rede para a erradicação do trabalho infantil. O enfrentamento constitui-se um

conjunto de ações, serviços e benefícios articulados, ofertados por meio da rede

socioassistencial e demais políticas públicas, visando contribuir para a erradicação do trabalho

Atualmente o PETI assume, como seus princípios norteadores (MDS, 2010b): o

reconhecimento da criança e do adolescente como sujeitos de direito e pessoas em condição

peculiar de desenvolvimento que não podem, em hipótese nenhuma, vivenciar situações de

trabalho, devendo a todo o momento ser protegidas dessa prática; a garantia dos direitos da

criança e do adolescente retirados da prática do trabalho infantil; e o reconhecimento de que o

trabalho infantil é proibido no Brasil, exigindo a eficaz e imediata intervenção pública para a

interrupção, não reincidência e prevenção dessa situação.

A partir desses princípios, reafirmam-se as seguintes diretrizes do PETI:

• Mobilização e sensibilização da sociedade, quanto ao enfrentamento ao trabalho infantil;

• Controle social e garantia de espaços de participação da sociedade civil no enfrentamento ao trabalho infantil;

• Intersetorialidade, envolvendo diferentes segmentos governamentais e não governamentais no enfrentamento ao trabalho infantil;

• Universalidade do acesso das famílias com crianças e adolescentes em situação de trabalho à transferência de renda e ao Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo,

bem como à rede socioassistencial;

• Gestão e financiamento do Programa compartilhados pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal;

• Gestão integrada com os Serviços e Benefícios;

• Gestão da informação por meio de sistemas informatizados disponibilizados pelo MDS.

Os objetivos específicos do PETI também passaram por transformações significativas.

famílias através de: possibilitar o acesso, a permanência e o bom desempenho de crianças e

adolescentes na escola; fomentar e incentivar a ampliação do universo de conhecimentos da

criança e do adolescente, por meio de atividades culturais, esportivas, artísticas e de lazer no

período complementar ao da escola, ou seja, na jornada ampliada; proporcionar apoio e

orientação às famílias por meio da oferta de ações socioeducativas; e promover e implementar

programas e projetos de geração de trabalho e renda para as famílias.

No contexto atual, as especificidades da ação do PETI mudaram o foco, tornaram-se

mais amplas, mais abrangentes. As ações que previnem a incidência e reincidência do

trabalho infantil no âmbito da PSB são todas aquelas que atuam sobre o contexto individual,

familiar e social, dentro do campo de ação da Assistência Social, visando prevenir a situação

de violação de direitos. As ações preventivas instituem possibilidades de enfrentamento aos

fatores que levam ao trabalho infantil e/ou o estabelecem.

As ações de enfrentamento ao trabalho infantil, conforme o MDS (2010b),

concentram-se: interrupção e retirada da criança/adolescente da prática do trabalho;

inserção/reinserção da criança/adolescente na escola, de forma a garantir sua permanência e

sucesso; apoio à família, para que restabeleça ou fortaleça sua função protetiva, por meio de

acesso a benefícios e serviços socioassistenciais; atuação efetiva sobre os focos e territórios de

incidência do trabalho infantil, agindo além da intervenção individual; encaminhamento

prioritário das crianças de até 6 anos para frequência à educação infantil em tempo integral;

inserção das crianças e adolescentes retirados do trabalho infantil em SCFV, ou em outros

serviços da rede. Outras políticas setoriais devem ser chamadas a contribuir, dentro de sua

competência.

Apesar destas ações, contudo, estudo realizado por Alberto, Borges et al. (2012)

concluiu que as políticas públicas de combate ao trabalho infantil não conseguem viabilizar a

infantil. Rua (2007) também aponta que, apesar de o PETI mostrar à sociedade que sua

atuação é positiva por contribuir com a diminuição do trabalho infanto-juvenil, o programa

não coopera para a erradicação nem para o processo de escolarização.

É importante considerar que, conforme visto durante a realização desta pesquisa,

apesar dos avanços na concepção do programa; na prática, frequentemente, encontram-se

situações em que, além de os profissionais estarem completamente mergulhadas no modelo

antigo, sequer conhecem as mudanças propostas para a nova atuação do programa.

O Programa contempla as seguintes dimensões: a) a transferência de renda; b) o

trabalho social com famílias, ofertado pela PSE e PSB; e c) os serviços de convivência e

fortalecimento de vínculo para crianças e adolescentes retirados do trabalho infantil, com o

objetivo de contribuir para o enfrentamento e erradicação de todas as formas de trabalho

infantil (MDS, 2010b).

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