A COMUNICAÇÃO NA VALORIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NAS FAVELAS DO COMPLEXO DO ALEMÃO NO RIO DE JANEIRO
3 OS ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DAS FAVELAS
Uma das principais insígnias da sociologia é o capital, que assemelha constituir os limites e as sombras que delimitam as relações e as distâncias entre o presente e o passado, a superstição e a ilustração, o trabalho e a preguiça, a nação e a província, a tradição e a
A COMUNICAÇÃO NA VALORIZAÇÃO DO José Teixeira de Seixas Filho DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL Sylvia Bisaggio Affonso (in memoriam)
NAS FAVELAS... Sílvia Conceição Reis Pereira Mello Luiz Carlos Werneck Streva Rose Cristina Silva Sobral
Rev. Augustus | ISSN: 1981-1896 | Rio de Janeiro | v.24 | n. 48 | p. 182-195 | jul./out. 2019 189
modernidade. Em suas conotações sociais, políticas e culturais, além das econômicas, o capital parece exercer uma espécie de missão civilizatória, em cada país e continente, no mundo.
Enquanto o capital econômico se encontra nas contas bancárias e o capital humano dentro das mentes das pessoas, o capital social convive no alicerce das suas relações. Para dispor de capital social, um indivíduo necessita de se elencar com outros, e são estes, não o próprio, a verdadeira fonte dos seus benefícios. Enquanto propriedade de comunidades, ao invés de indivíduos, o capital social é simultaneamente uma causa e um efeito. Induz, por um lado, a implicações positivas, tais como o desenvolvimento econômico e uma menor aplicação criminal, mas a sua existência é resultado desses mesmos resultados. As cidades que são bem governadas e em ampliação econômica conseguem por apreenderem um elevado capital social. As cidades em maior condição de pobreza não possuem este benefício cívico (PORTES, 2000).
A Favela é uma presença característica em todas as cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, a população que ocupa esses assentamentos corresponde a 20% da sua população, em São Paulo 22%, Belo Horizonte 20%, Salvador 30%, Recife 46%, Fortaleza 31%. Há um estigma na sociedade brasileira que ainda encara essa parte substancial do território dessas cidades como um local marginal e sem lei. Romper esse estigma significa garantir serviços urbanos como coleta de esgotos, de resíduos sólidos, de distribuição de água, de iluminação pública, de transportes funcionando de forma eficiente no cotidiano e garantir acesso à urbanidade. Para tal, é importante avaliar e preservar as pré-existências construídas por essas comunidades, mas também abrir eixos de penetração, que garantam o acesso aos serviços urbanos diversificados e variados (MOREIRA, 2016).
Por outro lado, a taxa de crescimento dos setores subnormais é de 2,4% ao ano, enquanto o resto da cidade cresce apenas 0,38% ao ano. Isso quer dizer que as “favelas” crescem em um ano o que o “asfalto” leva mais de seis anos para crescer. (BUENO, 2002).
Vistos de modo isolado, eles são pobres. Por vezes, miseráveis. Mas percebidos em bloco, os moradores de áreas de baixa renda compõem um mercado absolutamente relevante. Sobretudo em tempos de mercado desaquecido como agora. Tomando apenas o exemplo da chamada Comunidade das Quadras, um verdadeiro enclave de cerca de 450 casas simples em plena Aldeota, área nobre de Fortaleza, tem-se uma renda média mensal de R$ 2 milhões. Dinheiro que vai às compras como outro qualquer. Este é apenas um dado que a Central Única
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de Favelas (CUFa) tem no boné para atrair investimentos para a comunidade. O plano é simples: chamar a atenção das empresas que produzem o que aqueles consumidores compram e obter delas investimento em capacitação e qualificação. Bom para quem vende e para quem compra (CAVALCANTE, 2016).
Meirelles (2015) comentou que as favelas brasileiras, com 12,3 milhões de moradores, sofreram nos últimos anos fundamentais mudanças sociais e econômicas, num território tão marcado pela falta de perspectiva e preconceito, tornando-se um lugar cada vez mais próspero para oportunidades, movimentando, mesmo na crise, mais de US$ 19 bilhões em 2015, como consumo similar a países como Paraguai e Bolívia, mas continuam cercadas por contradições e preconceito.
Meirelles e Athayde (2014) afirmaram que se as favelas fossem um estado, seria o quinto mais populoso da federação, capaz de movimentar 63 bilhões de reais a cada ano e acrescentaram ainda que os projetos sociais locais precisam de visibilidade, sendo que o conhecimento do que está sendo feito para o desenvolvimento local é fundamental para que exista sustentabilidade em todas as ações da comunidade. Para isso é necessário utilizar formas de comunicação e mídias adequadas para a divulgação de todos os projetos para o público do local e para toda a sociedade.
O aumento da renda e da geração de emprego formal trouxe uma nova realidade para a favela brasileira. Hoje, mais da metade dos trabalhadores que moram em favela têm carteira assinada. São mais homens e mulheres que têm férias, 13° salário e seguro-desemprego. A tecnologia tornou-se aliada importante das favelas brasileiras. A favela é mais conectada que o asfalto. Criativos, os moradores sabem se virar em momentos de adversidades e são especialistas em transformar crise em oportunidade. Nas comunidades, oito em cada dez internautas acreditam que a rede pode ajudá-los a ganhar mais dinheiro. Sábios, eles usam a internet para aumentar a renda. Eles conseguiram um emprego, venderam algo e passaram a adotar medidas próprias para se virar na hora que a situação financeira aperta. E o mais surpreendente é que a favela é muito mais conectada com os meios tecnológicos que as pessoas moradoras do asfalto. Existem mais internautas na favela que fora desse território, que vive em constante transformação (MEIRELLES, 2015).
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Conforme já comentado por Paixão e Andrade (1993) o eixo central de todo esse problema de fato é a desigualdade social, a população que migrou para o meio urbano, nem sempre foi atendida e com falta de oportunidades, muitas se aglomeraram em morros e periferias gerando ''favelas'' causando profundas mudanças na qualidade e no estilo de vida