3. Recursos Educacionais Abertos (REA) e as práticas colaborativas
3.6. Os conceitos sobre os Recursos Educacionais Abertos
No ano de 2001, uma importante instituição de ensino, mais precisamente o
Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos EUA, anunciou que em breve estaria, de
maneira sem precedentes, disponibilizando todos os seus cursos na Internet para que fossem acessados livremente e de forma gratuita (MIT..., online, 2012). Essa iniciativa, denominada como Open Courseware (OCW), se tornou então na ocasião uma prática oferecida por várias instituições e em muitos outros locais distintos, o que proporcionou a elaboração de um fórum de discussão pela UNESCO, caracterizado como o Primeiro Fórum Global sobre OCW29 em Julho de 2002, na cidade de Paris, França.
„Open Courseware‟ é um termo que se refere à disponibilização de boa parte de cursos acadêmicos de maneira livre e gratuita, via Internet e/ou Web. É possível incluir material de leitura, pesquisas, guias de estudo, cursos completos, experimentos e demonstrações, enfim, tudo disponibilizado para ser utilizado por instituições ou por indivíduos de qualquer parte do mundo, sem que haja custos – para iniciativas voltadas à educação – e desde que o acervo não seja utilizado para fins comerciais (EXPERTS..., 2001, online).
Foi nesse mesmo fórum, patrocinado e organizado pela UNESCO, que o termo Open
Educational Resources (OER) foi utilizado pela primeira vez. Os participantes, representantes
de 14 países dispostos nos 5 continentes, elaboraram e adotaram uma Declaração Final, parte do relatório resultante do fórum, no qual expressavam a satisfação e a realização de um desejo de terem desenvolvido um tipo de recurso educacional universal disponível para toda a humanidade. Seguindo os exemplos inspirados no programa intitulado „Herança Mundial da Humanidade‟ (World Heritage of Humanity), preservado pela própria UNESCO, declararam a esperança de que os Recursos Educacionais Abertos (REA, no Brasil) mobilizassem a grande comunidade de educadores presente em todo o mundo.
Alternativas para cunhar o termo foram discutidas pelos participantes durante a reunião, como Open Courseware (Cursos Abertos), Open Learning Resources (Recursos de
29 O nome original do Fórum é „Forum on the Impact of Open Courseware for Higher Education in Developing
Countries‟, elaborado pela UNESCO com o intuito principal de oficializar e disseminar as práticas do OCW,
tanto na comunidade acadêmica quanto nas organizações governamentais e não-governamentais, com representantes de 14 países contemplando os 5 continentes. Fonte: <http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php- URL_ID=2492&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html>. (Nota do Autor).
Aprendizagem Abertos) e Open Teaching/Learning Resources (Recursos de Ensino/Aprendizagem Abertos). Na definição final de Open Educational Resources, algumas práticas deveriam ser observadas: a) a missão do serviço: acesso aberto aos recursos, com aprovisionamento para adaptações; b) o método para o aprovisionamento: capacitação por meio da tecnologia da informação e da comunicação; c) o público alvo: uma comunidade diversa de usuários, e; d) o propósito: prover um recurso educacional, sem fins lucrativos e propósitos estritamente comerciais.
Na concepção inicial do projeto, os idealizadores deveriam identificar uma lista de cursos específicos juntamente com instituições previamente selecionadas, no intuito de avaliar a prática sugerida. Estes cursos deveriam preferivelmente pertencer ao domínio da Ciência e da Tecnologia, justamente pela importância dos temas para o desenvolvimento das nações e para evitar que incidentes diplomáticos referentes à cultura de múltiplos países pudessem vir à tona. As Universidades que aderiram ao plano piloto – e fizeram parte de um grupo de trabalho (GT) – se comprometeram a se adequarem aos procedimentos ditados pela ação resultante do fórum, incluindo a criação de uma base de dados indexada, garantindo a qualidade no acesso e a disseminação das informações sobre o novo sistema.
Para garantir que tais iniciativas tivessem sucesso, primordialmente no início do projeto de disponibilização dos recursos, algumas premissas foram instauradas pelo comitê organizado e responsável por executar as ações planejadas durante a reunião. Uma delas era que os recursos deveriam ser disponibilizados em base de dados distribuída, em uma plataforma que permitisse o download (obtenção de cópias de arquivos digitais) facilitado do acervo. A base de dados deveria ser indexada e atualizada constantemente, para que não caísse na obsolescência. A base indexada deveria permitir ainda o uso de históricos de
download e a provisão de melhorias de acordo com os feedbacks fornecidos pelos usuários. A
unidade da UNESCO em Paris deveria ser utilizada para hospedar a base de dados centralizada e indexada, utilizando a tecnologia apropriada e disponível para esse fim, mantendo o dinamismo e rapidez no acesso à base de dados.
A segunda premissa era com relação aos processos da garantia da qualidade dos dados acessados. Uma vez que deveria se tratar de uma base de dados aberta e com acesso irrestrito, o sistema deveria ser concebido como uma biblioteca digital, com modernas técnicas de indexação de conteúdo e com características pedagógicas, garantindo a qualidade do material postado, bem como questões de segurança da informação que não poderiam ser negligenciadas. Um modelo de requisição de informações, bem como a elaboração de protocolos de acesso voltados para grandes comunidades de usuários deveriam ser
desenvolvidos. Nesse caso em particular, algumas responsabilidades foram atribuídas à própria UNESCO, por conta de sua perícia e habilidade em lidar com imensas comunidades de usuários.
A terceira e última premissa era com relação à disseminação de informações íntegras sobre a iniciativa, bem como o fomento à utilização do sistema, incluindo serviços de suporte aos usuários que tivessem dificuldade em manusear ou acessar as informações de forma apropriada. Novamente, fariam uso da experiência da UNESCO, mais especificamente do
Global Forum on International Quality Assurance (Fórum Global na Garantia da Qualidade
Internacional) para garantir que fóruns existentes, bem como a criação de outros novos, pudessem tomar conta dessa árdua e importante tarefa (EXPERTS..., 2001, online).
Há muitas definições sobre o termo Open Educational Resources em várias publicações sobre o tema. Uma das mais simplistas, mas muito bem elaborada consta no
Basic Guide to Open Educational Resources (Guia Básico para os Recursos Educacionais
Abertos) organizada por Neil Butcher, diretor sul africano de uma instituição especializada em Educação a Distância, considerado como um prodígio estrategista nas iniciativas de OER na África do Sul e em outros países do continente africano. Segundo o guia, a definição de Recursos Educacionais Abertos seria:
Na sua forma mais simples, o conceito de Recursos Educacionais Abertos define qualquer recurso educacional (incluindo planos de aula, materiais de cursos, livros escolares, vídeos, aplicações multimídia, podcasts, e qualquer outro material que tenha sido projetado para uso em ensino e aprendizado) que são abertamente disponíveis para uso por educadores e estudantes, sem uma associação necessária de pagamento de direitos autorais ou taxas de licença.30
30
BUTCHER, Neil. Basic Guide to Open Educational Resources (OER). UNESCO: Commonwealth of Learning, 2011. p. 5. (Tradução do Autor). Texto original: “In its simplest form, the concept of Open Educational Resources (OER) describes any educational resources (including curriculum maps, course materials, textbooks, streaming videos, multimedia applications, podcasts, and any other materials that have been designed for use in teaching and learning) that are openly available for use by educators and students, without an accompanying need to pay royalties or license fees”.
O conceito do termo OER poderia estar correlacionado – e até ser denominado inicialmente como sinônimo – do termo OCW. Porém, com a consolidação do primeiro percebeu-se que o segundo seria caracterizado como um subconjunto específico do OER, no qual, segundo o OCW Consortium, seriam “publicações livres e abertas na forma de conteúdo digital relacionadas a materiais educacionais de universidades com altíssima qualidade”.31 O
OER surgiu como uma espécie de promessa de transformação e quebra de paradigmas de
recursos educacionais tradicionais, principalmente sob os preceitos de compartilhamento e digitalização do acervo em papel, bem como os de licenciamento. Assim, o OER pode ser compreendido ainda como um recurso educacional que transcende o uso de um licenciamento rígido e que possibilita o seu reuso. Principalmente por meio do seu poder de adaptabilidade e por conta da não necessidade de obtenção de permissões de uso, barreiras pertinentes às restrições inerentes aos Direitos Autorais convencionais (BUTCHER, 2011).
A partir dessas premissas o OER não poderia ser então definido como práticas similares ao e-Learning (aprendizado condicionado à forma eletrônica, digital) por conta em primeira instância de quesitos como os Direitos Autorais e em segundo plano por conta da própria tecnologia de acesso ao acervo. Muitos países em desenvolvimento não possuem banda larga de acesso à Internet para garantir a qualidade de serviços necessária na obtenção de material de cursos completos – ou um conjunto significativo de aulas virtuais – no formato digital. Nem tampouco seria definido referencialmente aos recursos do Open Learning (Aprendizado Aberto) ou ainda do Open Education (Educação Aberta). Apesar de terem muita coisa em comum, ambas as práticas diferem por uma série de razões do OER, em escopo e principalmente no significado. Basicamente, o OER não pode ser referenciado a um sistema de acúmulo de créditos ou de educação formal e continuada, provenientes de diferentes contextos de aprendizagem, como sugerem os termos citados.
Outra concepção errônea e comum de acontecer, segundo Butcher (2011), diz respeito ao conteúdo „abertamente licenciado‟, por acreditar-se que o mesmo pertença ao domínio público e que os autores tenham que conceder todos os seus direitos acerca do material em questão. Na prática, porém, o que se vê acontecer é que o surgimento das licenças abertas venha ao encontro do desejo de proteção dos interesses dos detentores desses direitos autorais. Principalmente nos ambientes nos quais esse conteúdo esteja disponível na versão digitalizada e que possam ser facilmente copiados via Internet, muitas vezes sem que a devida permissão
31
O OCW Consortium é uma comunidade de abrangência global com centenas de Instituições de Ensino Superior e Organizações associadas empenhadas em disseminar e expandir as práticas de Open CourseWare, assim como seus impactos diretos na educação global. Fonte: <http://www.ocwconsortium.org/>.
seja solicitada para esse fim. Como foi explanado anteriormente neste mesmo capítulo, um autor que utiliza um licenciamento livre do tipo Creative Commons busca especificamente a retenção dos direitos autorais sobre sua obra, porém concordando em ceder alguns desses direitos em prol principalmente de práticas colaborativas e de compartilhamento de conteúdo aberto. Algumas informações complementares em relação ao licenciamento desse tipo:
Provê licenciamento aberto para materiais digitalizados e ainda evita restrições de direitos automaticamente aplicadas;
Permite a sua adaptação para ser utilizado em diversos países e jurisdições, incluindo o suporte para vários idiomas;
Utiliza um sistema gerador de licenças livres de modo a facilitar o seu uso e que venha a refletir de modo apropriado os desejos dos seus usuários, bastando pra isso responderem algumas perguntas sobre como gostariam que suas obras fossem utilizadas;
Todas as licenças incluem direitos básicos que são detidos pelos autores, garantindo que eles tenham a liberdade para prover a concessão desejada sobre suas obras;
O licenciamento livre permite ainda que os usuários possam reivindicar algumas mudanças nas restrições e permissões. Como exemplo, é possível restringir o reuso de um conteúdo para propósitos comerciais, a qualquer momento que o autor deseje realizar essas modificações.
É interessante, possível e necessário diferenciar o conteúdo de Recursos Educacionais Abertos de publicações com acesso aberto. Isso porque os dois termos são comumente confundidos como sendo de mesmo significado, apesar de terem lá suas similaridades. O segundo termo remete muito mais a „pesquisas de publicações‟ com conteúdo e licenciamento aberto, ao passo que o primeiro trata especificamente do manuseio de conteúdo (na sua maioria no formato digital) para ensino/estudo, também sob o mesmo tipo de licenciamento. Para ilustrar essa diferença, seria interessante uma comparação entre o acervo de publicações do portal de periódicos da CAPES32 e de um site específico com conteúdo de REA. Claramente esse acervo de publicações „pesquisáveis‟ é de extrema importância para a formação e capacitação de estudantes de diversas áreas, porém não caracterizam
32 O Portal de Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é uma
biblioteca virtual que reúne e disponibiliza a instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção científica nacional e internacional. Conta com um acervo de mais de 33 mil títulos com texto completo, 130 bases referenciais, além de livros, enciclopédias e obras de referência, normas técnicas, estatísticas e conteúdo audiovisual. Fonte: <http://www.periodicos.capes.gov.br>. (Nota do Autor).
especificamente cursos completos ou qualquer outro termo que venha definir o conceito de REA.
De acordo com Butcher (2011), uma das preocupações (e talvez a mais relevante delas) levantada por alguns autores de artigos e publicações sobre o movimento do REA é com relação à dúvida gerada nos produtores e autores (incluindo educadores e gestores de instituições educacionais) de obras, principalmente literárias e científicas, a respeito da concessão de Direitos Autorais. Isso implicaria em sérios problemas, tais como riscos em potencial de perda de ganhos comerciais, a nítida impressão de que pessoas não autorizadas fariam uso indiscriminado e iníquo da Propriedade Intelectual e que, ainda, poderiam se apoderar indevidamente da obra, comercializando-a ou obtendo algum benefício de forma a princípio ilícita.
Não obstante, essas preocupações se mostram perfeitamente compreensíveis. Em contrapartida deve-se, em primeira instância, perceber se tais preocupações não estariam sendo mascaradas por outras. Tomemos como exemplo a questão de um autor ter suas obras abertas e compartilhadas com outros pesquisadores (incluindo iniciantes) e que, de alguma forma, as obras derivantes tivessem a qualidade seriamente comprometida, deturpando e denegrindo o material original. Para Butcher (2011), então, esse seria um comportamento até natural: o autor se sente, muitas vezes, „proprietário‟ inato de sua obra e a simples menção de uma suposta perda de oportunidade de cunho comercial ou do comprometimento da mesma no quesito da qualidade faria com que suas ações fossem predestinadas a preservar o seu patrimônio.
Entretanto, quanto mais as instituições ao redor do mundo estão incentivando seus educadores ao engajamento na questão do compartilhamento de materiais sob licenciamento aberto, mais se tem percebido um aumento significativo na qualidade de materiais derivados de obras (muitas vezes também derivadas de outras) literárias e científicas. Essa prática se torna possível no momento em que, num processo cíclico, os autores dedicam mais tempo na elaboração de suas obras antes de compartilhá-las e, posteriormente, recebem um feedback de outros autores que as utilizam para gerarem obras derivadas, o que proporciona uma maior preocupação com a qualidade do material produzido e compartilhado.
Novamente, e como acontece muitas vezes com os formatos de mídia e veiculação da informação (tomando como exemplo a mídia impressa versus a mídia online) a ideia não seria pura e simplesmente a substituição imediata de uma prática por outra. Para ser mais claro, é perfeitamente possível o convívio mútuo entre as práticas colaborativas e de compartilhamento de conteúdo aberto e a comercialização e exploração de recursos elencáveis
como sendo exclusivamente passíveis de aplicação de licenças Copyright. Para tanto, bastaria que houvesse flexibilidade suficiente no tratamento de ambos na legislação e jurisdição que os comportam e suportam (BUTCHER, 2011).
Sob a ótica das práticas de ensino e de aprendizado, é perceptível que a maior motivação (e porque não dizer sucesso) das instituições educacionais está não somente no crescimento do volume de informações pertinentes ao conteúdo aberto – cada vez mais fomentado pelo uso das tecnologias da informação e comunicação, as TICs. O grande desafio e o verdadeiro chamariz estão na compreensão do real potencial que elas têm em guiar os estudantes de forma eficaz, por meio do uso de recursos educacionais desenhados para esse fim, criando uma infraestrutura alinhada com esse propósito, provendo suporte online, proporcionando a simultaneidade independentemente da posição geográfica, além de outras práticas de avaliação de desempenho e de aprendizado. Já sob a ótica de um (novo) modelo de negócio, a lei da oferta e da procura se faz presente: quanto mais as instituições investem na produção e compartilhamento de conteúdo aberto – por meio do uso das TICs – mais corroboram para a construção de um modelo institucional sólido e efetivo, o que sempre acaba atraindo mais e mais estudantes que aderem a esse tipo de recurso de ensino e aprendizado.
Qual deveria ser então o posicionamento dos autores detentores e defensores da modalidade de Direitos Autorais convencionais a qualquer custo? Segundo Butcher (2011), deveriam olhar com mais cuidado e reavaliar quais seriam os benefícios, incluindo os de cunho comercial, de se compartilhar o material – literário ou científico – de forma aberta. Além da razão óbvia, ou seja, a de cunho educacional, haveria outras motivações que contribuiriam inclusive para a proteção de questões comerciais. Compartilhar, então, material sob uma licença aberta poderia gerar os seguintes benefícios:
Conteúdo digitalizado pode ser facilmente compartilhado entre os interessados, entretanto compartilhá-lo de forma pública é o caminho mais seguro para proteger os Direitos Autorais, uma vez que licenciado de forma aberta há certa garantia de que o autor original será creditado. Apesar de ser mais suscetível a plágios e outras contravenções inerentes é possível que haja uma significante redução nessa prática, pois não haveria necessidade de mentir sobre a origem do material, já que há a permissão intrínseca para uso do mesmo;
Como mencionado anteriormente, as práticas de compartilhamento de conteúdo aberto por parte das instituições de ensino podem, muitas vezes, se referirem a um novo modelo de negócio eficaz. Torna-se possível quando a oferta e procura aumentam de forma significativa, fomentando e garantindo a qualidade do material de conteúdo aberto e ainda contribuindo com a legitimidade de tal iniciativa, além de angariar uma maior volume de alunos interessados em novos tipos de recursos oferecidos;
Apesar de não serem práticas efetivas, as iniciativas de colaboração e compartilhamento de conteúdo aberto, sob um licenciamento também aberto, poderiam ser recompensadas pelas instituições garantindo ao autor um incentivo de produção literária ou científica. Para tanto, algumas políticas de orçamento das instituições, bem como diretrizes de políticas públicas, deveriam ser alteradas e outras ainda criadas para que o fomento a esse procedimento pudesse ser estabelecido;
Mesmo não ocorrendo com certa evidência tal iniciativa de recompensa, há ainda outros tipos de incentivos que contribuiriam para o compartilhamento de conteúdo digitalizado e aberto. A possibilidade de maximização da carreira acadêmica do autor, se tornando mais conhecido e expandindo seus limites e fronteiras, uma vez que o mundo virtual e digital não se restringe a tais imposições limítrofes. A chance de „cultivar‟ a reputação do autor aumenta significativamente quando ele opta por fazer parte de redes de educação e colaboração crescentes ao redor do mundo, o que se mostra como um potente veículo de disseminação e divulgação de trabalhos, muitas vezes sem nenhum precedente.
De acordo com Butcher (2011), há uma questão que circunda fortemente as práticas relacionadas aos REA, que muitas vezes gera uma compreensão errônea e distorcida sobre o conceito da „liberdade‟ (freedom) na utilização do conteúdo aberto. Principalmente no tocante aos conceitos do Software Livre. Ou para ser mais conciso acerca da distorção, o emprego da tradução livre da palavra inglesa „free‟, que denota uma ênfase somente na compreensão de „gratuidade‟ sobre o conteúdo aberto (dirimindo muitas vezes sua conotação mais ideológica, a de liberdade), sugerindo até certa conveniência em referência ao termo. Os principais proponentes e defensores do REA e do licenciamento aberto apregoam que, similar à utilização de Software Livre, a conotação ganha força no sentido de „conteúdo sem custos‟ propriamente ditos. Mesmo porque, salvos os custos de manutenção do recurso da banda larga
de acesso à Internet, não haveria custo na execução do „download‟ de arquivos digitais pertinentes ao conteúdo aberto sob o licenciamento livre. O que acaba sendo verdade, pois como se sabe não há necessidade de obtenção de permissões prévias para uso e compartilhamento do acervo digital, nem tampouco a incidência de qualquer ônus referente