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OS DEPÓSITOS ALUVIAIS

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 79-87)

TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL

2.6 OS DEPÓSITOS ALUVIAIS

Podemos dizer que os depósitos aluviais constituem um importante componente da história geológica da Terra e ocorrem em contextos geotectônicos distintos em diversos períodos. O estudo dos depósitos aluviais fundamentados na análise dos depósitos recentes permite a caracterização dos processos hidrodinâmicos, bem com a compreensão da evolução sedimentar dos depósitos antigos. Economicamente, o estudo dos depósitos aluviais torna-se interessante e/ou importante em função da exploração dos recursos minerais (abordados no caderno de Geografia Física).

Os geólogos, através do método de fáceis, analisam e interpretam os depósitos aluviais, bem como seus processos geradores. Este método baseia- se na comparação de perfis verticais e seções em afloramentos com modelos, sucessões e associações de fáceis. Segundo Riccomini et al. (2009, p. 317), “os modelos são elaborados para representar, em sua essência, a combinação de feições de depósitos sedimentares recentes e antigos e permitir a caracterização dos diferentes sistemas deposicionais”.

Devido à grande variedade de fatores que controlam os diferentes tipos de rios e leques aluviais, é possível elaborar uma grande quantidade de modelos deposicionais. Dentre eles podemos destacar: os leques aluviais de climas áridos e úmidos, rios entrelaçados, meandrantes e anastomosados. Assim, selecionamos algumas imagens de depósitos em leques aluviais de clima árido, depósitos em sistemas de rios entrelaçados e depósitos em sistema fluvial meandrante, respectivamente. Observe-as atentamente.

FONTE: Riccomini et al. (2009)

A foto à esquerda refere-se ao depósito de detritos contendo blocos métricos de rochas do embasamento na porção proximal de leque aluvial da formação de Resende (período Oligoceno), junto à borda norte da bacia de Resende (RJ). A foto à direita corresponde ao sopé do maciço de Itatiaia (RJ), onde ocorrem intercalações de depósitos de fluxos de detritos, contendo blocos arredondados de rochas alcalinas, com depósitos de corridas de lama em antigo leque aluvial da formação Resende (Oligoceno).

FONTE: Riccomini et al. (2009)

FIGURA 37 – DEPÓSITOS NO SISTEMA FLUVIAL ENTRELAÇADO

A foto (a) representa o depósito de barra longitudinal de cascalhos na porção proximal de um rio entrelaçado atual. A foto (b) ilustra depósitos antigos de natureza semelhante em terraço fluvial do mesmo rio, mostrando a persistência do processo no tempo geológico. Imagens ao longo do rio do Braço, no município de Cruzeiro (SP).

FONTE: Riccomini et al. (2009)

A foto à esquerda representa o depósito de canal de rio meandrante da Formação São Paulo (Oligoceno e Mioceno da bacia de São Paulo), nos arredores de Santa Isabel (SP). A foto à direita ilustra a exposição de seção transversal de um rio meandrante da Formação São Paulo na região de Guararema (SP), mostrando estratificação cruzada sigmoidal, na parte centro-esquerda da foto, e depósitos de meandro abandonado na porção central e centro-direita da foto.

Para finalizar este tópico, gostaríamos de destacar os terraços fluviais. Estes apresentam antigas planícies de inundação que foram abandonadas. Morfologicamente, os terraços fluviais surgem como patamares aplainados, de largura variada, limitados por uma escarpa em direção ao curso de água. Existem diferentes tipos de terraços. Vejamos, de acordo com Christofoletti (1980): Terraços aluviais (quando os terraços são constituídos por materiais relacionados a antigas planícies de inundação); terraços rochosos (quando os terraços foram esculpidos, através da morfogênese fluvial, sobre as rochas componentes das encostas dos vales); terraços estruturais (são patamares ao longo das vertentes, mantidos pela existência de camadas de rochas resistentes); terraços encaixados (resultado de movimentos tectônicos, de abaixamento do nível de base ou de modificação no potencial hidráulico do rio, ocasionando a formação desse tipo de terraço).

LEITURA COMPLEMENTAR

INUNDAÇÕES

Riccomini et al. (2009) Historicamente, as populações que se concentram às margens dos rios estão, invariavelmente, sujeitas às inundações. Os prejuízos anuais acumulados pelas inundações atingem cifras astronômicas.

As inundações constituem um dos principais e mais destrutivos tipos de acidentes geológicos e ocorrem quando a descarga do rio torna-se elevada e excede a capacidade do canal, extravasando suas margens e alagando as planícies adjacentes. Elas podem ser controladas por fatores naturais ou antrópicos. Entre os fatores naturais encontram-se normalmente as chuvas excepcionais e o degelo. Períodos anômalos de chuva sobre as bacias de drenagem podem ocasionar a súbita elevação do nível de água dos cursos fluviais, os quais, além de inundar áreas cultivadas e reduzir a disponibilidade de água potável, acarretam a destruição de construções e podem redundar na perda de vidas humanas e dos animais. Por outro lado, a ação antrópica pode ser responsável por grandes enchentes, como nos casos de ruptura de barragens e diques artificiais.

Importantes obras de engenharia, como diques marginais artificiais, barragens de contenção e canalização de rios são construídas para minimizar os efeitos das enchentes, com resultados positivos, mas que também apresentam seus inconvenientes. Diques marginais artificiais provocam o assoreamento do canal em virtude do incremento da acumulação de sedimentos que normalmente seriam depositados nas planícies de inundação. Barragens de concentração, que de um lado podem ser aproveitadas para a geração de energia hidroelétrica e irrigação, de outro, retêm sedimentos e, por vezes, em sua construção, acabam por alagar áreas cultiváveis, núcleos urbanos, reservas florestais, monumentos históricos, sítios arqueológicos e geológicos. A canalização significa a alteração do padrão do canal de um rio, em casos extremos por sua retificação, de modo a aumentar a velocidade de fluxo das águas e evitar que estas atinjam o nível de inundação. Pode envolver a simples desobstrução do canal ou até seus alargamentos e aprofundamentos. Reduzindo-se o comprimento do canal, aumenta-se seu gradiente e, portanto, a velocidade de fluxo. Assim, a grande descarga associada às enchentes pode ser rapidamente dissipada. Entretanto, a canalização não impede a tendência de um rio meandrar e retornar ao seu curso prévio. Um exemplo, que quase todos os anos causa grande comoção à população paulista, é o das enchentes ao longo das antigas várzeas do rio Tietê e de seus tributários. As inundações ocorrem em função da redução da área de infiltração das águas pluviais pelas construções e pavimentações de vias públicas, levando a um rápido escoamento superficial rumo a um rio originalmente meandrante a atualmente retificado, com sua planície de inundação densamente ocupada.

Apesar dos altos custos das obras de contenção de enchentes na cidade de São Paulo – barragens de contenção (popularmente conhecidas como “piscinões”), canalização de rios e córregos, construção de diques marginais–, uma solução para o problema está muito distante.

A alternativa mais racional para minimizar o efeito das enchentes é o adequado planejamento da ocupação territorial, particularmente das áreas inundáveis, mediante a identificação de áreas de risco e o estabelecimento de regras específicas para seu uso.

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico você estudou que:

• A Geomorfologia fluvial interessa-se pelo estudo dos processos e das formas relacionadas com o escoamento dos rios. Na ciência Geomorfológica, a Geomorfologia Fluvial representa um setor de destaque, pelo seu caráter condicionante da própria vida humana, o que despertou o interesse dos pesquisadores ao longo da história da ciência geomorfológica. Assim, é possível encontrar uma grande produção científica acerca desta área de conhecimento. • A classificação mais comum dos padrões de drenagem dos rios pode ocorrer de

diferentes formas. Os principais padrões de drenagem são: Padrão Dendrítico; Padrão Paralelo; Padrão Radial e Padrão em Treliça.

• Os rios que estão em terrenos constituídos por rochas sedimentares podem ser classificados em: Rios Consequentes; Rios Subsequentes; Rios Obsequentes e Rios Insequentes.

• Os leitos fluviais compreendem os espaços que podem ser ocupados pelo escoamento das águas. No entanto, conforme o perfil transversal das planícies de inundação, os leitos fluviais podem ser distinguidos em quatro tipos: Leito de vazante; Leito menor; Leito maior periódico ou sazonal e Leito maior excepcional.

• Os tipos de canais fluviais correspondem ao modo de se padronizar o arranjo espacial que o leito apresenta ao longo do rio. Os quatro padrões básicos e/ou tipos de canais fluviais são designados de: retilíneos, meandrante, anastomosado e entrelaçado ou ramificado.

• Os leques aluviais são formados a partir de pontos em que drenagens confinadas em regiões montanhosas cortam escarpas íngremes, convertem-se em canais que se bifurcam ao invés de confluírem, atingem a planície da bacia, onde dispersam radialmente a carga de sedimentos transportada. Nos casos em que os leques aluviais avançam diretamente para o interior de um corpo de água (lago ou mar) eles são denominados de leques deltaicos.

• O estudo dos depósitos aluviais fundamentado na análise dos depósitos recentes permite a caracterização dos processos hidrodinâmicos, bem com a compreensão da evolução sedimentar dos depósitos antigos. Economicamente, o estudo dos depósitos aluviais torna-se interessante e/ou importante em função da exploração dos recursos minerais.

1 Relacione as colunas quanto aos principais padrões de drenagem e suas respectivas características: 1. Padrão Radial. 2. Padrão Dendrítico. 3. Padrão Paralelo. 4. Padrão em Treliça.

( ) É considerado o arranjo mais comum.

( ) Quando a drenagem se distribui em todas as direções.

( ) Quando a drenagem apresenta um arranjo retangular, mas os tributários são paralelos entre si.

( ) Ocorre onde a declividade é mais acentuada e as estruturas do substrato orientam-se conforme a inclinação do terreno.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 2 – 3 – 4 – 1.

b) ( ) 2 – 1 – 4 – 3. c) ( )3 – 4 – 2 – 1. d) ( ) 1 – 2 – 3 – 4.

2 No que tange ao estudo realizado sobre a Geomorfologia Fluvial, analise as afirmativas a seguir:

I- A maioria dos estudos realizados acerca dos rios emprega uma classificação com base em quatro padrões básicos de canais, caracterizados em função de parâmetros morfométricos, como sinuosidade, grau de entrelaçamento e relação entre largura e profundidade.

II- Os leitos fluviais compreendem os espaços que podem ser ocupados pelo escoamento das águas. Conforme o perfil transversal das planícies de inundação, quatro tipos de leitos fluviais podem ser distinguidos: leito de vazante; leito menor; leito entrelaçado e leito meandrante.

III- Acerca do comportamento das drenagens em relação ao substrato, a natureza e o arranjo espacial das rochas do substrato das bacias de drenagem exercem um papel fundamental quanto ao sentido de fluxo das águas em seus cursos.

IV- Os leques aluviais constituem um corpo de sedimentos fluviais, cuja forma aproxima-se de um segmento de cone, com ápice no sopé de um relevo acidentado, de onde adquire um padrão radial divergente.

V- O estudo dos depósitos aluviais fundamentado na análise dos depósitos recentes permite a caracterização dos processos hidrodinâmicos, bem como a compreensão da evolução sedimentar dos depósitos antigos.

AUTOATIVIDADE

b) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas I, III, IV e V. c) ( ) Somente a afirmativa V está correta.

d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.

3 Diante do que foi exposto sobre os padrões de drenagem, o comportamento das drenagens em relação ao substrato, os tipos de canais fluviais, os tipos de leitos fluviais e os depósitos aluviais, você terá condições de elencar algumas características dos rios de sua cidade e/ou região. Assim, propomos que você escolha um rio e caracterize-o levando em conta os aspectos citados anteriormente. Para analisar os padrões de drenagem, utilize uma carta topográfica ou um mapa físico da região.

Você poderá anotar os resultados na tabela que segue ou construir sua própria tabela. NOME DO RIO LOCALIZAÇÃO PADRÃO DE DRENAGEM COMPORTAMENTO DA DRENAGEM TIPO DE CANAL TIPO DE LEITO OBSERVAÇÕES A RESPEITO DOS DEPÓSITOS

UNIDADE 2

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 79-87)