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Os efeitos positivos das localidades centrais

A área que corresponde à Diretoria de Ensino Centro Oeste (DECO) está ocupada na sua extensão, predominantemente, por localidades e distritos centrais, inscritos na parte interna dos Rios Pinheiros e Tietê. Vai do limite com a porção Norte ao Sul do município de São Paulo. Apesar de envolver em seu contorno as localidades centrais e mais antigas do município, a centro oeste abarca também áreas e distritos periféricos a Oeste do município, tal como o Distrito de Raposo Tavares. Tem características bem diferentes da maioria das diretorias de ensino, pois nelas prevalece a divisão mais acentuada das áreas centrais e periféricas.

A DECO vai do quilômetro 18,5 da rodovia Raposo Tavares, com o distrito do mesmo nome, contorna a Vila Sônia, Morumbi, Aeroporto, Jabaquara, Saúde, Brooklin, ainda um pedaço da Vila Mariana e de Santo Amaro. Contorna os chamados bairros Jardins, e também o distrito de Pinheiros e de Alto de Pinheiros, que engloba a Vila Madalena, o Sumarezinho, seguindo até o distrito da Lapa. Retorna ao ponto de partida, do distrito de Raposo Tavares, incluindo ainda os distritos de Vila Leopoldina, Jaguaré, Butantã e Rio Pequeno.

A diretoria inclui uma complexa e diversa morfologia social e urbana, que vai de antigos bairros operários, subúrbios e bairros jardins aos limites periurbanos da metrópole de São Paulo. Porém o que atualmente caracteriza os espaços internos da DECO é a fração sudoeste, espaço edificado dos serviços e das moradias modernas, dos terrenos mais caros, da riqueza concentrada do trabalho social. Como os mapas permitiram observar, corresponde aos locais onde o esvaziamento da população e dos alunos das escolas públicas é maior.

As características de trabalho, de circulação e de lazer, mais os resíduos urbanos da formação da cidade, caracterizam as possibilidades destas localidades. Virtudes que, mesmo os pobres que habitam seus interstícios podem experimentar, por isso lutam para ficar nestes interstícios. Também as instituições públicas, como as escolas, antes vinculadas ao projeto de modernidade e de democracia, atestam paradoxalmente, as positividades do urbano.

3.1.1 Desigualdade espacial do fluxo escolar

Foi analisado primeiro o fluxo escolar dos alunos de Ensino Médio das escolas públicas da DECO, através dos indicadores de abandono, por subprefeitura (mapa10). Não foi possível trabalhar com unidades geográficas com maior nível de detalhamento, porém a divisão por Subprefeitura parece ser clara quanto às diferenças espaciais que existem no interior da DECO, a partir deste indicador de fluxo.

Percebe-se que na subprefeitura de Pinheiros (subdividida pelos distritos Pinheiros, Alto de Pinheiros, Itaim Bibi e Jardim Paulista) ocorre o menor indicador de abandono, se comparada às demais subprefeituras do Município de São Paulo.

Mapa 10 - Abandono dos alunos do Ensino Médio nas escolas públicas Município de São Paulo, Diretoria de Ensino Centro Oeste, por Subprefeitura, 2005

Fonte: Censo Escolar/INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), 2006. Elaborado pelo autor

A subprefeitura do Butantã, envolvendo os distritos de Butantã, Morumbi, Raposo Tavares, Rio Pequeno e Vila Sônia, teve a maior taxa de abandono (entre 9,6% e 11,9%) em 2005. A situação urbana é muito mais segregada internamente, na subprefeitura do Butantã, que inclui desde localidades de elite, como Morumbi, a localidades de famílias de baixa renda, como o distrito de Raposo Tavares. Na subprefeitura de Pinheiros, praticamente de 6% a 7% dos alunos abandonam anualmente os estudos, enquanto no distrito do Butantã a média vai de 9% a 12%.

Uma análise com base em dados desagregados por distrito, e principalmente por setores censitários, daria uma diferenciação muito maior, principalmente no Butantã.

A média das escolas públicas de uma região mais periférica aparece com maiores exclusões se comparada à média das escolas mais centrais, no caso inverso de Pinheiros.

3.1.2 Desigualdade espacial do IDESP

Isto também se confirma quando se analisa o desempenho no IDESP desta mesma diretoria de Ensino, por distrito, numa unidade territorial um pouco mais detalhada (mapa 11). Lembrando que o IDESP varia de 1 a 10, os distritos centrais apresentaram, em 2008, maior desempenho se comparados aos distritos mais distantes como Rio Pequeno e Jaguaré.

Mapa 11 - IDESP - Índice de Desempenho da Educação do Estado de São Paulo Município de São Paulo, Diretoria de Ensino Centro Oeste, por distrito (2008)

O mapa de desempenho permite, além disso, se aproximar das diferenciações que o mapa anterior de abandono não permitia. Morumbi, por exemplo, aparece com maior desempenho alto, aproximando-se de Butantã, Itaim Bibi, Lapa (média de 2,5 a 3 pontos). Numa situação intermediária está, por exemplo, Pinheiros (média de 2 a 2,5 pontos); mais abaixo vêm Vila Sônia e Campo Belo (média de 1,5 a 2 pontos); e, por fim, com nota mais baixa de desempenho na educação segundo os indicadores estabelecidos pela SEE, vêm os distritos de Jaguaré, Rio Pequeno e Raposo Tavares (média entre 1 a 1,5).

Ou seja, nestes últimos distritos os alunos tiram notas 2 a 3 vezes menores que os alunos que estudam nas escolas dos distritos mais centrais da DECO. Em se tratando de escolas de uma mesma rede de ensino, já que a rede estadual é responsável pelo ensino médio aqui analisado, pode-se dizer que os efeitos de vizinhança, do lugar, fazem muita diferença, indicando possibilidades para os alunos com médias mais altas seguirem adiante nos níveis superiores de ensino, já que, na mesma região, as taxas de abandono são também maiores. O mesmo se poderia inferir em relação à inserção do mercado de trabalho, porém tais questões não foram objetos de análise nesta pesquisa.

Com freqüência, nos últimos 3 anos, a DECO tem sido destacada pelo seu maior desempenho146. Porém, mesmo em se tratando das escolas desta diretoria, a própria avaliação deveria ser mais bem avaliada. Primeiro, porque as melhores notas estão ainda muito baixas, e nem estamos fazendo comparações com as escolas privadas, que não são objeto da pesquisa. Para um indicador que vai de 1 a 10, uma média de 3% não deveria ser motivo de tanta comemoração. Em matéria publicada recentemente, pode-se ver melhor como são as dificuldades dos alunos da DECO147, os que, em geral, estão em melhores condições do município como se

viu até aqui.

146 O ESTADO DE SÃO PAULO, São Paulo, p. H2, 26 mar. 2009.

147 “Poucos aprendem na melhor região”. O Estado de São Paulo, Vida & Educação, p. A15, quinta-

Ilustração 1 - Poucos aprendem na melhor região

Fonte: Estado de São Paulo. 26 de março de 2009.

Nesta matéria, na qual o IDESP de cinco escolas mais bem avaliadas aparece mais desagregado, pode-se ver a porcentagem de alunos em cada nível de aprendizagem, definido pela SEE (Avançado, Adequado, Básico e Abaixo do básico). Na EE Alberto Torres, localizada no bairro do Butantã, primeira escola em matemática, 11% dos alunos ficaram no nível avançado, 67% ficaram no nível básico, e 22% abaixo do básico.

Na EE Antônio Alves Cruz, uma das cinco com melhor acerto em Língua Portuguesa na Capital, 5% dos alunos ficaram no nível avançado, 58% adequados, 25% no nível básico e 12% no nível abaixo do básico. Em se tratando das melhores notas no IDESP, é motivo de preocupação para estas escolas, e principalmente para o conjunto do sistema educacional paulista.

Além do que, estas duas escolas que aparecem com as melhores notas passaram pelo perigo de fechamento. A EE Alberto Torres quase foi extinta em 2009, mas foi revista essa extinção. A EE Antônio Alves Cruz, tal como a anterior, vivenciou o esvaziamento e uma forte desestabilização, coincidentemente com o período da reestruturação produtiva e espacial da rede estadual de ensino, vista a partir do município de São Paulo.