• Nenhum resultado encontrado

A nova economia e os novos modelos de negócio são disruptivos, o local do estabelecimento, dos empregados e toda operação empresarial deixa de ser relevante, sendo possível criar riqueza com muito menos trabalhadores hoje do que dez anos atrás. Em 2014, as três maiores empresas do Vale do Silício geraram, aproximadamente, US$ 247 bilhões em receitas e tinham 10 vezes menos empregados do que uma empresa em Detroit nos anos 90, época em que era um grande centro de indústrias tradicionais39 e essas empresas de tecnologia exigem muito menos capital inicial para prosperar. O processo capitalista impõe que as transformações ocorram mais rapidamente e o próprio mercado reclama por inovações, que a tecnologia aperfeiçoe determinado bem40.

Percorrendo os caminhos históricos temos a sensação de que as revoluções demoravam mais para se desenvolver ou o impacto na sociedade era moroso. Em comparação, as mudanças na era da informação e seus impactos podem ser ilustrados principalmente pela sua velocidade: para que atingissem 50 milhões de usuários, foram necessários 62 anos para o automóvel, 22 anos para a televisão, 7 anos para a internet, 2 anos para o Twitter e apenas 19 dias para o aplicativo Pokemón Go41. Já que transportar esses bits não requer esforço algum, comparados com átomos (produtos físicos), é instantâneo e barato, as empresas de comunicação, vídeos, jornais, jogos eletrônicos, mídias sociais, aplicativos diversos, começam com alguma vantagem. Na economia da informação, o conhecimento é um bem público e seu consumo não priva outras pessoas de também consumi-lo, a informação pode ser reproduzida livremente e sem custo42.

39 SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial. op. cit. p. 18

40 DEL MASSO, Fabiano. op. cit.

41 MOREIRA, Rafael. Por que algumas empresas crescem exponencialmente? Disponível em:

<https://economiadeservicos.com/2018/04/03/por-que-algumas-empresas-crescem-exponencialmente/>. Acesso em: 2 mai. 2018.

42 LEMLEY, Mark A. IP in a world without scarcity. New York University Law Review, Nova York, v. 90, n. 2, mai. 2015. p. 8. Disponível em: <https://www.nyulawreview.org/issues/volume-90-number-2/ip-in-a-world-without-scarcity/ >. Acesso em: 24 abr. 2018.

Na economia clássica, baseada na escassez, pagamos por um produto que teve recursos empregados para sua produção como matérias-primas e mão de obra, e quanto mais recursos e complexidade para produção maior é seu preço. Para a maioria dos bens públicos, a solução tradicional era a regulação do mercado, com monopólio na oferta de bem e serviço, como energia elétrica e a telefonia antigamente, e permitindo que o fornecedor compense seus custos fixos repassando aos consumidores preços acima do custo marginal43. A economia digital funciona diversamente. Apesar de não ser um fenômeno novo, com o avanço da internet um crescente número de bens e serviços são oferecidos de forma gratuita44, embora haja uma cobrança indireta ao consumidor por meio de seus dados45, como os serviços da plataforma de pesquisa do Google, o streaming do Youtube, redes sociais como Linkedin, Facebook e Twitter. Outra diferença entre esses bens e serviços precificados aos consumidores na cadeia tradicional e na nova economia reside na percepção do consumidor de que, na maioria das vezes há desvalorização do produto, enquanto os chamados sem custo não se sujeitam a tal efeito46. A internet e as novas tecnologias propiciam, além de serviços sem custos, a oferta de serviços com custo bem reduzido se comparado ao serviço tradicional, como o de streaming da Netflix versus operadoras tradicionais de TV a cabo.

Além de reduzir o custo de produção desse conteúdo, a união de diferentes tecnologias faz com que elas se enriqueçam e transformem o ambiente em que vivemos, trazendo mudanças no modo de produção, distribuição e disseminação da informação. A internet reduziu o custo de produção e distribuição de informação quase a zero, mudando o modo de distribuição dessa informação e separando criadores de conteúdo de distribuidores. Assim, é possível criar sem distribuir, sabendo que o trabalho será disseminado por outros, que distribuem sem criar47. As tecnologias da nova indústria prometem fazer aos produtos e serviços o que a internet fez pela informação, nasce uma economia baseada não mais na escassez, mas sim na

43 LEMLEY, Mark A. op. cit. p. 6.

44 RUBINFELD, Daniel L.; GAL, Michal S. The Hidden Costs of Free Goods: Implications for Antitrust Enforcement. Antitrust Law Journal, v. 80, n. 3, p. 521. Disponível em:

<https://works.bepress.com/daniel_rubinfeld/52/>. Acesso em: 07 ago. 2019.

45 O termo “bens gratuitos” ou “livres de cobrança” tratado no artigo de Rubinfeld e Gal, diz respeito aos bens e serviços vendidos à preço zero ou quando o consumidor paga indiretamente, fornecendo informações sobre suas preferências.

46 RUBINFELD, Daniel L.; GAL, Michal S. op. cit. loc.cit.

47 LEMLEY, Mark A. op. cit. loc. cit.

abundância48. Tal fato reflete na mudança de sistemas inteiros, explicando porque as inovações e rupturas atuais são tão significativas. Entre alguns dos tópicos mais importantes da nova economia, que moldam nossos hábitos, relacionamos a mobilidade, computação na nuvem, redes sociais, big data e rede de sensores, que tornam possível o futuro do “smart” (casas, energia, saúde, transporte, etc.), capacitando os negócios, consumidores e a sociedade em geral49.

Na nova economia, o ativo mais valioso são os dados, a informação, que antes era percebida como bem sem custo, é convertida em moeda50. Quando os consumidores têm suas preferências reveladas na rede, as empresas que criam bens e serviços sem custos acabam fornecendo outro lucrativo serviço: anúncios direcionados51. Por consequência, a externalidade de rede (efeito de um usuário sobre o valor do produto ou serviço para outros usuários), característica das novas tecnologias, influencia a demanda do serviço ou produto e as indústrias que fornecem esses bens e serviços veem as tecnologias criarem meios totalmente novos de suprir as necessidades existentes, com competidores inovadores e ágeis que podem derrubar os modelos de negócios muito mais rapidamente, melhorar a qualidade, velocidade e preço pelo qual o bem é entregue ao consumidor. Segundo Schwab52, é difícil avaliar qual valor adicional criado pelo efeito de rede e talvez ele não seja compartilhado igualmente. Apenas o Google coordena 90% do mercado global de publicidade em buscas, 77% do tráfego social móvel é controlado pelo Facebook e 75% do mercado de e-books pertence à Amazon.

Ulrich Beck53 expunha que o paradigma fabril e a estrutura de departamentos nas empresas (da linha de montagem à administração) “podem ser automatizadas, centralizadas em bancos de dados ou mesmo colocadas em contato eletrônico direto com os consumidores”. Do outro lado da cadeia, o engajamento do consumidor e seus novos padrões de consumo forçam as companhias adaptarem as formas com que

48 Ibid.

49 OECD. Measuring the digital economy: a new perspective. 2014. Disponível em:

<https://www.oecd.org/sti/measuring-the-digital-economy-9789264221796-en.htm>. Acesso em: 02 fev. 2019.

50 SAXBERG, Natasha Friis. op. cit. pos. 52 de 3218.

51 RUBINFELD, Daniel L.; GAL, Michal S. op. cit. p. 522.

52 SCHWAB, Klaus. Aplicando a Quarta Revolução Industrial. op. cit. pos. 751 de 5690.

53 BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. Tradução: Sebastião Nascimento.

São Paulo: Editora 34, 2011. p. 318-319.

comercializam, projetam e entregam seus bens. Beck também mencionava54 que na economia do futuro o poder em torno da distribuição e do controle distributivo de informações seriam pauta das discussões empresariais.

A economia digital, ou da internet55 sugere um novo jeito de comercializar bens e produtos, que utiliza a informação dos dados de clientes e usuários e das próprias operações comerciais para novas operações, uma economia que se converte em dados. Um exemplo é o uso de preços dinâmicos no e-commerce, onde os dados de navegação das pesquisas que realizamos sobre produto ou serviço estão à disposição dos sites, que os utilizam para anúncios direcionados ou até elevar o preço de determinado bem. O preço dinâmico, variações de preços aos usuários, são definidos por softwares que analisam as atividades na rede e tentam identificar características do potencial comprador, o quanto ele deseja ou precisa desse bem. Assim, as lojas podem incentivá-lo com ofertas ou, dependendo do perfil, cobrar um valor maior56. O futuro dos negócios estará sujeito à aptidão de gerir informações na empresas, que gerem conhecimento e possam ser transmitidas e, assim como as grandes empresas, as pequenas necessitam de investimentos em tecnologia para gerir dados da economia baseada na informação, não só externa, de usuários, como informações internas, do próprio negócio57.

Outro impacto da revolução social e industrial seria no mercado de trabalho.

Predomina na opinião pública a visão de que os postos de trabalho serão todos, ou quase todos, suprimidos, de que seremos substituídos pelos robôs. A nossa opinião é de que as qualificações e postos de trabalho serão modificados, novas faculdades e carreiras serão criadas para atender ao desenvolvimento tecnológico. Mesmo que haja uma alta no desemprego em decorrência da automação, Schumpeter58 já afirmava que esse desemprego crescente é uma característica de períodos de adaptação que segue à fase de progresso de cada uma das revoluções industriais,

54 BECK, Ulrich. op. cit. p. 320.

55 SOARES, Matias Gonsales. A Quarta Revolução Industrial e seus possíveis efeitos no direito, economia e política. 2018. Disponível em: <https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI279121,41046-A+Quarta+Revolucao+Industrial+e+seus+possiveis+efeitos+no+direito>. Acesso em: 19 set. 2019.

56 LARGHI, Nathalia. Robô ‘vendedor’ define o preço conforme o freguês. Valor Econômico, São Paulo, 07 out. 2019. p. C8. Disponível em: <https://www.pressreader.com/brazil/valor-economico/20191007/page/1>. Acesso em: 08 out. 2019.

57 Economia baseada nas tecnologias da informação. Disponível em:

<http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/economia-baseada-nas-tecnologias-da-informacao,de9926ad18353410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 17 set. 2019.

58 SCHUMPETER, Joseph A. op. cit. p. 95

acrescentando que toda resistência à inovação, por parte de consumidores e também produtores, meramente por ser algo novo e desconhecido, desapareceram completamente. A revolução do sistema de produção com uma nova tecnologia, traz, por exemplo, nova fonte de materiais, diferentes modos de distribuição e a reconfiguração da indústria. A construção das estradas-de-ferro, a produção de energia elétrica, o vapor e o aço, o automóvel, entre outros, exemplificam gêneros de negócios que integram inúmeros, “inclusive o de transformar em êxito uma determinada marca de salsicha ou escova de dentes” 59.

No modelo convencional, as empresas necessitam ser mais proativas, impulsionando sua marca e negócio em anúncios, com intensa divulgação para gerar clientes potenciais, e convertê-los. Na era digital os próprios consumidores procuram pelos fornecedores e a reputação empresarial é mais importante para captar e gerar negócios60. A IoT (internet das coisas, do inglês, Internet of Things) permitirá a otimização dos negócios na economia de atração, ou pull economy, pela análise dos nossos padrões de comportamento, padrões de consumo, fazendo com que as empresas se antecipem às necessidades dos consumidores.

A quarta revolução industrial foi desenvolvida com base nos conhecimentos e mudanças que as tecnologias da terceira revolução provocaram social e economicamente – como a terceira revolução se apoiou na segunda e assim de forma antecedente –, convertendo o sistema legal, político, os costumes e a vida em sociedade. A inovação tecnológica, como mencionava Schumpeter61, é o verdadeiro impulso na geração de riqueza e aumento do bem-estar social. Ainda que os benefícios das revoluções anteriores não sejam sentidos globalmente62, a quarta revolução pode, com responsabilidade e boa vontade, viabilizar sistemas com desempenhos superiores e elevar a comunidade em um senso de destino comum.

Nas palavras de Natasha Saxberg, ainda estamos na Idade da Pedra no que diz respeito às tecnologias e o que podemos realizar, “não estamos esperando pela tecnologia, a tecnologia está esperando por nós”63, e isso traz a oportunidade de

59 SCHUMPETER, Joseph A. op. cit. p. 166-167.

60 FERTIK, Michael. Welcome to the “Pull Economy”: Inc. Disponível em: <https://www.inc.com/michael-fertik/welcome-to-the-pull-economy.html>. Acesso em: 30 set. 2019.

61 SCHUMPETER, Joseph A. op. cit. loc. cit.

62 SCHWAB, Klaus. Aplicando a quarta revolução industrial. op. cit. pos. 532 de 5690.

63 SAXBERG, Natasha Friis. op. cit., pos. 3172 de 3218.

impactarmos positivamente na vida em comunidade, nos objetivos, instituições e sistemas que nos moldam.

2 INDÚSTRIA 4.0

Em todas as revoluções industriais, a mudança de paradigma fez surgir novas indústrias, profissões e capacidades humanas. Estamos nos primeiros estágios de uma profunda transformação na produção, modelos de negócios, consumo e estilo de vida64. Os indivíduos que podem desfrutar dos benefícios da nova revolução industrial têm acesso à grande variedade de produtos, novas formas de distribuição de energia e transporte mais eficiente e acesso ilimitado à informação65. As novas tecnologias criam sistemas de produção, distribuição e de troca de valor diversos dos anteriores.

Desse modo, para Schwab66, a palavra “indústria” é limitada e não acolhe todo o sentido da nova revolução, mas, no mesmo sentido do autor, usaremos “indústria”

como qualquer atividade de esforço humano, como conceituavam Thomas Carlyle e John Stuart Mill67.

Em 2011 a feira de Hannover, a feira industrial mais importante da Alemanha, apresentou o conceito da Indústria 4.0 como “um processo de fabricação, no qual todas as máquinas e todos os produtos estão interconectados digitalmente entre si”68, por meio da digitalização, com sensores integrados à internet e às etapas da produção, mudando o paradigma da fabricação atual. A indústria 4.0 se caracteriza pela integração das tecnologias, permitindo uma fusão do mundo físico, digital e biológico, e as principais tecnologias que permitem essa fusão são a manufatura aditiva, a IA, a IoT , biologia sintética (convergência de desenvolvimentos tecnológicos em biologia, química, ciência da computação e engenharia), os sistemas ciber-físicos (fusão entre o mundo físico e digital de todos os objetos e processos em uma fábrica)69, big data, realidade aumentada e robótica avançada. No mais, a ética pode

64 INSTITUTO EUVALDO LODI. Disruptive Technologies and Industry: Current Situation and Prospective Evaluation. Brasília, IEL, 2018. p. 13. Disponível em: <https://bucket-gw-cni-static-cms-

si.s3.amazonaws.com/media/filer_public/8f/26/8f267223-f41b-4b8a-8247-939df15b8de5/sintese_miolo_ing.pdf>. Acesso em:17 nov. 2019.

65 HAHN, J. Rizzo. Saiba o que é a Indústria 4.0 e descubra as oportunidades que ela gera. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/artigoshome/saiba-o-que-e-a-industria-40-e-descubra-as-oportunidades-que-ela-gera,11e01bc9c86f8510VgnVCM1000004c00210aRCRD.>

Acesso em: 16 set. 2019.

66 SCHAWB, Klaus. Aplicando a Quarta Revolução Industrial. op. cit. pos. 488 de 5690.

67 Ibid.

68 Indústria 4.0 na feira de Hanôver. O caminho à “fábrica inteligente” passa pela Feira de Hanôver.

Hannover, 02 de abr. 2014. Disponível em: <https://www.deutschland.de/pt-br/topic/economia/globalizacao-comercio-mundial/industria-40-na-feira-de-hanover>. Acesso em: 16 set. 2019.

69 Cf.: <http://www.industria40.gov.br/>. Acesso em: 15 set. 2019.

ser encontrada como parte do conjunto de tecnologias aplicadas na nova indústria, para a transparência dos negócios e relações entre empresas e consumidores70. Schwab defende que as tecnologias e a indústria 4.0 devem ser pautadas por estruturas éticas, “padrões normativos e modelos de governança baseados em valores para ajudar as organizações a se orientar no desenvolvimento e na utilização dessas poderosas ferramentas”71.

Juntamente com os benefícios a nova economia traz desafios tecnológicos, organizacionais jurídicos e sociais. As máquinas mais inteligentes são capazes de tomar decisões, implicando no papel que o ser humano exerce na produção de bens e serviços e, com a descentralização do controle produtivo através dos dispositivos interconectados, nasce a preocupação com a responsabilização por falhas e danos72. Desse modo, Klaus Schwab73 acredita que adotar os valores sociais como prioridade ajudaria a determinar como as tecnologias são utilizadas e a quem beneficiam, lembrando sempre que a tecnologia e sociedade se moldam uma à outra. A quarta revolução industrial poderá proporcionar crescimento econômico à todas as nações, empregos qualificados e elevação dos padrões de vida. De acordo com J. Rizzo Hahn74, ela descentraliza o controle dos processos de produção e multiplica os dispositivos inteligentes interconectados, da produção inicial ao processo de logística, transmitindo dados globalmente. Isso ocorre porque, com as novas tecnologias uma multinacional, por exemplo, poderá produzir com dados do estoque, ainda que tal estoque se encontre em outro país, e cada etapa se conecta com a próxima, deixando as empresas em sintonia com uma meta global75.

Vemos um conjunto de tecnologias operacionais e de informação para revolucionar a produção, assim como os meios de comunicação foram modificados pela digitalização, voltando-se cada vez mais para direcionar, “bits para determinados

70 Cf.<https://iar.eng.br/industria-4-0/>. Acesso em: 19 set. 2019.

71 SCHWAB, Klaus. Aplicando a Quarta Revolução Industrial. op. cit. pos. 1223 de 5690.

72 ORTH, Martin. Indústria 4.0. Explicando de maneira fácil. O que significa Indústria 4.0? Quais são os benefícios dessa nova tecnologia? Qual é seu estado de desenvolvimento na Alemanha? Um perito dá cinco respostas compreensíveis. Disponível em:<https://www.deutschland.de/pt-br/topic/economia/o-que-significa-industria-40-e-quais-vantagens-ela-tem>. Acesso em: 16 set. 2019.

73 SCHWAB, Klaus. Aplicando a Quarta Revolução Industrial. op. cit. pos. 886 de 5690.

74 HAHN, J. Rizzo. op. cit.

75 MONTEIRO, José Carlos Braga. Não fique para trás! Entenda como a indústria 4.0 está auxiliando o setor fiscal. Disponível em: <https://blog.grupostudio.com.br/studio-fiscal/nao-fique-para-tras-entenda-como-a-industria-4-0-esta-auxiliando-o-setor-fiscal/>. Acesso em: 11 nov. 2019.

grupos de interesse”76, novos conceitos de manufatura e novas tecnologias no ambiente fabril foram implantados. Os benefícios que as tecnologias trazem para os consumidores são incontestáveis, o cenário de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis com capacidade de processamento, armazenamento e acesso ao conhecimento, é ilimitado, multiplicando as oportunidades pelas tecnologias emergentes77.

A nova indústria deverá limitar os erros nas atividades diárias, aumentando a eficiência na produção, unindo tecnologias e gerando produtos mais inteligentes e novos modelos de negócio com serviços digitalizados78. A fabricação tradicional de

“produção em massa baseada em automação, economias de escala [...], que têm sido o fundamento das empresas internacionais de manufatura em operação há muito tempo”79, vem desaparecendo. Nas mais variadas indústrias, como têxtil, móveis, automotiva e prestação de serviços é dado mais atenção ao consumidor e às suas necessidades individuais. Por isso, é necessário adaptar não só os processos de manufatura, mas o estabelecimento industrial como um todo, e a personalização é uma das características dessa nova indústria, que terá que integrar os consumidores em seus processos para expressarem seus desejos80.

Acredita-se que, brevemente, o valor intrínseco dos produtos e da tecnologia, sua parte significativa, esteja na prestação de serviços inteligentes pós-venda81, que seriam a coleta, processamento, armazenamento e análise de dados e os novos serviços criados a partir dessa coleta e análise. Dados do Ministério da Economia82 apontam, inclusive, que “o setor de serviços vem apresentando maior dinamismo e as

76 NEGROPONTE, Nicholas. op. cit. p. 84.

77 SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. op. cit. p. 11.

78 ORTH, Martin. op. cit.

79 BARTODZIEJ, Christoph Jan. The Concept Industry 4.0. An Empirical Analysis of Technologies and Applications in Production Logistics. Berlim, Alemanha. Disponível em:

<https://img.bdu.edu.vn/fee/[email protected]/files/The%20Concept%20Industry%204_0_%20An%2 0Empirical%20Analysis%20of%20Technologies%20and%20Applications%20in%20Production%20Lo gistics.pdf>. Acesso em: 24 set. 2019.

80 Ibid.

81 PIO, Carlos; REPEZZA, Ana Paula; GOUGET, Rebeca; MONTES, Luis Gustavo. A indústria 4.0, o comércio internacional e o Brasil. In: PIO, Carlos et al. Revista Diálogos Estratégicos, v.1, nº 2, jul.

2018. Disponível em:

<http://www.secretariageral.gov.br/estrutura/secretaria_de_assuntos_estrategicos/publicacoes-e-analise/revista-dialogos-estrategicos/revista_volume_2FINAL_020818.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2019.

82 BRASIL. Ministério da Economia. Negociações internacionais de serviços. Disponível em:

<http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/negociacoes-internacionais/800-negociacoes-internacionais-de-servicos>. Acesso em: 02 nov. 2019.

maiores taxas de crescimento na economia global”, correspondendo a mais de 60%

da riqueza mundial e 20% do comércio internacional. Os dados gerados não se restringem aos usuários domésticos e bens duráveis como computadores e smartphones, mas alcançam equipamentos profissionais e produção da manufatura, agronegócio e serviços. Esse processo contínuo, de dados captados por sensores que permitem desenvolvimento de novos produtos ou serviços e novas tecnologias traz a reinvenção das empresas, do processo produtivo e da economia, da agropecuária ao setor de serviços. Pio et al83, cita alguns termos criados, nas diversas

da riqueza mundial e 20% do comércio internacional. Os dados gerados não se restringem aos usuários domésticos e bens duráveis como computadores e smartphones, mas alcançam equipamentos profissionais e produção da manufatura, agronegócio e serviços. Esse processo contínuo, de dados captados por sensores que permitem desenvolvimento de novos produtos ou serviços e novas tecnologias traz a reinvenção das empresas, do processo produtivo e da economia, da agropecuária ao setor de serviços. Pio et al83, cita alguns termos criados, nas diversas