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OS PADRÕES DE LINGUAGEM ERICKSONIANOS

No documento Apostila Milton Alencar (páginas 31-35)

Congruência VS Incongruência: Atente-se neste exemplo: se eu lhes disser que quero que pensem sobre isto "muito-lenta-e-cuidadosamente", - mas se o hipnoterapeuta falar rapidamente - a incongruência entre o que eu digo e o modo como o digo fornece-lhes duas instruções contraditórias, não é? Assim sendo, devemos falar na velocidade adequada ao que sugerimos chamar a esta dinâmica: Congruência;

Execuções perdidas: Palavras como: “… muito bem…”; “… isso mesmo…”; “… está certo…”; “… ótimo…”, “…excelente…”, “… certo?...” têm como função dar feedback ao paciente de que tudo está a correr como o pretendido e o paciente sente que o processo hipnótico está a funcionar com ele;

Palavras de transição (duplo vínculo): Preste atenção às seguintes palavras a que se designou chamarem de transições: “e”, “enquanto”, “ao mesmo tempo”; “à medida”; “ e na medida”; “ e conforme”; “e talvez”; “inclusive”. Na realidade, são palavras que implicam a existência de um relacionamento significativo entre duas colocações, quer dizer, uma sentença leva necessariamente à outra. (Exemplo de transição: "Enquanto você está sentado aí comodamente, é possível perceber que estou prestes a dizer-lhe alguma coisa importante e na medida ouve a minha voz… inclusive sabe que vai acontecer algo importante…"); Operadores Modais de possibilidade: Palavras tais como: “é possível”, “será que podia”, "poderia", “pode” ou "talvez possa", às quais denominamos "Operadores Modais de Possibilidade” são de máxima importância para evitar resistência às sugestões hipnóticas. (Exemplo de frase com Operador Modal: “O seu braço pode começar a levantar-se agora”? “Você pode fechar os olhos de fora… agora… e abrir os olhos de dentro… da sua imaginação…”; “E talvez possa sentir a temperatura do ar na sua pele e é possível sentir um relaxamento no seu corpo…)”;

As Pressuposições/Padrão “OU”: Chama-se pressuposição a uma pergunta que leva sempre a uma resposta na mesma direção. Uma questão é colocada ao sujeito, para gerar uma resposta no mesmo sentido. (Exemplo de pressuposição: “Quando gostaria de entrar em transe? Agora ou daqui a pouco?”, “Quando gostaria de fechar os olhos? Agora ou daqui a pouco?”. Já reparou que independente da resposta do sujeito estará pressuposto que ele entrará sempre em transe, ou que fechará os olhos?);

Os Truísmos ou Padrão Yes Set: (verdades confirmáveis/absolutas) - São ditas três sentenças confirmáveis pelo sujeito e a quarta é apenas uma suposição. Estudos apontam que quando dizemos três afirmações confirmáveis a quarta normalmente é aceite como verdade pelo nosso cérebro. (Exemplo: “Eu sei que está a ouvir a minha voz… e eu sei que pode concentrar-se na sua respiração… e eu sei que pode sentir o peso das suas mãos pousadas nas suas coxas… e também pode se esquecer que está aqui agora e simplesmente entrar num belo, cômodo e seguro transe hipnótico… com a certeza que está em boas mãos, porque eu sei que você saberá como fazê-lo automaticamente… e não sei se percebeu, mas o seu tónus muscular está mais frouxo e está respirando de uma forma diferente do comum… e enquanto isso pode continuar ouvindo sempre a minha voz enquanto que vai aprendendo a entrar em transe);

O Padrão “No Set”: Este padrão é muito útil na indução de hipnose para os sujeitos que são racionais e/ou são “sempre do contra”. Ou seja, são sentenças usadas na negativa (não sei), especialmente quando o sujeito é muito lógico, este padrão hipnótico costuma ser muito eficaz. (Exemplo: “Enquanto você está sentado na cadeira, eu não sei se pode sentir o calor da sua mão no braço da cadeira… também não sei se já sentiu o peso do caderno nas suas pernas… não sei se já notou a sua respiração a ficar mais calma e o seu tónus muscular mais frouxo, mas uma coisa eu sei se você me escutar atentamente pode inclusive ouvir o seu próprio coração batendo tranquilamente e não sabe realmente… exatamente... porque está a sentir uma sensação de sono e peso nos seus olhos…”);

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www.miltonalencaronline.com.br www.mudevidas.com.br Página 32 O termo “não” e Perguntas Finais “não é?”: O “não” bem utilizado no início de uma frase, emparelhado com uma marcação analógica (por exemplo, acenar com a cabeça), funciona como Comando Embutido. Utilizado no final de uma sentença também serve para desfazer as frases com polaridades… “sim… mas…”. Exemplo: “Vocês estão a gostar do curso de Hipnose e Regressão, não é?”; "Não… quero que vocês se relaxem cedo demais…”, “ Não… entre em transe rapidamente…”;

Padrão “Interrupção de Padrão”: Somos seres de hábitos, logo depois de aprender qualquer comportamento não necessitamos de pensar nele para novamente o realizarmos, a mente inconsciente faz isso por nós. A Interrupção de Padrão é uma técnica ericksoniana que consiste na “quebra” de qualquer padrão automático do sujeito, como por exemplo, num cumprimento social. (Exemplo: “Podia emprestar- me o seu braço? muito bem… (neste momento o hipnoterapeuta pega no braço do sujeito pelo pulso e eleva-o ao nível do ombro), isso mesmo… muito bem, gostaria que olhasse para a palma da mão, sem desviar o seu olhar e escutando o que lhe vou dizendo… Permita agora que o seu braço desça em movimentos honestos e inconscientes… e tão só... à velocidade que a sua mente inconsciente necessite para entrar em transe… muito bem… e o braço vai descendo e você pode apreciar o seu relaxamento, num movimento lento e seguro, e está aprendendo a aprender a entrar em transe… e a sua respiração sabe o que fazer… e o seu braço sabe o que fazer… e a sua mente profunda sabe o que fazer para entrar num estado apropriado…”(observa-se o braço a descer, enquanto se vai sugerindo estados de paz e segurança, quando o braço fica pendente o sujeito está normalmente em transe);

Citações: Quando fazemos citações, não somos responsáveis pelo que dizemos. Assim sendo, podemos fazer uma indução completa fazendo apenas citações. (Exemplo: “Quando conheci o Dr. Milton Erickson ele cumprimentou-me e depois me levantou assim a mão e disse (pega-se na mão do sujeito e levanta-se à altura dos olhos): “Escute com atenção o que eu lhe disser: quer entrar em transe lenta ou rapidamente? muito bem… então permita-se olhar para a palma da sua mão enquanto ela vai descendo lentamente… e automaticamente pode entrar em transe naturalmente… está certo… a sua mão vai descendo e se concentrar bem nas minhas palavras é possível sentir uma sensação de torpor e de profundo relaxamento mental que automaticamente o faz adormecer… isso mesmo… e repare que na medida que a sua mão vai descendo… em movimentos honestos e precisos… você vai adormecendo… adormecendo… está a adormecer… a dormir…. e dormir e durma… durma calma e profundamente…”);

Confusão Mental: Consiste em atribuir uma série de frases controversas, mas lógicas para provocar um “congestionamento” mental. Exemplo: "Você está a aprendendo a aprender coisas novas e de grande significado, não é? E está sentado calmamente na cadeira inspirando e expirando tranquilamente… e está piscando os seus olhos de uma forma diferente do comum… e pensando no que será que tudo isto quer dizer… sentindo um bocadinho de insegurança em segurança… e pode ficar curioso, pensando: até que ponto eu estarei em transe… AGORA… e não faça força para entrar em transe rapidamente… nem sequer faça força para não fazer força… pois eu sei que você saberá entrar e transe melhor que ninguém.”;

Comando Embutidos: este padrão consiste em criar uma frase dentro de um contexto hipnótico mais amplo, quer dizer, criar uma “ordem” dentro de uma frase. Isso pode ser feito pela “Inflexão da Voz” (consiste em promover uma subida ou descida do tom da voz do facilitador); e com as “Marcações Analógicas” (consiste em acentuar uma sugestão com um aceno de cabeça, por exemplo, um piscar de olhos, uma inspiração etc.).

Veja este exemplo: “Muito bem… neste momento julgo que deva estar curioso em experimentar um estado muito especial, certo? E assim gostaria de perguntar, quando gostaria de entrar em transe… AGORA (inflexão voz) ou daqui a pouco?... Ótimo… lembre-se que você não TEM QUE FECHAR OS OLHOS (marcação analógica) para entrar em transe… e basta apenas que se concentre na minha voz… e deixar que a sua mente inconsciente, sábia e amiga, faça o processo por você… muito bem.

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www.miltonalencaronline.com.br www.mudevidas.com.br Página 33 MODELO DE HIPNOTERAPIA

Jeffrey Zeig ensina com muita habilidade um esquema básico de fazer terapia sob medida que descreverei a seguir.

1- Avaliação do paciente: Qual é o Problema a ser resolvido? Problema “X”

Pesquise durante os primeiros minutos da consulta, do que se trata o problema, quando começou, se houve algo antes, e tudo mais que estiver relacionado. Não é preciso gastar muito tempo nessa pequena avaliação! Dá para ser feita em alguns minutos e com perguntas precisas. Se você deixar o paciente começar a falar muito você perde o foco do que deseja alcançar como meta. Por isso, seja breve e pergunte apenas o necessário, tipo:

Qual é o seu problema? Descreva em poucas palavras. Quando isso começou?

O que estava acontecendo em sua vida antes disso aparecer? Alguma contrariedade?

Algum acidente? Algum trauma?

Que horas isso aparece? Quando e como?

2- Analogias, metáforas que o próprio paciente faz do seu problema.

3- Descrição detalhada do problema “X: Quando isso começou? Diga-me os passos do problema. Como ele começa? A que horas? Qual a intensidade? Como continua e como para? Isso, se é que para!”. Enfim, procure saber os passos do sintoma, detalhadamente em poucos minutos.

4- Valores do paciente: o que esse paciente valoriza? Família, dinheiro, competência, esportes, lazer? 5- Tentativas de solução do problema já experimentadas.

6- Campo relacional: com que pessoas podemos dizer que essa pessoa se envolve tendo esse problema “X” em questão? Pais, cônjuge, filhos, patrão? Alguém mais está envolvido no aparecimento desse sintoma “X”?

Após fazer esse breve questionário, que não deve passar de 20 minutos ou meia hora, você deve iniciar seu trabalho junto ao paciente. Se deixa-lo só falar, nada será feito e o impacto de uma primeira sessão é muito importante! Pense numa entrevista em TV, se você for perguntado sobre algo e começar dizendo desde a origem desse “algo” até o momento, provavelmente sua entrevista será cortada conforme o gosto do jornalista, que ainda dirá que você é bem prolixo, e não o chamará mais a dar entrevistas. Além disso, o telespectador nada vai entender do que você queria comunicar! Um bom comunicador fala nos primeiros minutos de entrevista aquilo que ele deseja comunicar e ainda dá ênfase. Essa é uma dica essencial!

O mesmo acontece numa consulta, principalmente numa primeira consulta! O que o seu paciente deseja é alívio de seu problema! Você precisa ser bem objetivo e dar algo de presente já na sua primeira sessão de terapia! Você precisa comunicar, sendo bem direto e fazendo de forma eficaz o que o paciente precisa naquele momento. Essa forma mais rápida de ir direto ao problema, já dará algum alívio. Por isso, é importante esse modelo de terapia. Você faz essa pequena entrevista nos primeiros 20 minutos. E depois, passa a segunda parte da sessão, que verá a seguir, segundo Jeffrey Zeig.

Segunda parte:

1-Em uma única frase diga o que você vai trabalhar sobre aquele problema. Resuma em uma frase, algo que você realmente possa ajudar seu paciente, dentro daquilo que ele traz como problema. Por exemplo, se ele vem falar de querer emagrecer, sendo obeso e tendo muita ansiedade. O melhor não é dizer que vamos trabalhar para que ele coma menos, pois provavelmente, vamos falhar! Mas você pode dizer que

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www.miltonalencaronline.com.br www.mudevidas.com.br Página 34 podemos trabalhar com sua ansiedade, que aumenta sua compulsão a comida; e isso, é o que faremos hoje. Sempre pensar numa meta que você pode alcançar nesse dia de terapia com alguma técnica que você possui. Diga apenas aquilo que você sabe que pode conseguir. Assim não vai enganar seu paciente! Então pense: qual é frase que vou usar... ”hoje, nós vamos trabalhar com...”.

2- Fazer a Semeadura

Contar estórias de empatia que se pareçam com o problema que a pessoa apresenta e que houve algum tipo de solução. Pode ser uma citação de alguém conhecido, pode ser uma história de novela da TV, ou sobre um romance. Essa história de empatia pode ajudar seu paciente a abrir caminho para possibilidades futuras, e resolver o que hoje, parece sem solução!

3- Fazer uma indução de hipnose sob medida utilizando as palavras que o paciente utilizou para descrever seus problemas. Assim, você vai usar as palavras negativas ou idiossincráticas (coisas esquisitas que estão atreladas aos sintomas descritos) do paciente, para ressignificá-las! Essas induções podem ser feitas mesmo com o paciente que não entra em transe, numa conversa hipnótica. Existem várias possibilidades de técnicas hipnóticas que podem ser usadas para colocar seu paciente em transe (mais interno e mais focado). Assim, com o paciente mais interno e mais focado, ele está em transe mesmo que permaneça acordado. Alguns nunca vão querer ser hipnotizados, ou por terem resistência, ou por achar muito chato ou monótono. O que importa é que você precisa saber: como é que ele se sente mais confortável? Alguns vão dizer que não gostam dessa linguagem mole e quase parada. Outros porque não conseguem fechar os olhos, como muitos pacientes panicados (que sofrem de pânico). O que importa é que se use uma linguagem hipnótica, que faça seu paciente ficar mais focado e interno. Quando o paciente está mais focado e interno, o cérebro produz mais endorfinas, neuro-hormônios que fazem o paciente ver com outros olhos os mesmos problemas. A indução ajuda o paciente a buscar novas possibilidades, abre os caminhos para soluções mais saudáveis que serão colocadas logo a seguir.

4- Intervenção principal: aqui você deve introduzir algum tipo de técnica hipnótica, energética, de psicodrama, entre outras, que você preferir. A intenção é levar a meta do seu trabalho em frente. O que você deseja comunicar ao seu paciente será feito agora! Aquilo que você esquematizou que poderia ajudar nessa sessão será desenvolvido nessa etapa da terapia. O paciente necessita de ajuda para ver a vida ou seu problema específico de uma nova forma. Com a técnica escolhida você o ajudará a fazer este serviço. Aqui, é que entrarão as técnicas que falaremos em cada capítulo a seguir quando mencionarmos os diferentes problemas. Por exemplo: quando queremos ajudar alguém a parar de fumar, podemos na intervenção principal, ensiná-lo a usar a técnica do grupo de Teresa Robles “fumar oxigênio”, ou fazer um psicodrama entre as duas partes, a que quer fumar e a que quer parar de fumar.

Podemos contar metáforas que tragam a solução do problema também. Essa uma segunda técnica que pode ser aliada a outras que você estará usando aqui na intervenção principal. Muitos ficam presos a apenas contarem histórias nessa fase da terapia! Isso é muito pouco, ninguém vai melhorar só ouvindo historinhas. É preciso muito mais! É nessa hora, que de verdade trabalhamos com nosso paciente, você precisa utilizar a melhor ferramenta para lapidar o que é um problema para cada pessoa sob medida. Durante a leitura desse manual, você terá inúmeras técnicas que podem e devem ser colocadas nessa etapa da terapia, na INTERVENÇÃO PRINCIPAL!

5- Sugestão Pós Hipnótica e tarefas. Aqui você poderá fazer sugestões diretas ao problema, bem como dar tarefas que mudem a vida dessa pessoa. É uma

Excelente oportunidade de aplicar as tarefas da Psicologia Positiva de Martin Seligman também.

6- Retirar o paciente do transe e reorientá-lo a sala e ao momento presente caso esteja em transe, ou simplesmente finalizar seu atendimento.

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www.miltonalencaronline.com.br www.mudevidas.com.br Página 35 COSTURANDO E ESTABELECENDO METAS

Questões Diagnósticas: um diagnóstico de ação naturalmente estabelece metas e inicia o processo de terapia.

1.Descrição: Obtenha uma descrição completa e detalhada do problema “X”; 2.Analogia: Com o que a pessoa se parece? Problemas? Sistema? Solução?;

3.Mecanismo do Problema: Como a pessoa faz “X”? Qual é o mecanismo que mantém o problema? Exemplos paralelos do problema. Gatilhos e sequências.

já ensaiadas. Situações nas quais ele piora. Como fazê-lo piorar. Qual o modelo de problema? Qual é o “subset” do problema? Qual o “supraset” do problema?

4. Valores: Qual a posição/postura que o paciente assume? Quais são os valores primários? Pontos de vista? Padrões redundante/confusões? Linguagem experimental? Sistema de crenças? Em que ele é “viciado?” Quais são os seus extremos? Quais são suas ausências conspícuas? Quais são seus interesses? 5. Tratamento/Soluções: Como faz qualquer pessoa oposta “X”? Como esta pessoa faria o oposto desse problema? (Apelo a história construtiva). “Como você sabe se pode ou não resolver o problema?” Exceções. Exemplos paralelos de soluções. Situações nas quais você é melhor. Quais os passos estratégicos construtivos mínimos que podem ser iniciados?

6. Relacional: As funções sistêmicas do problema. Há alguém com problemas semelhantes? Quais as relações dos outros? Papel social. Requisitos relacionais. O que o paciente procura superar? Rótulos? Recursos do sistema social. Procura por uma solução interacional. Mudar causas sociais do problema. Resumindo, com um bom exercício para você treinar:

COMO TRABALHAR PASSO A PASSO NO SINTOMA

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