4 ASPECTOS SOCIOINTERACIOINSTAS NA PROPOSTA CURRICULAR DE
4.1 OS PCNs E A PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nesta seção, tentaremos abordar os aspectos semelhantes e os aspectos diferentes verificados no PCNs e na proposta curricular do estado de São Paulo.
Começaremos declarando que os dois documentos da esfera educacional apresentam em suas referências textos conhecidos do filósofo Mikhail Bakhtin como Marxismo e filosofia da linguagem e Estética da criação verbal.
Apenas os PCNs trazem Jean-Paul Bronckart, notável estudioso do Interacionismo sociodiscursivo, em sua bibliografia.
Ao tratarmos da linguagem utilizada na elaboração dos PCNs, encontramos uma diferença, pois identificamos nos PCNs uma linguagem simples, clara, de fácil compreensão e objetiva, já na proposta curricular do estado de São Paulo, verificamos uma linguagem complexa, de difícil entendimento, pelo fato de se tratar de um material que propõe sugestões ou recomendações para prática docente.
A concepção de competência é fundamental nos PCNs (1998b), esse conceito requer que a escola aponte o que o educando vai aprender. Adquirir competência linguística é o objetivo geral dos PCNs. Essa visão é mais acentuada no currículo do estado de São Paulo. A competência da leitura e da escrita será primordial na proposta. O conjunto das competências e habilidades aparece nos dois documentos, tal conjunto é apresentado em cada situação de aprendizagem na proposta curricular do estado de São Paulo.
Nesses documentos também, o conteúdo é utilizado como canal de desenvolvimento das habilidades. Conforme a proposta os conteúdos serão
relacionados com diversas habilidades como leitura, escrita fala, audição e as associadas aos aspectos gramaticais da língua.
Outro fator similar notado no currículo e nos PCNs é a contextualização do mundo do trabalho mostrada na proposta e relacionada às orientações descritas nos PCNs (1998b), especialmente nos PCNs do Ensino Médio, também apropriadas ao segundo ciclo do ensino fundamental.
A concepção de ensino da língua é idêntica tanto nos PCNs quanto na proposta curricular do estado de São Paulo, as quais juntas adotam o ensino sociointeracionista, dialógico, produtivo e vivo da língua. Percebemos isso, quando consideram o texto como ferramenta essencial no ensino da língua sempre vinculado aos mais variados contextos histórico-sociais.
A proposta curricular do estado de São Paulo ao relatar sobre o ensino de português, afirma que esse ensino não deve ser realizado modo repetitivo, mecânico, descontextualizado e separado da vida, mas que esse ensino seja feito num processo contínuo de mudanças e atribuição de significados. Tal concepção se equipara ao modo de compreensão ativa que os PCNs recomendam nas atividades de linguagem, o qual reconhece a pluralidade de sentidos na língua. Quanto aos usos linguagem oral e linguagem esses documentos também se assemelham ao defenderem o ensino da linguagem em seus usos adequados às diferentes situações sociais.
Outros aspectos idênticos verificados nos PCNs e na proposta são: o fato de privilegiarem o texto literário para o ensino, pela questão deste ser um instrumento essencial na formação da competência leitora; a questão de unirem a cultura e o conhecimento pela razão de a língua ser o meio de representação de valores socioculturais e, o fato de tomarem como definição de gêneros textuais a concepção de gêneros textuais de Bronckart (2006), que os conceitua como tipos que se alteram com o passar do tempo, existentes em um número variado ilimitado e consideram mais a estrutura textual do que o fator discursivo.
Dessa maneira, podemos concluir que predomina a semelhança entre os PCNs e a proposta curricular do estado de São Paulo por defenderem a todo instante um ensino de língua contextualizado, vivo, dialógico, produtivo.
Os únicos aspectos que os distinguem são: a forma em que apresentam suas recomendações, especificamente a linguagem que adotam, sendo que os PCNs utilizam a linguagem objetiva e, a proposta usa uma linguagem mais
complexa e, o outro aspecto, se é que podemos chamar de diferença, é a questão das competências e habilidades serem apresentadas na proposta de forma bastante acentuada. Nos PCNs essa associação das competências e habilidades é exposta com menor intensidade. Esses aspectos divergentes encontrados nos documentos foram constatados pela pesquisadora deste trabalho, durante a leitura minuciosa de tais documentos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As considerações finais a que chegamos durante a pesquisa, a partir
da revisão dos parâmetros curriculares nacionais lançados em 1997, da proposta curricular de Língua Portuguesa do estado de São Paulo lançada em 2008, é a de que esses documentos trazem mudanças significativas na maneira de tratamento da linguagem para o ensino de Língua Portuguesa.
Relacionamos algumas mudanças observadas abaixo:
propõem uma visão sociointeracionista da linguagem ao considerarem o contexto enunciativo, o caráter interacionista e dialógico da linguagem, a condição sócio-histórica e cultural do sujeito e sua constituição realizada através da interação social;
tomam o texto como elemento fundamental para o desenvolvimento cognitivo do aluno, ou seja, utilizam situações concretas para a construção do conhecimento do aluno;
consideram o caráter dinâmico e heterogêneo da língua quando priorizam a diversidade de gêneros;
o processo de leitura é visto como uma atividade de atribuição de sentidos ao texto;
consideram o conhecimento prévio dos educandos;
apresentam a língua para os alunos por meio de situações reais, levando em conta o contexto, dessa forma, as atividades, de texto, escrita e leitura são realizadas com sentido.
Durante o ensino da Língua Portuguesa, é preciso contribuir para que o ensino dos gêneros textuais seja visto como um modelo de instabilidade e mudança, observando as formas novas que surgem ao longo do tempo.
Acreditamos, portanto, ter atingido nosso objetivo proposto no Início do trabalho, pois realizamos uma revisão bibliográfica nos documentos que circulam na esfera da educação, em especial os PCNs e a proposta curricular do estado de São
Paulo, e chegamos a conclusão de que tais documentos corroboram para um ensino produtivo e dialógico da linguagem.
Diante disso, verificamos que tais mudanças, trazida pelos documentos da educação para o trabalho pedagógico na esfera escolar favorecem a ampliação de competências e habilidades linguísticas dos discentes, pois sugerem um ensino sociointeracionista e vivo da Língua Portuguesa.
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SOBRAL, Adail. Do dialogismo ao gênero: as bases do pensamento do círculo de Bakhtin. Campinas: Mercado das Letras, 2009.
ANEXO A
Fonte: SEE. Caderno do professor: língua portuguesa, ensino fundamental – 7ª série, v. 2/ Secretaria de Educação; coordenação geral, FINI, M. I.; equipe, ANGELO, D. M. P. de.; AGUIAR, E. A. de.; MATEOS, J. H. N.; LANDEIRA, J. L. M.
L. – São Paulo: SEE, 2009.
ANEXO B
Fonte: SEE. Caderno do professor: língua portuguesa, ensino fundamental – 7ª série, v. 2/ Secretaria de Educação; coordenação geral, FINI, M. I.; equipe, A NGELO, D. M. P. de.; AGUIAR, E. A. de.; MATEOS, J. H. N.; LANDEIRA, J. L. M. L.
– São Paulo: SEE, 2009