2.3 CONSIDERAÇÕES ALÉM DA ORDEM COMERCIAL
2.3.1 Os pilares da PAC para a multifuncionalidade
Os pilares da PAC são definidos, primeiramente, pela “política de mecanismos de mercado”, que consiste em conceder um regime de organização comum de mercado a um grupo de produtos que se classificam, segundo Jacques Loyat e Yves Petit, em “uma vertente interna que comporta os mecanismos de preço, de ajudas compensatórias e de intervenção, complementada por uma vertente externa que regula o regime de trocas com os terceiros países”.292
O segundo pilar é a política de desenvolvimento rural, que aproxima a PAC das políticas regionais e contribui para a coesão econômica e social do bloco, conforme
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Os países que integram o G-20 são: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, EUA, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia.
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São membros do G-10: Alemanha, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça.
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O Brasil é o décimo maior exportador de produtos agrícolas do mundo. “Este ranking foi conquistado, dentre outros fatores, porque o Brasil vende 82% do suco de laranja distribuído no planeta, detém 38% do mercado mundial de soja em grão, vende 29% de todo o açúcar consumido no mundo, 28% do café em grão e 44% do café solúvel, 23% do tabaco, é o primeiro exportador mundial de frangos, carne bovina, álcool e couro curtido. Assim, o Brasil movimenta 458 bilhões de reais por ano (1/3 do PIB), gera 17,7 milhões de empregos (37% do total nacional) e rende 30 bilhões de dólares em exportações (42% do total nacional)”. In: EDWARD, abril de 2004.
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previsto nos artigos 158, 159 e 160 do tratado da CE. A relação entre a política de desenvolvimento rural e a multifuncionalidade inclui os seguintes aspectos:
A multifuncionalidade [...] indica o reconhecimento e o incentivo de oportunidades de serviços fornecidos pela agricultura; uma aproximação multisetorial e integrada da economia rural a fim de diversificar as atividades, criar novas fontes de rendimentos, de empregos e de proteger o meio rural; a flexibilidade das ajudas no desenvolvimento rural, baseada na subsidiariedade e favorecendo a descentralização, a consolidação no nível regional e local e a parceria; e a transparência de elaboração e de gestão de programas, a partir de uma legislação simplificada e mais acessível.293
Já as barreiras não-tarifárias, constantemente aplicadas no comércio agrícola internacional, são restrições à entrada de mercadorias importadas que possuam fundamentos técnicos, sanitários, ambientais, laborais e restrições quantitativas294 (quotas e contingenciamento de importação), bem como políticas de valoração aduaneira,295 de preços mínimos e de bandas de preços – diferentemente das barreiras tarifárias, que se baseiam na imposição de tarifas aos produtos importados.
Via de regra as barreiras não-tarifárias visam proteger bens jurídicos importantes para os Estados, como a segurança nacional, o meio ambiente, os direitos do consumidor e a saúde dos rebanhos e lavouras. A falta de critérios técnicos ou de uma fundamentação objetiva faz, porém, com que a aplicação das barreiras não- tarifárias favoreça o protecionismo e encontre opositores onde poderia encontrar aliados.
As exigências ambientais e sua relação com as normas do sistema GATT/OMC se consubstanciam em medidas restritivas ao comércio, que tenham como fundamento o Artigo XX do GATT, alíneas “b” e “g”, ou o Acordo SPS.296 A relação
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LOYAT; PETIT, 2002, p. 73.
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“Restrições quantitativas são instrumentos que limitam o valor ou o volume de importação de um determinado produto, podendo indicar também as quantidades que cada país pode importar individualmente. São exemplos de restrições quantitativas: quotas de importação, quotas tarifárias, restrições voluntárias à exportação e outros acordos de restrição voluntária. O artigo XI do GATT proíbe o seu uso”. In: ÍCONE. Disponível em: <www.iconebrasil.org.br>. Acesso em: 20 nov. 2005.
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“Valoração aduaneira consiste na adoção de alguns critérios que permitem a determinação do valor de uma mercadoria importada. Esses critérios são utilizados no cálculo das tarifas de importação. O Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC tem por objetivo estabelecer um sistema justo, uniforme e neutro para o estabelecimento da valoração para fins aduaneiros – um sistema que conforme as realidades comerciais e, ao mesmo tempo, torne ilegais as valorações arbitrárias ou fictícias”. In: ÍCONE. Disponível em: <www.iconebrasil.org.br>. Acesso em: 20 nov. 2005.
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“O Acordo SPS da OMC permite a aplicação de medidas que restrinjam a liberdade de comércio, quando houver necessidade de proteger a vida e a saúde humana, animal e vegetal. A origem do Acordo remonta às negociações da Rodada Uruguai, uma vez que as questões sanitárias e fitossanitárias compunham mais de 50% das notificações das Partes Contratantes do GATT ao Comitê do Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (Standards Code), no período 1980-1994. Com o surgimento da OMC, a
entre as normas da OMC e as exigências ambientais presentes nos Acordos Ambientais Multilaterais, entretanto, não é clara e constituiu objeto de discussão na Rodada de Doha.
O acordo sobre a agricultura deixa aos governos a reflexão de que o setor não se resume na produção alimentar e de fibras, mas que sua função ultrapassa esse conceito, indo além da ordem comercial que envolve o setor, tais como tais como a segurança alimentar, o meio ambiente, o desenvolvimento rural, a luta contra a pobreza. A questão levantada na OMC é de verificar se as ajudas concedidas, que não fazem se encaixam na “categoria verde”297 são necessárias para permitir a agricultura de exercer a multifuncionalidade.
Em síntese e como demonstrado, os objetivos estratégicos da política agrícola dos países desenvolvidos, em especial a dos membros da CE, se fundamentam na preservação do equilíbrio sócio-econômico do meio rural e no reconhecimento tanto do caráter multifuncional da atividade agrícola e como de sua importância para a efetiva integração entre os países.
Destaca-se a importância que adquiriu a auto-suficiência alimentar após a Segunda Guerra Mundial, quando os países que até então não haviam incentivado a agricultura sofreram por não ter condições de garantir sua própria subsistência. Nesse contexto, os fatores culturais, sociais e históricos que conduziram os países a perpetuar sua agricultura através da manutenção da vida rural familiar, da proteção ao meio ambiente, do bem-estar animal e da segurança alimentar, são considerados a base fundamental para a denominação da “multifuncionalidade da agricultura”.
Esse conjunto de funções não-econômicas da agricultura tem sido englobado, pelos países que se opõem à liberalização do comércio agrícola, sob o conceito de multifuncionalidade, assumindo grande relevância no conjunto de contribuições da agricultura para a dinâmica econômico-social dos Estados e
preocupação com as barreiras não-tarifárias ganhou forma no Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (TBT), mais elaborado que seu antecessor Standards Code, e no Acordo SPS, que passou a cuidar especificamente das medidas relativas à proteção da saúde e da vida humana, animal e vegetal”. In: ÍCONE. Disponível em: <www.iconebrasil.org.br>. Acesso em: 20 nov. 2005.
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“Pour que les agriculteurs (européens) acceptent politiquement ces réformes, il a fallu compenser la baisse des prix agricoles par des subventions reconnues par AsA (l’Accord sur l’agriculture de l’OMC) comme ayant peu ‘d’effets de distorsion des échanges’ – dans le jargon de l’OMC, elles sont classées dans la ‘boîte bleue’ – ou n’en ayant pas du tout – et elles sont alors classées dans la ‘ boîte verte’. Ce qui signifie que ces aides doivent être partiellement (boîte bleue) ou totalement (boîte verte) ‘découplées’ du niveau des prix ou de la production de l’année en cours. Le discours sur les bienfaits qui en résulteraient pour l’environnement, les paysages, la qualité des produits et le bien-être animal n’est qu’un alibi à l’usage des contribuables.” In: BERTHELOT, 2005, p. 6-7.
ultrapassando a problemática das negociações multilaterais relacionadas ao comércio para se centrar na necessidade de proteger o meio ambiente e a segurança alimentar.
O tema tem tomado diferentes vertentes e representado um ponto central nos debates da comunidade internacional, na qual os defensores afirmam que estes atributos da agricultura constituem externalidades positivas, derivando-se o argumento de que o setor merece maior apoio e proteção.
3 O MERCADO COMUM AGRÍCOLA E OS ACORDOS BILATERAIS