• Nenhum resultado encontrado

OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS RESPONSÁVEIS PELA MORFOGÊNESE

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 91-95)

TÓPICO 1 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA

2.2 OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS RESPONSÁVEIS PELA MORFOGÊNESE

As formas de relevo litorâneas ou costeiras sofrem a atuação dos processos morfogenéticos. Segundo Christofoletti (1980), estes, por sua vez, podem ser controlados por vários fatores ambientais, como o geológico, o climático, o

biótico e os fatores oceanográficos.

Nas costas escarpadas, cujos aspectos estão relacionados com a estrutura e litologia, é perceptível a atuação do fator geológico. A atuação do tectonismo, como os falhamentos, dobramentos e o vulcanismo, exerce influência no modelado costeiro. Segundo Christofoletti (1980, p. 128), “as estruturas menores também possuem importância em função da resistência que as rochas podem oferecer ao ataque dos processos litorâneos.” Desse modo, as falésias talhadas em quartzito compacto, com poucas diáclases (fratura, junta ou fenda), por exemplo, apresentam elevada resistência à ação da meteorização e das ondas. Através da ação hidráulica, as ondas são capazes de atuar em qualquer linha de menor resistência, originando formas menores como cavernas, arcos e entalhes de solapamento. As formas deposicionais das costas baixas sofrem a atuação do fator geológico no que tange às fontes de sedimentos, às áreas das bacias de drenagem e ao fundo dos mares. (CHRISTOFOLETTI, 1980).

O fator climático é responsável pelo controle da meteorização dos afloramentos rochosos. Estes, sofrem a atuação dos processos físicos, químicos e biológicos, relacionados às condições subaéreas, bem como à presença ou proximidade do mar. Assim, as rochas são decompostas, resultando na granulometria dos materiais. É interessante notar que a diferenciação

granulométrica nas diferentes áreas costeiras do planeta está atrelada às variações regionais do clima. Vejamos esta diferenciação, conforme a exposição

de Christofoletti (1980, p. 130):

Nos trópicos úmidos, a rápida meteorização química resulta na profunda decomposição de quase todas as formações rochosas, propiciando o abastecimento de sedimentos de granulometria fina e escassez de fragmentos grosseiros, quer no ataque direto das falésias, quer pela carga detrítica transportada pelos rios. Nas regiões frias, ao contrário, a ativa gelificação favorece a presença de fragmentos grosseiros, dominantes nas formas oriundas da acumulação. Nas costas desérticas também é dominante a presença de fragmentos grosseiros; elas inclusive se caracterizam pela pequena quantidade de material terrestre transportado pelo escoamento e pela presença maior de sedimentos biogênicos, derivados de conchas marinhas e detritos de corais, nas formas de acumulação.

Dentre os elementos climáticos, os ventos também exercem um papel fundamental na morfogênese litorânea, isso porque são responsáveis pela edificação das dunas, bem como pela geração de ondas e correntes, que, juntamente com as marés, estabelecem o padrão de circulação das águas marinhas nas zonas litorâneas e sublitorâneas.

Quanto ao fator biótico, pode-se dizer que sofre uma grande influência das condições climáticas. Isso porque as condições climáticas são responsáveis por estabelecer ou não condições favoráveis à presença de determinados organismos. Se você pensou nos corais e nos organismos que lhe estão associados na construção de recifes, acertou. Assim, esses organismos são típicos das zonas intertropicais; do mesmo modo, os manguezais ocupam os pântanos e os estuários que sofrem a influência das marés, nas regiões baixas das latitudes tropicais. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Mas, você deve estar se perguntando qual a influência desses organismos na atuação do relevo litorâneo. É simples: esses organismos podem atuar como agentes erosivos, pois “escavam” e promovem a desagregação dos minerais nas rochas, ou ainda podem servir como protetores e construtivos, facilitando a retenção dos sedimentos e acumulando seus detritos.

Quanto ao fator oceanográfico, é importante que fique claro que este fator relaciona-se com a natureza da água do mar, ou seja, com as variações de salinidade, desde teores mais baixos, a exemplo do mar Báltico, bem como teores mais elevados, a exemplo do mar Morto. Caso você não saiba, o sal marinho apresenta poder corrosivo e compressivo (quando da cristalização), atuando como processo de meteorização nos afloramentos rochosos. Por outro lado,

conforme Christofoletti (1980), o sal marinho condiciona diferentes ambientes ecológicos, possuidores de fauna e flora específicas, que, por sua vez, influenciam nos processos de meteorização, transporte e deposição dos sedimentos ao longo da faixa costeira.

2.2.1 As forças marinhas atuantes na morfogênese

litorânea

A principal força marinha atuante na morfogênese litorânea é a atuação das ondas, das correntes costeiras e das marés.

As ondas são resultantes da ação dos ventos, representando a transferência direta da energia cinética da atmosfera para os oceanos. Quanto maior a velocidade do vento, maiores serão as ondas. Calcula-se que as maiores dimensões são atingidas quando a extensão da superfície sob a ação do vento aproxima-se de 100 milhas náuticas.

A maioria das ondas que atinge a costa é gerada em zonas de alta pressão atmosférica, no meio dos oceanos, propagando-se em direção aos continentes. Quando as ondas são produzidas em mar aberto e se propagam em direção às áreas mais rasas, sofrem um processo de modificação determinado por sua interação com o fundo marinho. (TESSLER; MAHIQUES, 2009). A profundidade em que ocorre esta interação é equivalente à metade do comprimento de ondas incidentes. Essa profundidade é considerada como sendo o limite exterior da plataforma interna, também denominada de nível de base das ondas.

De acordo com Tessler e Mahiques (2009), o movimento das partículas de água das ondas, originalmente circular, passa a ser elíptico, ao se aproximarem de áreas mais rasas, apresentando junto ao fundo um movimento que se assemelha a um vaivém no sentido de propagação da onda. Desse modo, esta movimentação é suficiente para não permitir que partículas finas, como as areias (muito finas), os siltes e as argilas se depositem, ocasionando uma deposição preferencial de frações granulométricas mais grosseiras, como as areias médias e grossas nos fundos dominados pelas ondas. Quando atingem áreas com profundidades menores (que equivalem a 1/25 do seu comprimento de onda), a diminuição das velocidades orbitais, junto ao fundo, em comparação com a superfície, faz com que a onda perca o equilíbrio, ocorrendo a arrebentação. (TESSLER; MAHIQUES, 2009).

A título de curiosidade, existem três tipos mais evidentes de arrebentação, definidos pela forma e energia das ondas incidentes e pela topografia da zona costeira na qual sofre influência das ondas. Observe na figura a seguir os três tipos de arrebentação.

FONTE: Tessler e Mahiques (2009

)

Observe que a arrebentação ascendente ocorre em fundos que apresentam alta declividade. A arrebentação mergulhante ocorre em fundos que apresentam declividade média, quando as cristas das ondas se rompem após formarem um enrolamento em espiral. E a arrebentação deslizante ocorre em regiões de topografia de fundo mais raso, quando as ondas se quebram percorrendo uma grande distância.

Como resultado dos processos de arrebentação de ondas ter-se-á o desenvolvimento do ambiente praial. A maior parte do trabalho de esculturação das paisagens costeiras é executada pela atuação das ondas.

Quanto às correntes costeiras, pode-se dizer que constituem alguns dos mais importantes agentes de remobilização de sedimentos. Isso porque essas correntes são responsáveis pelo transporte de material ao longo da costa, a partir de um rio, por exemplo, bem como constituem um grande mecanismo de circulação responsável pela manutenção da estabilidade e do equilíbrio dos ambientes praianos. (TESSLER; MAHIQUES, 2009). De acordo com os mesmos autores, além das correntes de deriva ocorrem também, em regiões costeiras, as correntes de retorno, que constituem um fluxo transversal à costa, no sentido do mar aberto. Estas correntes são, muitas vezes, associadas a canais ou cânions de plataforma e, portanto, permitem o transporte de sedimentos costeiros em direção a porções mais profundas dos oceanos.

Quanto à influência das marés na esculturação litorânea, pode-se dizer que esta é indireta e relaciona-se com as variações do nível do mar que lhe são implicadas. A ação das ondas pode-se dar sobre uma amplitude vertical muito ampla e, por esta razão, sua influência é mais acentuada onde as marés são maiores. Além dessa função, a de elevar e abaixar o nível de ataque das ondas, as marés também podem gerar correntes. (CHRISTOFOLETTI, 1980).

De modo geral, as marés atuam na configuração e dinâmica de todas as desembocaduras fluviais, podendo originar estuários, que constituem áreas de grande importância para o desenvolvimento de espécies de organismos marinhos de interesse comercial.

Você sabe como resulta a formação das marés? Pense um pouco. As marés são fenômenos ondulatórios, gerados pelos processos de atração gravitacional entre a Terra, o Sol e a Lua. É importante destacar que tanto a periodicidade quanto a intensidade e amplitude das marés não são homogêneas nos oceanos. A amplitude das marés pode variar de alguns centímetros a mais de dez metros, fazendo com que o efeito da maré sobre os processos sedimentares seja extremamente diversificado.

IMPORTANTE

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 91-95)