CAPÍTULO 3: CAMINHOS METODOLÓGICOS
3.2 Os sujeitos, instrumentos e procedimentos da pesquisa
Como se pretendeu, neste estudo, estabelecer relações e diálogos entre instâncias sociais foi necessário estabelecer suas respectivas representatividades. Assim a instância mercado de trabalho foi aqui representada pelos empresários que contrataram profissionais com bacharelado em design gráfico; para representar a instância educacional foi preciso buscar dentro das instituições de ensino superior de design gráfico os coordenadores e professores dos referidos cursos e, fechando o ciclo os egressos formados por estas instituições e que foram contratados pelos empresários e participaram dos respectivos processos educacionais.
Os dois coordenadores de curso das IES foram considerados peças importantes para esclarecer como estão sendo formados os designers em suas universidades e a condução do projeto pedagógico em função das Diretrizes Curriculares para o curso de Design (2004).
No grupo de professores foram entrevistados 3 (três) professores de cada uma das instituições que foram selecionados para representar os eixos dos Núcleos Básico e Profissionalizante dos referidos Projetos Pedagógicos: Na UFS: 1. Design e Sociedade; 2. Design e Tecnologia e, 3. Design e Estética. Na UNIT: Teoria e História do Design; Tecnologias e Representação Gráfica e Metodologia do Projeto Gráfico.
Para a escolha dos egressos foram adotados os seguintes critérios: no Estado de Sergipe existem apenas duas instituições que oferecem cursos superiores de Design Gráfico a UNIT/SE e a UFS. Como interessava para a pesquisa somente os egressos que estivessem colocados no mercado de trabalho local e, tivessem vivenciado a maior parte ou a integralidade do curso superior de Design Gráfico, se utilizou como referência os 32 (trinta e dois) egressos que obtiveram título de bacharel no ano de 2013 na Universidade Tiradentes/UNIT. Sendo que 25 (vinte e cinco) no primeiro semestre letivo de 2013 e, 7 (sete) no segundo semestre letivo de 201328 visto que a UNIT oferta o curso em regime de semestralidade tendo dois vestibulares por ano. Para a Universidade Federal de Sergipe foi considerado como grupo de sujeitos os 6 (seis) discentes/egressos em situação de conclusão para o ano de 201529, isto é os discentes que cursaram maior número de disciplinas estando em vias de concluir o curso superior. Essa aproximação foi realizada porque a UFS deu a início a oferta do Curso em 2010 e a ocorrência de duas greves sucessivas de professores retardaram a conclusão da primeira turma, prevista para 2014, para 2015.
A pesquisadora buscou o contato com todos os discentes/egressos na situação acima definida a partir de listas fornecidas pelo Departamento de Assuntos Acadêmicos das IES. Reafirmando que só interessou para esta pesquisa os discentes/egressos que se encontravam trabalhando na área de design foram desconsiderados os que, por quaisquer motivos, não correspondessem a esta característica, já que a pesquisa buscou compreender a relação entre formação universitária e inserção profissional em design.
Dos 6 (seis) sujeitos do grupo de discentes/egressos da UFS: 3 (três) foram entrevistados em seu local de trabalho; 2 (dois) não responderam ao contato; 1 (um) foi efetivado através de concurso público e está trabalhando em outra área.
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Documento disponível no Sistema Magister/Controle Acadêmico da UNIT na data de 31 de julho de 2014.
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Dos 32 (trinta e dois) egressos formados pela UNIT a pesquisa foi realizada com 6 sujeitos, sendo que: 3 (três) foram entrevistados em seus locais de trabalho; 3 (três) se dispuseram a responder por e-mail. Mesmo não podendo utilizar de toda a riqueza que provém da entrevista em situação presencial a pesquisadora entendeu que o fato dos sujeitos preferirem responder por e-mail ocorre pela familiarização com a tecnologia tão característica desta geração de jovens e que as informações quando dadas espontaneamente sem tolher ou forçar o interlocutor são muito bem-vindas na pesquisa qualitativa. Por isto justificamos aqui a decisão de encaminhar o mesmo roteiro de perguntas para este grupo de egressos. Do restante 3 (três) se encontram em outra cidade, 4 (quatro) não trabalham na área, 13 (treze) não responderam ao contato, 6 (seis) trabalham como profissional autônomo.
O último grupo de sujeitos entrevistados, mas não menos importante, foram os empresários ou, melhor dizendo, os empregadores. No total de 3 (três) indivíduos, este grupo de sujeitos foram os responsáveis pela contratação de profissionais graduados em design gráfico. Seus depoimentos ajudaram a analisar as relações entre as demandas de formação para o designer, indicadas pelo mercado de trabalho, e os processos de formação oferecidos pelas universidades de origem. A partir destes paralelos pudemos esboçar o nível de sintonia, ou não, entre universidade e mercado de trabalho como também sinalizar novas demandas de atuação.
Com exceção dos 3 (três) egresso da UNIT que responderam ao roteiro de perguntas por e-mail o instrumento utilizado para a coleta de dados foi a entrevista semi-estruturada que segundo Trivños (2011, p. 146) “[...]ao mesmo tempo que valoriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação.”
Foram elaborados quatro tipos de roteiros de entrevistas para atender a cada grupo de entrevistados (coordenadores, professores, discentes/egressos e empregadores) mas sempre obedecendo a eixos temáticos comuns: 1) O perfil profissiográfico formado pelas IES: onde se buscou identificar a ênfase em alguma característica na formação deste profissional; 2) A percepção dos coordenadores, professores, discentes/egressos e, dos empresários, sobre a formação deste profissional e, para quê os empregadores contratam designers gráficos: onde se privilegiou as análises das relações entre os conhecimentos considerados mais importantes, os conhecimentos recebidos na formação universitária e o exercício da profissão. 3) Sobre novas possibilidades e tendências no ensino superior e na prática profissional: este bloco de perguntas se refere a uma visão prospectiva e a percepção do potencial de ação do design gráfico no mercado de trabalho.
Com três eixos temáticos em comum, mas com perguntas adaptadas para cada grupo de entrevistados a técnica da entrevista foi utilizada com todos os sujeitos da pesquisa. Começando com um questionário socioeconômico depois se seguiu com perguntas abertas para dar vazão a expressividade dos entrevistados e se sentirem com liberdade para discorrer sobre os temas tratados. Nos Apêndices A, B, C e, D se encontram respectivamente os instrumentos de pesquisa.
Todas as perguntas elaboradas buscaram identificar as relações entre o perfil do egresso formado por ambas as universidades com o perfil formativo, isto é, o perfil que resultou entre aquilo que as IES declaram formar em seus documentos e nos discursos de seus representantes, coordenadores e professores, com a fala sobre as necessidades e demandas dos empresários e com as exigências que o egresso encontra quando chega ao mercado de trabalho.
Um ponto positivo desta pesquisa foi trabalhar com entrevistados que se dispuseram de forma espontânea a responder as perguntas, pois seus depoimentos mostraram a vontade de contribuir para a compreensão da situação atual do ensino e do mercado de trabalho para o designer gráfico em Aracaju. Durante a aplicação dos instrumentos de pesquisa a observação dos espaços e as dinâmicas de atuação dos sujeitos em seus ambientes também foram insumos para se chegar mais próximo à perspectiva de compreensão e interpretação do fenômeno estudado. Como resultado se tem as visões dos sujeitos sobre a formação em Design Gráfico em Aracaju/SE.
Figura 08: Mapa ilustrativo: percepção dos grupos de sujeitos Fonte: arquivo pessoal