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OS TIPOS DE CANAIS FLUVIAIS

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 73-77)

TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL

2.4 OS TIPOS DE CANAIS FLUVIAIS

Os tipos de canais fluviais correspondem ao modo de se padronizar o arranjo espacial que o leito apresenta ao longo do rio. A maioria dos estudos realizados acerca dos rios emprega uma classificação com base em quatro padrões básicos de canais caracterizados em função de parâmetros morfométricos, como sinuosidade, grau de entrelaçamento e relação entre largura e profundidade. Os quatro padrões básicos e/ou tipos de canais fluviais são designados de: retilíneos,

meandrante, anastomosado e entrelaçado ou ramificado. Observe-os na figura

que segue e posteriormente atente para algumas considerações sobre cada um dos canais fluviais.

FONTE: Adaptado de Miall (1977 apud RICCOMINI et al., 2009) FIGURA 32 – OS QUATRO TIPOS FUNDAMENTAIS DE CANAIS FLUVIAIS

2.4.1 Canais retilíneos

2.4.2 Canais meandrantes

Os canais retilíneos são aqueles cujo rio percorre um trajeto retilíneo sem que ocorra um desvio significativo em sua trajetória normal em direção à foz. Segundo Christofoletti (1980, p. 88), “os canais verdadeiramente retos são muito raros na natureza, existindo principalmente quando o rio está controlado por linhas tectônicas, como no caso de cursos de água acompanhando linhas de falha”. Os rios retilíneos estão praticamente restritos a pequenos segmentos de drenagens e distributários deltaicos. Um exemplo típico é o delta do Mississipi, composto por distributários retilíneos. Observe a ilustração.

FONTE: Riccomini et al. (2009)

São aqueles em que os rios apresentam curvas sinuosas, largas e semelhantes entre si, através de um trabalho contínuo de escavação na margem côncava (ponto de maior velocidade da corrente) e de deposição na margem convexa (ponto de menor velocidade). No intuito de distinguir entre os canais meândricos e os que não são, foi proposto o índice de sinuosidade, que é a relação entre o cumprimento do canal e a distância do eixo do vale. Observe a figura a seguir. Note que a distância axial é medida ao longo da linha interrompida. Outro fator importante é o valor de 1,5 usado por alguns pesquisadores como ponto de partida para considerar os canais como meandros.

FONTE: Christofoletti (1980)

Os canais meândricos são encontrados com frequência nas áreas úmidas cobertas por vegetação ciliar. A formação da sequência de depressões e umbrais ao longo do leito fluvial, definindo margens de erosão e deposição, representa o estágio inicial do meandro.

Várias são as condições essenciais para o desenvolvimento dos meandros, tais como: camadas sedimentares de granulação móvel, coerente, firmas e não soltas; gradientes moderadamente baixos; fluxos contínuos e regulares; cargas em suspensão e de fundo em quantidades mais ou menos equivalentes. (GUERRA; CUNHA, 2009). As formas meandrantes representam o estado de estabilidade do canal, denunciando um certo ajustamento entre todas as variáveis hidrológicas, tais como: declividade, largura e profundidade do canal, velocidade dos fluxos, rugosidade do leito, carga sólida e vazão. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Contudo, este estado de equilíbrio poderá ser alterado pela ocorrência de um distúrbio na região, como, por exemplo, a ação do homem no que tange ao plantio em áreas férteis próximas aos meandros.

Para Christofoletti (1980), os meandrantes fluviais, tradicionalmente na Geomorfologia, eram relacionados às planícies fluviais e deltaicas. Assim, partindo desta verificação, chegou-se à noção de que os meandros estavam ligados aos grandes rios no seu estágio de maturidade do ciclo davisiano (estudo do Tópico 1 da Unidade 1). No entanto, esta interpretação na visão de Christofoletti (1980), não está correta, pois existem rios de vários tamanhos e em todas as altitudes que podem formar meandros, desde que uma condição básica seja encontrada, como a presença de camadas sedimentares de granulação móvel, que estejam coerentes, firmes, e não soltas.

Existe uma ampla nomenclatura descritiva aplicada aos meandramentos. Os termos citados com maior ênfase são: meandros abandonados; diques semicirculares; colo de meandro; banco de solapamento; faixa de meandro e point-bars.

IMPORTANTE

2.4.3 Canais anastomosados

2.4.4 Canais entrelaçados ou ramificados

Os canais anastomosados são caracterizados por apresentar grande carga sedimentar no seu leito. Quando o material grosseiro é transportado em grande quantidade pelo rio e este, por sua vez, não tem potencial suficiente para carregá- lo até seu nível de base final, deposita-o no seu próprio leito. Desse modo, se forma um obstáculo natural (rugosidade e saliência), fazendo com que o rio se ramifique em vários canais pequenos e rasos, bem como apresentam-se desordenados devido às constantes migrações entre ilhotas. Para Christofoletti (1980, p. 88), “os trechos anastomosados sempre se localizam ao longo do curso fluvial, pois no ponto de início como no ponto terminal deverá haver um único canal”. Isto é para diferenciar do padrão reticulado, que se assemelha à disposição anastomosada, mas que se caracteriza pelo escoamento efêmero e pela subdivisão em várias embocaduras que se perdem nas baixadas ou lagos temporários.

De modo geral, o padrão anastomosado se estabelece pela existência de algumas condições básicas, como a disponibilidade da carga do leito, a variabilidade do regime fluvial e a existência de contraste topográfico acentuado. Conforme Guerra e Cunha (2009), a grande quantidade de carga detrítica grosseira e heterogênea, em conjunto com a flutuação das descargas, permite a seleção, a deposição de material e, consequentemente, a formação de bancos. A formação dessa topografia do leito promove a divergência de fluxos e o “ataque” às margens. Podemos dizer que o padrão anastomosado dos canais expressa uma melhor relação entre o débito, a carga detrítica e os mecanismos de transporte.

Os canais entrelaçados ou ramificados surgem quando existem braços de rios que voltam ao leito principal, formando ilhas. Essa junção deve ser verificada até dezenas de quilômetros à jusante. Um exemplo típico deste tipo de canal é o rio Araguaia, em Tocantins, cuja ramificação deu origem à Ilha do Bananal, considerada a maior ilha fluvial do mundo.

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 73-77)