3 PANORAMA DA TAD NO BRASIL
3.2 O CONTEXTO DA TAD A PARTIR DOS OBJETIVOS GERAIS DAS
3.2.4 Outros contextos
Algumas dissertações não puderam ser identificadas nos eixos devido às infor- mações incompletas nos resumos, a exemplo das pesquisas desenvolvidas por Al- meida (2017) e Ferreira (2014). Além dessas, o trabalho de Souza (2013) foi enqua- drado em “Outros", pois, apesar de ser feito com educadores, não está direcionado a um foco de ensino de um objeto matemático. O objetivo no estudo foi "identificar as concepções acerca da TD de professores de Matemática da Rede Estadual de Ensino de Araguaína – Tocantins” (SOUZA, 2013, não paginado).
Com relação às teses, apresentamos as justificativas de três delas, classifica- das neste eixo. Em Almeida (2015), a autora abarca diversos referenciais teóricos para a discussão dos saberes docentes para o ensino de sólidos arquimedianos, abor- dando Schulman, Ball, Thames e Phelps, dentre outros; e a TAD, como teoria essen- cial, já que
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nos auxilia a descrever as organizações matemáticas que possibilita- rão modelizar, a partir de um saber de referência, as atividades mate- máticas envolvidas nesse processo, bem como as organizações didá- ticas que colocarão em prática o ensino das primeiras em jogo (AL- MEIDA, 2015, p. 113).
No entanto, como neste trabalho temos o foco voltado às pesquisas desenvol- vidas com a TAD enquanto referencial teórico basilar, após a leitura do estudo, clas- sificamos a pesquisa em Outros, pois a TAD não é explicitada por Almeida (2015) como referencial teórico principal. Nessa mesma justificativa se enquadra a pesquisa de Santos (2013), na qual a Teoria Antropológica do Didático é utilizada como refe- rencial para estudar o conceito de Limite como objeto matemático, auxiliado pelos Registros de Representação Semiótica. Entretanto, a crítica de livros feita pela autora foi baseada na teoria de Bakhtin para análise de discurso dos autores; e na parte do trabalho em que busca explicar as concepções de estudantes e professores sobre o conceito de limite, Santos (2013) utilizou como lupa teórica Bakhtin e a Psicologia Cognitiva.
Para finalizar, citamos a pesquisa de Fernandes (2015), que se debruça sobre o objeto matemático Limite, buscando discutir a vida deste objeto no interior da insti- tuição do Curso Superior de Engenharia Civil na UFPA.
Para investigar o objeto Limite dentro da instituição, o autor fez uso das noções da TAD que tratam do Habitat e nicho do objeto, sob as dimensões econômicas, epis- temológicas e ecológicas do saber, dando enfoque a esta última:
Nos dispusemos pesquisar o desenvolvimento lógico de um saber ma- temático, procurando entender sua epistemologia, suas razões de ser, que condições dispõe, e que restrições se impõem, em seus proces- sos transpositivos no local onde “vive”, ou seja, tratemos da sua eco- logia, perpassando pelas dimensões epistemológica (indispensável a todo problema didático) e econômica-institucional (que antecede e im- brica-se com a ecológica), que serão brevemente abordadas a seguir, com destaque para pesquisas relativas a limite (FERNANDES, 2015, p. 23).
O realce que direcionamos a esse trabalho se refere ao tema central, o objeto matemático Limite. Porém, o problema didático surgido, a partir de mudanças realiza- das no PPC do Curso de Engenharia da UFPA, justificou a discussão sobre o objeto Limite que aparece em Fernandes (2015) como o objeto nuclear da sua pesquisa. O autor se ocupa de abordar todas as terminologias e definições utilizadas pela TAD no
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debate da ecologia do didático, que busca “dar conta da vida” do objeto Limite. Por se tratar do estudo de um objeto matemático, o autor aproveita a Transposição Didática como base teórica para o seu trabalho. Contudo, para a discussão da ecologia do ensino de Limite, o estudo das praxeologias do objeto, emprega a TAD. Mencionamos o pensamento de Fernandes (2015) como um resultado a revelar por meio de todas as outras teses deste corpus de análise que utilizam a TAD para estudar as praxeolo- gias presentes em livros didáticos, em livros de matemática e/ou nas praxeologias de professores e estudantes, buscando responder os questionamentos:
Portanto, a TAD nos fornece elementos suficientes para analisar o sa- ber (logos) e/ou o saber/fazer (práxis) do professor, que são as res- postas às seguintes questões: Que tipos de tarefas são propostas por ela? Quais técnicas ele conhece para resolver as tarefas? Qual o al- cance dessas técnicas? Qual o domínio que ele tem dessas técnicas? Quais são as suas justificativas tecnológicas? Em que teorias suas justificativas se apoiam? (FERNANDES, 2015, p. 59).
Mantendo a característica empírica das pesquisas no campo da Didática da Matemática, o autor realizou entrevistas com um grupo de docentes que atua no curso de engenharia, chamado por ele de “comunidade de professores do ecossistema de ensino” (FERNANDES, 2015, p. 60).
O destaque a ser feito no estudo de Fernandes (2015) diz respeito ao desen- volvimento de toda a sua pesquisa baseado nas noções da TAD, desde a definição do objeto, da problemática, dos sujeitos que compõem a comunidade de educadores entrevistados (professores engenheiros que não lecionam Cálculo Diferencial e Inte- gral, professores engenheiros que lecionam Cálculo e docentes não engenheiros que lecionaram ou lecionam em cursos de Licenciatura em Matemática ou em cursos de Engenharia), até a acepção das condições e restrições nas quais o tema Limite se encontra na instituição escolhida, evidenciando, assim, uma pesquisa que aponta uma teoria, a TAD, que “dá conta” de todo o aporte necessário para a realização do traba- lho.
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3.3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A PARTIR DAS PROBLEMÁTICAS DE PES-