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Outros deveres importantes

No documento Direito do Consumidor (páginas 34-38)

Depois de apresentados alguns dos principais deveres do fornecedor, há ainda outros deveres que são igualmente importantes e que serão tratados a partir de agora. É dever do fornecedor não comercializar produtos que estejam com defeitos ou deteriorados, sem origem, ou com data de validade vencida, por exemplo. Os produtos e serviços fornecidos precisam estar aptos para o uso, sendo dever do fornecedor garantir a qualidade dos produtos e as corretas informações sobre tal.

2 Significado da expressão indelével. Disponível em: https://www.dicio.com.br/indelevel/

Um outro dever do fornecedor consiste no fato de que este deva colocar os preços em todos os produtos e serviços que estão sendo oferecidos de maneira adequada, permitindo que essa informação esteja exposta de maneira clara, precisa e legível para os consumidores. A Lei nº 10.962, de 11 de outubro de 2004, que dispõe sobre a oferta e as formas de afixação de preços e produtos e serviços para o consumidor, trata de maneira clara dessa questão, assegurando o seguinte:

Art. 1º Esta Lei regula as condições de oferta e afixação de preços de bens e serviços para o consumidor.

Art. 2º São admitidas as seguintes formas de afixação de preços em vendas a varejo para o consumidor:

I – no comércio em geral, por meio de etiquetas ou similares afixados diretamente nos bens expostos à venda, e em vitrines, mediante divulgação do preço à vista em caracteres legíveis;

II – em autosserviços, supermercados, hipermercados, mercearias ou estabelecimentos comerciais onde o consumidor tenha acesso direto ao produto, sem intervenção do comerciante, mediante a impressão ou afixação do preço do produto na embalagem, ou a afixação de código referencial, ou ainda, com a afixação de código de barras.

III - no comércio eletrônico, mediante divulgação ostensiva do preço à vista, junto à imagem do produto ou descrição do serviço, em caracteres facilmente legíveis com tamanho de fonte não inferior a doze.

Parágrafo único. Nos casos de utilização de código referencial ou de barras, o comerciante deverá expor, de forma clara e legível, junto aos itens expostos, informação relativa ao preço à vista do produto, suas características e código. (BRASIL, 2004)

Inclusive, sobre esse dever, é comum acontecer de constar na etiqueta de determinado produto um valor e, chegando no caixa, consta valor diverso. Muitos consumidores acabam não se atentando para este fato e acabam levando um produto por um preço superior pelo qual havia sido ofertado. A mesma Lei acima destacada dispõe em seu Artigo 5° que

“No caso de divergência de preços para o mesmo produto entre os sistemas de informação de preços utilizados pelo estabelecimento, o consumidor pagará o menor dentre eles.”. Assim, nesses casos, o fornecedor deverá revender o produto ou serviço pelo menor preço.

Exemplo: No início deste ano um valor errado em etiquetas de caderno quase vira caso de polícia. O fato aconteceu em Uberaba, quando uma consumidora comprou 90 cadernos e, só depois, se apercebeu que haviam duas etiquetas de preço, uma pelo valor de R$ 1,78 e a outra de R$ 8,90. Após notar os valores diversos, a consumidora pagou pelo valor mais baixo, contudo o gerente do estabelecimento acionou a Polícia Militar alegando que a consumidora em questão havia praticado um roubo. A consumidora não havia cometido delito algum justamente pelo que explicamos anteriormente. Se o fornecedor oferta um produto por determinado valor e no caixa aparece um valor superior, ele precisa cumprir o valor da oferta, considerando que quando o preço está errado o fornecedor tem que arcar com esse ônus. Para ler o caso completo acerca deste exemplo, acesse o seguinte link: https://jmonline.com.br/

novo/?noticias,2,CIDADE,191245.

Dando seguimento aos deveres do fornecedor, é preciso estar atento para o fato de que quando da comercialização e oferta de produtos que estejam perto do vencimento do seu prazo de validade, deverá haver uma placa informativa acerca dessa informação. Assim, o consumidor precisa que essa informação esteja ao seu alcance de maneira simples, de maneira que não induza o consumidor a erro, considerando que este pode comprar uma quantidade elevada de determinado produto sem ser devidamente informado que este produto está com o vencimento do seu prazo de validade muito próximo, prejudicando, assim, tal consumidor.

SAIBA MAIS

Um importante e necessário questionamento diz respeito à questão do prazo de validade dos medicamentos. Em informativo do Migalhas n° 4.9593, o assunto trouxe à tona a situação do prazo de validade dos medicamentos, enfatizando que além de ser necessário seguir as mesmas condições impostas pelo Código de Defesa do Consumidor, é necessário também observar a força normativa fixada pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Assim, a farmácia somente poderia vender medicamentos que estivessem próximos do vencimento do prazo de validade se o consumidor puder concluir o tratamento antes dessa data, conforme disposto no informativo.

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Inclusive, para melhor visualização acerca desse tema, o Artigo 51, parágrafo 2° da RDC n° 44, de 17 de agosto de 20094, apresenta o seguinte:

Art. 51. A política da empresa em relação aos produtos com o prazo de validade próximo ao vencimento deve estar clara a todos os funcionários e descrita no Procedimento Operacional Padrão (POP) e prevista no Manual de Boas Práticas Farmacêuticas do estabelecimento.

§1º O usuário deve ser alertado quando for dispensado produto com prazo de validade próximo ao seu vencimento.

§2º É vedado dispensar medicamentos cuja posologia para o tratamento não possa ser concluída no prazo de validade.

(ANVISA, 2009)

3 A questão do prazo de validade dos produtos em geral e dos medicamentos. Disponível em: https://migalhas.uol.com.br/coluna/abc-do-cdc/311295/a-questao-do-prazo-de-validade-dos-produtos-em-geral-e-dos-medicamentos

4 Dispõe sobre boas práticas farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da comercialização de produtos e da prestação de serviços

farmacêuticos em farmácias e drogarias. Disponível em: https://www20.anvisa.gov.br/

segurancadopaciente/index.php/legislacao/item/rdc-44-2009

Para além disso, o fornecedor deve apresentar nos seus estabelecimentos comerciais e de prestação de serviço um exemplar do Código de Defesa do Consumidor, bem como o número do Disque Denúncia. É o que estabelece a Lei nº 12.291, de 20 de julho de 20105, ao apresentar que

Art. 1o  São os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços obrigados a manter, em local visível e de fácil acesso ao público, 1 (um) exemplar do Código de Defesa do Consumidor. (BRASIL, 2010)

Como outro dever do fornecedor, é importante destacar que não existe valor mínimo para pagamento com cartão. Assim, o estabelecimento comercial que adotar como forma de pagamento cartão de crédito ou débito, por exemplo, não pode fixar um valor mínimo para pagamento no cartão, nem tão pouco estipular um valor diferenciado quando o pagamento é feito com dinheiro ou com cartão de crédito em parcela única. Assim, cobranças ou taxas para o consumidor que comprar determinado produto com o cartão de crédito são consideradas abusivas.

Como foi possível observar, há inúmeros deveres do fornecedor que muitas vezes estão previstos em outras legislações específicas e que complementam os deveres já presentes no Código de Defesa do Consumidor, devendo todas essas legislações serem observadas em harmonia.

No documento Direito do Consumidor (páginas 34-38)

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