3 A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO PARA A SOCIEDADE
3.2 PANORAMA E IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO
Para entender a importância do empreendedorismo e como se desenvolve no mundo e no Brasil, este tópico apresenta alguns dados da pesquisa do GEM ( Global
Entrepreneurship Monitor) de 2016, realizada pelo IBQP (Instituto Brasileiro da
Qualidade e Produtividade) e divulgadas pelo SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que revela a taxa de empreendedorismo de 65 países.
A pesquisa classifica os empreendedores de acordo com sua fase no processo de empreendedorismo, sendo empreendedores iniciais aqueles que estão no início do seu negócio e empreendedores estabelecidos aqueles que já são consolidados no mercado mas que ainda buscam transformar e aprimorar os seus produtos e serviços e impulsionar o desenvolvimento da empresa.
O estudo GEM (2016, p. 29) diferencia o empreendedor por necessidade e o empreendedor por oportunidade. Segundo o consórcio, empreendedor por necessidade é o indivíduo que, diante de alguns fatores, como a sua subsistência e o desemprego, se vê obrigado a desenvolver seu próprio negócio. Por outro lado, o empreendedor por oportunidade é aquele que identifica o melhor cenário, ou uma oportunidade, e procura uma forma de aumentar o retorno dos investimentos.
Oportunidade é uma ideia que está vinculada a um produto ou serviço que agrega valor ao seu consumidor, seja através da inovação ou da diferenciação. Ela tem algo novo e atende a uma demanda de clientes, representando um nicho de mercado (DOLABELA, 1999, p. 87).
Empreender por necessidade é considerado como um dos fatores que contribuem para a morte de empresas em estágio inicial no Brasil, por não existir
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planejamento prévio e organização necessária para que as atividades se desenvolvam, de forma a atender os objetivos do negócio e do público alvo. Por outro lado, empresas que nascem de forma voluntária, ou seja, de uma oportunidade de negócio encontrada, tendem a estabelecer o seu negócio com maior facilidade, por dispor de ferramentas e planejamento estruturado. (GEM, 2016)
A inovação, categorizada pela pesquisa como a capacidade de expansão e modernização dos setores, fica num grau baixo em todos os países, pelo fato da maioria dos empreendimentos oferecerem os mesmos produtos e serviços já conhecidos. (GEM, 2016).
Os empreendedores em estágio inicial, se comparados com os em estágio estabelecido, oferecem uma gama muito maior de inovação. Dentro do empreendedorismo inicial, podemos observar que os indivíduos mais ativos encontram-se na faixa etária de 18 a 34 anos, contrapondo o empreendedorismo estabelecido, onde a faixa etária entre 45 e 64 anos é a mais ativa.
A faixa mais jovem, compreendida entre 18 e 44 anos, também é a que apresenta o maior potencial empreendedor. Mais de 80% dessa população afirma ter interesse em abrir o próprio negócio em um período de 3 anos, assim como 60% da população com ensino médio completo. Além disso, como afirma a pesquisa GEM (2016)
No caso dos que estão cursando ensino superior, enquadrados na classe de maior percentual de intenção empreendedora, estudo recente evidenciou a necessidade de aperfeiçoamento da educação para o empreendedorismo, visto que quanto maior a intenção empreendedora dos estudantes de ensino superior, maior é sua busca por aprendizagem empreendedora. (GEM, 2016, p. 101).
Essa informação reforça a importância de se voltar os olhos à reformulação da metodologia de ensino das universidades. É imprescindível que exista a interdisciplinaridade, que o ensino seja completo e que exista o fomento ao empreendedorismo no meio universitário, para que os jovens dessa faixa etária sejam estimulados a utilizar a criatividade na vida profissional.
Outro dado significativo é a equidade existente entre as taxas de empreendedorismo inicial de homens e mulheres. Esse dado incentiva as pessoas a
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abrirem o próprio negócio à medida que explora a pluralidade de experiências profissionais e gera valor aos empreendimentos.
Porém, quando se analisa a taxa de empreendimentos estabelecidos, a igualdade presente entre os gêneros se extingue. O preconceito de gênero, as dificuldades de se estabelecer um equilíbrio entre família e empreendimento e o tradicionalismo presente no mercado são fatores que dificultam a progressão do empreendimento, conforme a opinião das empreendedoras brasileiras entrevistadas. (GEM, 2016).
A pesquisa GEM do ano de 2016 traz também os aspectos favoráveis e limitantes para os novos negócios no Brasil, segundo a opinião de especialistas e empreendedores entrevistados.
Em um comparativo com os países que compõem o BRICS , dentre os 9
aspectos favoráveis para os especialistas, a abertura do mercado (51,6%), a capacidade empreendedora do brasileiro (41,9%) e os programas governamentais (24,7%) incluindo sua criatividade e adaptação, ficaram com os maiores índices. Por outro lado, o Brasil apresenta índices muito baixos em categorias como educação e capacitação do empreendedor (5,4%) e apoio financeiro (3,2%).
Já entre os empreendedores existe uma divergência, tanto entre si quanto em relação à opinião dos especialistas. Para os empreendedores nascentes, o acesso a recursos financeiros (21,5%), a formação da mão de obra (30,6%) e os programas de orientação na criação de um novo negócio (26,1%) são aspectos favoráveis ao desenvolvimento do empreendedorismo, quando os empreendedores estabelecidos consideram que estes aspectos menos favoráveis.
A posição dos empreendedores nascentes pode ser atribuída ao seu otimismo em relação à criação de um novo negócio, pois “valorizam mais o ambiente de negócios do que os empreendedores que já estão estabelecidos”. (GEM, 2016, p. 92).
Pode-se concluir que o brasileiro é um empreendedor em potencial e tem abertura para construir o seu negócio, porém, a falta de apoio aos projetos é um fator que limita o estabelecimento de empreendimentos em estágio inicial. Comprova-se,
9 BRICS é o grupo formado por países que obtiveram destaque no crescimento exponencial de sua economia. Dele fazem parte Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Fonte:
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através dos dados da pesquisa GEM (2016), que existe pouca ou nenhuma capacitação de novos empreendedores, o que, possivelmente, é uma das razões para a falência de muitos desses empreendimentos.
Entre os fatores passíveis de melhoria, tanto especialistas como empreendedores apontam que o acesso aos recursos financeiros é um ponto extremamente limitante. Porém, as políticas governamentais são apontadas por 77,4% dos especialistas como restringentes, enquanto 40,3% dos empreendedores consideram que a burocracia na legislação e a taxação de impostos é prejudicial para o ambiente empreendedor. Entende-se com isso que “quanto mais o empreendedor se relaciona com o sistema tributário brasileiro pior é sua percepção sobre seu funcionamento”. (GEM, 2016, p. 93).
Apesar de o mercado interno ser considerado positivo, na concepção dos especialistas, para o crescimento do empreendedorismo, a capacitação e as ações das instituições de ensino para fomentar a prática empreendedora é insuficiente e devem ser consideradas fatores a serem explorados e melhorados para que o país siga se desenvolvendo. Como afirma Dolabela (2008, p. 75) “o apoio ao empreendedorismo e o aumento da dinâmica empreendedora de um país deveriam ser prioridades em qualquer política ou ação governamental que tenha por objetivo promover o desenvolvimento econômico”.
É fundamental que existam ações que possibilitem o fomento ao empreendedorismo na sociedade, buscando diminuir as burocracias, facilitar o apoio financeiro a projetos inovadores e integrar estudantes em uma educação empreendedora e de caráter criativo.