O termo “transporte” é utilizado para designar uma série de vertentes de um segmento do mercado que é responsável pela movimentação de produtos acabados, matérias-primas, pessoas, entre outras coisas. Num contexto mais abrangente, no Brasil, há a predominância do transporte rodoviário para fins logísticos. Segundo Cordeiro (2007), a participação desse modal corresponde a 62% de tudo o que é transportado no país. A ênfase nas rodovias deixa o transporte de cargas cada vez mais caro, principalmente para grandes volumes e grandes distâncias. Dados como esse, apenas confirmam o que Ballou (2006) diz: “o transporte é a atividade logística que absorve a maior parte dos custos”. Entretanto, o que será discutido ao longo desse trabalho não está relacionado ao transporte de cargas, mas sim a uma outra variante do segmento de transporte: o de passageiros.
Um dos ramos de atividade relacionado ao transporte de pessoas é o transporte escolar, o qual é objeto de estudo dessa pesquisa. Observando o segmento do transporte escolar, no tópico seguinte será traçado um panorama nacional do transporte escolar público, trazendo dados como número de usuários, custos e uma série de outras informações que visam a sustentar a necessidade de estudos mais aprofundados nesse segmento.
3.1 ANÁLISE DO PANORAMA NACIONAL DO TRANSPORTE ESCOLAR PÚBLICO
O governo do Brasil mantém um programa de Levantamento Nacional do Transporte Escolar que, por meio de um sistema informatizado de coleta e processamento, permite a disseminação de informações sobre o transporte escolar. Tal sistema possibilita que estados e municípios forneçam informações sobre o número de alunos transportados, a frota de veículos disponível, custos, recursos, escolas, número de professores que fazem uso do transporte escolar público e dados sobre estimativa de alunos que podem estar fora das salas de aula por falta de transporte.
Esse levantamento busca responder questões gerenciais que possibilitem ao governo analisar e tomar medidas de adequação ao transporte escolar baseado em dados reais. Os objetivos desse levantamento são:
• Apurar gastos públicos com transporte escolar nos estados e municípios;
• Oferecer informações gerenciais que possam subsidiar a elaboração, o controle, o monitoramento e a adoção de medidas corretivas na execução de políticas públicas;
• Apurar o custo por aluno e as reais condições do sistema de transporte escolar no país;
• Definir indicadores de eficiência e eficácia que permitam a avaliação, a partir de informações quantitativas, da aplicação dos recursos da educação pelos gestores.
No país, o transporte escolar público atende cerca de cinco milhões de alunos segundo o 1º Levantamento Nacional do Transporte Escolar - Sinopse Estatística 2004, publicado pelo INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Participaram desse levantamento 51% de um total de 5.559 municípios brasileiros. Apesar de ser um estudo baseado em informações declaratórias e resultantes de um primeiro levantamento, merece atenção, visto que o transporte escolar representa o segundo maior custo com educação para os municípios. Nesse sentido, as informações coletadas podem ajudar a subsidiar pesquisas e o planejamento de ações que visem a melhorar esse serviço no Brasil. O Anexo 1 demonstra a distribuição demográfica dos alunos transportados no período de novembro de 2004.
O efetivo de veículos disponível para atender os alunos que dependem do transporte escolar para chegar às escolas é de 51.363. O Anexo 2 (Frota de Veículos) apresenta uma visão mais ampla de como está distribuída a frota do transporte escolar público, em número de veículos e por tempo de uso. A frota é dividida em várias categorias segundo o tipo de veículo, podem ser ônibus, vans, Kombi, embarcações e outros veículos, autorizados ou não pelo Detran.
A Tabela 3.1 apresenta uma síntese do número de veículos alocados no transporte escolar público dividido por tipo, excetuando-se as embarcações. Diferencia, ainda, o total de veículos que constituem frota própria dos municípios e a frota terceirizada.
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Ao analisar detalhadamente a frota de veículos (Anexo 2) constata-se que dos 51.363 veículos da frota nacional, 31.487 possuem mais de sete anos de uso. Esse é, com certeza, um dos fatores que contribui para que o transporte escolar seja o segundo na lista de despesas dos municípios. Contudo, o custo com manutenção é apenas uma das variáveis do custo operacional da frota. A despeito de os custos com manutenção representarem uma fatia significativa, os maiores gastos concentram-se na terceirização de veículos, que absorvem R$143.320.149,00 da receita destinada a subsidiar o transporte escolar. Essas e outras variáveis envolvidas no custo operacional do transporte escolar nacional podem ser
observadas em detalhes no Anexo 3. A Figura 3.1 apresenta o percentual de participação de cada um dos componentes do custo operacional.
Custos Operacionais Mensais
5%
14%
41%
6%
4%
1%
3%
26%
Gasolina Óleo Diesel
Terceirização de Veículos Manutenção de Veículos Salário dos Servidores Encargos Sociais Passes Escolares Outros
Figura 3.1: Percentual de participação dos componentes do custo operacional do transporte escolar. Fonte: MEC/Inep/Fnde (2004)
Os dados apresentados levantam a seguinte questão: quanto custa aos cofres públicos transportar um aluno? O custo médio nacional corresponde à importância de R$71,30/mês. O custo desse serviço por região, do mais dispendioso ao mais econômico, está estimado em:
R$91,29 para a região Centro-Oeste, R$77,54 para a região Sudeste, R$72,48 para a região Norte, R$66,99 para a região Sul e R$62,70 para a região Nordeste. O Anexo 4 detalha os dados por estado, permitindo uma análise minuciosa dos custos.
A averiguação do panorama nacional do transporte escolar público consolida a importância de um planejamento estratégico para o uso consciente dos recursos destinados à educação. Uma possível solução a ser apontada seria trabalhar na otimização da frota própria dos municípios buscando com isso reduzir, numa primeira instância, os custos com a terceirização do transporte, que correspondem a 41% do custo operacional mensal.
As informações apresentadas fornecem, portanto, uma fonte de dados valiosa para a realização de vários estudos envolvendo a melhoria no serviço de transporte escolar prestado, garantindo a todos o acesso à educação.
Apesar do transporte escolar privado não possuir a mesma riqueza de detalhes, associações como o custo operacional podem ser consideradas válidas, pois compartilham da mesma estrutura física. Efetuando análise semelhante sobre a situação do transporte escolar na cidade de Joinville, coordenado pela ACTEJ, pode-se extrair alguns dados, porém não tão detalhados quanto o estudo realizado pelo governo. Estima-se que os 115 associados rodem
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cerca de 25 mil quilômetros/dia para o atendimento de seis mil alunos. O valor cobrado por aluno transportado é de R$110,00, sofrendo acréscimo para grandes distâncias.
O panorama apresentado aponta para a necessidade de prestar um serviço de transporte escolar de melhor qualidade e acessível a todos. Com base nessa afirmação, no capítulo seguinte apresentará o problema do caixeiro viajante, fundamento para a solução dos problemas de roteamento de veículos.
CAPÍTULO IV
4. O PROBLEMA CLÁSSICO DO CAIXEIRO VIAJANTE E ESTRATÉGIAS PARA