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2.2 Características do Setor Elétrico Brasileiro

2.2.2 Desenvolvimento do Setor Elétrico Brasileiro sob a Perspectiva da Análise da Cadeia de

2.2.2.2 Período de 1934-1990 (Predominância Estatal)

No período de 1934-1962, houve uma tentativa de regular as empresas privadas com a criação do código nacional de águas (1934), o qual veio estabelecer regras para o uso da água e a produção e fornecimento de energia elétrica. A partir de então, o aproveitamento de potencial hidrelétrico passou a depender de autorização ou concessão (por prazo máximo de 30 ou 50 anos, conforme o montante dos investimentos) As tarifas passaram a ser fixadas segundo os custos de operação e o valor histórico dos investimentos, o que significava o fim da “cláusula-ouro” e da correção monetária automática conforme a variação cambial. O Estado (governo federal) passava a deter o poder de concessão e de fiscalização, estabelecendo, pelo menos teoricamente, as condições para controlar as atividades das empresas privadas.

Pode-se verificar que, no período citado acima (1934-1962), o Estado pretendia tomar o controle do setor e gerenciar melhor a questão das empresas estrangeiras que o detinham. Segundo VIANNA (2004), o período Vargas marcou, também, o início da industrialização no Brasil, com crescimento acentuado da demanda de energia elétrica, por sinal, acima da capacidade de oferta de geração, prenunciando, já no início dos anos 1940, uma situação de escassez de energia. Não foi por acaso que, nesse ambiente, em 3 de abril de 1936, foi criada a Associação

ABCE,

Operação Interligada - GCOIs, os quais tinham a finalidade de coordenar, decidir

foi criado, em 1939, o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica - CNAEE, reforçando a questão da regulamentação dos serviços de eletricidade. Em 1940, a capacidade instalada de energia elétrica do Brasil era em torno de 1.250 MW.

Segundo BELUZZO (1993), citado por ABREU (1999), o setor elétrico brasileiro teve seu período de crescimento durante os anos cinqüenta, sessenta e setenta. Em 1945, houve a primeira intervenção do governo federal na produção de eletricidade, quando foi criada a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), com a tarefa principal de construir e operar a Usina de Paulo Afonso – inaugurada em 1955. Em 1960 foi criado o Ministério de Minas e Energia e a Eletrosul e a capacidade instalada de energia elétrica no País era em torno de 4800MW.

No setor elétrico, a partir de meados dos anos 1960 o crescimento da capacidade instalada e da malha de transmissão do País exigiu que os sistemas elétricos — dos quais as empresas até então definiam os requisitos e projetos específicos, voltados ao atendimento de sistemas isolados ou, quando muito, com fraco nível de intercâmbio — passassem gradativamente a funcionar de forma integrada, do forma a proporcionar o aproveitamento mais racional das fontes energéticas e uma melhor qualidade de serviço. Com isso, em julho de 1969, a partir de princípios básicos estabelecidos pelo MME, foi criado o primeiro Comitê Coordenador de Operação Interligada - CCOI, abrangendo as empresas geradoras e distribuidoras da região sudeste. Em janeiro de 1971, foi criado o CCOI-Sul. No final de 1973, os CCOIs foram substituídos pelos Grupos Coordenadores para

ou encaminhar as providências necessárias ao uso racional das instalações geradoras e de transmissão, existentes e futuras, nos sistemas interligados das regiões sudeste e sul. No âmbito da regulação setorial, deu-se em 1965, a criação do Departamento Nacional de Águas e Energia - DNAE, então vinculado ao MME (transformação da Divisão de Águas do DNPM). Em 1967, ocorreu a extinção do CNAEE, com absorção de suas funções pelo DNAE. A denominação deste foi alterada para Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE em 1968. Consolidava-se, dessa forma, a estrutura básica do setor, sendo a política energética traçada pelo MME e executada pela Eletrobrás, atuando o DNAEE como órgão normativo e fiscalizador. Em 1970, a capacidade instalada de energia elétrica no Brasil era em torno de 11.460 MW (VIANNA, 2004).

No início dos anos 1970, com a crise do petróleo e a conseqüente elevação dos preços, os Países centrais passaram a transferir para Países periféricos e dependentes, rico em potencial energético como o Brasil, uma série de indústrias que consomem muita energia. Assim, o Brasil se transforma, progressivamente, juntamente com outros Países periféricos, em um exportador de produtos eletrointensivos. Na realidade, os Países dominantes fizeram esta transferência para que os Países periféricos exportassem os produtos em troca da dívida contraída com os mesmos para constru

Mundial, e do qual participou um consórcio canadense – Canambra. Foi co

mia mundial, teve reflexo

om a eleição do Presidente Tancre

ção de hidrelétricas. Isto foi causando um desequilíbrio entre oferta e demanda, pois o País não investia mais em geração, ou seja, com a falta de investimentos no setor dominante da cadeia, os demais sofreram sérias conseqüências, o que levou praticamente o setor elétrico a exaustão no final deste período.

Em 1973 se consolidava a estrutura básica do sistema Eletrobrás, com a Eletronorte (criada em 1969), Eletrosul, Furnas e Chesf. O modelo estatal de grandes hidrelétricas teve como fundamento o levantamento do potencial hidrelétrico realizado na segunda metade da década de 1960, com apoio do Banco

m base neste projeto que, nas décadas seguintes, o planejamento e a implantação de grandes projetos hidrelétricos se apoiaram.

Segundo BELUZZO (1993), citado por ABREU (1999), a partir de 1979, o endividamento externo do País, realizado durante os anos anteriores e posteriores a este, agravou- se principalmente pelo aumento das taxas de juros internacionais e pela manipulação das tarifas, como um mecanismo de controle da inflação.

Segundo CHIGANER et. al. (2002), a partir da década de 1980, o progressivo esgotamento do modelo de desenvolvimento nacional calcado na ação do Estado, traduzido pela redução da atividade econômica, em paralelo a um reordenamento da econo

s no setor elétrico.

Conforme VIANNA (2004), no campo político, o grande acontecimento das décadas 1980-1990 foi, evidentemente, o fim do ciclo dos governos militares, c

do Neves em 1984. Se há um setor onde o termo "década perdida" pode, infelizmente, ser aplicado tranqüilamente, é o setor elétrico, pois, além do controle tarifário para uma frustrada tentativa de controle inflacionário, houve também a corrida de algumas empresas, já endividadas pelas obras da década anterior, aos suppliers credits, que acabou por complicar ainda mais suas saúdes financeiras. Houve, também, o RENCOR e o frustrado Projeto de Revisão do Setor

Elétrico - REVISE. Foi, também, a década dos black-outs e da inadimplência setorial, com a capacidade instalada de energia elétrica no Brasil sendo 31.300MW em 1980.

Registre-se, no período de 1930 a 1990, o maior crescimento de capacidade instalada de energia elétrica no País, já que em 1930 a capacidade ficava em torno de 780MW e, no ano de 1990, passou para um valor em torno de 65 maior, isto é, 53000MW.

No modelo estatal, houve quase que um monopólio do Estado na produção, transmissão e istribuição de energia. Neste período, pôde-se verificar a verticalização destas empresas, com os ntes específicos e com grandes investimentos no setor de geração. Pode-se citar que as empresas possuíam economia de escala e uma certa “proteç

s praticamente livres de risco, onde as ineficiê

eríodo de 1990-1995 (Pré-privatização)

esregulamentações foram os instrumentos

disso, o governo

ICO (2002), a nova estrutura do Setor Elétrico foi resultado de um processo de forma institucional iniciado em meados dos anos 1990. Os objetivos básicos do processo d

estágios da cadeia organizando-se em torno de age

ão natural” contra os riscos dos negócios, pois quaisquer perturbações que ocorressem em algum dos estágios, os custos correspondentes eram repassado às tarifas, isto é, ao consumidor final. Com isso, a projeção de demanda era o estágio que mais poderia causar danos na cadeia, estando os outros estágios “protegidos”, isto é, caso houvesse erro de previsão, estes eram sempre repassados aos consumidores, estando as empresa

ncias eram cobertas por mecanismos de “subsídios” como o RENCOR, onde empresas com maior ganho repassavam parte dos ganhos as menos eficientes.