O presente trabalho foi desenvolvido tendo como objetivo inicial elaborar uma UEPS, com o conteúdo NOX do 1° ano do EM, na área de ciências da natureza, no componente curricular Química. Depois de elaborada a UEPS direcionada ao tema NOX, o segundo objetivo foi, portanto, aplicá-la e, uma vez desenvolvida e aplicada, verificar o potencial da mesma, analisando a ocorrência de uma AS, no conteúdo ao qual a mesma foi direcionada.

Apesar de o docente ser o autor da UEPS deste trabalho, os sujeitos do projeto desta UEPS são discentes, e o papel fundamental do professor foi, de acordo com Mizukami (1986), dar assistência e facilitar a aprendizagem dos estudantes. Assim, salienta-se que o que os estudantes aprendem não é transmitido pelo professor, mas resulta de suas próprias experiências. No desenrolar desses conhecimentos, direcionados a uma aprendizagem significativa, o professor não é quem ensina, seu papel é criar condições para que os estudantes aprendam.

Como relata Freire (1996), a perspectiva de se tratar o aluno como uma tábula rasa não promove o conhecimento, aprender não é um fim, mas um processo. O ser humano é um ser inacabado em constante processo de apropriação do conhecimento; porém, essa apropriação vai além de uma etapa colegial; de acordo com Freire (1996), educar é transformar o mundo. Isso quer dizer que, quando há uma aprendizagem real e significativa, ocorre uma transformação no educando em sua visão de mundo e que, por consequência, o faz estar apto a transformar o mundo, dentro de uma contribuição crítica e consciente aos fenômenos que ocorrem a sua volta. Dessa forma, a proposta de trabalho consiste em uma metodologia em que se tem como base o construtivismo.

Ainda sobre o importante papel do professor, no processo de ensino e aprendizagem, Ausubel (2003) e Freire (1996) descrevem que o mesmo não deve se posicionar como detentor do saber, mas sim como mediador desse processo, criando condições para que esta se realize.

De modo geral, as ciências da natureza, por serem exatas, fazem, muitas vezes, uso de métodos quantitativos em seus estudos, o que se justifica pelo fato de que busca exatidão e precisão. Pode ser citado o exemplo dentro da química, já que é o componente ao qual se direciona este trabalho, de quando se faz a análise de amostras de efluentes, para verificar possíveis contaminações. Profissionais dessas áreas, em consequência dessas influências, estão habituados a se valer de regras, leis e padrões para a sua prática e, de certa forma, padronizam suas atividades, que podem ser consideradas atividades técnicas, diferente do professor que busca práticas pedagógicas.

Ocorre que o processo de ensino e aprendizagem é muito mais complexo e rico do que um laboratório de análises químicas, razão pela qual se faz uma reflexão mais profunda, no que diz respeito a reavaliar as práticas pedagógicas nessa área e neste trabalho, especialmente em química. Como já mencionado, os estudantes, de modo geral, reconhecem o valor e até admiram os profissionais como químicos, físicos e biólogos. Ocorre que, mesmo com essa suposta admiração e respeito, não se interessam pela área, porque veem a mesma

como difícil e complexa demais para ser compreendida. Na prática, pode-se afirmar que a ideia de fácil ou difícil é reflexo da maneira como cada conteúdo é trabalhado e não do conteúdo em si.

Neste contexto, Zabala (2016) salienta que para que uma aprendizagem seja concreta, inicialmente deve-se fazer uma diferenciação entra os conteúdos que se pretende ensinar, se são atitudinais, procedimentais ou conceituais para, depois de feita, entender como são aprendidos e orientar a prática pedagógica sobre o modo de ensiná-los. Na UEPS deste trabalho, os conteúdos atitudinais foram propostos nas atividades colaborativas, nas quais se aplica o saber conviver, ou seja, o trabalho em grupo, o saber lidar com as diferenças e saber interagir, respeitosamente. Os conteúdos procedimentais e conceituais foram trabalhados nas atividades que os estudantes realizaram e que resultaram na produção de conceitos; portanto, conteúdos conceituais. Em suma, pode-se dizer que conteúdos atitudinais são atitudes nas atividades propostas; procedimentais envolvem o desenvolvimento das atividades, e conceituais, os conceitos consolidados nas mesmas.

Fica evidente que cada unidade em química, a ser trabalhada, necessita de uma atenção especial, diferenciada, o que contradiz padrões e regras que acabam por generalizar os processos. Assim, o conteúdo de aprendizagem não é apenas o conteúdo que se pretende ensinar, mas contempla todos os elementos para que o estudante aprenda tal conteúdo.

[...] Assim, pois, se considerarmos como conteúdos de aprendizagem não apenas aquilo que é preciso conhecer ou saber, mas, além disso, tudo que também é objeto de aprendizagem na escola, deparamo-nos com conteúdos de aprendizagem de natureza muito diversas: nomes, habilidades, acontecimentos, comportamentos, etc. (ZABALA, 2016, p. 7).

Ensinar seguindo padrões, modelos prontos e leis, sem dúvida, é bem mais fácil e menos complexo do que ter como base a Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel (2003); fazendo uso de recursos tais como UEPS, ocorre que a diferença é o resultado final. No caso de um modelo de padrões como antes mencionado, é provável que os estudantes aprendam, mas por pouco tempo, sem estabelecer significados, não desenvolvendo habilidades e competências para resolverem problemas e tampouco venham a ter alguma motivação ou interesse por se tornarem profissionais na área das ciências da natureza. Contudo, é fato que podem, sim, ir muito bem na avaliação final, ainda mais se levarmos em consideração que, dentro desse padrão de ensino, é provável que esta também siga um modelo.

Os elementos para que se atinja uma aprendizagem significativa estão descritos na aplicação de uma UEPS. O produto deste trabalho é um guia didático para a aplicação desta UEPS e um tabuleiro desenvolvido para o ensino de NOX.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) (BRASIL, 1999) mencionam que teoria e prática são indissociáveis na construção dos conceitos e no entendimento de saberes necessários e que a experimentação não permite somente verificar o fenômeno, mas propor hipóteses e formular explicações sobre outras experiências que não foram concretizadas. (BONFANTI et al., 2013).

Analisando tais sentenças-núcleo para o Processo de Ensino e Aprendizagem, que tem como objetivo uma AS, para atender à necessidade da prática sem, contudo, estar atrelado a questões como estrutura física e recursos, foi proposto o desenvolvimento deste material didático que, embora não seja uma atividade experimental, consiste em uma forma de trabalhar de maneira ativa e prática o ensino de NOX.

No documento Aprendizagem significativa no ensino de química : uma proposta de unidade de ensino sobre número de oxidação (páginas 43-46)