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Perguntas e Respostas Relacionadas com a Hipnose

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ERGUNTAS

1. O que fazer quando o paciente chega ao consultório?

2. Pode-se usar a hipnose após as refei- ções?

3. Qual a melhor posição do paciente para a indução da hipnose?

4. Existe um estado especial chamado “estado hipnótico” ou “transe hipnó- tico” ou “condição hipnótica”? 5. Por que fazer a indução hipnótica se

a hipnose ocorre na vida diária? 6. Todas as pessoas são hipnotizáveis? 7. Qual o melhor método para a indu-

ção da hipnose?

8. Quando começa a hipnose num pa- ciente?

9. Acho que não estava hipnotizado por- que consigo lembrar o que o Dr. fala- va.

10. Durante a hipnose pode-se transferir o comando para outro especialista,

médico assistente, odontólogo ou psi- cólogo?

11. Eu vou dormir?

12. O paciente hipnotizado tem um ele- troencefalograma (EEG) característi- co?

13. Quais são os principais ritmos cere- brais no adulto normal?

14. Como é o eletroencefalograma (EEG) do adulto durante o sono espontâneo? 15. Qual a diferença entre o EEG analó- gico (convencional) e o EEG digital (DEEG); e o que é EEG quantitativo (QEEG)?

16. Quando se faz a regressão de idade num adulto, que revive vivamente comportamentos e experiências infan- tis, o EEG também apresenta os pa- drões do EEG da criança?

17. Qual é a função do sistema nervoso (SN)?

18. Como é a organização do sistema ner- voso em nível celular?

20. Que estruturas compreendem esque- maticamente o SN?

21. Como seria uma explicação para a neurofisiologia da hipnose em relação à estimulação sonora (som e signifi- cado da palavra)?

22. Quais as vias da estimulação visual? 23. Qual o percurso da sugestão senso-

rial tátil?

24. Pode-se hipnotizar uma pessoa con- tra a sua vontade?

25. Pode sob hipnose uma pessoa fazer alguma coisa contra a sua vontade? 26. Pode uma pessoa hipnotizada come-

ter um delito?

27. Por que as sugestões funcionam mais durante a hipnose do que durante a vigília?

28. O que é senso-percepção?

29. O que é atenção e como funciona? 30. O que é memória? 31. O que é imaginação? 32. O que é hábito? 33. O que é automatismo? 34. O que é dissociação? 35. O que é ab-reação? 36. O que é psicoplasia? 37. O que é auto-sugestão?

38. Quais os princípios ou “leis” da su- gestão?

39. Com funciona o subconsciente? 40. Ao eliminar um sintoma pela hipno-

se, aparecerá outro em substituição? 41. O que é alucinação hipnagógica? 42. Quais os significados da palavra le-

targia?

43. Qual a diferença entre catalepsia, ca- taplexia e narcolepsia?

44. O que significa a palavra sonambu- lismo?

45. Um paciente psicótico pode ser hip- notizado?

46. Devo seguir suas instruções volunta- riamente?

47. O comportamento hipnótico é invo- luntário?

48. O que é transe lógico?

49. O que são profundidade hipnótica, sugestionabilidade e suscetibilidade hipnótica?

50. Para que servem as técnicas de apro- fundamento da hipnose?

51. O que significa concentração, absorção em imagens mentais ou num evento? 52. Quais as características das pessoas

com alta suscetibilidade à hipnose em comparação com as pessoas com bai- xa suscetibilidade?

53. Uma pessoa pode simular estar hip- notizada?

54. Qual a sugestão mais eficiente na hip- nose: direta ou indireta?

55. O que os exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e de ima- gem por ressonância magnética fun- cional (RMf) podem demonstrar so- bre a hipnose?

56. O que ocorre para o paciente se du- rante a hipnose, subitamente, o hip- nólogo ficar em silêncio e sem comu- nicação não-verbal com o ele? 57. Pode o paciente após a hipnose sair

dirigindo o seu carro?

58. Quanto tempo demora para uma pes- soa ser hipnotizada na primeira vez? 59. A hipnose pode criar novas habilida-

des em uma pessoa?

R

ESPOSTAS

O que Fazer quando o Paciente Chega ao Consultório?

Primeiro ganhar a confiança do paciente e ouvi-lo, para podermos diagnosticar o moti- vo da consulta. Depois, segundo cada caso, um exame clínico neurológico ou avaliação

psicológica ou exame odontológico, enfatizan- do mais o aspecto relacionado com as quei- xas do paciente. Se o diagnóstico nos indicar um tratamento pela hipnose, deve-se fazer uma anamnese detalhada e dirigida aos aspectos relacionados com a problemática do paciente. Então, apresentar um prognóstico honesto para o paciente. Se decidirmos pela hipnose, avali- amos o conhecimento do paciente sobre o as- sunto e eliminamos suas defesas, medos e/ou conceitos errôneos. A seguir, explicamos o que significa a hipnose médica. A indução usual- mente é feita na segunda consulta.

Pode-se Usar a Hipnose após as Refeições?

Sim, pode-se usar a hipnose após as refei- ções. Nós preferimos utilizar o tratamento por meio da hipnose quando o paciente vem ao nosso consultório, desde que não esteja alco- olizado ou tenha se excedido muito na ali- mentação, como após uma feijoada ou uma churrascada. Eventualmente, fazemos a hip- nose à noite para alguns pacientes que se apre- sentam ao tratamento com queixas de insô- nia, e para aqueles pacientes que pretende- mos passar do sono natural para a hipnose. Por outro lado, a hipnose à noite pode condu- zir algumas pessoas ao sono natural.

Qual a Melhor Posição do Paciente para a Indução Formal da Hipnose?

A melhor posição é a que se adapta me- lhor aquele paciente que está diante de nós. Usualmente preferimos a posição do pacien- te reclinado numa cadeira à posição deitada, porque nesta última, muitos pacientes entram em sono natural. Mas podemos fazer a indu- ção com o paciente de pé e depois pedir para que ele se sente numa cadeira; ou com ele pedalando numa bicicleta ergométrica.

Existe um Estado Especial Chamado “Estado Hipnótico” ou “Transe Hipnótico” ou Condição Hipnótica?

A resposta para alguns pesquisadores1 é que não existe um estado especial denomina- do “estado hipnótico”, pois as manifestações que podem ocorrer durante a hipnose, tam- bém podem ocorrer com sugestões transmiti- das sem hipnose. Além do mais, essas mani- festações ocorrem na vida diária, sem que a pessoa entre num estado especial. A evidên- cia de que com uma motivação adequada ob- têm-se as mesmas respostas do que com a hip- nose não prova que a motivação adequada e a hipnose sejam idênticas, nem desaprova a existência da hipnose.2 Quando mencionam estado alterado de consciência, devemos in- dagar estado alterado de quê? Então o que é estado não alterado? A corrente que não con- sidera o estado hipnótico um estado diferente, minimiza os efeitos da indução da hipnose, porque se não há um estado diferente dito hip- nótico ou transe hipnótico, não é necessária indução, pois não há no que entrar. Contudo a indução é útil para criar ou ampliar as expec- tativas positivas do paciente diante da hipnose e aos objetivos do tratamento. Em português o termo alterado tem conotações diferentes do que se pretende dizer, por isto prefere-se o termo modificado. Para outros pesquisa- dores, quando queremos obter os benefícios da hipnose num determinado momento, quer seja no consultório ou no laboratório de pes- quisa experimental, faz-se a indução hipnó- tica para o indivíduo entrar em hipnose, ou seja, em estado hipnótico naquele momento. Contudo, mesmo no consultório, a hipnose muitas vezes pode ser obtida muitíssimo ra- pidamente em questão de segundos, com um sinal hipnógeno adequado, minimizando a importância da indução formal. Além dis- so, ainda há técnicas rápidas de indução sem o sinal hipnógeno. No dizer de Chertok, “o es-

tudo da hipnose não é, portanto, o estudo de uma realidade excepcional, mas de um meca- nismo que desempenha um papel central na vida mental dos indivíduos”3 (p.245).

Por que Fazer a Indução Hipnótica se a Hipnose Ocorre na Vida Diária?

Fazemos o procedimento de indução da hipnose quando o paciente vem nos consultar e decidimos pelo tratamento pela hipnose. Fa- zemos a indução porque necessitamos da hip- nose neste paciente, neste momento e com uma finalidade específica. Assim, de comum acor- do com o paciente, fazemos a sua reprograma- ção mental com sugestões e fraseologia espe- cialmente destinada para este paciente.

Alguns acham que a indução hipnótica aumenta a sugestionabilidade do paciente. Contudo, uma hipersugestionabilidade pode ser decorrente apenas da fraseologia para imaginar. O desenho dos estudos experimen- tais esbarra ainda na dificuldade de que a sugestionabilidade varia de um indivíduo para outro indivíduo, e pode variar num mes- mo indivíduo.

Todas as Pessoas São Hipnotizáveis?

A resposta é sim, todas. Considerando que a hipnose ocorre na vida diária, todas as pes- soas são hipnotizáveis em algum momento, em alguma situação e em certas circunstâncias.

Qual o Melhor Método para a Indução da Hipnose?

Preferimos chamar técnicas de indução, e entre as que conhecemos plenamente e manejamos com experiência, a mais adequa- da é aquela que melhor se ajuste às caracte-

rísticas do paciente. Para um paciente que usa mais o canal visual, preferimos iniciar com técnicas de visualização; para os que preferem o canal auditivo, iniciamos com técnicas que privilegiem a audição; e para os cinestésicos, iniciamos com procedimen- tos relacionados com as sensibilidades. Sem- pre adaptamos a técnica e a fraseologia as- sociada, às reações de cada momento do pa- ciente, deixando a indução tão dinâmica quanto possível. No cotidiano, para a primei- ra indução geralmente os hipnólogos têm uma ou duas técnicas preferenciais que uti- lizam com a maioria dos pacientes e apenas quando aparecem dificuldades procuram ajustar um procedimento diferente às neces- sidades do paciente. Atualmente as técnicas de relaxamento são as mais freqüentemente usadas na prática clínica.

Quando Começa a Hipnose num Paciente?

É extremamente difícil afirmar quando inicia o processo hipnótico num paciente; se a hipnose inicia desde o momento em que o paciente entra no consultório, ou mesmo em que momento da indução inicia a hipnose. Além desses aspectos, apenas com sugestão pode-se obter de um indivíduo as respostas que se obtêm durante a hipnose. Quanto mais você prestar a atenção na sinalização não- verbal do paciente, tanto mais você pode detectar sinais de início da hipnose como relaxamento dos músculos faciais que ficam mais planos, aumento da assimetria facial, modificação do padrão respiratório de vigí- lia do paciente, movimentos súbitos, rápidos, de curta amplitude, por vezes repetitivos num ou mais dedos das mãos, nas pálpebras, no canto da boca, no ombro, no pé, no joelho, modificações da cor da pele. Esses sinais também podem ocorrer num paciente em vigília submetido às sugestões adequadas.

Acho que não Estava Hipnotizado porque Consigo Lembrar o que o Dr. Falava

Durante a hipnose as pessoas estão cons- cientes do que está acontecendo no meio am- biente em torno, e com a atenção concentra- da no hipnólogo e na sua voz. Elas podem lembrar de muitas coisas, podem lembrar de poucas coisas ou não lembrar de nada. O fato de lembrar das palavras do médico apenas significa que ela prestou atenção nas pala- vras e memorizou. Alguns pacientes negam terem experimentado a hipnose, quaisquer que sejam as experiências que tenham pas- sado. Isto em parte é uma defesa do paciente, refletindo a sua necessidade de manter o controle de si mesmo e em parte aos concei- tos errados sobre a hipnose.4 Quando há ex- trema necessidade de o paciente ter certeza de que foi hipnotizado, durante a hipnose pode-se induzir a rigidez num membro supe- rior e a seguir fazer o desafio de que o paciente não poderá flexioná-lo no cotovelo, porque o braço está rígido e inflexível. Após o término da indução da hipnose o paciente perceberá que durante a hipnose o seu próprio braço fi- cou rígido e inflexível no cotovelo.

Durante a Hipnose Posso Transferir o Comando para Outro Especialista: Médico Assistente, Odontólogo ou Psicólogo?

Sim. O profissional que está conduzindo a hipnose pode passar o comando do pacien- te para um outro profissional. Um dos modos de fazê-lo é: Agora, está aqui o dr. (diga o nome do colega), que você conhece e vai con- versar com você, continuado o tratamento por meio da hipnose. Você deixará de ouvir a mi- nha voz e ouvirá a voz do dr. (diga o nome do colega). Outra opção seria ambos os profissi- onais conduzirem a hipnose, então diga: Ago- ra, além da minha voz, você ouvirá a voz do

nosso colega dr. (diga o nome), que você tam- bém conhece. Eu e ele conduziremos a hip- nose e você ouve tanto a minha voz como a dele. A estabelecimento do rapport com o outro profissional é importantíssimo.

Eu Vou Dormir?

Se você quiser você dorme. Eu estarei aqui ao seu lado.

O Paciente Hipnotizado Tem um Eletroencefalograma (EEG) Característico?

A resposta é não. O eletroencefalogra- ma (EEG) registra a atividade elétrica cere- bral, através de eletrodos posicionados ge- ralmente no couro cabeludo em locais deter- minados.5,6 A atividade elétrica colhida é analisada visualmente. Atualmente, existe o EEG digital, que propicia a análise quantitati- va dos ritmos de fundo. Pelo EEG há absolu- ta distinção entre o traçado de um indivíduo em vigília, do traçado do mesmo indivíduo em sono espontâneo ou induzido por drogas como barbitúricos. Contudo, não podemos distinguir e caraterizar um traçado feito em vigília de um traçado feito em hipnose. Evi- dentemente, o traçado eletroencefalográfico de um indivíduo em vigília é diferente do traçado desse mesmo indivíduo em sono es- pontâneo ou em sono induzido artificialmen- te. Num estudo7 com 20 voluntários, fazen- do EEG em: (a) vigília e repouso, (b) duran- te a indução hipnótica, (c) durante a hipno- se, (d) após a hipnose. Durante a hipnose, quando era sugerida a hipno-anestesia da mão esquerda (sugestões diretas) imergida numa cuba com gelo em estado de fusão por até 5 minutos, verificou-se que a hipnose não altera o traçado da vigília, mesmo em indi- víduos na etapa “sonambúlica” da hipnose,

embora alguns estímulos ambientais e a imersão da mão na água com gelo em fusão não blo- queiem o ritmo alfa. Alguns estudos da últi- ma década mostram que potenciais somatos- sensoriais relacionados com os eventos foram afetados pela manipulação da atenção, e ocor- reram modificações na quantidade de ondas teta no EEG, mas não há no traçado separa- ção definida entre estimulação com o mesmo estímulo administrado para o paciente em hip- nose e para o paciente apenas em completo relaxamento psicossensorial. A atividade teta pode estar relacionada com a atenção focali- zada, mas pode ocorrer com ou sem hipnose. Durante a hipnose, da mesma maneira que durante a vigília se o paciente está rela- xado em repouso psicossensorial, predomina a atividade alfa nas regiões occipitotempo- rais; ao imaginar-se fazendo alguma ativida- de, predomina a atividade beta nas regiões anteriores; fazendo um movimento com uma das mãos, pode apresentar o ritmo em arco nas regiões centrais. Se durante a hipnose o paciente entrar em sono fisiológico aparecem os grafoelementos característicos do sono.

Quais São os Principais Ritmos Cerebrais no Adulto Normal em Vigília?

O EEG é dinâmico, variando com a ida- de, com o estado de consciência, com o es- tado psicofisiológico, com certos estímulos e com determinadas lesões neurológicas. Durante o tempo usual do exame que é de 20 minutos, no adulto normal em vigília re- gistramos os seguintes ritmos:8-11

a) Nas regiões parietoccipitais durante o repouso psicossensorial aparece a atividade alfa, com forma sinusoidal ou fusiforme, 8 a 13 Hz (ciclo por segundo) e amplitude usual em torno de 25 a 100µV (microvolts), rara- mente ultrapassando os 100µV. Esse ritmo é sincrônico e simétrico, bilateralmente, sendo mais acentuada a sua presença quando o indiví-

duo está com os olhos fechados. Ao abrir os olhos, o ritmo alfa é atenuado, isto é, bloqueado. b) A atividade beta está presente mais freqüentemente nas regiões pré-centrais, apresenta freqüência >13Hz a 30Hz, e am- plitude de 20 a 30 microvolts, predominan- temente quando o indivíduo está alerta e com os olhos abertos. Devemos mencionar que aumenta a quantidade de ritmo beta com o uso de medicamentos, como os barbitúricos. c) O ritmo teta em pequena quantidade é comum no adulto normal em alerta. Tem 4 a < 8Hz, e amplitude usualmente menor do que a do ritmo alfa, predomina nas regiões tem- porais anteriores e centrais. Esse ritmo apa- rece durante a sonolência. A onda teta dura de 1/4 a mais de 1/8 de segundo.

d) Ondas lambda são mais freqüentemen- te registradas quando o indivíduo está olhan- do para alguma coisa que desperta a sua aten- ção. As ondas lambda aparecem ocasional- mente, são ondas positivas com duração de até 250 mseg (milissegundos), usualmente com amplitude menor que 50 microvolts, nas regiões occipitais, algumas vezes estenden- do-se para as regiões parietais.

e) Ritmo Mu é um grupo de ondas de 7 a 11 Hz, com amplitude geralmente inferior a 50 microvolts, com forma de arco ou de pen- te, localizadas centralmente e bloqueadas pelo movimento real e pela imagem de mo- vimento ou por estimulação tátil, particular- mente nas mãos. A metade positiva do ciclo é redonda e a metade negativa é pontuda. Ocorre em 7% dos indivíduos normais.

d) O ritmo delta, é lento com 0,5 a < 4 Hz que no adulto normal em vigília e alerta é sempre patológico. A onda delta dura mais de 1/4 de segundo.

O EEG de uma pessoa adulta considerada sadia varia ainda com o seu estado psicossen- sorial, com a hiperpnéia, durante a estimula- ção luminosa intermitente, com o estado emo- cional, com pensamentos de movimento numa mão, com o uso de medicamentos.

Como É o Eletroencefalograma do Adulto durante o Sono Espontâneo?

O EEG do adulto normal durante o sono é dinâmico e apresenta determinados grafo- elementos em determinadas fases. Principais registros da atividade elétrica cerebral du- rante o sono:12

a) Onda aguda no vértice. É uma onda aguda bifásica máxima no vértice, e negati- va em relação com outras áreas, freqüente- mente associada ao estímulo de despertar.

b) Complexo K. É a combinação variá- vel de onda aguda, onda lenta e paroxismo sigma, ocorrendo com amplitude máxima no vértice. Dura de 1 a 2 segundos. A onda len- ta com amplitude de muitas centenas de mi- crovolts. Pode ocorrer espontaneamente ou 150 a 500ms após um estímulo sonoro súbito. c) Fusos do Sigma. É um ritmo episódico com aproximadamente 14Hz e 100 µV usu- almente difuso, com máxima amplitude pró- ximo ao vértice (300 a 400 µV), usualmente ocorrendo em certos estágios do sono. Du- ram de 0,5 a 1,5 segundos, aparecendo em intervalos de 5 a 15 segundos.

Estágio I (sonolência): Redução dos po- tenciais musculares e de artefatos, ligeiro aumento na amplitude e difusão do ritmo alfa que é interrompido por períodos com ondas de 6-7 Hz e amplitude relativamente baixa, durante os quais podem ocorrer movimen- tos laterais lentos dos globos oculares.

Estágio II (sono leve): Fusos do sigma com 14Hz e ondas do vértice nas regiões centrais, que com a profundidade do sono irradiam-se para as regiões frontais. Apare- cem os complexos K.

Estágio III: Fusos do sigma com 9-11Hz e aparece de atividade delta polimorfa (1-3 Hz). Estágio IV: Surgem ondas delta mono- mórficas e contínuas com 1/2 a 2Hz e alta amplitude.

Estágio V (sono paradoxal): Fase dos movimentos oculares rápidos (REM em in-

glês rapid eye movements). Dura em mé- dia 6 minutos e aparece várias vezes no to- tal do sono, correspondendo de 20% a 25% do tempo do sono noturno. Nesse estágio há também movimentos do corpo. Há on- das rápidas de baixa voltagem, sem ondas agudas do vértice, e freqüentes ondas em dente de serra.

Qual a Diferença entre EEG Analógico (Convencional) e EEG Digital (DEEG); e o que É EEG Quantitativo (QEEG)?

O EEG é o registro das variações da ativi- dade elétrica cerebral, variações de voltagem relacionadas com o tempo, sendo, portanto um registro analógico.13 Usualmente, o registro analógico é feito sobre o papel. Atualmente, com o desenvolvimento da informática e da eletrônica é possível o registro digital, que é a transformação do sinal analógico para sinal digital, através do conversor analógico-digi- tal. O EEG digital (DEEG)14 representa o EEG sem registro em papel, baseado em instrumen- to computadorizado, com armazenamento em formato digital através de meios eletrônicos e apresentação em monitor de vídeo ou outro tipo de periférico. Os parâmetros de registro e execução do DEEG são, os mesmos do EEG convencional. O DEEG não é sinônimo de EEG quantitativo (QEEG).14 O QEEG repre- senta o processamento matemático do DEEG de forma a ressaltar determinados componen- tes específicos da onda; transformar o EEG em formato ou em domínio que permita es- clarecer informações relevantes; associar re- sultados numéricos aos dados do EEG para subseqüente revisão ou comparação. No EEG digital e mapeamento cerebral, também cha- mado EEG quantitativo e topográfico (EE- GQT)15,16 as aferições são feitas repetitiva-