1. INTRODUÇÃO
2.2 ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA
2.2.2 Orientação empreendedora
2.2.2.1 Perspectiva da orientação empreendedora individual
Como visto anteriormente, o construto de OE é amplamente utilizado na literatura de empreendedorismo para mensurar o comportamento empreendedor de uma organização. Trabalha-se também com a exploração de diversas variáveis como relacionadas a esse construto. Rauch et al. (2009), por exemplo, reconhecem por meio de uma metanálise que a OE, além de ser capaz de influenciar positivamente a lucratividade, o crescimento e a inovação de produtos, também explica em média, 24% da variação do desempenho de uma empresa.
Assim, os estudos de OE foram considerados, predominantemente, por meio das perspectivas organizacionais, mensurado através dos três comportamentos que caracterizam a empresa empreendedora (inovatividade, proatividade e disposição ao risco). No entanto, na última década, alguns esforços surgiram buscando mensurar a OE como traços do indivíduo, adaptando os três comportamentos como importantes condutas de um indivíduo com características empreendedoras (BOLTON; LANE, 2012). Assim, a origem dessa nova visão acima da conduta empreendedora do indivíduo é baseada nas próprias dimensões da OE organizacional.
A visão anterior proposta por Covin e Slevin (1989) trata os gerentes seniores da organização como representantes que falam por toda a empresa (COVIN; SLEVIN, 1989), mas negligencia o seu papel como o principal indivíduo tomador de decisões, sendo essa a justificativa para o surgimento da nova abordagem (KRAUS; BREIER;
JONES, HUGHES, 2019). Da mesma forma, estudos recentes reconhecem que a OE também possui elementos atitudinais e comportamentais em sua seara (ANDERSON et al. 2015). Logo, reconhecer os comportamentos empreendedores dos indivíduos tornou-se algo relevante, para que as organizações aproveitem e realizem efetivamente o potencial da OE do gerente sênior da empresa e, consequentemente, da organização (KRAUS; BREIER; JONES; HUGHES, 2019).
Assim, estudos recentes passaram a examinar, principalmente, a postura empreendedora dos indivíduos inseridos na organização.
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Rodrigues, Ferreira e Felgueira (2019) propuseram recentemente o desenvolvimento de uma taxonomia do perfil de acadêmicos universitários com base em suas habilidades empreendedoras individuais. Para isso, os autores afirmam que o comportamento empreendedor da organização é um desdobramento da OE em nível individual. Assim, analisar a OE individual pode permitir um melhor entendimento do mundo dos negócios e os fatores que contribuem para o sucesso de um indivíduo, bem como a contribuição desse indivíduo para o sucesso de umaorganização (RODRIGUES; FERREIRA; FELGUEIRA, 2019).
Nessa perspectiva, os autores conseguiram agrupar 1.790 professores e pesquisadores em cinco perfis diferentes: descendentes, realizadores, seguidores, defensores e rebeldes. Para eles, as características das taxonomias encontradas permitem analisar com maior precisão o comportamento dos membros dos perfis.
Além disso, também pode ser usado como um importante ponto de partida para outros pesquisadores e profissionais que desejam avaliar a OE dos acadêmicos no contexto de instituições de ensino superior (RODRIGUES; FERREIRA; FELGUEIRA, 2019).
Bolton e Lane (2012) também trouxeram a discussão da orientação empreendedora individual para o contexto de instituições de ensino superior, por meio do desenvolvimento de um instrumento de mensuração. Os autores justificam sua proposta argumentando que mensurar a OE no nível individual pode ser valioso para futuros proprietários de empresas, incubadoras de empresas e potenciais investidores que estão considerando apoiar propostas de negócios de indivíduos com esse perfil.
Assim, baseado nos estudos anteriores que analisaram a OE no nível organizacional (LUMPKIN; DESS, 1996), os autores Bolton e Lane (2012) desenvolvem um instrumento que considera a inovatividade, a proatividade e a disposição ao risco como condutas de um indivíduo empreendedor. Também descobrem que as outras duas dimensões propostas por Lumpkin e Dess (1996) (autonomia e agressividade competitiva) não carregaram no momento de avaliar a consistência interna do construto de orientação empreendedora individual, confirmando os achados de Rauch et al. (2009). No entanto, apesar de contribuírem significativamente com a literatura de empreendedorismo, adaptando uma escala para mensurar a OE do indivíduo, os autores reconhecem a limitação de seu estudo. A escala foi testada no contexto de estudantes universitários e para suprir essa limitação, recomenda-se a aplicação em outros contextos, pois pode ser uma ferramenta valiosa para determinar as possibilidades de carreira e avaliar o potencial
empreendedor daqueles que procuram assistência para as empresas (BOLTON;
LANE, 2012).
Considerando o instrumento de Bolton e Lane (2012), Kraus, Breier, Jones e Hughes (2019) propõem examinar o relacionamento de uma orientação empreendedora individual de um funcionário e sua capacidade de implementar os conceitos de exploration e exploitation na administração pública. Para sustentar essa proposta, os autores salientam que a medida de OE no nível organizacional é falha para ser relacionada às atividades de exploration e exploitation, uma vez que desconsideram os outros níveis de análise dentro da organização.
Assim, os resultados encontrados nesse estudo mostram que os funcionários com um alto nível de OE individual são mais propensos a trabalhar em atividades exploration que são a base de todos os processos intraempreendedores, enquanto a mesma OE do indivíduo parece não ter influência nas atividades de exploitation.
Sugere-se então que os municípios que desejam se envolver em atividades intraempreendedoras (exploration e exploitation) devem começar a contratar pessoas com alto nível de OE (KRAUS; BREIER; JONES; HUGHES, 2019).
Fellnhofer (2019) busca reconhecer como se comportam os aspectos da OE do indivíduo e da OE organizacional verificando o impacto de ambos no desempenho. A autora descobre por meio da análise de equações estruturais que a OE do indivíduo atua como um antecedente da OE organizacional, sendo que a OE organizacional possui um papel mediador na relação entre a OE do indivíduo e desempenho (FELLNHOFER, 2019). Esses resultados demonstram a relevância de que, antes da análise da OE organizacional, seja mensurada a OE dos indivíduos que formam os comportamentos da organização.
Assim, por ser um dos pioneiros na análise da OE do indivíduo, considera-se para esse estudo a perspectiva de Bolton e Lane (2012). Os autores, apesar de testarem as cinco dimensões propostas por Lumpkin e Dess (1996), reconhecem que as três dimensões mais utilizadas (Inovatividade, proatividade e disposição a assumir riscos) são as que fornecem o carregamento necessário para mensuração desse construto. Logo, esta abordagem se adequa a essa pesquisa por mensurar o comportamento empreendedor do indivíduo, estando alinhada aos objetivos dessa pesquisa, de analisar, além da cultura, os aspectos comportamentais do gestor que beneficiam a efetividade da implementação.
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Portanto, após a análise dos estudos que abordam a perspectiva da OE individual, também buscou-se fazer uma análise dos estudos que trabalham com a OM e OE em um mesmo modelo teórico, estando alinhados com a proposta desse estudo.