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PERSPECTIVA DE ANÁLISE CONCEITUAL SOBRE QUALIDADE DA

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (páginas 59-65)

2. QUALIDADE DA EDUCAÇÃO INFANTIL

2.3 PERSPECTIVA DE ANÁLISE CONCEITUAL SOBRE QUALIDADE DA

Para discutir o conceito de qualidade da educação, como vimos na introdução deste capítulo, é necessário levar em consideração os aspectos de diversidade, de valores e contexto de cada lugar, pois, entende-se que qualidade é um conceito relativo, baseado em valores e crenças (MOSS, 2011). É um conceito que envolve concepções de mundo, de sociedade e de educação, sendo esse um conceito socialmente construído.

A questão da qualidade pode também ser discutida pela perspectiva de qualidade social, que considera, para efeitos de melhoria da educação, os contextos social, cultural e econômico de cada lugar, assim como fatores internos e externos à escola, visando assim a diminuição das desigualdades sociais e educacionais.

Como vimos anteriormente neste capítulo, a maioria das pesquisas que se refere à qualidade do atendimento nas instituições de EI mostra índices insatisfatórios nessa qualidade e sugere critérios que podem ser utilizados para avaliação da qualidade. Fica evidente, nesse quadro, que o que de fato existe e

pode ser medido/avaliado são condições de qualidade relacionadas à infraestrutura, material, pessoal e organização do trabalho.

Essas pesquisas apontam também para as diferenças regionais, sociais, de acesso e permanência, de oportunidades educacionais, o que reforça a ideia de que o conceito de qualidade deve ser socialmente construído por indivíduos que participam daquela realidade, caracterizando-se como resultado de um processo participativo e democrático, pois

Na medida em que instauramos espaços para a reflexão e o debate sobre qualidade, criamos oportunidades para nos questionarmos sobre as condições da oferta e os fazeres relativos à prática educativa levada a efeito na instituição. Tal debate nos permite explicitar ideias, crenças sobre o trabalho pedagógico com crianças pequenas e seus familiares. Nos instiga a conhecer mais, tomar em consideração outros pontos de vista, conhecer um referencial de qualidade para esse trabalho, implícito no instrumento de avaliação que estivermos utilizando. Todo esse movimento coloca em questão o que sabemos, problematiza nossa prática, amplia olhares, fortalece ideias mais qualificadas acerca de uma boa instituição de Educação Infantil e de boas práticas. (BRASIL, 2015, p.31).

Diferentes autores, pesquisas e documentos nacionais e regionais, que foram discutidos no presente capítulo, apontam que a discussão sobre qualidade da educação deve ser realizada por meio de parâmetros de qualidade que consideram as dimensões política, pedagógica e administrativa.

Assim, o quadro a seguir sistematiza algumas considerações com base nas discussões realizadas e um resumo de perspectiva conceitual de base para esta pesquisa.

QUADRO 1 - SÍNTESE DO CAPÍTULO 2

(continua)

TÓPICO EXPLORADO SÍNTESE

O princípio da qualidade na

Legislação Educacional A legislação brasileira traz a qualidade como um princípio da educação, estando posta:

- Na Constituição Federal de 1988;

- Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9394/96;

- No Plano Nacional de Educação, lei n. 13.005/14.

Discussões sobre o termo

qualidade As discussões sobre o termo qualidade e qualidade da educação no presente capítulo, trouxeram as seguintes indagações:

- A palavra qualidade é utilizada no sentido de agregar valor a algo;

- Qualidade é um conceito relativo, baseado em valores e crenças;

- Ao discutir a questão da qualidade da educação é necessário levar em consideração a diversidade, os valores e pressupostos de cada lugar;

- Qualidade da educação na perspectiva de qualidade social visa à diminuição das desigualdades;

- Qualidade da educação entendida como condições intra e extraescolares;

- É um conceito que envolve concepções de mundo, de sociedade e de educação;

- Qualidade é um conceito socialmente construído;

- A construção do conceito de qualidade deve se caracterizar como um processo participativo e democrático, com o envolvimento dos profissionais da educação e comunidade;

- A qualidade é negociada;

- O conceito de qualidade também envolve questões de acesso.

O que dizem as principais pesquisas sobre qualidade na Educação Infantil?

As pesquisas sobre a qualidade da Educação Infantil tratam dos seguintes aspectos:

- Discute-se a qualidade por meio de condições que envolvem critérios de infraestrutura, materiais, pessoal e organização do trabalho;

- O contexto social e cultural no qual a unidade está inserida precisa ser considerado nas discussões sobre qualidade;

- O financiamento da Educação Infantil é essencial para se pensar e planejar qualidade;

- O conceito de qualidade é um conceito que deve ser socialmente construído com a participação dos agentes da escola e da comunidade;

- A diretora é o sujeito que coordenada o processo de gestão, assim considerada condição, nas discussões sobre qualidade;

- É necessário atentar para as condições de qualidade das creches que costumam ser mais precárias que as condições da pré-escola;

- As crianças que frequentam a Educação Infantil tendem a ter um desenvolvimento maior no Ensino Fundamental e esse fator pode aumentar se a EI for considerada de qualidade.

QUADRO 1 – SÍNTESE DO CAPÍTULO 2

(conclusão)

TÓPICO EXPLORADO SÍNTESE

Documentos que tratam da avaliação da

qualidade na Educação Infantil Os documentos nacionais que balizam as discussões sobre a qualidade da Educação Infantil apresentam os seguintes pontos:

- Democratização do acesso e oferta de qualidade;

- Indissociabilidade do cuidar e educar;

- Respeito e garantia dos direitos fundamentais das crianças;

- Critérios para o funcionamento e organização das unidades educacionais;

- Critérios e orientações para adequação do espaço físico;

- Parâmetros e indicadores em nível federal para apoiar as discussões em nível estadual e municipal;

- Avaliação da Educação Infantil que componha o Sistema Nacional de Avaliação a Educação Básica;

- Foco na avaliação de cunho formativo, visando o sistema de autoavaliação e avaliação democrática que englobe as dimensões política, pedagógica e administrativa das unidades.

Documento municipal

- O município de Curitiba apresenta um documento próprio para o monitoramento da qualidade, nomeado “Parâmetros e Indicadores de Qualidade para os Centros Municipais de Educação Infantil”;

- O documento é organizado em parâmetros, objetivos, critérios e indicadores que visam garantir os direitos das crianças que frequentam a Educação Infantil no município de Curitiba;

- Propõe sistema de autoavaliação realizado por toda a comunidade escolar;

- Cada unidade avalia a sua caminhada, levando em consideração o contexto histórico, social e econômico que a instituição está inserida, propondo metas para a melhoria da qualidade.

Perspectiva de análise conceitual de qualidade O conceito de qualidade é um conceito socialmente construído, que envolve a avaliação de parâmetros de qualidade que perpassam as dimensões política, pedagógica e administrativa de cada instituição educacional.

Para tanto é necessário considerar o contexto de cada lugar, sua realidade social, cultural e econômica. Os processos de avaliação da qualidade devem-se caracterizar como participativos e democráticos, envolvendo toda comunidade escolar, para assim alçar a melhoria na qualidade do atendimento às crianças que frequentam as instituições de Educação Infantil, visando à diminuição das desigualdades sociais e educacionais.

Fonte: A autora (2017).

Com base nas discussões realizadas no presente capítulo, a autora desta pesquisa considera que para se alcançar uma Educação Infantil de qualidade nos CMEIs de Curitiba é preciso garantir algumas condições, que, com base nos PIQs do município de Curitiba e das DCNEIs, são abaixo elencadas:

x Que os espaços das unidades sejam organizados com o intuito de garantir um tempo de infância a ser vivido, levando em consideração critérios de segurança, saúde, conforto e estética, flexibilidade, interação e acessibilidade;

x Que a brincadeira seja considerada como principal linguagem da criança e que, para tanto, ela tenha acesso a brinquedos seguros e estimulantes em diferentes tempos e espaços, brinquedos e brincadeiras variadas que favoreçam diferentes vivências afetivas, sociais, cognitivas e motoras e um ambiente que favoreça as brincadeiras de faz de conta. Tendo como critério para essa organização e aquisição de materiais segurança, saúde, quantidade, qualidade, diversidade e acessibilidade;

x Que os tempos e espaços de alimentação estejam organizados com o intuito de garantir que as crianças desenvolvam ações independentes para se alimentar e que desenvolvam o gosto e prazer por uma alimentação saudável. Que incentivem ainda a amamentação dos bebês com o aleitamento materno. Deve-se levar em consideração os critérios de segurança, conforto e estética, saúde e acessibilidade;

x Que as crianças tenham oportunidade de desenvolver identidades singulares e autônomas por meio do critério de acessibilidade;

x Que as crianças vivenciem interações que proporcionem um ambiente favorável ao respeito, à proteção, às relações de afeto, à solidariedade e amizade, tendo como critério para a organização a integração e o respeito;

x Que as crianças tenham acesso a experiências que proporcionem o desenvolvimento da curiosidade, imaginação e capacidade de expressão tendo possibilidade de desenvolver conhecimento de si e do mundo; ter interação com as diversas linguagens, gestual, verbal, plástica, dramática e musical; ter interação com a linguagem oral e

escrita, tendo acesso a diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos; ações que recriem relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço temporais; propostas que desenvolvam a autonomia nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar; acesso a diferentes manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura; contato e cuidado com a natureza; construção de conhecimentos em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza; acesso as diferentes manifestações e tradições culturais brasileiras; e utilização de recursos tecnológicos e midiáticos. Tendo como critério saúde e segurança, uso de materiais e equipamentos, quantidade, qualidade, diversidade e acessibilidade;

x Que todos os professores que trabalham na Educação Básica, inclusive os da Educação Infantil, em consonância com a meta 15 do atual Plano Nacional de Educação, tenham formação específica em ensino superior, complementada com a formação continuada em serviço, usando como critério para organização a acessibilidade;

x Que os CMEIs estejam organizados a fim de garantir um espaço de convivência democrática, usando como critério de organização a transparência, o planejamento participativo, atenção à equipe, parceria e avaliação da instituição.

Pensando na qualidade como construída socialmente por meio de processos de autoavaliação e de avaliação institucional, o que envolve as dimensões política, pedagógica e administrativa, considera-se a participação da diretora em todos os aspectos levantados pela avaliação e não apenas especificamente nas seções que tratam exclusivamente da gestão da unidade.

As pesquisas colocam a diretora como responsável por dar condições para que o trabalho aconteça, sendo a coordenadora do processo educativo. Dessa forma, no capítulo a seguir, busca-se entender qual é o papel da diretora escolar e quais são as dimensões de sua função para, na sequência, com a análise dos dados, buscar compreender de que forma o cotidiano do trabalho da diretora das unidades de Educação Infantil influencia na qualidade do atendimento.

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (páginas 59-65)