A Perturbação de Ansiedade Generalizada caracteriza-se por preocupações excessivas experimentadas pela pessoa, acerca das condições da vida real, por vezes injustificáveis, e os seus sintomas devem prevalecer por mais de seis meses consecutivos. …as preocupações associadas com a Perturbação
de Ansiedade Generalizada são mais globais, pronunciadas, perturbadoras, de maior duração e frequentemente ocorrem sem acontecimentos precipitantes,
(DSM-IV: 447).
O seu diagnóstico não é fácil, devendo ser feito por profissionais depois de descartarem a possibilidade de outros transtornos de ansiedade como o Pânico e a Fobia Social.
Como já referimos a Ansiedade é uma reacção natural e necessária para a auto – preservação, não sendo um estado, é no entanto uma reacção normal perante um perigo ou uma ameaça, mas quando a ansiedade é excessiva, intensa, prolongada ela torna-se patológica e atrapalha, dificulta e impossibilita a adaptação do sujeito.
Assim, segundo McNally et al, referidos por Oatlley e Jenkins (2002), o principal mecanismo de manutenção da ansiedade baseia-se na atenção, os pensamentos centram-se no elemento perturbador do qual o sujeito não consegue alhear-se. Os mesmos autores demonstraram que, nas pessoas que sofrem, por exemplo, da perturbação de stress pós-traumático, perante uma
possível ameaça os seus pensamentos e imagens intrusivas são mantidas gerando novos estados de ansiedade. Segundo os autores referidos, os estados de ansiedade têm uma grande probabilidade de se tornarem crónicos.
Assim As pessoas com mais traços de ansiedade e perturbações também apresentam tendências atencionais em direcção aos acontecimentos relacionados com a ansiedade – especialmente no que diz respeito às suas próprias ansiedades (vivências) particulares (Eysenck, 1992; Mathews, 1993).
Podemos considerar a profissão docente uma profissão sujeita a situações geradoras de altos níveis de ansiedade, senão vejamos: segundo alguns estudos e também a partir da nossa experiência, as alterações sociais com as novas exigências à escola, o confronto com as novas tecnologias que se vêm impondo (e às vezes sobrepondo) às escolas, a interacção com os pares, com os alunos, com as famílias e com os superiores hierárquico, as constantes alterações curriculares, as constantes alterações ao nível da legislação, a incerteza relativamente ao futuro etc., criam situações de stress que, por sua vez, levam ao desenvolvimento de episódios ansiosos e estados de ansiedade, que se vão repercutir na vida dos professores, das escolas e consequentemente na vida dos alunos.
2.3.6 – A Depressão
A Depressão é Sentimento patológico de tristeza, que pode chegar ao ponto da anedonia, do desinteresse total pelo que existe à volta. Pode fazer-se acompanhar-se de hipocondria. Quando a depressão é breve e recorrente ou quando está associada a agitação (anfitimia), ansiedade intensa ou a uma qualquer perturbação psicótica, o risco do recurso ao suicídio é sensivelmente aumentado Ramos, (2001).
Segundo Oatlley e Jenkins (2002), podemos entender a depressão como uma contestação da teoria implícita, em que a pessoa baseou a sua vida, isto pode ser visto como um repensar do projecto de vida da pessoa. Apesar de um
sujeito a repensar e a reorganizar-se, no entanto, o resultado dependerá dos recursos disponíveis e das estratégias de coping que cada um assume.
A depressão tem como característica predominante uma perturbação do humor, pelo que a DSM-IV a inclui no capítulo das Perturbações do Humor.
Segundo a DSM-IV (p.328) “a caracterização essencial de um Episódio
Depressivo Major é um período, de pelo menos duas semanas, durante o qual existe, ou humor depressivo, ou perda de interesse em quase todas as actividades”. Caracteriza-se ainda pelo aparecimento de pelo menos quatro dos
seguintes sintomas:
¾ “Alterações no apetite ou peso;
¾ Alterações no sono e actividade psicomotora; ¾ Diminuição da energia;
¾ Sentimentos de desvalorização pessoal ou culpa; ¾ Dificuldades de concentração ou em tomar decisões; ¾ Pensamentos recorrentes a propósito da morte ou planos; ¾ Tentativas ou ideação suicida” (p.328).
Um episódio depressivo é normalmente acompanhado por mal – estar, clinicamente demonstrado, ou por problemas ao nível do funcionamento social, ocupacional, ou em qualquer outra área considerada importante.
Uma pessoa com depressão apresenta um humor depressivo, está triste, desencorajado, sem esperança ou em “baixo”, perde muitas vezes o seu amor- próprio e deixa de gostar de si, chegando a descorar os seus cuidados pessoais (higiene, apresentação…). A perda de interesse ou prazer está quase sempre presente bem como:
¾ “As alterações de apetite; ¾ As perturbações do sono; ¾ As alterações psicomotoras;
¾ O sentimento de desvalorização pessoal;
¾ Deficiências na capacidade para pensar, para se concentrar, ou para tomar
decisões;
¾ Dificuldades de memorização; ¾ Problemas de concentração;
¾ Podem acontecer pensamentos acerca da morte e ideias suicidas” (DSM- IV:331).
As pessoas com depressão apresentam-se frequentemente choro fácil, irritação, preocupação, obsessões, ansiedade e fobias, e são frequentemente hipocondríacos.
Segundo Coryell et al. (1994), cerca de 60% dos episódios de grave depressão duram menos de seis meses, no entanto 20% tornam-se crónicos e duram mais de um ano. Para os autores referidos, o que leva alguns episódios de depressão a desaparecerem, no período de seis meses e outros a tornarem-se crónicos é, essencialmente o facto de uma pessoa conseguir encontrar uma nova relação, conseguir elaborar novos planos, construir um novo projecto de vida com novos objectivos, enquanto que a outra pessoa não consegue reagir, vive recalcando e interiorizando os problemas, deixando-se cair nas malhas do sofrimento, onde não vislumbra soluções e de onde dificilmente consegue sair, se não recorrer a ajuda especializada.
Poderemos ser levados a dizer que na depressão se instala um círculo vicioso, ou seja a depressão é normalmente causada por um evento grave na vida do sujeito e pode activar memórias prévias de perdas e fracassos, que levam a pessoa a ficar ainda mais deprimida o que, por sua vez, produz mais memórias e pensamentos tristes como ilustra a figura (2.1) que se segue.
Figura 2.1- Depressão: circulo vicioso
Fonte: Oatley e Jekins (2002:397).
No entanto, não tem necessariamente que ser assim, e em muitos casos não o é, felizmente. Muitas das pessoas conseguem reagir e reverter a situação. Segundo Brown, Lemyre e Bifulco, in Oatley e Jekins (2002)a recuperação está associada ao recomeçar com avaliações positivas do eu, com a projecção de novos planos e projectos de vida. É fundamental pensar positivo, traçar novos objectivos, e que cada sujeito invista na promoção da sua auto – confiança e auto – estima elementos essenciais ao reajuste emocional.
Como podemos verificar na figura (2.2), as emoções desempenham um papel fundamental na organização do cérebro, produzindo consequentemente, tendências de processamento. As pessoas deprimidas tendencialmente são levadas a recordar perdas e fracassos de forma insistente fazendo com que um evento adverso ou uma dificuldade se transformem em sintomas psiquiátricos/físicos crónicos.
Figura 2.2 – Diagrama de diferenciação das emoções normais dos episódios depressivos.
Fonte: Oatley e Jekins (2002:392)
As pessoas deprimidas são capazes de desempenhar as suas tarefas se lhes forem facultadas estratégias adequadas, mas se deixadas sozinhas podem não conseguir encontrar a, ou as estratégias apropriadas, pois revelam uma tendência para a falta de iniciativa. Para além disso também tendem a ver o futuro de uma forma mais pessimista, valorizando os eventos negativos e desvalorizando ou ignorando os aspectos positivos (Oatley e Jenkins 2002).
2.3.7- Burnout
Freudenberg, psicanalista americano em 1974, foi o primeiro investigador a introduzir então o termo BURNOUT, outros como Malach (1993) estudaram-no em profissões (Pinto 2000). Este termo significa esgotamento, e apresenta, como principais características clínicas (p. 165):
- Sensação de esgotamento físico, mental e afectivo (o sujeito perdeu
capacidade de produzir, deixa de ter disponibilidade mental para o que quer que seja e sente-se vazio de sentimentos, incapaz de amar);
- Atitude fria e indiferente em relação aos outros; (fica incapaz de se
relacionar em termos afectivos com os outros, ignora-os);
- Sensação de menor rendimento e inadequação no trabalho (o seu
rendimento no trabalho é notoriamente mais baixo e desadequado).
Fidalgo Freitas (2005), refere ainda que para além destes sintomas principais, podem ocorrer muitos outros, quer de natureza física (cansaço, dores de cabeça, problemas intestinais, alterações do apetite, alterações do sono, etc. …) quer ainda de natureza emocional e comportamental.
Como refere o mesmo artigo, o absentismo dos professores, em diferentes países, está ligado em grande número às especialidades médicas de psiquiatria, neurologia, otorrinolaringologia, reumatologia, traumatologia, hematologia e doenças cardiovasculares. Estes dados ajudam a caracterizar um quadro de doenças profissionais.
Christina Maslach (1993) concebe o burnout como um “construto multidimensional” e define-o como uma síndrome, que tem como características a exaustão emocional, a despersonalização e o sentimento de não realização profissional, que afecta sobretudo indivíduos que trabalham com pessoas, ou seja, profissionais de ajuda (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, professores).
Nagy e Nagy in Mota – Cardoso et al (2002) num estudo por eles realizado mostram-nos as percentagens ao longo de 5 anos, de professores em burnout por nível de ensino.
Como podemos verificar as percentagens vão crescendo desde 1993, em todos os níveis de ensino com excepção para o ensino primário, que cresce vertiginosamente entre 1983 (9%) e 1986 (17%), caindo no triénio seguinte sendo em 1988 de 12%
Figura 2.3 – Evolução do burnout em professores do Alabama (Nagy e Nagy, 1992)