Pesquisa qualitativa

No documento Análise do desempenho econômico-financeiro de seguradoras (páginas 92-96)

4. METODOLOGIA

4.5 Pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa foi realizada no sentido de atender aos seguintes objetivos específicos: identificar indicadores não financeiros utilizados para a análise de desempenho econômico-financeiro de seguradoras; e descrever as maneiras pelas quais uma empresa de seguros pode avaliar seu desempenho econômico-financeiro.

Bogdan e Birten (1982)16, citado por Triviños (1987), apresenta algumas características para a pesquisa qualitativa. Segundo o autor, a pesquisa qualitativa é descritiva e tem o ambiente natural como fonte direta dos dados e o pesquisador como instrumento- chave. Os pesquisadores qualitativos estão preocupados com o processo, e não simplesmente com os resultados e o produto. Tendem a analisar seus dados indutivamente e, além disso, o significado é a preocupação essencial na abordagem qualitativa. Visto isso, e em função do objetivo da pesquisa, é coesa a utilização dessa abordagem.

A pesquisa se desenvolveu por meio de estudo de casos múltiplos, buscando encontrar informações a respeito dos indicadores financeiros e não financeiros utilizados pelas empresas estudadas, sendo os indicadores definidos com base na bibliografia consultada. De acordo Yin (2001: 32), “um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”.

16 Bogdan, R. C. & Birten, S. K. Qualitative research for education: an introduction to the theory and methods.

4.5.1 Seleção das empresas estudadas

Para a composição da amostra, foi, inicialmente, elaborada a classificação empírica das seguradoras quanto ao tamanho, de acordo com o faturamento em prêmios retidos (PR), utilizando escala logarítmica para compor os Grupos. Conforme TAB. 7, existem quatro possibilidades diferentes.

TABELA 7 – Grupo de seguradoras por tamanho

Grupo Critério Escala Logarítmica

I PR ano < R$ 10 milhões até 10¹

II R$ 10 milhões < PR ano < R$ 100 milhões de 10¹ à 10² III R$ 100 milhões < PR ano < R$ 1 bilhão de 10² à 10³

IV PR ano > R$ 1 bilhão maior que 10³

Fonte: Elaborada pela autora.

A amostra é tida como não-probabilística, visto que foram escolhidas determinadas seguradoras nas quais havia a possibilidade de acesso às informações necessárias para compor a pesquisa. Segundo a nomenclatura de Cooper e Schindler (2003: 168), a amostra assim composta pode ser denominada “amostra por conveniência”, em que “os pesquisadores ou trabalhadores de campo têm liberdade para escolher quem eles quiserem”, sendo normalmente utilizada para “testar idéias ou mesmo para ter idéias sobre um assunto de interesse”, como é o caso do objetivo desta pesquisa qualitativa. Assim, a amostra foi composta por uma seguradora do grupo I, duas seguradoras do grupo III e uma seguradora do grupo IV, descritos acima, de acordo com a escolha da autora da dissertação e o conhecimento de pessoas que facilitaram o acesso às seguradoras. Não se conseguiu, no entanto, acesso a nem uma seguradora do grupo II.

Tendo em vista o caráter estritamente acadêmico da pesquisa, não serão divulgados os nomes das empresas selecionadas. As nomenclaturas são baseadas no tamanho

das empresas da seguinte maneira: a Empresa I pertence ao grupo I, conforme TAB. 7; como nenhuma empresa selecionada pertencia ao grupo II, a Empresa II será a empresa do grupo III com menor PR no ano de 2006; Empresa III, do grupo III com maior PR; e Empresa IV pertencente ao grupo IV.

4.5.2 Coleta dos dados

De acordo com Yin (2001), alguns princípios são importantes para o trabalho de coleta de dados na realização dos estudos de caso, já que sua inclusão aumenta a qualidade dos estudos. Dessa forma, o autor propõe o uso de várias fontes de evidências, de um banco de dados para o estudo de caso e de um encadeamento de evidências.

No caso da presente pesquisa, foram usadas como fontes de evidências ou, em outras palavras, fonte de coleta de dados: a) documentação, cujo uso mais importante é corroborar e valorizar as evidências oriundas de outras fontes, sendo as buscas sistemáticas por documentos relevantes importantes em qualquer planejamento de pesquisa (YIN, 2001); b) entrevistas, uma das mais importantes fontes de informações para um estudo de caso, sendo utilizada aqui na forma semi-estruturada, ou seja, com uma série de perguntas abertas, feitas verbalmente em uma ordem prevista, mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimentos (LAVILLE, 1999), para Triviños (1987), ao mesmo tempo em que a entrevista semi-estruturada valoriza a presença do investigador, oferece também perspectivas possíveis para que o informante tenha a liberdade e a espontaneidade necessárias para enriquecer a investigação; c) observação direta, de acordo com Yin (2001), ao realizar uma visita ao local escolhido para o estudo de caso, cria-se a oportunidade de fazer observações

diretas, as quais servem como fonte de evidência observacional úteis para fornecer informações adicionais; d) questionários, aplicados como forma a complementar a análise.

O roteiro de entrevista e o questionário foram desenvolvidos com base em pesquisas bibliográficas, destacando-se Pereira (2006). Quanto aos indicadores financeiros, foram utilizados na pesquisa os indicadores encontrados na bibliografia, conforme seção 3.5

desta dissertação. Enquanto que os indicadores não financeiros foram construídos tendo como base as perspectivas do Balanced Scorecard, descrito na seção 3.3 da dissertação. O roteiro e

questionário aplicados encontram-se no APÊNDICE E desta pesquisa. O QUADRO 4 apresenta os cargos ocupados pelos entrevistados, bem como os respondentes do questionário em cada empresa estudada.

QUADRO 4 – Aplicação das entrevistas e questionários

Seguradora Entrevista Questionário

Empresa I Gerente Operacional Atuários do setor de controle

Empresa II Gerente de Orçamento Analistas do setor de orçamento e controle Empresa III Superintendente da Gerência Contábil, Supervisor de Contabilidade, Analista do setor Analistas do setor contábil

Empresa IV Gerente da Área de Contabilidade Não foi aplicado

Fonte: Elaborado pela autora.

4.5.3 Tratamento dos dados

Por se tratar de dados qualitativos, os instrumentos mais adequados para a análise foram: a análise de conteúdo e a análise documental. De acordo com Cooper e Schindler (2003: 346), “a análise de conteúdo mede o conteúdo semântico ou o aspecto o quê da mensagem”. Bardin (1977: 42) a define como:

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Para Bardin (1977: 42), fazem parte da análise de conteúdo “[...] todas as iniciativas que, a partir de um conjunto de técnicas parciais, mas complementares, consistam na explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão deste conteúdo”, seja esse conteúdo passível de quantificação ou não. Ainda de acordo com o autor, existem três etapas básicas no trabalho com a análise de conteúdo: 1) “a pré-análise; 2) a exploração do material; e 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação” (BARDIN, 1977: 95).

A pré-análise é a fase de organização do material, tem por objetivo “tornar operacionais e sistematizar as idéias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 1977: 95). Na etapa de exploração do material, que já começa na pré-análise, os documentos que constituem o material de pesquisa serão submetidos a um estudo profundo, de acordo com os objetivos da pesquisa. Na etapa de tratamento dos resultados e de inferência e interpretação, a análise atinge sua maior intensidade, sendo nesta etapa que se consolidam as conclusões, a partir da inferência e da interpretação dos dados.

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